As festas juninas são um verdadeiro retrato da cultura popular brasileira e também do campo. Embora o milho seja um símbolo da temporada, ele não reina sozinho nos pratos típicos dessa época. Ingredientes como amendoim, mandioca, coco, leite, batata-doce e cana-de-açúcar também ganham espaço nas barracas e têm origem direta no trabalho de milhares de produtores rurais.
“As festas juninas geram um aumento expressivo na demanda, especialmente por parte das indústrias que produzem doces típicos e amendoins salgados. Isso exige de nós uma produção contínua e com alto controle de qualidade para garantir o abastecimento no período mais crítico de consumo”, explica Sérgio Nakagi, vice-presidente da Coplana na cidade de Jaboticabal.
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De acordo com ele, o planejamento faz toda a diferença: “A produção é estrategicamente ajustada para atender à demanda crescente do período.” Por isso, a colheita, o beneficiamento e a logística começam com antecedência, o que assegura qualidade e volume tanto para os clientes industriais quanto para o consumidor final.
Foto: Sergio Nakaji/Arquivo pessoal
Ainda que a mesa junina conte com milho, batata-doce, canjica, cocada e bolo de fubá, o amendoim mantém o protagonismo. “Os campeões de venda nessa época são, sem dúvida, a paçoca e o pé de moleque”, destaca Nakagi.
Pesquisadores das universidades Federal de Alagoas (Ufal) e Estadual de Campinas (Unicamp) encontraram níveis elevados de mercúrio no sangue e na urina de populações que vivem às margens da laguna Mundaú, em Maceió (AL). Os valores superaram os encontrados em outras populações do mesmo município com nível socioeconômico parecido, mas vivendo distantes da laguna.
O estudo é fruto de um convênio entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a de Alagoas (Fapeal). O material foi publicado no periódico científico norte-americano Journal of Hazardous Materials.
“Observamos um quadro de estresse oxidativo sistêmico na população exposta à contaminação por mercúrio, fenômeno relacionado com o aparecimento e agravamento de diversas doenças, entre elas as cardiometabólicas. Ambas as populações analisadas manifestaram uma incidência em torno de 20% de hipertensão arterial e 10% de diabetes. Porém, a que obtém alimentos na laguna pode ter uma piora por conta da contaminação”, afirmou Ana Catarina Rezende Leite, professora do Instituto de Química e Biotecnologia da Ufal e uma das coordenadoras do estudo.
Foto: Ana Catarina Rezende Leite
Os pesquisadores encontraram alterações na quantidade, tamanho, volume e função dos glóbulos vermelhos do sangue da população exposta à contaminação por mercúrio, o que pode levar à anemia. Mudanças em outros biomarcadores apontam ainda para danos em órgãos como fígado e rins.
Observou-se uma elevação causada pelo mercúrio nos níveis de triglicérides, um dos fatores de risco para doenças cardiovasculares. Além disso, os níveis de creatinina e ureia estavam altos na população contaminada pelo metal, sugerindo disfunção renal.
O complexo lagunar Mundaú se comunica com o mar e recebe água tanto do oceano quanto do continente. Além disso, se liga a canais secundários de efluentes domésticos e industriais da capital alagoana e de mais duas cidades nas suas margens. Estas são as mais prováveis fontes de contaminação pelo mercúrio e outros metais.
Das 125 pessoas que tiveram amostras de sangue e urina coletadas, 60 eram moradoras da laguna e consumiam peixes e mariscos (sururu, principalmente) do local. As outras 65 eram de outras partes da cidade, com pouco ou nenhum contato com o local contaminado.
Da mesma forma, na urina, a concentração do mercúrio foi de 0,48 micrograma por litro no primeiro grupo. O que é quase 2,5 vezes mais do que a do grupo-controle (0,18 micrograma por litro).
No sangue, a concentração média de mercúrio do grupo exposto à contaminação foi quase quatro vezes superior à da população que não tinha contato com a laguna (3,40 microgramas por litro no primeiro, contra 0,93 no segundo). Assim, o nível mais alto de mercúrio no sangue encontrado entre as famílias de pescadores da laguna foi de 19 microgramas por litro de sangue.
