A obra, intitulada “Agricultor”, é uma homenagem aos produtores
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Foto: Divulgação
A Massey Ferguson, referência no mercado agrícola brasileiro, levará para a Agrishow 2025, realizada em Ribeirão Preto (SP) de 28 de abril a 2 de maio, uma iniciativa que integra arte e tecnologia no campo. Durante o evento, os visitantes poderão acompanhar ao vivo a pintura de uma colheitadeira modelo MF 6690 HD pela artista Jaque Vieira, conhecida por suas obras que celebram a identidade brasileira por meio de cores e formas vibrantes.
A obra, intitulada “Agricultor”, é uma homenagem aos produtores rurais que, com dedicação e o apoio da tecnologia, impulsionam o agronegócio e o desenvolvimento do país. A ação reforça o compromisso da Massey Ferguson em conectar tradição, inovação e criatividade, destacando a relevância do setor agrícola.
“Unir arte e agricultura é uma forma de valorizar o trabalho do homem do campo. A arte tem o poder de contar histórias e, nesse caso, ela representa a força do agricultor e a essência do agro brasileiro”, afirma Kellen Bormann, diretora de Vendas da Massey Ferguson.
A pintura será realizada no estande da marca durante os dias de feira, oferecendo aos visitantes a oportunidade de interagir com a artista e acompanhar cada etapa da criação.
Ao longo dos últimos 120 anos, os preços das commodities agrícolas viveram uma verdadeira montanha-russa. Muito além das variáveis climáticas e safras abundantes ou frustradas, foram os grandes eventos históricos — guerras, colapsos financeiros e transformações geopolíticas — os principais responsáveis por sacudir esses mercados (veja detalhes no gráfico abaixo).
A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) provocou escassez de alimentos na Europa e impulsionou os preços agrícolas, especialmente nos países exportadores como os Estados Unidos, o Canadá e a Argentina. O Brasil se beneficiou com o café, mas o fim da guerra trouxe uma forte retração da demanda.
A Crise de 1929, com o colapso da Bolsa de Nova York, mergulhou o mundo em uma depressão. Os preços das commodities agrícolas despencaram. O café brasileiro, por exemplo, foi estocado e até queimado para conter a superoferta.
Foto: Elaboração própria
A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) novamente elevou a demanda por alimentos e fibras. O trigo e o algodão dispararam, impulsionados pela logística militar. Mas no pós-guerra, a reconstrução europeia e o Plano Marshall reordenaram os fluxos comerciais, favorecendo a mecanização agrícola e o aumento da oferta global.
Os anos 1970 marcaram outro período de volatilidade. O choque do petróleo de 1973 gerou inflação global e levou investidores a buscar refúgio nas commodities. A crise do trigo e do açúcar marcou a década, com países estocando alimentos por segurança.
A década de 2000 trouxe uma nova dinâmica: a ascensão da China e da Índia no consumo global. A soja virou protagonista, impulsionada pela demanda asiática por ração animal. Crises como a de 2008 (subprime) e, mais recentemente, a pandemia da Covid-19 e a Guerra da Ucrânia, também tiveram efeitos explosivos: interrupção de cadeias logísticas, pânico nos mercados e novos picos de preços.
O fator especulação financeira ganhou força nas últimas décadas. A entrada de fundos de investimento e algoritmos de alta frequência nas bolsas de commodities aumentaram a sensibilidade dos preços a notícias macroeconômicas, como decisões de juros nos Estados Unidos ou tensões entre potências.
E o futuro?
Um novo risco sistêmico começa a ganhar corpo: a possível perda da hegemonia econômica dos Estados Unidos e do dólar como moeda central do comércio global. Se confirmada, essa transição pode abalar profundamente o sistema de precificação das commodities.
Uma multipolaridade monetária — com yuan, euro ou moedas digitais soberanas disputando espaço — traria incertezas cambiais, fragmentação de mercados e enfraquecimento das bolsas americanas como referência global.
Em outras palavras: um cenário de alta volatilidade, menos previsibilidade e mais riscos para produtores e investidores.
É importante destacar que o comportamento das commodities agrícolas é um espelho do mundo: reflete não apenas o clima nos campos, mas, sobretudo, os humores da geopolítica e das finanças globais.
