A colheita da segunda maior safra de milho da história no Brasil, estimada em mais de 120 milhões de toneladas, não deve se traduzir em um aumento proporcional das exportações. Apesar da elevada oferta, a demanda interna crescente, puxada pelas usinas de etanol, tende a manter os preços sustentados no mercado doméstico.
De acordo com a análise da Grão Direto, divulgada nesta terça-feira (22), o consumo interno deve absorver uma parcela maior da produção neste ciclo, especialmente se houver impactos climáticos no fim do desenvolvimento das lavouras. Com isso, o excedente disponível para exportação pode ser menor, o que ameaça a posição do Brasil como o segundo maior exportador mundial do cereal.
Esse cenário pode influenciar diretamente o planejamento de safra dos produtores, que passam a considerar o milho como opção mais rentável em comparação à soja, especialmente na Safra Verão. A Conab indica que, nas principais regiões produtoras, as condições climáticas são variadas. Em estados como Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, a regularidade das chuvas favorece o bom desenvolvimento das lavouras. Já em regiões como Paraná, Tocantins e Mato Grosso do Sul, a escassez de precipitações tem gerado preocupações com a produtividade.
A irregularidade climática no Centro-Sul do Mato Grosso do Sul causou perdas, enquanto no norte do estado as lavouras continuam com bom desempenho, aponta a análise. No Piauí, o desenvolvimento das plantações é considerado regular, refletindo condições menos favoráveis.
Nos Estados Unidos, o plantio da safra 2025/26 segue em ritmo dentro da média histórica. No entanto, o clima mais frio no Meio-Oeste americano pode gerar atrasos nas próximas semanas. O mercado monitora a situação, atento à possibilidade de maior volatilidade nos preços, diante da expectativa de uma safra robusta no país. Ao mesmo tempo, a continuidade das tensões comerciais entre China e EUA afeta a demanda chinesa e pode abrir novas oportunidades para o milho brasileiro no mercado internacional.
O mercado interno de milho seguirá sustentado pela demanda, mas a recente queda nas cotações na B3 causou pressão negativa no mercado físico, sendo vista como uma correção de preços saudável. Apesar dessa correção, o cenário permanece favorável, com preços ainda favoráveis devido à manutenção da demanda, destaca o relatório.
Os exportadores de café deixaram de embarcar 637.767 sacas do produto em março, equivalente a 1.932 contêineres. Isso causou prejuízo de R$ 8,901 milhões no caixa das empresas por causa de gastos imprevistos com armazenamento adicional, detenções, pré-empilhamento e antecipação de portões, informou em comunicado o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Desde que o Conselho iniciou o levantamento, em junho de 2024, as empresas associadas à entidade já reportaram um prejuízo de R$ 66,576 milhões com esses custos extras em virtude da estrutura defasada nos principais portos de escoamento de café do Brasil.
Conforme o Cecafé, o não embarque desse volume de grãos também fez com que o país deixasse de receber US$ 262,8 milhões, ou R$ 1,510 bilhão, como receita cambial em suas transações comerciais no mês passado, considerando o preço médio do Free on Board (FOB) de exportações de US$ 336,33 por saca (café verde) e um dólar de R$ 5,7462 na média de março.
“O Brasil é o país que mais repassa o preço FOB de exportação ao produtor e, ao deixarmos de embarcar nossos cafés por causa da não concretização dos embarques, temos o repasse menor a nossos cafeicultores, que trabalham arduamente para entregar produtos de qualidade e sustentáveis”, disse na nota o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron.
Conforme o Boletim Detenção Zero (DTZ), elaborado pela startup ElloX Digital em parceria com o Cecafé, 55% dos navios, ou 179 de um total de 325 embarcações, teve atrasos ou alteração de escalas nos principais portos do Brasil em março passado.
De acordo com o Boletim DTZ, o Porto de Santos, que respondeu por 78,5% dos embarques de café no primeiro trimestre de 2025, registrou um índice de 63% de atraso ou alteração de escalas de navios, o que envolveu 113 do total de 179 porta-contêineres. O tempo mais longo de espera no mês passado foi de 42 dias no embarcadouro santista
“Conforme dados de relatórios de mercado que monitoramos, dentro desse universo dos dados totais referentes a Santos, além dos atrasos, descobrimos que ocorreram 19 omissões de escalas e outras 13 omissões por cancelamento da viagem em embarcações de longo curso, em março, por conta das limitações de infraestrutura portuária, que elevam o tempo de espera dos navios. Isso nos causa grande preocupação porque potencializa a lotação nos pátios, o que desencadeia efeito em toda a cadeia produtiva”, comenta o diretor técnico do Cecafé.