A regulação brasileira define o nível máximo tolerável em 20 microgramas de mercúrio por litro de sangue. No entanto, agências internacionais apontam uma margem entre 5 e 10 para populações que consomem peixe, segundo o Programa Internacional de Segurança Química, e inferior a 6, no caso da Agência Americana de Proteção Ambiental (EPA).
“Nossa legislação é muito permissiva. Seria preciso acompanhar as populações por alguns anos para avaliar precisamente os efeitos da contaminação por mercúrio, mas nossos resultados já mostram alterações significativas no metabolismo, com menos oxigênio chegando às células, o que afeta seu funcionamento”, afirma Josué Carinhanha Caldas Santos, professor da Ufal, que também coordenou o estudo.
Evidências anteriores
Os resultados das análises em humanos foram coerentes com os de um trabalho experimental anterior do grupo. A pesquisa teme como enfoque os efeitos da contaminação por mercúrio na forma inorgânica em camundongos com colesterol elevado. O que piorou esta condição, o estresse oxidativo e a aterosclerose.
“Nos animais, uma dose considerada baixa a moderada da forma inorgânica do mercúrio [menos tóxica do que as formas orgânicas encontradas nos alimentos, por exemplo] foi administrada por apenas quatro semanas e causou danos significativos em diversos tecidos, incluindo o cérebro. Além disso, agravou marcadamente as lesões características da aterosclerose”. Foi o que disse Helena Coutinho Franco de Oliveira, professora do Instituto de Biologia da Unicamp e coordenadora do projeto que apoiou o estudo.
Ambos os trabalhos tiveram como primeira autora Maiara Queiroz e foram parte do seu mestrado, orientado por Leite na Ufal e coorientado por Oliveira na Unicamp.
Queiroz atualmente realiza doutorado no Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) com bolsa da Fapesp.
Políticas públicas
Os pesquisadores alertam que os resultados são evidências fortes para auxiliar na implementação tanto de políticas ambientais quanto de saúde. É preciso acabar ou ao menos mitigar a poluição na laguna, ao mesmo tempo em que se monitora a saúde das populações afetadas.
“Assim será possível compreender melhor e, talvez, reduzir os impactos da contaminação”, aponta Santos, da Ufal.
Mais para frente, outros metais que também compõem os contaminantes da laguna e podem potencializar os efeitos do mercúrio também entrarão no enfoque do estudo.
Porém, um dos bairros monitorados pelos pesquisadores e um dos mais antigos de Maceió, Bebedouro, não poderá mais ser visitado. O local foi um dos evacuados nos últimos anos pelo risco de desabamento, devido às atividades de mineração de sal-gema em seu subsolo.
Por fim, o trabalho teve ainda apoio da Fapesp por meio de projeto coordenado pelo professor Aníbal Vercesi, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp.
A perpetuação das atividades do agronegócio brasileiro exige mais do que tecnologia e mercado externo: depende de um planejamento sucessório bem estruturado, segundo Álvaro Santos, Advogado Tributarista e Agrarista. De acordo com o especialista, a falta dessa organização ainda é predominante nas fazendas do país, resultando em conflitos familiares, altos custos tributários e insegurança jurídica, especialmente quando a sucessão é tratada apenas após o falecimento do líder familiar, momento em que geralmente se instala um inventário complexo e oneroso.
A sucessão rural deve ser compreendida em duas esferas: a gestão operacional, que envolve quem assumirá o comando da fazenda, e a sucessão patrimonial, que concentra os maiores riscos jurídicos e fiscais. O inventário tradicional é demorado, caro e pode paralisar as atividades produtivas, além de incluir o imposto de transmissão causa mortis (ITCMD), honorários advocatícios e custas judiciais.
Por isso, Álvaro destaca que o planejamento sucessório é uma alternativa mais rápida e segura, aliando estratégias legais, planejamento tributário e princípios de governança corporativa. Entre os instrumentos disponíveis estão a doação em vida, o testamento e a constituição de uma holding familiar — cada um com vantagens, custos e cuidados específicos.