E, agora, diante da instabilidade do império que moldou essas regras por mais de um século, o mercado agrícola poderá enfrentar sua maior prova: sobreviver ao fim da era do dólar como âncora.
Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
A safra de soja em Mato Grosso foi marcada por bom desempenho. O clima colaborou e 100% da área plantada foi colhida com sucesso. No entanto, os custos elevados, com destaque para o óleo diesel, e os preços achatados do grão impactaram diretamente na rentabilidade do produtor. Serviços, mão de obra e reajustes em contratos de arrendamento também aumentaram os desafios, especialmente para quem depende de terras arrendadas, dificultando o planejamento da próxima safra de soja.
Outro ponto que tem gerado preocupação entre os produtores é a divergência na classificação da soja. Em alguns casos, foram relatados descontos considerados excessivos no momento da entrega da produção. Um dos episódios envolve um contrato de 41 mil sacas, que foi negociado por meio de barter com uma empresa que, posteriormente, repassou o grão a uma multinacional. Esta, por sua vez, terceirizou o processo de classificação a uma empresa que enviou um técnico à propriedade rural.
O laudo apresentado foi imediatamente contestado pelo produtor, que apontou inconsistências na avaliação, como a suposta presença de impurezas, carrapicho e insetos. Para esclarecer a situação, foi solicitado um novo laudo, dessa vez por um classificador credenciado pela Aprosoja Mato Grosso. A análise atestou que a carga estava dentro dos padrões exigidos por lei. Ainda assim, a multinacional não compareceu para acompanhar a reavaliação técnica, mesmo diante da divergência entre os laudos.
Casos como esse acendem o sinal de alerta. De acordo com os produtores de soja, episódios dessa natureza comprometem a confiança nas relações comerciais e geram insegurança justamente no período mais sensível da cadeia: a comercialização. Atualmente, estima-se que entre 40% e 50% da soja colhida na região ainda não foi vendida, e cerca de 60% continua estocada em armazéns.
Classificador Legal para a soja
A Aprosoja Mato Grosso destaca a relevância do programa Classificador Legal, que oferece apoio técnico com classificadores credenciados pelo MAPA, garantindo análises precisas, justas e alinhadas com as exigências legais. A entidade também reforça a importância de que as tradings atuem com profissionais habilitados localmente, o que contribuiria para reduzir conflitos e assegurar maior transparência nas negociações.
Apesar de ser celebrado em diferentes dias, o churrasco é homenageado com uma data especial no Brasil, na Argentina e também nos Estados Unidos. A tradição de assar a carne na brasa é um pouco diferente nesses países, mas com certeza o Brasil se destaca na arte da churrascada.
Por aqui, existe uma simbologia por trás do churrasco, principalmente relacionada a reunir a família e os amigos próximos no almoço de domingo. Personagens como o tio da churrasqueira já fazem parte do folclore suburbano. Mas mesmo presente em todo o território nacional, é claro que o Dia do Churrasco teria que ser instituído no Rio Grande do Sul.
Os gaúchos são reconhecidamente os melhores churrasqueiros do país. A data foi escolhida em homenagem ao dia 24 de abril de 1948, quando foi fundado o primeiro Centro de Tradições Gaúchas (CTG) em Porto Alegre. A data homenageia também o setor produtor de carnes no Brasil, que é o segundo maior do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.
Entre selecionar os melhores cortes, os temperos, a temperatura do fogo, o ponto de cozimento da carne e diversos outros pontos, a arte do churrasco é complexa, mas já está na ponta dos dedos – e dos espetos – dos brasileiros. Ao lado de outras tradições como o futebol e o carnaval, não há nada tão brasileiro quanto um churrasco com a família.
De acordo com levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a carne suína vem ganhando competitividade em relação às concorrentes.
Essa competitividade, segundo pesquisadores do Cepea, ocorre devido aos preços do frango e da carne bovina estarem em alta. Em contrapartida, a carcaça suína apresenta queda no comparativo de março para abril.
Dessa forma, a movimentação do mercado doméstico de carne suína está atípica para o período. Os dados do instituto apontam para uma desaceleração no ritmo de vendas.
Assim, de acordo com as análises dos pesquisadores do Cepea, o cenário motivou as indústrias do setor a baixar os preços para evitar o acúmulo de estoque.
Segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra brasileira de grãos 2024/2025 está estimada em 330,3 milhões de toneladas, o maior volume já registrado na série histórica. O Brasil enfrenta um desafio logístico com a capacidade estática de armazenagem atual é de apenas 211 milhões de toneladas. Neste cenário, o silo-bolsa tem se consolidado como alternativa viável para suprir parte desse déficit.
A Pacifil Brasil afirma ter capacidade para fabricar 400 mil unidades de silo-bolsa por ano. O volume seria suficiente para armazenar até 80 milhões de toneladas de grãos, o que equivale a cerca de 70% da atual lacuna na estocagem. “Com as supersafras no país, os silos-bolsa são alternativas práticas, eficientes e de baixo custo para atender a evolução da produtividade no campo”, afirma Gustavo Bazzano, diretor comercial da empresa.
Fabricado com polietileno (PE), o silo-bolsa é um túnel flexível que pode armazenar de 90 a 400 toneladas de grãos diretamente no campo. A matéria-prima é fornecida pela Braskem, que colabora com a Pacifil no desenvolvimento de novas formulações e resinas termoplásticas para aprimorar o desempenho do material. Com inibidores de raios UV, o silo-bolsa pode durar até 24 meses exposto ao tempo. Entre outras vantagens, otimiza o armazenamento das colheitas, exige um baixo investimento na aquisição e baixo custo operacional, mantém a qualidade e a integridade dos grãos e da silagem e resiste a condições climáticas adversas.
A adesão ao silo-bolsa tem sido mais intensa por produtores de soja e milho do Centro-Oeste do país, em estados como Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Bahia, onde a produção de grãos é elevada. No Rio Grande do Sul, apesar da expressiva capacidade de armazenagem estática de 32,7 milhões de toneladas, o uso também tem crescido.
Além da armazenagem de grãos, a utilização dos silos-bolsa para silagem também vem ganhando força, especialmente entre produtores com confinamento de gado. “Os silos-bolsa podem ficar posicionados perto das áreas de confinamento, facilitando muito o manejo de alimentação dos animais”, explica Bazzano. Segundo ele, a preservação da qualidade nutricional da silagem e a redução de perdas em comparação ao silo-trincheira também contribuem para essa tendência.
O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues recebeu o convite para ser o Enviado Especial para Agricultura durante a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em novembro, na cidade de Belém (PA).
A formalização do convite foi feita pelo presidente da COP30, André Aranha Corrêa do Lago. O evento é um encontro global anual que reúne líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil para discutir ações de combate às mudanças climáticas.
Relevância da COP30
Na carta, Corrêa do Lago ressalta a importância da COP30, um dos principais eventos sobre o tema no mundo. “Vivemos um momento histórico. A ciência e a experiência cotidiana convergem para nos alertar sobre a emergência climática. O ano de 2024 foi o mais quente já registrado, e os impactos das mudanças do clima estão cada vez mais evidentes em nossas sociedades, economias e ecossistemas. Diante desse desafio, é com grande honra que o convido a atuar como Enviado Especial para a COP30”, informa o documento assinado pelo presidente.
Até o momento da publicação, o ex-ministro da Agricultura não confirmou se aceitará o convite. Caso consinta, Roberto e André terão um encontro no dia 22 de maio, em Brasília para o alinhamento de propostas para a COP30.
Histórico
Roberto Rodrigues é engenheiro agrônomo, formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (USP), e professor emérito da Fundação Getulio Vargas – Agro. Foi ministro da Agricultura no governo Lula, entre janeiro de 2003 e junho de 2006.
Também foi secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (1993/1994), coordenador do Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Agricultura e é um dos idealizadores da Agrishow, um dos maiores eventos do agronegócio na América Latina.
Roberto também é um dos personagens do projeto Memória do Brasil Rural, iniciativa, idealizada pelo Canal Rural em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Embrapa, com apoio da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ).
O projeto tem a proposta de preservar e difundir a trajetória do agronegócio brasileiro por meio de uma multiplataforma integrada.
Na interatividade, perguntamos sobre Seguro Rural, e a maior parte dos participantes, 38%, destacou a dificuldade em encontrar um seguro que atenda às necessidades da produção.