Também no mês passado, apenas 12% dos procedimentos de embarque tiveram prazo maior do que quatro dias de portão aberto por navios no embarcadouro santista. Outros 55% possuíram entre três e quatro dias e 33% tiveram menos de dois dias.
Já o complexo portuário do Rio de Janeiro (RJ), o segundo maior exportador de cafés do Brasil, com 17,2% de participação nos embarques de janeiro a março deste ano, teve índice de atrasos de 59% no mês passado, com o maior intervalo sendo de 15 dias entre o primeiro e o último prazo. Esse porcentual implica que 43 dos 73 navios destinados às remessas do produto sofreram alteração de escalas.
Ainda no primeiro trimestre deste ano, 18% dos procedimentos de exportação tiveram prazo superior a quatro dias de portão aberto por porta-contêineres nos portos fluminenses; 36% registraram-se entre três e quatro dias; e 46% possuíram menos de dois dias.
O mês de abril de 2025 marca exatamente um ano para que sejam iniciadas as movimentações de vulto para as eleições gerais brasileiras de 2026, cabendo analisar o quadro tanto da situação como das oposições, com foco tanto nas disputas pela Presidência da República e pelo Congresso Nacional como nas 27 unidades federativas que compõem a nação.
Tal marco temporal está ligado ao fato de que abril de 2026 será o prazo final para que os eventuais candidatos estejam devidamente filiados ao partido político no qual irão disputar as eleições de outubro e para que as necessárias desincompatibilizações de alguns cargos sejam concluídas, como por exemplo no caso de governadores que buscam a corrida presidencial.
Nessa disputa para o cargo mais alto da República, o governo busca a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chegaria a um inédito quarto mandato. Apesar da vantagem em disputar na condição de incumbente, Lula enfrenta duas situações adversas: os questionamentos sobre sua saúde ante os 80 anos que deve completar no próximo ano e a queda de popularidade do governo correlacionada com a inflação, especialmente do preço dos alimentos.
Em ambos os casos, o governo federal tem buscado utilizar melhor a comunicação institucional, capitaneada pelo publicitário Sidônio Palmeira, com vistas a mostrar Lula mais ativo em compromissos oficiais e, ao mesmo tempo, exibir os esforços da gestão para melhorar a qualidade de vida dos brasileiros. Por ora, os resultados ainda são tímidos, mas já é possível observar que a impopularidade estancou, apesar de ainda não ter sido revertida.
Para construir a candidatura à reeleição, contudo, Lula ainda precisa alinhavar melhor as alianças partidárias, sobretudo para além do campo da esquerda. Nesse sentido, é necessário que dê continuidade a uma reforma de seu ministério, abrindo mais espaço para as siglas aliadas. A despeito da premência desses acordos, tal reforma ministerial ainda segue inconclusa e não parece mais estar entre as prioridades do governo neste momento.
Com a reticência do governo em ceder mais espaço a tais siglas, as oposições avançam sobre esses partidos do Centrão, sendo que a votação de urgência na Câmara dos Deputados para o projeto de lei de anistia para os participantes dos atos de 8 de janeiro acendeu um sinal de alerta para o governo Lula: partidos com titulares nas pastas do governo federal – União Brasil, PSD, Progressistas, MDB e Republicanos – deram mais da metade das assinaturas para a aprovação do decreto.
A postura de tais siglas demonstra que há uma boa probabilidade de que elas se voltem a um projeto oposicionista no pleito do próximo ano e, se ainda não desembarcaram do governo para este outro lado, provavelmente isso se deva ao campo da direita permanecer em compasso de espera diante da situação e do comportamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Bolsonaro, submetido recentemente a um novo procedimento cirúrgico no abdômen, aguarda os desdobramentos do processo judicial no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), que tem grandes chances de condená-lo, inclusive a uma pena em regime fechado. Ademais, permanece inelegível junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até 2030, o que inviabilizaria sua participação nas eleições do próximo ano.