O advogado alerta que o momento ideal para planejar é enquanto o negócio está ativo e estruturado, e recomenda a orientação de profissionais especializados para evitar erros comuns que geram litígios. Para ele, a sucessão planejada é uma necessidade estratégica, pois garante a continuidade da produção, protege o patrimônio e fortalece os laços familiares, evitando prejuízos financeiros e desgastes que podem comprometer gerações futuras.
“Portanto, finalizo reforçando a importância do tema para os produtores rurais, pois planejar a sucessão no agro não é um luxo, é uma necessidade estratégica e jurídica. Trata-se de um investimento na longevidade da atividade produtiva, na proteção do patrimônio e na harmonia familiar. Procrastinar essa decisão pode custar caro – não apenas financeiramente, mas também em termos de legado”, conclui.
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Já para o arroz, a produção de 2025-26 é estimada em 150 milhões de toneladas – Foto: USDA
A produção de grãos da Índia deve alcançar um marco histórico em 2024-25, com um volume recorde de 353,96 milhões de toneladas, quase 22 milhões de toneladas a mais que no ciclo anterior, impulsionada por colheitas excepcionais de arroz, trigo e milho. As informações são do Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O relatório também projeta que a produção de trigo e arroz continuará crescendo em 2025-26, beneficiada por previsões de monções acima da média.
Em 24 de maio de 2025, as chuvas de monções chegaram à costa de Kerala, no extremo sul do país, oito dias antes do habitual, configurando a chegada mais precoce em 16 anos e reforçando as expectativas de outra safra robusta. Para o trigo, estima-se um recorde de 117,5 milhões de toneladas em 2025-26, 4% acima dos 113,3 milhões de toneladas da safra anterior, graças ao plantio dentro do calendário ideal, condições climáticas favoráveis e ausência de pragas ou doenças relevantes durante o ciclo produtivo.
Apesar da abundância, o governo indiano mantém a cautela diante da escalada dos preços internos, atribuída à estocagem excessiva e à especulação do comércio privado. Como resposta, em 27 de maio, foram impostos limites de estoque de trigo válidos até 31 de março de 2026: 3.000 toneladas para comerciantes e atacadistas, 10 toneladas por ponto de venda para varejistas e até 70% da capacidade mensal instalada para processadores.
Já para o arroz, a produção de 2025-26 é estimada em 150 milhões de toneladas, um leve aumento em relação aos 149 milhões do ciclo anterior. As exportações devem alcançar 25 milhões de toneladas, desde que não ocorram mudanças significativas na política de comércio e na competitividade de preços. Quanto ao milho, o volume projetado para 2025-26 é de 42 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo do recorde revisado de 42,6 milhões de toneladas em 2024-25, ainda assim garantindo ao país um patamar elevado de produção de grãos em escala global.
Nesta terça-feira (17), o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, participou de reunião na sede do Ministério dos Transportes, em Brasília, ao lado do ministro Renan Filho. O encontro teve como foco o andamento de obras logísticas prioritárias para os estados de Mato Grosso e Goiás, entre elas a conclusão da obra na Ponte de Luís Alves, na BR-080/GO/MT, e a pavimentação de trechos da BR-158/MT.
A Ponte de Luís Alves, localizada sobre o Rio Araguaia, é uma infraestrutura estratégica que conecta os estados de Goiás e Mato Grosso, dois polos relevantes da produção agropecuária nacional. Ao comentar o avanço das obras, o ministro Fávaro destacou a importância da ponte para o escoamento da produção agrícola da região. “O encabeçamento da ponte de Luís Alves é fundamental para a logística da região do Araguaia. Temos recebido boas notícias, como o avanço da pavimentação da BR-158, o destravamento do licenciamento da BR-242 e agora os progressos na BR-080. Enfim, a logística está chegando de forma eficiente ao estado de Mato Grosso”, afirmou Fávaro.
O ministro dos Transportes, Renan Filho, reforçou que a ponte faz parte dos principais projetos de integração do país. “Essa obra viabiliza um importante corredor logístico para a agricultura, reduzindo custos de transporte, melhorando a conectividade regional e aumentando a competitividade do setor produtivo. Ela está incluída no Novo PAC e representa um compromisso do Governo Federal com o desenvolvimento do país”, declarou.