Em segundo lugar, 34% apontaram o custo elevado das apólices como principal barreira, enquanto 29% mencionaram a burocracia e a demora na aprovação como fatores desafiadores.
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O analista político e comentarista do Canal Rural, Miguel Daoud confirma o resultado da interatividade do Porteira Aberta Empreender.
Segundo ele, a dificuldade em encontrar um seguro rural que atenda completamente às necessidades do produtor reside na combinação de fatores que tornam o custo elevado e a adesão baixa.
Um deles é a alta probabilidade de perdas generalizadas devido a eventos climáticos extremos, que podem afetar diversas propriedades em uma mesma região e ao mesmo tempo.
Além disso, a falta de subvenções governamentais para reduzir o custo dos seguros e a dificuldade em avaliar e mensurar todas as variáveis envolvidas na produção agrícola, tornando o seguro mais caro e menos atrativo.
“O Congresso Nacional já aprovou um Fundo de Catástrofe, que é um fundo que vai garantir que se houver um evento climático que atinge toda uma região de uma vez só, esse fundo vai ser a garantia. O problema é que ele não foi regulamentado, não se sabe de onde virá o dinheiro e enquanto isso os produtores brasileiros continuam sem seguro ou tendo que buscar alternativas de seguros privados” finaliza Daoud.
A senadora Tereza Cristina tenta junto ao Congresso Nacional rediscutir o Fundo Catástrofe, criado em 2010.
A intenção é viabilizar o aporte de recursos públicos de até R$4 bilhões para balizar uma rede de proteção ao produtor rural e estabilizar o mercado securitário do agronegócio.
Todas as quintas-feiras, o Porteira Aberta Empreender lança uma nova enquete no YouTube do Canal Rural e na outra semana traz o resultado. Participe.
O mês de abril tem sido marcado por estabilidade nos preços do boi gordo e da carne bovina. Isso é o que indicam os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
Além da robustez nas exportações, diversas regiões acompanhadas pelo instituto têm apresentado procura um pouco acima da média.
Da mesma forma, o setor de reposição também vem apresentando um bom desempenho relacionado à demanda pelo bezerro.
O indicador Cepea/Esalq para o boi gordo avançou 2,5%, saindo de R$ 320, no fim de março, para R$ 327 na última semana. No mercado paulista, a carcaça valorizou 5,5% na medição parcial do mês de abril, atingindo por volta de R$ 23/kg.
O Canal Rural disponibiliza uma entrevista inédita com Eliseu Alves, um dos principais nomes da agropecuária brasileira e participante da fundação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O episódio (assista abaixo) integra a série “Memórias do Brasil Rural” e traz relatos sobre a criação da instituição e fatos marcantes da história do setor no país.
Nascido em São João del-Rei, em Minas Gerais, Eliseu Alves é engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal de Viçosa (1954), mestre e PhD em Economia Agrícola pela Purdue University, nos Estados Unidos, onde concluiu os estudos em 1968 e 1972, respectivamente.
Reconhecido pelo trabalho pioneiro no desenvolvimento científico do campo brasileiro, Alves ocupou a presidência da Embrapa nos anos 1980 e desempenhou papel fundamental na estruturação da instituição.
Durante o programa, ele compartilha detalhes sobre sua trajetória profissional e os bastidores da fundação da Embrapa, que se consolidou como uma das mais importantes instituições de pesquisa agropecuária do mundo.
O professor José Pastore, também membro do grupo que idealizou a Embrapa, participa do episódio e destaca a importância do “Dr. Eliseu da Embrapa” para a agricultura do país. “Na minha opinião, essa chama de racionalidade e retidão de conduta do Eliseu Alves foi a força-motriz do sucesso da Embrapa e, por consequência, da modernização da agricultura brasileira. O Brasil e todos nós brasileiros devemos muito a ele”, afirmou.
O programa “Memórias do Brasil Rural” é uma iniciativa do Canal Rural voltada ao resgate de histórias e personalidades que contribuíram para o desenvolvimento do campo no Brasil. como o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, que está no primeiro episódio da série. A entrevista com Eliseu Alves integra esse acervo e oferece uma oportunidade de conhecer os caminhos trilhados para a transformação do setor agropecuário nas últimas décadas.