Apesar disso, o ex-presidente insiste em se colocar como candidato, denotando uma estratégia semelhante à do atual presidente Lula, nas eleições de 2018, quando, apesar de preso, lançou-se na disputa, sendo substituído por seu vice (e atual ministro) Fernando Haddad. No caso de Bolsonaro, entretanto, a substituição parece ficar em família, com maiores chances para o filho Eduardo Bolsonaro, que hoje se radicou nos Estados Unidos e estabelece pontes com o governo daquele país, sob a liderança de Donald Trump.
Neste ponto, cumpre esclarecer que a estratégia de Bolsonaro não tem sido bem aceita entre seus próprios aliados, uma vez que acaba por “amarrar” as lideranças do campo da direita, prejudicando tanto o aspecto jurídico (sobre filiações e desincompatibilizações) como o político (no estabelecimento de alianças e na montagem dos palanques nacional e estaduais). Ao esperar a definição de Bolsonaro, alguns nomes como Tarcísio de Freitas, Ronaldo Caiado, Ratinho Jr. e Romeu Zema permanecem na indefinição entre as candidaturas a presidente, vice-presidente, governador (em caso de reeleição) e senador.
Aqueles aliados que advogam pela retirada da candidatura de Bolsonaro apontam para dois benefícios que o próprio ex-presidente e seu entorno poderiam colher. Primeiramente, a eleição de um presidente na direita abriria a possibilidade para que esse indultasse os condenados pelo STF, incluindo Bolsonaro. Em segundo lugar, permitiria uma organização melhor da direita para compor o Senado Federal com seus quadros, buscando inclusive antepor a supremacia da Corte Suprema, ameaçando com eventual impedimento de seus ministros.
As eleições para o Senado, aliás, serão um grande campo de batalha no próximo ano, dado que dois terços de sua composição devem ser renovados, opondo o bolsonarismo a uma possível aliança que iria da esquerda à centro-direita, visando isolar aqueles e evitar uma crise institucional com o Judiciário. Diante dessas estratégias de ambos os lados e somado aos problemas do governo e ao resultado das últimas eleições municipais, fica cada vez mais clara a tendência de o país virar à direita.
Em uma configuração política como essa, Lula precisaria fazer concessões claras para buscar uma nova recondução, como já fica claro diante de mudanças de seu discurso (como no caso da crítica aos beneficiários do Bolsa-Família) e de suas políticas (como no caso do lançamento de uma faixa do Minha Casa, Minha Vida que atenda a classe-média). Ainda assim, teria claras dificuldades de governabilidade e precisaria sinalizar uma migração ao centro que não realizou neste mandato.
Já um eventual nome da direita – cujo favoritismo atual recai sobre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas – tenderia a ter uma maior facilidade para governar, ainda que tivesse de ceder às pressões dos aliados do Centrão, o que é uma situação inescapável a qualquer um que venha a chefiar o Executivo, principalmente no momento atual de hipertrofia de um Poder Legislativo com ampliados poderes de agenda e orçamentais.
Por fim, mas não menos importante, não podemos descartar que a ascensão significativa de um candidato da direita poderia compelir Lula a desistir de uma nova disputa, a fim de evitar o encerramento de sua carreira política com uma derrota, o que poderia abrir prematuramente a possibilidade de uma renovação da esquerda ou mesmo da emergência de uma candidatura de centro.
Ainda falta um ano para começarmos a observar esses nós serem desatados. Ou podemos dizer que falta só um ano…
*Leandro Consentino é doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (USP), atua na como docente desde 2010 e, atualmente, é professor de graduação em Economia e Administração e do Programa Avançado em Gestão Pública do Insper
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O Brasil é líder mundial em agricultura sustentável e a crescente conscientização sobre as práticas amigáveis ao meio ambiente tem impulsionado a utilização de soluções biológicas. O setor registrou alta de 15% na safra 2023/2024 com a comercialização de produtos que, além de contribuírem para a preservação da biodiversidade, potencializam a rentabilidade do produtor rural.
Uma iniciativa que vem se destacando como uma prática sustentável eficaz é o uso de inoculante biológico que capta o nitrogênio do ar para disponibilizar às plantas.
As soluções biológicas referem-se a produtos e técnicas baseadas em organismos vivos ou substâncias derivadas deles, usados para melhorar a produtividade agrícola de forma sustentável. Elas reduzem a dependência de insumos químicos sintéticos e promovem um manejo mais equilibrado do solo e das culturas.
Pela ação dos organismos vivos ou das substâncias naturais, as plantas são beneficiadas com o crescimento saudável, pois há ganhos para a fertilidade do solo e no combate a pragas e doenças.