Durante a reunião, o deputado federal José Nelto (GO) também destacou o impacto da infraestrutura para o agronegócio brasileiro, enquanto o senador Jayme Campos (MT) elogiou os investimentos realizados nas rodovias de Mato Grosso.
OBRAS
Além de ser um importante corredor rodoviário para o escoamento da produção agrícola de uma região reconhecida por sua força no agronegócio, a Ponte de Luís Alves contribui para o desenvolvimento socioeconômico local, melhora a conectividade, reduz custos logísticos e amplia a eficiência do transporte, beneficiando diretamente os produtores e a economia regional.
Mato Grosso é um dos maiores produtores de grãos do Brasil e a BR-158/MT é uma das principais rotas logísticas do estado, utilizada para o escoamento de safras de soja, milho e algodão tanto para outros estados quanto para exportação.
A semana iniciou com forte volatilidade no mercado internacional, impulsionada pela alta significativa do óleo de soja em Chicago, que continuou sua escalada de preços iniciada na sexta-feira, acumulando um crescimento de aproximadamente 15%. Este movimento é reflexo direto do aumento nos mandatos de biocombustíveis para 2026 e 2027 nos Estados Unidos, decidido pela Agência de Proteção Ambiental do país.
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Ao elevar os mandatos de biocombustíveis para os próximos dois anos, a medida deve impulsionar a demanda por biodiesel, o que, por sua vez, pode levar a um aumento nos preços do derivado e, consequentemente, sustentar os preços da soja em grão.
Consultor comenta cenário da soja
Conforme o analista e consultor de Safras & Mercado, Rafael Silveira, o mercado apresenta um forte volume comprador no curto prazo, podendo buscar a região dos US$ 10,80 por bushel. “Contudo, este movimento não implica necessariamente em uma nova tendência de alta para o grão, visto que o avanço recente foi impulsionado principalmente pela valorização do óleo de soja”, destaca. “No grão, o mercado segue operando dentro de um range estreito de aproximadamente 40 centavos de dólar no curto prazo”, acrescenta.
A última resistência relevante está localizada na faixa dos US$ 10,80 por bushel. “As médias móveis, por sua vez, não oferecem sinalizações claras neste momento”, adverte o analista. Portanto, mesmo que no curto prazo o viés seja positivo, ainda não há uma tendência bem definida. “O mercado permanece lateralizado, com volatilidade pontual e sem direção firme”, frisa.
No mercado físico brasileiro, as negociações de grande volume foram escassas, com o dólar fraco prejudicando as cotações, enquanto os participantes aguardam oportunidades mais favoráveis. “A indústria tem dado um desacelerada nas compras, as tradings têm se mantido fora do mercado e produtor vem segurando os estoques para tentar melhores preços”, finaliza o consultor.
As exportações de milho de Minas Gerais registraram forte crescimento entre janeiro e abril de 2025. Segundo a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa), o Estado embarcou 105 mil toneladas do grão, o que representa um aumento de 573% no volume em comparação com o mesmo período de 2024. Em valores, as vendas externas somaram US$ 32 milhões, alta de 34%.
A maior parte das exportações correspondeu ao milho classificado como cereal. Nesse segmento, os embarques alcançaram 101 mil toneladas, com receita de US$ 22 milhões, o que representa um avanço de 1.200% em relação ao ano anterior. As demais categorias de produtos à base de milho movimentaram cerca de US$ 10 milhões, com o envio de aproximadamente 3 mil toneladas.
Uberaba, no Triângulo Mineiro, foi o município com maior produção estadual de milho, conforme os dados mais recentes da Produção Agrícola Municipal (PAM) do IBGE. Em 2023, a cidade produziu 372,3 mil toneladas, o equivalente a 4,49% da produção de Minas Gerais.
O Brasil ocupa atualmente posição de destaque entre os maiores produtores mundiais de milho. No caso de Minas, além da relevância econômica, o produto também tem forte presença cultural, especialmente nas festas juninas. A tradição de celebrar o milho nesta época do ano remonta à colonização portuguesa, quando os agricultores, impossibilitados de cultivar trigo, adaptaram as celebrações para o milho.
