segunda-feira, março 23, 2026

Autor: Redação

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Novembro consolida preços de soja, mas clima preocupa produtores: safra corre risco?



Novembro chegou ao fim com preços ligeiramente melhores para a soja no Brasil, mas a comercialização continua limitada. Segundo a consultoria Safras & Mercado, apesar da valorização dos contratos futuros na Bolsa de Chicago, os produtores brasileiros negociam apenas o necessário, na expectativa de preços mais altos e acompanhando de perto a evolução das lavouras.

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Preços de soja

Entre a abertura e o fechamento do mês, a saca de 60 quilos teve variações discretas: em Passo Fundo (RS), passou de R$ 134,00 para R$ 136,00; em Cascavel (PR), subiu de R$ 134,00 para R$ 135,00; em Rondonópolis (MT), recuou de R$ 125,50 para R$ 124,00; e no Porto de Paranaguá, referência nacional, avançou de R$ 140,00 para R$ 142,00.

Chicago

Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos com vencimento em janeiro registraram alta de 1,46% no mês, encerrando a sessão de 26 de novembro a US$ 11,31 ½ por bushel. O movimento refletiu a retomada das compras chinesas de soja dos Estados Unidos, embora em ritmo mais lento do que o esperado após o acordo comercial entre Washington e Pequim.

Além de monitorar a demanda chinesa, os agentes acompanharam a evolução da safra brasileira, que enfrentou atrasos no plantio em algumas regiões do centro-norte devido à falta de chuvas. Apesar de possíveis impactos pontuais na produtividade, o clima não deve impedir que o Brasil colha a maior safra de sua história.

O efeito positivo da valorização em Chicago sobre os preços domésticos foi limitado pela queda dos prêmios e pela desvalorização do dólar frente ao real, que recuou 0,53% em novembro, encerrando o mês próximo de R$ 5,35.

Safra 2025/26

A produção brasileira de soja na safra 2025/26 está estimada em 178,76 milhões de toneladas, alta de 4% sobre a temporada anterior (171,84 milhões de toneladas), segundo levantamento da Safras & Mercado. A estimativa anterior, divulgada em 5 de setembro, apontava 180,92 milhões de toneladas.

O aumento da área plantada deve ser de 1,4%, atingindo 48,31 milhões de hectares, ante 47,64 milhões na safra 2024/25. A produtividade média prevista subiu de 3.625 para 3.719 quilos por hectare.

Os ajustes na produção concentram-se principalmente no Centro-Norte do país (MATOPIBA), devido a chuvas irregulares, atraso do plantio e menor potencial produtivo em algumas regiões. “Fatores como replantio podem compensar parcialmente esses efeitos. Isso não significa uma safra perdida, apenas um potencial menor em alguns estados”, explica Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado.

“De maneira geral, a expectativa é de uma safra recorde em 2026, com produção estimada em torno de 178,7 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo da estimativa de setembro (180,9 milhões), mas ainda muito robusta”, conclui Silveira.



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AgroNewsPolítica & Agro

Falha técnica afeta abertura dos mercados



O cenário era ainda influenciado pelo feriado de Ação de Graças


O cenário era ainda influenciado pelo feriado de Ação de Graças
O cenário era ainda influenciado pelo feriado de Ação de Graças – Foto: Leonardo Gottems

A abertura dos mercados internacionais começou marcada por cautela após uma paralisação técnica que interrompeu a formação de preços em importantes contratos futuros nos Estados Unidos. A falha ocorreu em data center responsável pelo suporte aos sistemas da CME, o que suspendeu temporariamente negociações de índices, moedas, commodities e títulos. Segundo a TF Agroeconômica, o problema surgiu por volta da meia-noite de 27 de novembro e retirou dos investidores as principais referências antes de uma sessão já prevista para ocorrer com horário reduzido. 