A adoção de soluções biológicas tem a capacidade de aumentar a resistência das plantas aos estresse causado por organismos vivos, que afetam negativamente seu crescimento, ou por condições ambientais, como, seca, inundações e temperaturas extremas na lavoura.
Um estudo, realizado pela consultoria Blink e divulgado pela associação CropLife Brasil (CLB), revelou que o uso de bioinsumos nas lavouras brasileiras é adotado, principalmente, nas culturas de soja (55%), milho (27%) e cana-de-açúcar (12%). Algodão, café, citros e hortifrútis somam 6%. Esse mercado inclui biodefensivos, inoculantes, bioestimulantes e solubilizadores.
Outra consequência da aplicação de soluções biológicas é a economia, devido à redução dos custos com produtos químicos e tratamentos adicionais para o solo e para as plantas. Não é por acaso que 64% dos produtores brasileiros utilizaram-se de biofertilizantes durante o ano de 2024 e 61% adotaram biodefensivos nas lavouras no mesmo período, segundo pesquisa realizada pela consultoria McKinsey & Company.
Mercado de inovações
Apesar dos números positivos, o Brasil tem desafios para manter o mercado de bioinsumos crescendo, entre eles a necessidade de buscar novas formulações e tecnologias em produtos biológicos.
No entanto, o setor já conta com iniciativas inovadoras voltadas para a agricultura de baixo impacto ambiental e eficazes no aumento da produtividade no campo, beneficiando até mesmo as culturas voltadas à exportação.
Uma das iniciativas no mercado brasileiro propõe captar o nitrogênio do ar e disponibilizá-lo diretamente nas folhas das plantas, algo inovador no segmento de inoculantes biológicos. O nitrogênio é um nutriente essencial para diversas culturas agrícolas alcançarem seu potencial e um dos insumos mais caros para os agricultores a cada safra.
A inovação biológica tornou-se viável aos produtores rurais por meio do produto Utrisha™ N, desenvolvido pela Corteva Biologicals. A empresa, líder no mercado de soluções biológicas, desenvolveu o fixador de nitrogênio foliar para melhorar a eficiência nutricional dos cultivos de soja, milho e batata.
Para fornecer nitrogênio durante todo o ciclo da cultura, o Utrisha™ N contém a bactéria Methylobacterium symbioticum, que entra pelas pequenas aberturas nas folhas, chamados estômatos. Depois de aplicado o produto, a bactéria se espalha e converte o nitrogênio do ar em nitrogênio amônio, que é mais fácil de ser usado pela planta.
A solução permite que as culturas tenham maior aporte desse nutriente e se desenvolvam adequadamente, minimizando os riscos de deficiência nutricional. Além disso, por ser um produto biológico, não deixa resíduos, atendendo às exigências internacionais.
“A cada dia, os biológicos estão transformando a agricultura, aumentando a rentabilidade e o cuidado com todo o ecossistema. Por isso, unimos a responsabilidade e o cuidado com a natureza ao desempenho e à produtividade na lavoura”, afirma Robson Mauri, diretor de Marketing da Corteva Biologicals.
Em 2023, a Corteva Agriscience adquiriu importantes empresas do setor, como a Symborg e a Stoller, passando a oferecer o portfólio mais completo do mercado interno ao produtor rural brasileiro. Iniciativas como a da multinacional são um exemplo de que é possível superar os desafios do campo com tecnologia e potencializar a produtividade das lavouras até mesmo em condições adversas, provando que as soluções biológicas são mais do que uma aposta, mas sim uma tendência consolidada para produzir com sustentabilidade.
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O relatório ainda destaca o papel estratégico dos formuladores de produtos – Foto: Canva
Segundo o DunhamTrimmer® Global Value-Added Fertilizer Market Report, o mercado global de fertilizantes com valor agregado (VAFs, na sigla em inglês) deverá atingir US$ 30,59 bilhões até 2030, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 5,5%. O relatório de 2024 oferece uma análise abrangente sobre essa categoria em ascensão, destacando seu papel estratégico na agricultura moderna e comparando seu desempenho com os fertilizantes convencionais, cuja taxa de crescimento anual está entre 1,5% e 2,2%.
Os fertilizantes com valor agregado são formulados a partir da combinação de nutrientes tradicionais com bioestimulantes, incorporando três componentes principais: fundacionais, funcionais/fisiológicos e de aprimoramento. Essa composição permite maior eficiência na absorção de nutrientes, maior resiliência das plantas e otimização do potencial produtivo, tudo isso com menor impacto ambiental.