A colheita no país costuma ocorrer em junho, coincidindo com as festas de São João. O ciclo tem início em março, com o plantio durante a semana de São José. O grão é ingrediente de diversos pratos típicos, como canjica, pipoca, bolo de milho e bolo de fubá. Além de tradicional na culinária, o milho é reconhecido por seu valor nutricional, sendo fonte de vitaminas A, C e E.
Um novo fertilizante criado pela Embrapa combina cama de aviário e minerais, e foi idealizado para quem cuida de plantas em vasos e jardins urbanos. Cerca de 500 g do produto são suficientes para uma pessoa usar em seis vasos por um período de dois a três meses. De acordo com a Embrapa, o produto é de fácil manuseio e aplicação, o que evita problemas de superdosagens.
O novo insumo promete facilitar a vida de quem cultiva plantas, ao mesmo tempo, dar destino sustentável a um resíduo ambientalmente problemático: a cama de aviário.
“É importante salientar que a cama de aviário que não é aproveitada acaba sendo descartada no meio ambiente. É um fator que muitos clientes valorizam e se dispõem a pagar por isso, com a visão da bioeconomia”, diz o pesquisador Vinicius Benites.
A Embrapa está em busca de parceiros da iniciativa privada para produzir e comercializar o produto em escala, levando ao consumidor um insumo completo e de fácil aplicação.
“É um produto para satisfazer as necessidades do cliente urbano, oferecido em pequenas embalagens, um fertilizante completo com um preço competitivo e obtido a partir de reciclagem”, diz Benites.
O teor de nutrientes foi calculado de forma que um cachimbo de plástico (que vem dentro da embalagem) contenha os ingredientes necessários para um vaso de dois quilos, que é o tamanho médio dos vasos.
Benites conta que, um protótipo foi desenvolvido, composto por um kit com embalagem de papel reciclável contendo 500 gramas, um cachimbo dosador de plástico e instruções de uso. O protótipo foi resultado de um processo de design thinking com 50 pessoas. Em uma etapa posterior, a proposta teve ótima aceitação entre 40 potenciais consumidores que participaram da sua validação.
De acordo com a área de Transferência de Tecnologia da Embrapa Solos, há outros produtos para a adubação em vasos no mercado, mas nenhum deles é um fertilizante organomineral granulado balanceado nutricionalmente, como o desenvolvido nesse trabalho.
O olhar do consumidor e eliminação do mau odor
A aplicação do design thinking foi fundamental para que os pesquisadores entendessem os anseios do consumidor final do fertilizante que estava sendo desenvolvido.
“Elaboramos um questionário que posteriormente foi aplicado para mais de 200 pessoas. A partir desse retorno, chegamos a uma persona: o consumidor médio é uma mulher que mora num apartamento, com um filho, possui plantas mas não entende do assunto, mas tem foco na ecologia e na reciclagem”, revela Benites.
O pesquisador acrescenta que, a partir dessa persona, começou o debate no processo de design thinking, de forma a definir os detalhes do produto.
Uma atenção especial foi dada ao odor do produto, para que não atraia a atenção de animais domésticos e não incomode os usuários, já que a principal matéria-prima são dejetos de aves.
“Foi adicionado um extrato de fumaça que repele animais, como gatos e cachorros. Também era desejável que o adubo não tivesse cheiro, já que será utilizado em casas e apartamentos. Então corrigimos o odor, baixando o pH e adicionando essa substância”, explica Benites.
Além do aproveitamento e da correta destinação de resíduos, o uso desse tipo de fertilizante melhora as propriedades biológicas do solo devido à adição de matéria orgânica, trazendo benefícios adicionais às plantas.
O Governo do Rio Grande do Sul segue mobilizado no atendimento à população afetada pelas fortes chuvas que atingem o estado. Desde segunda-feira (16), a Defesa Civil estadual já distribuiu mais de 2,6 mil itens e 1,4 mil kits de ajuda humanitária a diferentes municípios atingidos pelas intempéries. A logística das entregas tem como ponto de partida o Centro Logístico da Defesa Civil, em Porto Alegre, onde equipes trabalham intensamente para organizar e despachar os carregamentos.