O cenário era ainda influenciado pelo feriado de Ação de Graças, que manteve todos os mercados financeiros dos EUA fechados no dia anterior. A reabertura desta sexta-feira dependeria da normalização do sistema afetado, mas a expectativa era de baixa liquidez devido ao prolongamento do feriado para muitos investidores. No ambiente internacional, permanecia forte a atenção sobre as compras chinesas, tema que segue estimulando especulação em torno de soja, trigo, sorgo e milho.

No mercado de trigo, a pressão da colheita e a queda dos preços FOB na Argentina continuavam dominando o movimento, enquanto a Austrália mantinha ritmo estável de avanço da safra. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires elevou a estimativa de produção para 25,5 milhões de toneladas, com 33,9% da colheita concluída e avanço no plantio de milho e soja. A semeadura de soja atingia 36% dos 17,6 milhões de hectares previstos, ainda abaixo do ritmo do ano anterior.

A TF Agroeconômica destacou também que rumores sobre uma possível proibição da soja brasileira na China não se confirmaram. A suspeita começou após a rejeição de um navio com carga contaminada, caso considerado isolado dentro dos protocolos de inspeção chineses. Apenas cinco unidades exportadoras foram afetadas e não houve qualquer indicação de restrição comercial. A competitividade da soja brasileira segue intacta.

 





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Pesquisa identifica nova espécie de praga da cana-de-açúcar



Pesquisadores do Instituto de Biociências (IB) da Unesp e PUC-RS descreveram uma nova espécie da chamada “cigarrinha”, nome popular para uma das pragas mais relatadas nas plantações de cana-de-açúcar, atividade agrícola central para a economia do país.

O novo achado científico foi detalhado em artigo publicado no Bulletin of Entomological Research, da Universidade de Cambridge, em outubro deste ano.

Dentre as espécies anteriormente já identificadas como cigarrinha-da-raiz, a Mahanarva fimbriolata e a Mahanarva spectabilis são as mais conhecidas por atacar as plantações de cana-de-açúcar.

Os insetos, de coloração marrom-avermelhada, alimentam-se da seiva da cana e, ao fazê-lo, transmitem toxinas que causam a queima das folhas e a perda de sacarose. A nova espécie recebeu o nome de Mahanarva diakantha.

Além disso, estima-se que a infestação possa causar prejuízos de até 36 toneladas por alqueire.

Docente do IB e um dos autores do artigo, Diogo Cavalcanti Cabral-de-Mello atua há 14 anos em um laboratório do Departamento de Biologia Geral e Aplicada dedicado ao estudo da evolução genômica de insetos.

O trabalho especializado na investigação da diferenciação genômica de insetos fez com que o professor recebesse o contato de empresas agrícolas. No entanto, o principal problema era uma resistência que a cigarrinha demonstrava à ação de defensivos usados habitualmente.

“Alguns produtores estavam enfrentando dificuldades para controlar a praga por meio de defensivos químicos, por isso, pediram nossa ajuda”, diz o docente.

Início do estudo

Uma pesquisadora da unidade da Embrapa em Araras formulou a hipótese de que talvez se tratasse de uma espécie diferente e enviou amostras para serem analisadas por um grupo de pesquisadores da PUC-RS que atua na área de taxonomia de insetos.

A partir dessa suspeita, os grupos de pesquisadores da Unesp e da PUC-RS começaram a trabalhar em conjunto por duas vias: a análise morfológica, feita pelos cientistas Andressa Paladini e Gervásio Silva Carvalho, e a análise genética, conduzida por Mello.

Cada equipe estudou as amostras fornecidas pela empresa e reuniu as evidências que terminaram por confirmar que se tratava de uma nova espécie.

As amostras colhidas junto aos produtores rurais foram comparadas com dados das espécies já catalogadas para identificar semelhanças e diferenças genéticas. Devido a um marcador de DNA presente nas mitocôndrias, o docente da Unesp conseguiu fazer a distinção entre as espécies.

“Em uma das espécies, esse marcador genético apresenta um padrão conhecido que é conservado, com pequenas variações. No caso de espécies diferentes, o marcador sofre variações maiores. Isso nos permite dizer que o indivíduo pertence a uma ou outra espécie”, diz.