Com quase 500 páginas, o relatório se diferencia ao utilizar dados baseados nos preços pagos pelos produtores rurais, em vez de valores de fábrica. Além disso, conta com mais de 800 gráficos e segmentações detalhadas por regiões (5 regiões globais e 26 países e sub-regiões), tipos de cultivo (10 grupos de culturas, incluindo grãos e culturas especiais), e formas de aplicação (foliar e via solo). Também traz uma perspectiva histórica e técnica, além de seções sobre tendências, regulamentações e tecnologias complementares que impulsionarão o setor.
O relatório ainda destaca o papel estratégico dos formuladores de produtos, com mais de 140 empresas avaliadas por meio do sistema proprietário de pontuação Consolidated Strength Rating (CSR). Por fim, o documento inclui análises aprofundadas como SWOT, Forças de Porter e STEP (também conhecido como PEST ou PESTLE).
Apesar do crescimento de 19,2% na produção de tomates no Brasil em 2024, que alcançou 4,7 milhões de toneladas segundo o IBGE, o cultivo continua vulnerável a pragas e doenças que comprometem a produtividade e aumentam os custos para os produtores. A avaliação é de Renato Brandão, mestre em agronomia pela Universidade Federal de Lavras (UFLA) e gerente nacional de vendas da BRQ Brasilquímica.
“O avanço tecnológico possibilita que a produção de tomates atenda a diversos mercados, incluindo consumo in natura, processamento industrial e exportação. No entanto, essa cultura é altamente suscetível a pragas e doenças, o que exige controle eficaz para garantir a produtividade e a qualidade do cultivo”, afirma Brandão.
A tomaticultura brasileira atende ao consumo interno e também aos segmentos de processamento e exportação. No entanto, o impacto de pragas como a traça-do-tomateiro (Tuta absoluta) e a mosca-branca (bemisia tabaci), além de doenças como a requeima (Phytophthora infestans), exige estratégias eficazes de controle para garantir qualidade e produtividade.
De acordo com Brandão, a traça-do-tomateiro causa danos ao se alimentar de folhas, hastes e frutos, abrindo caminho para infecções secundárias. Já a mosca-branca, além de enfraquecer a planta ao sugar sua seiva, transmite viroses como o Geminivírus, que causa mosaico e nanismo. “Infestações severas podem resultar em perda total do plantio”, alerta.
A requeima também preocupa. Trata-se de uma doença fúngica que, sob alta umidade, se espalha rapidamente e pode destruir plantações inteiras em poucos dias. Para enfrentar esses desafios, Brandão destaca o controle biológico como ferramenta estratégica. “O uso de inseticidas biológicos à base de Bacillus thuringiensis (Bt) é eficaz contra a traça-do-tomateiro. Para o combate à mosca-branca, o fungo Beauveria bassiana é indicado, pois infecta e mata os adultos da praga. No caso da requeima, microrganismos, como Trichoderma spp., competem com o patógeno, ajudando a reduzir a infestação.”
Segundo ele, o uso de produtos biológicos reduz a necessidade de agroquímicos, contribui para a saúde dos trabalhadores e diminui os impactos ambientais. “Além disso, preservam os inimigos naturais das pragas, o que contribui para o equilíbrio ecológico da lavoura e evita o desenvolvimento de resistência nos patógenos”, explica.
Para Brandão, a sustentabilidade da tomaticultura brasileira depende da adoção de práticas como o controle biológico. A produção de tomate só se manterá rentável e segura a longo prazo se for integrada a um manejo responsável e tecnicamente orientado.
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O vírus H5N1 já provocou a morte de mais de 168 milhões de aves nos EUA – Foto: Divulgação
Nas últimas semanas, muito se tem falado sobre a inflação dos alimentos e um dos exemplos mais evidentes dessa pressão é a explosão no preço dos ovos. Segundo artigo de Décio Luiz Gazzoni, engenheiro agrônomo e membro do Conselho Científico Agro Sustentável, um dos fatores por trás desse fenômeno é alarmante.
Isso porque os Estados Unidos estão comprando ovos em qualquer parte do mundo, sem se importar com o preço, pois seus rebanhos aviários estão sendo dizimados por uma epidemia de gripe aviária causada pelo vírus H5N1.
