segunda-feira, maio 25, 2026

Autor: Redação

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Dia Nacional do Churrasco traduz a força da pecuária e a arte de ser brasileiro



Apesar de ser celebrado em diferentes dias, o churrasco é homenageado com uma data especial no Brasil, na Argentina e também nos Estados Unidos. A tradição de assar a carne na brasa é um pouco diferente nesses países, mas com certeza o Brasil se destaca na arte da churrascada. 

Por aqui, existe uma simbologia por trás do churrasco, principalmente relacionada a reunir a família e os amigos próximos no almoço de domingo. Personagens como o tio da churrasqueira já fazem parte do folclore suburbano. Mas mesmo presente em todo o território nacional, é claro que o Dia do Churrasco teria que ser instituído no Rio Grande do Sul.

Os gaúchos são reconhecidamente os melhores churrasqueiros do país. A data foi escolhida em homenagem ao dia 24 de abril de 1948, quando foi fundado o primeiro Centro de Tradições Gaúchas (CTG) em Porto Alegre. A data homenageia também o setor produtor de carnes no Brasil, que é o segundo maior do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Entre selecionar os melhores cortes, os temperos, a temperatura do fogo, o ponto de cozimento da carne e diversos outros pontos, a arte do churrasco é complexa, mas já está na ponta dos dedos – e dos espetos – dos brasileiros. Ao lado de outras tradições como o futebol e o carnaval, não há nada tão brasileiro quanto um churrasco com a família. 

*Sob supervisão de Victor Faverin



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Carne suína ganha competitividade frente a concorrentes



De acordo com levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada  (Cepea), a carne suína vem ganhando competitividade em relação às concorrentes.

Essa competitividade, segundo pesquisadores do Cepea, ocorre devido aos preços do frango e da carne bovina estarem em alta. Em contrapartida, a carcaça suína apresenta queda no comparativo de março para abril.

Dessa forma, a movimentação do mercado doméstico de carne suína está atípica para o período. Os dados do instituto apontam para uma desaceleração no ritmo de vendas.

Assim, de acordo com as análises dos pesquisadores do Cepea, o cenário motivou as indústrias do setor a baixar os preços para evitar o acúmulo de estoque.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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AgroNewsPolítica & Agro

Silo-bolsa ganha espaço como solução para déficit de armazenagem no Brasil


Segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra brasileira de grãos 2024/2025 está estimada em 330,3 milhões de toneladas, o maior volume já registrado na série histórica. O Brasil enfrenta um desafio logístico com a capacidade estática de armazenagem atual é de apenas 211 milhões de toneladas. Neste cenário, o silo-bolsa tem se consolidado como alternativa viável para suprir parte desse déficit. 

A Pacifil Brasil afirma ter capacidade para fabricar 400 mil unidades de silo-bolsa por ano. O volume seria suficiente para armazenar até 80 milhões de toneladas de grãos, o que equivale a cerca de 70% da atual lacuna na estocagem. “Com as supersafras no país, os silos-bolsa são alternativas práticas, eficientes e de baixo custo para atender a evolução da produtividade no campo”, afirma Gustavo Bazzano, diretor comercial da empresa.

Fabricado com polietileno (PE), o silo-bolsa é um túnel flexível que pode armazenar de 90 a 400 toneladas de grãos diretamente no campo. A matéria-prima é fornecida pela Braskem, que colabora com a Pacifil no desenvolvimento de novas formulações e resinas termoplásticas para aprimorar o desempenho do material. Com inibidores de raios UV, o silo-bolsa pode durar até 24 meses exposto ao tempo. Entre outras vantagens, otimiza o armazenamento das colheitas, exige um baixo investimento na aquisição e baixo custo operacional, mantém a qualidade e a integridade dos grãos e da silagem e resiste a condições climáticas adversas. 

A adesão ao silo-bolsa tem sido mais intensa por produtores de soja e milho do Centro-Oeste do país, em estados como Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul e Bahia, onde a produção de grãos é elevada. No Rio Grande do Sul, apesar da expressiva capacidade de armazenagem estática de 32,7 milhões de toneladas, o uso também tem crescido.

Além da armazenagem de grãos, a utilização dos silos-bolsa para silagem também vem ganhando força, especialmente entre produtores com confinamento de gado. “Os silos-bolsa podem ficar posicionados perto das áreas de confinamento, facilitando muito o manejo de alimentação dos animais”, explica Bazzano. Segundo ele, a preservação da qualidade nutricional da silagem e a redução de perdas em comparação ao silo-trincheira também contribuem para essa tendência.