Os pesquisadores analisaram mais de 300 indivíduos coletados entre 2012 e 2015 nas usinas de cana-de-açúcar. Diogo Mello ainda completa que para estabelecer a diferenciação entre espécies de insetos, não há um número definido.

“Isso vai depender do grupo em questão. No caso dos mamíferos, já está bem estabelecido. Insetos, porém, são um grupo muito mais diverso e é difícil estabelecer os parâmetros”, finaliza.

Identificação e próximos passos

Nesse sentido, surge a necessidade de uma análise morfológica complementar para que se constatasse que o que estava diante dos olhos dos pesquisadores era, efetivamente, uma espécie diferente.

“Na taxonomia integrativa é importante adotar várias linhas de evidência. Embora a análise genética sozinha não assegure 100% de segurança para a avaliação, a união com outros dados reforça o fato de que se trata de uma nova espécie”, afirma o docente.

Na análise morfológica, Andressa Paladini identificou uma diferença sutil, mas marcante, na genitália dos machos. A nova espécie possui uma parte da genitália bifurcada e pontiaguda, enquanto as outras apresentam um formato quadrangular não bifurcado.

Essa característica inspirou o nome do inseto descoberto: Mahanarva diakantha, termo que significa “dois espinhos”.

A identificação da nova espécie é o primeiro passo para a elaboração de estratégias e produtos de controle adequados.

“Mesmo que as espécies sejam próximas, um produto pode ser eficaz contra uma (praga), mas não contra outra. Aparentemente era isso que estava sendo observado nas usinas”, explica Mello.

*Com informações do Jornal da Unesp/Nathan Sampaio



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custo invisível consome patrimônio e exige atenção do pecuarista; entenda



A depreciação é um dos custos invisíveis que consome o patrimônio do pecuarista, conforme alerta o zootecnista Gustavo Sartorello na série “A Conta do Boi”, do programa Giro do Boi. Ele questiona se, ao analisar os bens de capital da fazenda, como tratores e cercas, o produtor considera a perda de valor diária desses ativos.

O especialista informa que a depreciação é um custo real que, se ignorado, pode levar à perda significativa de patrimônio ao longo do tempo. Por exemplo, um trator que custa R$ 200 mil pode desvalorizar R$ 10 mil em um ano, e não registrar essa perda pode resultar em perda de metade da riqueza em dez anos. “O patrimônio desaparece silenciosamente”, afirma Sartorello.

Confira:

Impacto do financiamento na depreciação

Um erro grave é desconsiderar a depreciação quando um bem é financiado. A forma de pagamento não altera o fato de que o ativo perde valor. Nesse cenário, o produtor enfrenta a pressão de ter que pagar o financiamento enquanto o bem já não possui valor de mercado.

O risco é que o produtor termine de pagar e descubra que seu patrimônio se desvalorizou sem que ele percebesse. Sartorello destaca que um gestor profissional deve observar o negócio como um todo para evitar que a fazenda consuma patrimônio sem que haja registro adequado.

O papel da depreciação na gestão da fazenda

É fundamental que o gestor entenda o papel da depreciação. Ignorar esse custo pode distorcer os resultados da fazenda. Um custo extra, como R$ 30 por arroba, pode ser determinante para o equilíbrio financeiro. O custo fixo da depreciação deve ser considerado na avaliação entre desembolso e desempenho.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.



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AgroNewsPolítica & Agro

Poder de compra do avicultor paulista volta a cair



Movimento resulta da desvalorização do frango vivo e da alta nos preços


Foto: Divulgação

Depois de registrar em outubro a relação de troca mais favorável da história frente ao farelo de soja, dados do Cepea mostram que o avicultor paulista voltou a apresentar queda no poder de compra em novembro – além do derivado de soja, a perda também é observada frente ao milho. Segundo pesquisadores do Cepea, esse movimento resulta da desvalorização do frango vivo e da alta nos preços desses insumos, essenciais na produção de avicultura de corte.

Na parcial de novembro (até o dia 26), dados do Cepea mostram que o frango vivo é negociado no estado de São Paulo à média de R$ 6,10/kg, baixa de 2,6% em relação à do mês anterior. Já a tonelada de farelo registra média R$ 1.724,78 na região de Campinas (SP), com avanço de 5,3% em relação à de outubro. Diante disso, cálculos do Cepea mostram que, com a venda de um quilo de frango vivo, o produtor consegue comprar, nesta parcial de novembro, 3,54 quilos de farelo, contra 3,83 quilos em outubro.

Ressalta-se, contudo, que, mesmo diante dessa queda, a margem de ganho segue favorável para o avicultor. O volume adquirido neste mês está 7,3% acima da média deste ano, considerando-se os valores em termos reais (a série foi deflacionada pelo IGP-DI de outubro/25).





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COP30 consolida 120 planos de ação com participação de 190 países



A COP30, realizada em Belém (PA), encerrou os trabalhos com consenso sobre 29 itens da agenda climática e a apresentação de 120 planos de aceleração. As propostas reúnem iniciativas voluntárias de 190 países para apoiar a implementação das decisões oficiais negociadas pelas Partes.

Segundo a coordenação da Agenda de Ação da conferência, o material consolida esforços paralelos às negociações formais, envolvendo governos subnacionais e setor privado.

Estrutura dos planos

A coordenadora-geral da Agenda de Ação da Presidência da COP30, Bruna Cerqueira, explica que este é o primeiro compilado global de iniciativas alinhadas às decisões de uma COP. O documento organiza contribuições em seis eixos: energia, indústria e transporte; florestas, biodiversidade e oceanos; sistemas alimentares e agricultura; cidades, infraestrutura e água; desenvolvimento humano e social; além do eixo transversal de financiamento, tecnologia e capacitação.

A proposta, segundo ela, foi reunir ações voluntárias para acelerar o que já está pactuado entre os países. A organização das iniciativas em um “banco de ideias” busca facilitar a execução e ampliar o engajamento.

Exemplos e avanços

Durante a conferência, alguns resultados foram observados. Um deles foi o avanço da iniciativa global para proteção de terras, vinculada ao compromisso internacional para florestas e posse da terra. O plano já existia, mas ganhou novas adesões e recursos financeiros.

De acordo com Cerqueira, foram antecipados US$ 1,7 bilhão, com definição de uma nova meta que pode alcançar US$ 2 bilhões. Ela destaca que países também assumiram compromissos de aprimorar a gestão de terras. O Brasil anunciou áreas demarcadas durante o encontro, dentro dessa agenda.

Diagnóstico e próximos passos

Cada iniciativa recebeu avaliação com base em 12 “alavancas” de implementação, que vão de questões regulatórias à aceitação pública. O objetivo foi identificar gargalos e orientar ações para execução mais rápida.

O trabalho utilizou como referência o Balanço Global do Acordo de Paris, mecanismo que mede a evolução das metas climáticas em ciclos de cinco anos.

Para Cerqueira, a classificação por eixos aproxima o debate do cotidiano. Ela afirma que termos como energia ou transporte são mais compreensíveis do que referências técnicas do GST.

Com os 120 planos definidos, o desafio agora é manter o avanço nas próximas conferências. Segundo a coordenadora, Turquia e Austrália, que assumirão a presidência, sinalizaram interesse em dar continuidade à estrutura construída em Belém.



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Pesquisadores apostam em algas marinhas como alimento saudável do futuro



Um projeto internacional que reúne instituições do Brasil e da Europa tem como objetivo transformar algas marinhas em alternativa sustentável ao pescado tradicional. A pesquisa surge em um contexto desafiador de pressão sobre estoques pesqueiros. Paralelamente, a demanda por proteínas saudáveis cresce de forma acelerada em nível global.

No Brasil, a iniciativa é liderada pela Embrapa Agroindústria de Alimentos e terá três anos de duração, integrando pesquisa, inovação e transferência de tecnologia.

Tanto na Europa quanto no Brasil, a produção desses organismos aquáticos está avançando como uma opção sustentável promissora ao pescado, impulsionada por inovações tecnológicas e uma crescente conscientização sobre os seus benefícios ambientais e nutricionais.

Elas crescem rapidamente, dispensam água doce e fertilizantes e ainda capturam carbono, ajudando a mitigar as mudanças climáticas, como explica a pesquisadora Fabíola Fogaça, coordenadora do projeto no Brasil. “Além disso, são nutritivas, ricas em fibras, minerais, vitaminas e até ômega-3, compostos reconhecidos pela sua importância para a saúde humana”, complementa.

Desafios e limitações

Apesar do potencial, as algas ainda enfrentam barreiras para ganhar espaço nos pratos do consumidor, sobretudo no Brasil. Seu sabor marcante, a coloração verde e a textura característica podem limitar a aceitação em alimentos que buscam imitar produtos de origem animal.

“Nosso desafio é aprimorar essas características, desenvolvendo processos de cultivo e de transformação que resultem em ingredientes com sabor e textura agradáveis ao consumidor”, destaca Fogaça.

Um dos protótipos previstos no projeto é um “atum vegetal” em conserva, elaborado a partir da combinação de algas marinhas com outros ingredientes vegetais, ricos em proteínas e flavorizantes de alto valor biológico.

A expectativa é que o produto reproduza de forma convincente o sabor, o aroma e a consistência do atum enlatado tradicional. “Estamos falando de um alimento inovador, com potencial para ser mais saudável, sem colesterol, rico em nutrientes e ao mesmo tempo sustentável”, reforça a pesquisadora.

Vantagens alimentares, ambientais e sociais

As vantagens da produção de algas não se restringem à mesa, elas oferecem benefícios ambientais importantes, como a purificação da água e o sequestro de carbono, contribuindo para a recuperação de ecossistemas costeiros e para a mitigação da crise climática. Também podem abrir novas oportunidades de renda para comunidades pesqueiras, permitindo a diversificação da atividade econômica.

“No Brasil, com mais de 8 mil quilômetros de litoral, temos um potencial enorme para estruturar uma cadeia produtiva de algas. Essa pode ser uma fonte de emprego, renda e inovação para agricultores familiares e comunidades costeiras”, destaca Fogaça.

A expectativa é que, ao final do projeto, estejam disponíveis protótipos de produtos à base de algas, prontos para avaliação pela indústria de alimentos e consumidores. O crescimento global do mercado de pescados vegetais reforça a oportunidade, estima-se que o setor movimente US$ 2,5 bilhões até 2032.

“Estamos diante de uma tendência mundial, o consumidor busca cada vez mais opções de proteínas sustentáveis e inovadoras, e o Brasil não pode ficar de fora dessa corrida”, conclui a pesquisadora.

A iniciativa se insere no conceito de bioeconomia azul, que valoriza o uso sustentável dos recursos marinhos para gerar desenvolvimento econômico, equidade social e preservação ambiental. Nesse cenário, as algas surgem como protagonistas por serem recursos naturais versáteis, capazes de oferecer benefícios à saúde, ao planeta e às comunidades costeiras.

Com apoio de uma rede internacional de parceiros, o projeto liderado pela Embrapa Agroindústria de Alimentos promete abrir caminhos para que o peixe de alga deixe de ser uma curiosidade e se torne, de fato, uma alternativa viável nas gôndolas e mesas do futuro.



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Mercado de café fecha novembro em ajuste após retirada das tarifas dos EUA



O mercado internacional de café encerrou novembro em fase de acomodação, após a retirada das tarifas impostas pelos Estados Unidos às importações do produto brasileiro. O movimento ocorreu em meio à forte oscilação nas bolsas, influenciada também pelas condições climáticas no Brasil e no Vietnã.

Na Bolsa de Nova York, referência global para o arábica, as cotações ainda fecharam o mês com ganho moderado. Em Londres, o robusta registrou estabilidade. O ambiente, porém, seguiu marcado por revisões rápidas de preços.

Fim do tarifaço e impactos sobre os preços

A exclusão das sobretaxas americanas modificou o comportamento das cotações ao longo de novembro. Segundo o consultor da Safras & Mercado, Gil Barabach, o encerramento das tarifas adicionais de 40% sobre o café brasileiro devolveu previsibilidade ao fluxo comercial entre os dois países. Ele lembra que a suspensão vale para produtos que entraram nos Estados Unidos a partir de 13 de novembro.

Barabach avalia que o alívio tarifário reduz custos para a indústria norte-americana e retoma a dinâmica usual do comércio global. Antes da retirada, os compradores dos EUA enfrentavam insumos mais caros, o que pressionava a inflação local. Para o exportador brasileiro, afirma o consultor, a tarifa extra diminuía a competitividade no principal mercado consumidor e poderia abrir espaço para outros fornecedores.

A reação nas bolsas foi imediata. Nova York e Londres recuaram com força após o anúncio, mas o arábica voltou a subir nas sessões seguintes. A preocupação com a irregularidade das chuvas no Brasil, que interfere no desenvolvimento da safra de 2026, ofereceu suporte às cotações.

Clima no Vietnã e oferta ajustada

No Vietnã, maior produtor de robusta, o excesso de chuvas em áreas agrícolas trouxe incertezas sobre o encerramento da colheita e a qualidade do grão. O cenário climático nos dois principais países produtores manteve o mercado atento, especialmente diante de estoques enxutos.

No fechamento de novembro, o contrato março/2026 do arábica acumulou alta de 2% em Nova York, passando de 372,25 para 379,70 centavos de dólar por libra-peso. O robusta, em Londres, permaneceu praticamente estável no contrato janeiro, próximo de US$ 4.539 por tonelada.

Mercado interno acompanha bolsas

No Brasil, os preços físicos refletiram o comportamento externo. Produtores e compradores atuaram com cautela diante da volatilidade. No sul de Minas, o arábica bebida boa subiu 3,5% no mês, alcançando R$ 2.340 por saca em 27 de novembro. Já o conilon tipo 7, em Vitória (ES), recuou 0,7%, cotado a R$ 1.380 por saca.



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Maior umidade favorece safra, mas ventos e granizos preocupam



Além de prejudicar as arvores, intempéries podem deixar a planta mais vulnerável


Foto: Canva

Chuvas nesta segunda quinzena de novembro voltaram a elevar a umidade em importantes regiões produtoras do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo Mineiro. Pesquisadores do Cepea destacam, contudo, que, em muitos municípios, as precipitações vieram acompanhadas de fortes ventos e de granizo, resultando, em alguns casos, em desfolhamento das plantas e em derrubadas de frutos e de flores. Vale lembrar que esse contexto é observado justamente em um momento de colheita da safra 2025/26 e de desenvolvimento da temporada 2026/27.

Segundo pesquisadores do Cepea, além de prejudicar as arvores, essas intempéries podem deixar a planta mais vulnerável a doenças. Os municípios paulistas de Avaré, Pratânia e de São Manuel foram atingidos por queda de granizo e, há poucas semanas, já tinham enfrentado chuvas extremas com ventos fortes. O noroeste do estado de São Paulo também foi atingido pelo clima intenso. Muitos agentes colaboradores do Cepea indicam que a frequência desses eventos climáticos extremos neste ano preocupa.

De um modo geral, pesquisadores do Cepea indicam que o acumulado de chuvas ainda é bom e as temperaturas estão mais amenas desde o inverno, contexto que vem colaborando com o desenvolvimento da florada e ajudando para uma safra mais produtiva – a qualidade geral das frutas da safra 2025/26 segue satisfatória na maioria das regiões.





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Cultura do alho ganha zoneamento agrícola de risco climático



O alho é a mais nova hortaliça contemplada no Programa Nacional de Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que estabelece as regiões de produção e épocas de plantio mais favoráveis para o cultivo no território brasileiro.

A iniciativa se baseia nas probabilidades ou risco de perda de produção causada por eventos meteorológicos adversos.

As portarias foram publicadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no Diário Oficial da União (DOU) da última terça-feira (25). Clique para acessá-lo pelo aplicativo para Android ou iOS.

Os estudos foram elaborados por pesquisadores da Embrapa Hortaliças, em conjunto com associações de produtores e instituições de ensino e de pesquisa agropecuária.

O zoneamento funciona como um instrumento de gestão de risco climático e, no caso do alho, abrange as regiões tropicais e subtropicais do país, com o propósito de orientar produtores, agentes financeiros e seguradoras.

De acordo com os criadores da ferramenta, a implantação da lavoura fora dos períodos indicados está sujeita a elevada probabilidade de perdas.

O pesquisador Marcos Braga, responsável técnico pelos estudos, assinala que o Zarc avalia exclusivamente riscos agroclimáticos, portanto, parte-se do pressuposto de que todas as outras necessidades da cultura serão atendidas com um adequado manejo agronômico.

Cultivares de alho

Os estudos consideraram as cultivares de alho nobre, que representam a maior parte da produção nacional que chega aos mercados, pois alcançam maior valor comercial e atendem melhor às exigências do consumidor em termos de qualidade de bulbo.

Para o pesquisador Francisco Vilela,​ membro da equipe Zarc Alho,​ a subdivisão do zoneamento em duas regiões, em função do clima tropical ou subtropical, é o aspecto mais relevante porque, apesar das variedades serem as mesmas, as épocas de plantio e os sistemas de produção apresentam diferenças importantes.

Como o alho é uma espécie originária do continente asiático, em regiões de clima frio, para a cultura ter um bom desenvolvimento e alta produtividade no Brasil é indispensável que as regiões e épocas de produção atendam a certas condições de temperatura e fotoperíodo.

As cultivares de alho nobre são originárias do sul do Brasil e requerem mais de 13 horas diárias de luz e temperaturas diárias mais baixas, entre 13ºC e 18ºC, para formação de bulbos de bom tamanho e valor comercial.

Cultivares mais precoces respondem ao estímulo de dias mais curtos, enquanto materiais tardios como os alhos nobres dependem de dias mais longos para conseguir formar bulbos. “Quando o número de horas de luz fica abaixo do mínimo exigido pela cultivar ocorre somente o crescimento vegetativo da planta”, conta Braga.

Temperaturas conforme o ciclo

Em relação à temperatura, o alho exige que sejam amenas (18ºC a 20ºC) na fase inicial do ciclo, temperaturas mais baixas (10ºC a 15ºC) durante as fases vegetativa e de bulbificação, e temperaturas mais elevadas (20ºC a 25ºC) no período de maturação.

Segundo o pesquisador, o acúmulo de horas de frio é fundamental para a resposta do alho ao fotoperíodo, resultando em boa formação dos bulbos de alho e para a produtividade da lavoura.

Assim, alguns limiares de temperatura foram utilizados na avaliação de riscos para a cultura. Em condições subtropicais, a temperatura média deve ser menor que 14ºC e a máxima não pode ultrapassar 31ºC no período que se estende do plantio até o início da bulbificação das plantas.

Já em condições tropicais, a temperatura média não pode ser superior a 12ºC nem a máxima acima de 32ºC. Esses parâmetros apresentaram bom desempenho como delimitadores do desempenho da cultura em diversos locais de produção conhecidos.

Um critério auxiliar adotado no zoneamento desta cultura é a altitude, pois é um fator relevante para as condições térmicas que afetam a produção de alho nobre em produtividade e qualidade. Em regiões subtropicais, a altitude mínima para estabelecer os cultivos deve estar acima de 600 metros, enquanto em locais tropicais fica acima de 750 metros.

Prática da vernalização do alho

Os cientistas da Embrapa ressaltam que é indispensável que o alho nobre passe pelo processo de vernalização, tratamento de frio do alho semente pré-plantio, antes da implantação da lavoura para garantir uma boa produção independentemente das condições climáticas futuras.

O pesquisador Francisco Vilela afirma que a vernalização dos bulbos é capaz de tornar a planta menos exigente em fotoperíodo e em temperatura​s baixas​, permitindo formação de bulbos em locais que não possuem as condições climáticas ideais para determinada cultivar.

“O processo de vernalização do alho-semente em câmara frigorífica ocorre ​em ​faixa​s​ de temperatura​s positivas​ entre 3ºC a 5ºC ou negativas entre -1 a -3ºC e umidade relativa do ar de 65 a 70%, dependendo do sistema de produção adotado e níveis de produtividade almejados pelo produtor. Essa técnica permitiu ampliar as regiões e as épocas de cultivo das cultivares de alho nobre, anteriormente restritas ao Sul do Brasil”, esclarece o pesquisador.

Segundo ele, hoje as cultivares de alho nobre têm sido plantadas, com vernalização, desde o centro-norte do Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e regiões de altitude do norte da Bahia e da Chapada Diamantina.

Vilela conta que a vernalização do alho-semente antes do plantio é uma exigência nas áreas de clima tropical. Já nas regiões subtropicais, como o sul do país, a prática pode ser dispensável, muito embora tenha sido feita por segurança em função das mudanças climáticas. “Essas variações das formas de produção do alho são peculiares do Brasil. Em outros países, o processo é muito mais homogêneo”, observa o pesquisador.

Disponibilidade de água

O cultivo do alho em sistemas de produção não irrigados, ou seja, de sequeiro, apresenta risco elevado de perdas por déficit hídrico.

Com um sistema radicular superficial, o alho é uma planta bastante sensível à falta de água. Contudo, irrigação em excesso também pode prejudicar a produtividade e a qualidade do alho, notadamente em solos com problemas de drenagem. Assim, irrigar no momento correto e na quantidade adequada é decisivo para a obtenção de altas produtividades e a qualidade do produto.

Em relação à necessidade hídrica da cultura, estima-se que varia de 400 mm a 850 mm, dependendo das condições climáticas e do ciclo de produção. Portanto, como o alho é uma cultura muito exigente em água durante o seu ciclo produtivo, os cultivos comerciais são irrigados, p​rincipalmente com sistemas por​ aspersão, sejam convencionais ou mecanizados.

“Mesmo nas regiões subtropicais do país, mais frias, alguns poucos locais suportariam o cultivo dependente de chuvas, porém com baixa janela de plantio e alto grau de risco de perdas. Assim, para todo o Brasil foi considerado somente o cultivo do alho em sistema de produção irrigado”, assinala Braga.

Podridão branca

O cultivo do alho não deve ser realizado em áreas onde já tenha sido identificada a ocorrência de podridão branca (Stromatinia cepivora Berk. sin. Sclerotium cepivorum), pois é o risco de perdas elevadas e inviabilização da colheita é muito alto.

“Esse fungo pode causar danos em todas as fases de crescimento da planta e seu desenvolvimento é favorecido por temperaturas de 10 a 20°C”, destaca Braga.

O patógeno pode sobreviver por longos períodos no solo e não há medidas efetivas de controle da doença, ou seja, a ocorrência da doença em locais de cultivo inviabiliza a produção naquele local.

Consulta ao Zarc Alho

As datas de plantio estipuladas para o cultivo de alho nobre no Zarc devem ser seguidas pelos produtores que desejam acessar o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) e o Programa de Subvenção ao Seguro Rural (PSR).

“A função do zoneamento não é colocar entraves aos produtores, mas sim oferecer a eles a garantia de recebimento do valor segurado”, analisa Braga.

Os resultados do Zarc do alho foram disponibilizados pelo Mapa no Painel de Indicação de Riscos e no aplicativo Zarc Plantio Certo (Android e IOS).



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