O vírus H5N1 já provocou a morte de mais de 168 milhões de aves nos EUA até abril de 2025, e foi detectado em diversas espécies de mamíferos. No mundo, foram registrados 954 casos humanos desde que começou a ser monitorado, sendo 262 entre 2023 e 2024, com 70 nos EUA. O dado mais assustador é que 54% dos casos foram fatais — uma taxa de mortalidade cerca de 20 vezes maior do que a da gripe de 1918.
“Mas, o diabo mora nos detalhes. O primeiro deles é que 54% desses casos foram fatais, uma taxa de mortalidade cerca de 20 vezes maior do que a clássica pandemia de gripe de 1918. O segundo detalhe: até o momento, não foram registrados casos de transmissão entre humanos, as contaminações se deram a partir de animais. Quando o vírus desenvolve mecanismos para transmissão dentro da espécie do hospedeiro, está presente um dos fatores primordiais para uma epidemia ou pandemia”, comenta.
Esse risco está associado ao “transbordamento” viral (spillover), processo pelo qual um vírus adaptado a uma espécie animal sofre mutações que permitem infectar outra espécie — como os humanos. Quanto maior a taxa de infecção em aves e o contato com outras espécies, maior a chance de o vírus encontrar a “chave” certa para invadir células humanas. O H5N1 já infectou mais de 450 espécies animais, um sinal preocupante de que pode estar adquirindo novas capacidades adaptativas.
A produção brasileira de cana-de-açúcar na safra 2024/25 foi estimada em 676,96 milhões de toneladas, o que representa uma queda de 5,1% em relação ao ciclo anterior. Mesmo com o recuo, este é o segundo maior volume colhido desde o início da série histórica da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Os dados fazem parte do 4º Levantamento da safra, divulgado nesta quinta-feira (17).
Segundo a Conab, a redução é atribuída às condições climáticas adversas na Região Centro-Sul, responsável por 91% da produção nacional. “A combinação de baixos índices de chuvas e altas temperaturas impactou diretamente o rendimento das lavouras”, informou a Companhia. Além disso, queimadas em áreas de cultivo contribuíram para perdas de produtividade.
A produtividade média nacional ficou em 77.223 quilos por hectare. No Sudeste, principal polo produtor, a colheita recuou 6,3%, totalizando 439,6 milhões de toneladas. A área colhida cresceu 7,5%, mas não compensou a queda de 12,8% na produtividade.
No Centro-Oeste, a produção manteve-se praticamente estável, com 145,3 milhões de toneladas, enquanto a área cresceu 4% e a produtividade caiu 3,7%. No Nordeste, a colheita estimada em 54,4 milhões de toneladas representa queda de 3,7% em relação à safra anterior, reflexo da limitação hídrica, apesar do leve aumento da área.
No Sul, houve retração tanto na área quanto na produtividade, com produção estimada em 33,6 milhões de toneladas, 13,2% a menos que na safra anterior. A região Norte registrou avanço, com produção de 4 milhões de toneladas e crescimento nos índices de área e produtividade.
Com menor volume de cana processada, a produção de açúcar caiu 3,4% e foi estimada em 44,1 milhões de toneladas. Ainda assim, o volume representa a segunda maior produção histórica. A Conab atribui o desempenho ao direcionamento da matéria-prima para o açúcar diante da atratividade do mercado.
A produção total de etanol no país cresceu 4,4%, atingindo 37,2 bilhões de litros. Apesar da queda de 1,1% na produção de etanol de cana, o avanço foi sustentado pela alta de 32,4% na produção de etanol de milho, que alcançou 7,84 bilhões de litros. “Esse crescimento tem relação direta com a expansão de unidades de processamento e o ganho de eficiência das plantas existentes”, informou a Conab.
As exportações brasileiras de açúcar permaneceram estáveis em volume, com 35,1 milhões de toneladas, mantendo o país como maior fornecedor global. A receita, porém, caiu 8,2% em razão dos preços internacionais, totalizando US$ 16,7 bilhões.
As vendas externas de etanol somaram 1,75 bilhão de litros, volume 31% inferior ao da safra 2023/24. Ainda assim, o etanol de milho tem ganhado relevância na matriz energética, contribuindo para a estabilidade da oferta durante a entressafra da cana.
Nas montanhas de Campestre, no Sul de Minas Gerais, Ilma Rosa Franco produtora rural fez da tradição centenária da família um exemplo de empreendedorismo rural e inovação.