De acordo com o balanço atualizado neste sábado (21), a Defesa Civil estadual já entregou um total expressivo de itens essenciais para as famílias afetadas pelas chuvas no Rio Grande do Sul. Até o momento, foram distribuídas 150 cestas básicas, 1.098 colchões, 430 cobertores, 588 telhas, 100 lonas, 100 pares de calçados e aproximadamente 350 peças de roupas para adultos e crianças. Além disso, foram encaminhados 610 kits de higiene e limpeza, 226 kits de roupas e 480 kits de cama, mesa e banho, contribuindo para minimizar os impactos do desastre.
As entregas beneficiaram, até agora, os municípios de Canoas, Jaguari, Mata, Santana do Livramento, Manoel Viana, Lajeado, São Sebastião do Caí e Nova Santa Rita, localidades que estão entre as mais severamente atingidas por este novo episódio de chuvas intensas.
Essas ações emergenciais integram o esforço coordenado do governo estadual para garantir uma resposta rápida e eficaz, proporcionando apoio direto às comunidades afetadas. A expectativa é que novas remessas continuem sendo organizadas e enviadas nos próximos dias, de acordo com as necessidades específicas de cada município e com o monitoramento constante realizado pela Defesa Civil.
O Governo Federal intensificou, neste sábado (21), as ações de apoio ao Rio Grande do Sul diante das fortes chuvas no estado desde o último dia 14. A Defesa Civil Nacional atua em articulação com municípios do RS e outros órgãos federais para garantir resposta rápida e assistência direta à população afetada.
Segundo informações fornecidas pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (Midr), até o momento, as chuvas no RS atingiram 123 municípios, impactando 109.567 pessoas. Pelo menos 8 mil pessoas estão desalojadas ou vivendo em abrigos, e três mortes foram confirmadas.
Segundo dados do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID), 50 municípios já registraram oficialmente a ocorrência de desastres. Vinte desses decretaram situação de emergência. Os municípios de São Sebastião do Caí e Cruzeiro do Sul solicitaram reconhecimento federal, sendo que o primeiro também pleiteou recursos para assistência humanitária.
O secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, está no Rio Grande do Sul para acompanhar de perto a situação e visitar as cidades mais afetadas. Ele também participa da entrega de obras realizadas com recursos enviados após as enchentes de 2024. Segundo Wolff, o presidente Lula já autorizou a liberação de verbas para apoiar os municípios neste novo episódio de desastre. “Cada prefeito poderá fazer seu balanço e decidir se é necessário decretar emergência. O importante é que os recursos já estão garantidos, assim como ocorreu no ano passado”, afirmou o secretário.
Entre os dias 16 e 21 de junho, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) emitiu 54 alertas de risco para o estado. Neste sábado, a maioria dos alertas começou a ser encerrada, restando apenas nove ativos até as 11h26, conforme o Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad). O órgão permanece em estado de alerta laranja, indicando uma situação meteorológica perigosa. Vale lembrar que os alertas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) não estão incluídos nessa contagem.
Ainda no início da semana, a Defesa Civil Nacional promoveu uma reunião emergencial com órgãos federais e estaduais para coordenar estratégias de mitigação e resposta. O coordenador-geral de Gerenciamento de Desastres, Tiago Schnorr, explicou que o monitoramento das áreas de risco é constante. “Realizamos reuniões diárias às 9h para atualizar os prognósticos e definir ações que ajudem a reduzir os impactos”, disse.
A coordenadora-geral de Gestão de Processos do Cenad, Júnia Ribeiro, também reiterou o compromisso do governo federal com o estado. “Estamos à disposição para orientar os municípios sobre os trâmites de reconhecimento federal de emergência e na elaboração dos planos de trabalho que garantem o acesso à ajuda humanitária”, afirmou.
A reunião de articulação contou com representantes do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), do Cemaden, do Serviço Geológico do Brasil (SGB), além de defesas civis estaduais e de outras instituições que integram o Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil.