sexta-feira, março 20, 2026

Autor: Redação

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Frente fria pode levar granizo e rajadas de vento intensas para diferentes regiões; saiba onde



A semeadura da soja segue atrasada em grande parte do país devido à irregularidade das chuvas, mas no Matopiba o cenário é mais favorável. De acordo com o meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, o retorno da umidade tem animado os produtores e permitido o avanço das operações em campo.

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Atraso no plantio

Segundo dados da Conab, o Brasil registra cerca de 4% de atraso no plantio em relação ao mesmo período da safra passada. No Matopiba, porém, o ritmo é mais acelerado, com a atingindo 87% da área semeada, enquanto o Tocantins alcançou 83%, entrando na reta final dos trabalhos. Ainda assim, alguns entraves persistem, especialmente no Maranhão, onde a chuva tem se concentrado mais ao sul do estado, e no Piauí, que depende de maior regularidade das precipitações no centro-sul.

Os mapas de umidade do solo mostram boas condições no sul e oeste da Bahia e também no Tocantins. No estado do Piauí, apenas áreas do extremo sudoeste apresentam umidade adequada, enquanto outras regiões ainda necessitam de volumes mais expressivos de chuva. Nos próximos cinco dias, uma frente fria associada a um ciclone extratropical deve levar 50 a 60 mm de chuva para áreas já úmidas da Bahia, reforçando a janela positiva para o plantio.

Para o norte do Piauí e do Maranhão, a previsão indica chuva, mas ainda de forma bastante irregular, exigindo cautela dos produtores na tomada de decisão. Entre os dias 1º e 12 de dezembro, a tendência é de precipitações mais concentradas no centro-norte do Matopiba, enquanto áreas do centro-sul podem vivenciar um período mais seco, momento oportuno para manejo de solo e tratamentos fitossanitários.

No restante do país, imagens de satélite apontam para temporais generalizados no Brasil central devido à formação de um ciclone. A frente fria resultante deve canalizar umidade e provocar tempestades com potencial para queda de granizo e rajadas intensas de vento em estados como São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

No Sul, o tempo volta a ficar firme, mas a chuva retorna na próxima semana, com destaque para acumulados que podem superar 100 a 150 mm no Paraná e interior paulista, trazendo risco de prejuízos às atividades de campo.

Temperaturas elevadas nas áreas de soja

As temperaturas também devem recuar após registros recentes de 40 °C em algumas regiões. A tendência para os próximos dias é de máximas entre 30 °C e 35 °C em boa parte do país, embora no agreste nordestino ainda sejam esperados picos de até 37 °C, aumentando o risco de focos de incêndio.

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ABPA confirma Brasil como terceiro maior exportador de carne suína ‘em breve’



O Brasil deve assumir ainda este ano a terceira posição no ranking mundial de exportadores de carne suína. A avaliação é do presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin. Segundo ele, dados mostram que o Canadá, atual terceiro colocado, deve encerrar 2025 com cerca de 1,3 milhão de toneladas, enquanto o Brasil caminha para 1,4 milhão.

Produção brasileira cresce e exportações também

A produção nacional deve alcançar 5,55 milhões de toneladas em 2025, alta de 4,6% em relação ao ano passado. Para 2025, a projeção de é de crescimento de 2,7%, com até 5,7 milhões de toneladas. Santin explica que o ritmo moderado se deve ao peso médio dos animais.

“A produção cresce menos porque o peso aumentou e se mantém em níveis superiores aos do ano passado”, diz. O cenário garante, porém, uma disponibilidade positiva no mercado interno e consumo de até 9,5 quilos por habitante em 2026.

As exportações também seguem firmes e devem subir 10% neste ano, com 1,45 milhão de toneladas, podendo chegar no ano que vem com aumento de até 4%, com 1,55 milhão de toneladas.

Europa enfrenta queda e novos casos de peste suína africana

A perda de espaço dos concorrentes favorece o Brasil. A União Europeia, que começou o ano com crescimento, registra queda nos embarques. Santin destaca que “a Europa está enfrentando a grande dificuldade da peste suína africana, agora encontrada em javalis selvagens na Espanha”.

O país, maior exportador do bloco e responsável por 23% da produção europeia, enfrenta restrições comerciais. “Alguns países já fecharam totalmente para a Espanha, e a China fechou oito plantas na Catalunha”, afirma.

Além disso, ele reforça que o Brasil não comemora problemas alheios, mas precisa reconhecer que esses episódios têm efeitos comerciais que podem abrir espaço para o produto brasileiro.

EUA e Canadá perdem ritmo de exportação

Nos Estados Unidos, as exportações caíram 3,5% entre janeiro e julho. O país não tem surto de peste suína africana, mas, segundo Santin, o consumo interno cresce devido à menor oferta de carne bovina: “Há menos carne bovina no mercado, o que puxa o consumo de suínos internamente.”

O Canadá também perdeu fôlego. Após crescimento de até 3,9% até agosto, os embarques passaram a cair. Santin afirma que, pela média do ano, a exportação canadense deve fechar em 1,3 milhão de toneladas, abaixo da previsão inicial de 1,45 milhão, cenário que abre a brecha para o Brasil assumir a terceira colocação.

China mantém demanda estável e pode ampliar espaço para o Brasil

A China mantém importações entre 1,3 milhão e 1,5 milhão de toneladas. Santin explica que 52% do que a China importa no mundo são miúdos, categoria em que o Brasil pode crescer caso avance a habilitação de plantas do Rio Grande do Sul, Paraná e Rondônia.

Ele afirma que a combinação entre o perfil das compras chinesas e os novos casos de peste suína africana na Espanha cria “um espaço que pode se abrir para o Brasil, sempre dependendo das avaliações técnicas feitas pelos chineses”.

Filipinas permanecem como maior importador do Brasil

As Filipinas seguem como principal destino da carne suína brasileira. O país enfrenta forte queda na produção, pressionada por 31 focos ativos de peste suína africana. “As Filipinas têm mais de 130 casos no ano, o que impacta muito a produção”, diz Santin.

A previsão inicial era de 630 mil toneladas, mas o país já importou 680 mil toneladas até setembro, alta de 20% em relação ao ano passado. Com isso, o Brasil detém 42% desse mercado. Para Santin, as Filipinas devem seguir como o maior comprador da proteína brasileira por mais um ou dois anos, até conseguirem controlar a doença.



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Pará antecipa rastreabilidade e avança na qualidade do gado



O estado do Pará, que possui o segundo maior rebanho bovino do Brasil, está na vanguarda da pecuária nacional ao implementar um programa de rastreabilidade individual dos bovinos, antecipando a exigência do Ministério da Agricultura (Mapa) para dezembro de 2024. Essa iniciativa representa um marco na evolução da qualidade do gado paraense, destacando-se como um case de sucesso em produtividade e sustentabilidade.

Em entrevista ao Giro do Boi, Bruno Brainer, diretor de negócios da Friboi para os estados do Pará e Tocantins, afirmou que “o crescimento da pecuária paraense tem sido vertical”, com a companhia observando um aumento de quase o dobro no volume de abate nos últimos cinco anos.

O peso médio dos machos abatidos, por exemplo, teve um ganho de mais de meia arroba nesse período, impulsionado pelo uso de tecnologia nas fazendas.

Confira:

Reconhecimento da indústria frigorífica

A indústria frigorífica tem reconhecido a melhoria da qualidade da carne produzida no Pará. O estado tem desempenhado um papel central na agenda de sustentabilidade, com a COP 30 realizada no Pará servindo como vitrine para um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que comprovou a trajetória de descarbonização da pecuária.

Essa mudança representa a superação do estigma do “boi erado”, dando espaço a práticas como o confinamento, a Terminação Intensiva a Pasto (TIP) e o uso de genética avançada.

O programa de rastreabilidade individual é considerado um investimento no futuro do mercado. A JBS Friboi e a Fundação Amazon apoiaram a iniciativa com a doação de 3 milhões de tags (brincos e bottons), direcionadas principalmente a pequenos pecuaristas. O trabalho dos produtores paraenses exemplifica que a pecuária pode ser um vetor de crescimento, resultando em animais mais jovens, com mais acabamento e peso.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.



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Maior rede de cafés da China cria linha de produtos em homenagem ao Brasil



Ao longo do mês de dezembro, a maior rede de cafés da China, a Luckin Coffee, que tem mais de 30 mil unidades espalhadas pelo país, terá a marca “Café do Brasil” estampada em todos os seus copos de café vendidos. A campanha “Brazil Season”, mediada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), compõe o conjunto de ações da Agência para promoção comercial e o fortalecimento da marca Brasil entre os consumidores chineses. Ao longo da campanha, estima-se a venda total de 400 milhões de copos com a identidade brasileira.

“Ao longo de um mês, o Brasil será o protagonista, estampado nos copos da Luckin Coffee em toda a China, um mercado que já reúne quase meio bilhão de consumidores de café. Serão cerca de 14 milhões de copos vendidos por dia com a marca brasileira, criando uma oportunidade inédita de posicionamento e reforço da imagem do Brasil como origem de cafés premium no mercado chinês”, comenta o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana.

Segundo o gerente-geral do escritório Ásia-Pacífico da ApexBrasil, Victor Queiroz, além do visual presente nos copos, a campanha “Brazil Season” conta ainda com ativação em lojas com distribuição de chaveiros e mini capivaras de pelúcia com logo da ApexBrasil para consumidores que adquirirem o café brasileiro. O animal é bastante popular no país asiático. A previsão é que sejam distribuídas até duas mil unidades por loja. “Foram meses de negociação e agora temos essa ótima notícia. Se você estiver na China e hoje for tomar um café na Luckin Coffee, os copos já têm a temática brasileira. São meio bilhão de pessoas tomando um café com a marca Brasil, que inclusive compram muito café brasileiro também”, ressalta Victor Queiroz.

Ao lançar a coleção temática, a proposta da Luckin Coffee é promover os grãos brasileiros comprados pela marca. A ideia surgiu durante a feira China International Import Expo (CIIE), realizada no último mês de novembro em Xangai, que recebeu cerca de 800 mil visitantes e mais de 3,4 mil empresas de 128 países. Na ocasião, cerca de dois mil copos de café brasileiro de alta qualidade foram distribuídos diariamente no Pavilhão do Brasil.
Café brasileiro conquista terra do chá

A parceria da ApexBrasil com a Luckin Coffee já tem história. Tudo começou no final de 2023, por meio do programa Exporta Mais Brasil. Naquela ocasião, compradores da empresa chinesa estiveram em Cacoal, Rondônia, para conhecerem os cafés produzidos na Amazônia, quando 4 mil sacas foram vendidas em um único evento. A partir deste primeiro contato, foi negociado, em junho de 2024, um acordo para o fornecimento de até 120 mil toneladas, até o final daquele ano, a um valor de US$ 500 milhões. A Luckin Coffee também se comprometeu a promover o café brasileiro no mercado chinês. Na ocasião, o vice-presidente Geraldo Alckmin, Jorge Viana e o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, além de outras autoridades, estiveram na China para firmar a parceria.

Ainda em 2024, em agosto, Yan Yan Sabrina Zhao, chefe de Desenvolvimento Sustentável da Luckin Coffee, esteve na sede da ApexBrasil em Brasília para retribuir a visita da comitiva brasileira à China. Durante o encontro, ela enfatizou a qualidade do café brasileiro ao afirmar que é o melhor do mundo.

Logo em seguida, em novembro, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a Agência articulou um novo acordo com a rede para a compra de 240 mil toneladas do grão do Brasil entre 2025 e 2029 a um valor recorde estimado de aproximadamente U$ 2,5 bilhões.

Já em maio de 2025, uma nova parceria foi firmada com a gigante chinesa para a abertura de 34 lojas temáticas com identidade brasileira, ampliando a visibilidade dos produtos do Brasil no varejo chinês e promovendo a cultura e os sabores nacionais para o consumidor local.

Com essa nova parceria firmada para a campanha de dezembro, a China, que há milênios tradicionalmente consome chá, mostra que tem se rendido ao café brasileiro e ajudado a movimentar o produto em todo o seu território.

Resultados

Os números mostram que o produto brasileiro está mesmo conquistando os consumidores chineses. Entre janeiro e outubro deste ano, o Brasil já exportou US$ 335,1 milhões de café não torrado para a China. O valor representa mais de 50% do total vendido ao país asiático durante todo o período de 2024. Naquele ano, as exportações do produto para a China somaram US$213,6 milhões.



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Preços do café oscilam com força em novembro



Os preços médios dos cafés arábica e robusta atravessaram novembro em forte oscilação, mas os patamares estiveram bem próximos aos observados em outubro. Isso é o que indicam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Pesquisadores do Cepea indicam que, ao longo do mês, os valores internos do grão foram influenciados pelas, até então, expectativas de exclusão do café da lista de produtos sobretaxados nos Estados Unidos e, posteriormente, a partir do dia 20, pela isenção do grão da tarifa extra de 40%.

Além disso, os cenários climáticos tanto no Brasil quanto no Vietnã também reforçaram a oscilação nos preços domésticos. Em novembro, o Indicador Cepea/Esalq do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista, teve média de R$ 2.245,16 por saca de 60 kg, sendo apenas 0,5% acima da do mês anterior. Ao longo de novembro, o Indicador operou entre as casas de R$ 2.100 e R$ 2.300, os mesmos patamares registrados em outubro.

Para o robusta, o Indicador Cepea/Esalq do tipo 6, peneira 13 acima, a retirar no Espírito Santo, teve média de R$ 1.384,46/sc em novembro, com elevação de 1% frente à de outubro. Os patamares mínimos e máximos estiveram nas casas de R$ 1.300/sc e R$ 1.400/sc, também semelhantes aos observados no mês anterior

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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AgroNewsPolítica & Agro

Brasil lidera transformação verde no campo


Uma nova geração de cafeicultores está colocando o Brasil na vanguarda da produção de alimentos com baixa pegada ambiental. Com foco na redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE), produtores têm adotado práticas regenerativas e fertilizantes nitrogenados com emissão reduzida de carbono, resultando em ganhos de produtividade e valor agregado para o café nacional.

Fertilizante é responsável por dois terços das emissões do café e está sendo transformado

Estudos indicam que cerca de 67% das emissões de GEE na produção de café estão associadas ao uso de fertilizantes nitrogenados. Para enfrentar esse desafio, empresas começaram a empregar fertilizantes produzidos com amônia de baixa emissão, como os da linha Climate Choice™, que reduzem até 90% da pegada de carbono do insumo. Essa mudança permitiu uma redução média de 42% nas emissões por quilo de café produzido, com registros que chegam a 58% em algumas lavouras.

“A combinação entre fertilizantes de menor impacto e uma nutrição mais equilibrada, baseada em diagnóstico de solo e ferramentas de recomendação, possibilitou ganhos relevantes de produtividade e sustentabilidade”, afirma Guilherme Schmitz, vice-presidente de Marketing e Agronomia da Yara Brasil.

Ganhos em produtividade, renda e qualidade sensorial com o café regenerativo

A integração das soluções nutricionais de baixo carbono com práticas regenerativas como uso de composto orgânico, plantas de cobertura e manejo de solo resultou em aumento de 14% na produtividade (de 48 para 55 sacas/ha), incremento de 3 pontos na qualidade sensorial do café (de 81 para 84 pontos) e ganho médio de R$ 5 mil por hectare em renda do produtor.

A primeira safra de café com o uso desses fertilizantes foi colhida em parceria com a Cooxupé e foi apresentada como case de sucesso do Brasil durante a COP30. O mesmo lote está agora a caminho do Fórum Econômico Mundial, em Davos, reforçando o papel do país na liderança da agricultura de baixo carbono.

Mercado global pressiona por descarbonização da cadeia de alimentos

Com cerca de 50% das maiores empresas de bens de consumo impondo metas de emissão em toda sua cadeia (escopo 3), cresce a demanda por produtos com rastreabilidade ambiental. Nesse contexto, o café de baixo carbono se posiciona como resposta às exigências do mercado externo e como estratégia competitiva para o produtor.

Segundo estudo do Hydrogen Council e McKinsey, até 30% das emissões de um produto podem vir do uso de fertilizantes, e até 95% desse impacto pode ser reduzido com soluções baseadas em amônia de baixa emissão. O impacto no custo final, segundo o levantamento, é de apenas 1% a 3%.

Expansão para outras culturas e futuro promissor para a agricultura regenerativa

O modelo aplicado na cafeicultura brasileira deve agora ser replicado em outras cadeias produtivas. Além da continuidade da parceria com cooperativas cafeeiras, empresas do setor já anunciaram projetos similares com batata, citrus, milho e cevada, todos com foco em descarbonização.

“Nosso objetivo é apoiar o agricultor mesmo em anos mais desafiadores, oferecendo tecnologias que gerem retorno de até 200% sobre o investimento, como os fertilizantes regenerativos e as soluções da linha YaraVita e YaraAmplix”, explica Schmitz.

Fertilizantes sustentáveis impulsionam protagonismo brasileiro na agenda climática

De acordo com dados apresentados no relatório anual da companhia, o Brasil lidera a adoção de fertilizantes de baixa emissão entre os países do Sul Global. Projetos com foco em cafeicultura, batata e cacau, além de iniciativas com biometano e amônia verde, posicionam o país como protagonista na transição para uma agricultura regenerativa e carbono neutro.

A estimativa da empresa é quadruplicar o volume de fertilizantes lower carbon em 2026, alcançando novas culturas e consolidando o café como vitrine internacional da sustentabilidade no campo.





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o leite brasileiro está morrendo


Senhor presidente,

Escrevo em nome de mais de 1 milhão de famílias brasileiras que acordam às 4 horas da manhã para tirar o leite que chega à mesa do senhor, dos seus netos e de todos os brasileiros. Escrevo com o peso de quem já viu vários pequenos produtores venderem as vacas para o abate porque não conseguem mais pagar a ração, a energia e o remédio da criança.

O leite brasileiro está morrendo e o senhor está assistindo essa morte.

Em 2025, até outubro, já entraram no Brasil 1,2 bilhão de litros-equivalentes de leite em pó pelo Mercosul, volume suficiente para abastecer São Paulo por quase quatro meses. Grande parte desse pó não é argentino nem uruguaio: vem de outros países, entra nos vizinhos, ganha carimbo do Mercosul e chega aqui com tarifa zero, enquanto o produtor brasileiro recebe em torno de R$ 2,20 por litro, o pior preço real em duas décadas.

Em dois anos, 120 mil produtores já largaram a atividade. São 120 mil famílias que o Brasil perdeu. Em Minas Gerais, no Vale do Paraíba, no Rio Grande do Sul, em Goiás, no Agreste de Pernambuco, estamos vendo o mesmo filme: vacas indo para o frigorífico, tanques de leite sendo desmontados, jovens desistindo do campo e cidades inteiras perdendo o movimento que girava em torno da bacia leiteira.

O senhor conhece o interior como poucos. Sabe que, para a maioria dessas famílias, o leite é a única renda fixa que entra todo mês. É com ela que se paga a escola, a luz, o mercado, o plano de saúde. Quando o preço desaba, não há reserva, não há plano B. Há fome, há migração, há cidade pequena virando cidade-fantasma.

Não estamos pedindo esmola. Estamos pedindo o uso de instrumentos que já existem e que o próprio Mercosul prevê:

  • Acionamento imediato da cláusula de salvaguarda para leite em pó
  • Exigência de certificado de origem real, com fiscalização efetiva nas fronteiras
  • Cota emergencial de importação até que a triangulação seja investigada e punida
  • Medidas antidumping contra leite subsidiado que entra disfarçado de Mercosul

Argentina e Uruguai já usaram essas ferramentas dezenas de vezes para proteger seus produtores. Por que o Brasil não pode proteger os seus?

Presidente Lula, o senhor sempre disse que seu governo seria o governo dos mais pobres, dos que nunca tiveram voz. Hoje, essas famílias estão gritando, e ninguém no Palácio do Planalto parece ouvir.

Não deixe o Brasil repetir o que já fez com o arroz, o trigo, a maçã e o alho: destruir a produção nacional em nome de um “livre mercado” que só é livre para quem tem subsídio europeu ou escala neozelandesa.

O senhor tem o poder de salvar um milhão de famílias. Tem o poder de evitar que o interior brasileiro vire um deserto de soja e silêncio.

Faça isso agora, enquanto ainda há vacas para ordenhar e crianças que acreditam que podem ficar no campo.

Com respeito e urgência,

Mais de um milhão de famílias de produtores de leite do Brasil (e os que ainda não desistiram)

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Carnes e ovos: ABPA projeta crescimento de produção e exportação em 2025 e 2026



A produção brasileira de carne suína, de frango e de ovos deve avançar nos próximos dois anos, segundo projeções divulgadas nesta quarta-feira (3) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Os dados mostram expansão tanto na oferta interna quanto nas exportações.

No segmento de carne suína, a entidade estima que o país produza até 5,55 milhões de toneladas em 2025, alta de 4,6% sobre 2024. Em 2026, o volume pode chegar a 5,7 milhões de toneladas, crescimento de 2,7%. A disponibilidade interna também deve subir, alcançando 4,06 milhões de toneladas em 2025 e 4,15 milhões em 2026. O consumo per capita pode avançar para 19 kg no próximo ano e 19,5 kg em 2026.

Na carne de frango, a produção deve atingir 15,3 milhões de toneladas em 2025, aumento de 2,2% em relação a 2024, e chegar a 15,6 milhões de toneladas em 2026, com avanço de 2%. A oferta ao mercado interno pode subir para 9,98 milhões de toneladas em 2025 e cerca de 10,1 milhões no ano seguinte. O consumo por habitante deve passar para 46,8 kg em 2025 e 47,3 kg em 2026.

A produção de ovos também segue em expansão. Para 2025, a ABPA projeta 62,25 bilhões de unidades, aumento de 7,9% em relação a 2024. Em 2026, o volume deve chegar a 66,5 bilhões, alta de 6,8%. O consumo per capita pode atingir 287 unidades em 2025 e 307 unidades no ano seguinte.

Exportação

A ABPA também projeta um cenário positivo para as exportações brasileiras de proteína animal. Nas vendas externas de carne suína, o setor pode embarcar 1,49 milhão de toneladas em 2025, alta de 10% na comparação com 2024. Para 2026, a projeção é de 1,55 milhão de toneladas, crescimento de 4%.

Na carne de frango, os embarques devem alcançar 5,32 milhões de toneladas em 2025, avanço de 0,5% sobre 2024. Em 2026, o volume pode chegar a 5,5 milhões, alta de 3,4%.

O destaque está nos ovos, com forte avanço esperado. As exportações devem saltar de 18,4 mil toneladas em 2024 para 40 mil toneladas em 2025, uma alta de 116,6%. Em 2026, os embarques podem atingir 45 mil toneladas, crescimento adicional de 12,5%.



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Falta de seguro para eventos climáticos são entraves para portos brasileiros, aponta estudo



A Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), em parceria com o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), lançou na terça-feira (2), em Brasília, um estudo inédito sobre um dos temas mais sensíveis para a operação dos Terminais de Uso Privado (TUP): a fragilidade das coberturas de seguro diante do avanço dos riscos climáticos.

O levantamento Diagnóstico de Seguros em Terminais Portuários Autorizados reúne dados, entrevistas e relatos de operadores que enfrentam dificuldades práticas, jurídicas e financeiras para contratar, manter e acionar apólices obrigatórias. O estudo alerta para um quadro preocupante: eventos climáticos extremos estão aumentando, mas não são plenamente cobertos pelo mercado segurador brasileiro.

O lançamento contou com um painel que reuniu representantes de TUPs, seguradoras, resseguradoras e corretores.

Riscos crescentes, proteção insuficiente

O diagnóstico mostra que os terminais privados convivem com uma combinação de riscos regulatórios, ambientais, operacionais e econômicos e, sobretudo, riscos climáticos, como:

  • enchentes
  • vendavais
  • granizo
  • marés de tempestade
  • secas
  • ondas de calor

Desde fevereiro de 2024, a Antaq tornou obrigatória a contratação de seguros pelos TUPs. No entanto, a natureza desses terminais, instalados fora do porto organizado, faz com que assumam responsabilidades adicionais, como a gestão de acessos terrestres, aumentando a exposição e a complexidade das apólices.

O estudo apresenta obstáculos que encarecem e dificultam as apólices:

  • baixa concorrência entre seguradoras;
  • práticas conservadoras de precificação;
  • falta de conhecimento técnico sobre operações portuárias;
  • franquias elevadas, muitas vezes dolarizadas;
  • exposição cambial devido ao uso de equipamentos importados;
  • estruturas complexas de cosseguro e resseguro ligadas ao “Risco Brasil”.

Com pouca disponibilidade de dados técnicos, seguradoras recorrem a modelos genéricos, o que eleva custos e limita personalização das coberturas.

Clima: a nova fronteira do risco portuário

Um dos capítulos mais críticos do diagnóstico trata das lacunas nos seguros climáticos. Hoje, o mercado brasileiro não cobre eventos como:

  • excesso de calor;
  • seca;
  • Também há limitações para riscos sistêmicos, como elevação do nível do mar e enchentes severas em bacias de drenagem.

Com isso, parte dos terminais busca programas globais de seguro, enquanto outros optam por investir mais em adaptação do que na transferência dos riscos, seja pela escassez de produtos, seja pelos custos elevados.