À frente do Sítio Terra Nova, ela deixou o cultivo convencional e se lançou no mercado de cafés especiais, conquistando reconhecimento dentro e fora do país.
Filha da quinta geração de cafeicultores, Franco cresceu entre os pés de café plantados por seu bisavô, o espanhol Major Manoel Joaquim Garcia Rosa, ainda no século XIX. Mas foi em 2017 que a produtora decidiu mudar o rumo dos negócios e valorizar o terroir da região vulcânica mineira.
Hoje, a marca Café Rosa Franco é referência em qualidade e autenticidade.
“Eu queria mais do que apenas vender café. Meu intuito era mostrar ao mundo o valor do nosso terroir – conjunto de características naturais e humanas que influenciam a qualidade de um produto -, e da nossa dedicação”, conta a empreendedora rural.
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Cafés premiados e exportados
No sítio de 68 hectares, 33 são dedicados a variedades como Mundo Novo, Catuaí, Topázio e Paraíso. A colheita é manual e a secagem ocorre em terreiros suspensos, preservando o perfil sensorial com aroma frutado doce, às vezes floral, resultado do terroir exclusivo da região vulcânica.
O resultado apareceu em 2022, quando Ilma venceu um concurso municipal de cafés especiais, promovido pela Prefeitura de Campestre, alcançando 88,65 pontos. Hoje, das 600 sacas de café produzidas anualmente, cerca de 120 são classificadas como café especial.
A comercialização é feita de forma criteriosa: os cafés especiais são enviados para cafeterias, torrefações e eventos nacionais como o São Paulo Coffee Festival e a Semana Internacional do Café (SIC). Parte da safra também é exportada, chegando a países como Estados Unidos e Japão.
Hoje, a marca Café Rosa Franco é referência em qualidade e autenticidade. | Foto: Divulgação: ASN/MG
Parcerias e sucessão rural
Um dos diferenciais do projeto é a parceria com agricultores vizinhos. A empreendedora fornece insumos e estrutura a famílias de agricultores da região, enquanto os parceiros colaboram na colheita.
“No fim da colheita, dividimos a produção e realizamos uma prática justa e sustentável que reforça os laços comunitários,” afirma Franco.
Pensando no futuro, a produtora prepara o neto Maurício Franco Garcia, de 18 anos, para assumir os negócios. Ao lado da avó, ele aprende, na prática, cada etapa que faz do Café Rosa Franco uma referência: desde o plantio até o manejo e a colheita dos grãos.
Apoio técnico e novos mercados
Franco também contou com apoio técnico do Sebrae/MG para profissionalizar a gestão e investir em novas oportunidades.
“O Sebrae tem sido um grande aliado na minha trajetória como produtora de cafés especiais. Fiz vários cursos que mudaram completamente minha forma de empreender, como o Empretec, além de capacitações sobre gestão financeira e torra, que ainda estou finalizando. Cada aprendizado abriu novos horizontes e trouxe mais segurança para tomar decisões no dia a dia do sítio”, ressalta Franco.
Com sensibilidade e coragem, Ilma Rosa Franco mostra que tradição e inovação podem caminhar juntas no agronegócio, inspirando produtores a valorizar suas origens e buscar novos caminhos.
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Foto: Pixabay
A previsão climática para os próximos dias no Oeste da Bahia indica instabilidade, com pancadas de chuva alternadas por períodos de sol. Segundo o boletim da AIBA, elaborado com base nos dados do INMET, essa condição deve permanecer até o início da próxima semana.
O acúmulo de precipitação na safra 2024/25 ainda está dentro da média histórica, mas a distribuição irregular preocupa. Meses como fevereiro e março registraram déficit hídrico importante, afetando o desempenho de culturas como soja e milho. Essa oscilação de chuvas tem impacto direto sobre o calendário de plantio e colheita, além de favorecer a proliferação de pragas e doenças. Os técnicos da AIBA recomendam vigilância constante e planejamento ajustado às janelas climáticas.
De acordo com os dados comparativos, abril já apresentou melhora nos volumes acumulados, mas o produtor deve monitorar as previsões para evitar surpresas na fase final da colheita.
O uso de tecnologias de precisão, sensores meteorológicos e estratégias de irrigação complementar são algumas das alternativas sugeridas para mitigar os riscos causados pelas oscilações do tempo.
Manter um bom planejamento fitossanitário também é essencial neste cenário de instabilidade, especialmente para proteger lavouras que ainda estão em estágio reprodutivo.