Agenda para reduzir custos e dar segurança jurídica

Ao traçar recomendações, o estudo sugere um caminho para modernizar o ambiente regulatório e fortalecer a competitividade dos terminais privados, responsáveis por 64% da carga movimentada no país. Entre as medidas destacadas estão:

  • ampliar o diálogo entre terminais e seguradoras;
  • aprimorar regras para coberturas climáticas;
  • reduzir incertezas regulatórias;
  • ajustar modelos de precificação;
  • fomentar produtos com matrizes de risco mais adequadas à realidade portuária.

Para o presidente da ATP, Murillo Barbosa, a evolução dessa agenda é fundamental.“É essencial aprimorar o diálogo entre os terminais e seguradoras e incentivar soluções que garantam mais previsibilidade, segurança jurídica e eficiência aos terminais privados.”

O secretário-executivo do MPor, Tomé França, reforça a importância de modernizar o arcabouço de seguros diante das mudanças climáticas:

“Precisamos de regras modernas que tragam maior equilíbrio e relações mais justas entre contratantes e contratados, especialmente com os eventos climáticos se intensificando.”

A diretora de Assuntos Econômicos do ministério, Helena Venceslau, destacou que o governo busca produtos mais eficientes e com melhor precificação:

“Temos tratado o tema como prioridade e estamos trabalhando com o setor segurador e a CNseg para desenvolver soluções adequadas às necessidades dos terminais.”

O diagnóstico aponta que superar os gargalos identificados exige uma governança integrada entre setor privado, seguradoras e governo, capaz de reduzir custos, aumentar a segurança jurídica e fortalecer o sistema de seguros portuários, especialmente os climáticos.



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AgroNewsPolítica & Agro

Importações crescem e preços de fertilizantes caem em novembro


De acordo com o relatório da CNA, os preços médios dos principais fertilizantes caíram em novembro: ureia foi cotada a R$ 3.445/tonelada (queda de 2% no mês), o MAP a R$ 4.899/t (recuo de 1%) e o KCl a R$ 2.880/t. O cenário de baixa é sustentado pela menor demanda de grandes importadores como Índia, EUA e Brasil, além da liberação de novas cotas de exportação pela China.

No segmento de nitrogenados, o mercado mostrou reação com o anúncio de compra da Índia, o que limitou o ritmo de queda da Ureia. Ainda assim, o uso de alternativas como o sulfato de amônio (SAM) tem crescido entre os produtores brasileiros. Já os fosfatados, como o map, seguem com pouca atratividade nas negociações, enquanto os potássicos apresentam preços mais estáveis.

A queda nos preços dos fertilizantes trouxe algum alívio, mas a relação de troca (RT) ainda limita decisões de compra em parte das lavouras. No caso do algodão, por exemplo, são necessárias 40,9 arrobas para adquirir uma tonelada de map — um cenário classificado como “muito desfavorável” pela CNA.

Para o milho, o SAM tem se mostrado uma alternativa viável à ureia. A relação de troca foi de 32,2 sacas por tonelada, enquanto a ureia exigiu 50,3 sacas. Já para o café arábica, o momento é mais favorável: a cultura foi a única a apresentar melhora consistente no poder de compra do produtor.

As entregas de fertilizantes somaram 30,5 milhões de toneladas até agosto, crescimento de 9% em relação a 2024. A expectativa é de novo recorde em 2025, apesar do ritmo mais lento em estados como o Rio Grande do Sul. A importação também cresceu: de janeiro a outubro, o país adquiriu 38,3 milhões de toneladas — alta de 4,6% no comparativo anual.

“O produtor brasileiro segue investindo nas lavouras, mesmo diante de margens apertadas e desafios no crédito. O aumento de área e a perspectiva de safra recorde devem sustentar a demanda”, afirma o boletim da CNA.

Um dos destaques do relatório é a mudança no perfil dos fornecedores. A China ultrapassou a Rússia como principal vendedora de fertilizantes ao Brasil. O país asiático lidera nas vendas de SAM e formulações NPs, embora ainda não exporte KCl — o que mantém Rússia, Canadá e Omã como fontes estratégicas deste insumo.

No entanto, o rápido aumento das importações chinesas gerou gargalos logísticos no Porto de Paranaguá, com filas de navios e tempo médio de espera próximo a 60 dias para desembarque.

 

 





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