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Roberto Rodrigues é convidado para ser Enviado Especial para Agricultura na COP30



O ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues recebeu o convite para ser o Enviado Especial para Agricultura durante a 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), que será realizada em novembro, na cidade de Belém (PA).

A formalização do convite foi feita pelo presidente da COP30, André Aranha Corrêa do Lago. O evento é um encontro global anual que reúne líderes mundiais, cientistas, organizações não governamentais e representantes da sociedade civil para discutir ações de combate às mudanças climáticas.

Relevância da COP30

Na carta, Corrêa do Lago ressalta a importância da COP30, um dos principais eventos sobre o tema no mundo. “Vivemos um momento histórico. A ciência e a experiência cotidiana convergem para nos alertar sobre a emergência climática. O ano de 2024 foi o mais quente já registrado, e os impactos das mudanças do clima estão cada vez mais evidentes em nossas sociedades, economias e ecossistemas. Diante desse desafio, é com grande honra que o convido a atuar como Enviado Especial para a COP30”, informa o documento assinado pelo presidente.

Até o momento da publicação, o ex-ministro da Agricultura não confirmou se aceitará o convite. Caso consinta, Roberto e André terão um encontro no dia 22 de maio, em
Brasília para o alinhamento de propostas para a COP30.

Histórico

Roberto Rodrigues é engenheiro agrônomo, formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (USP), e professor emérito da Fundação Getulio Vargas – Agro. Foi ministro da Agricultura no governo Lula, entre janeiro de 2003 e junho de 2006.

Também foi secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo (1993/1994), coordenador do Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Agricultura e é um dos idealizadores da Agrishow, um dos maiores eventos do agronegócio na América Latina.

Roberto também é um dos personagens do projeto Memória do Brasil Rural, iniciativa, idealizada pelo Canal Rural em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Embrapa, com apoio da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ).

O projeto tem a proposta de preservar e difundir a trajetória do agronegócio brasileiro por meio de uma multiplataforma integrada.



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Qual a maior barreira na contratação de um seguro rural?


Na interatividade, perguntamos sobre Seguro Rural, e a maior parte dos participantes, 38%, destacou a dificuldade em encontrar um seguro que atenda às necessidades da produção. 

Em segundo lugar, 34% apontaram o custo elevado das apólices como principal barreira, enquanto 29% mencionaram a burocracia e a demora na aprovação como fatores desafiadores.

  • Participe do Porteira Aberta Empreender: envie perguntas, sugestões e conte sua história de empreendedorismo pelo WhatsApp

O analista político e comentarista do Canal Rural, Miguel Daoud confirma o resultado da interatividade do Porteira Aberta Empreender. 

Segundo ele, a dificuldade em encontrar um seguro rural que atenda completamente às necessidades do produtor reside na combinação de fatores que tornam o custo elevado e a adesão baixa. 

Um deles é a alta probabilidade de perdas generalizadas devido a eventos climáticos extremos, que podem afetar diversas propriedades em uma mesma região e ao mesmo tempo. 

Além disso, a falta de subvenções governamentais para reduzir o custo dos seguros e a dificuldade em avaliar e mensurar todas as variáveis envolvidas na produção agrícola, tornando o seguro mais caro e menos atrativo. 

“O Congresso Nacional já aprovou um Fundo de Catástrofe, que é um fundo que vai garantir que se houver um evento climático que atinge toda uma região de uma vez só, esse fundo vai ser a garantia. O problema é que ele não foi regulamentado, não se sabe de onde virá o dinheiro e enquanto isso os produtores brasileiros continuam sem seguro ou tendo que buscar alternativas de seguros privados” finaliza Daoud.

A senadora Tereza Cristina tenta junto ao Congresso Nacional rediscutir o Fundo Catástrofe, criado em 2010. 

A intenção é viabilizar o aporte de recursos públicos de até R$4 bilhões para balizar uma rede de proteção ao produtor rural e estabilizar o mercado securitário do agronegócio.

Todas as quintas-feiras, o Porteira Aberta Empreender lança uma nova enquete no YouTube do Canal Rural e na outra semana traz o resultado. Participe.  



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Com boa demanda, preços do boi gordo continuam firmes



O mês de abril tem sido marcado por estabilidade nos preços do boi gordo e da carne bovina. Isso é o que indicam os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea)

Além da robustez nas exportações, diversas regiões acompanhadas pelo instituto têm apresentado procura um pouco acima da média. 

Da mesma forma, o setor de reposição também vem apresentando um bom desempenho relacionado à demanda pelo bezerro.

O indicador Cepea/Esalq para o boi gordo avançou 2,5%, saindo de R$ 320, no fim de março, para R$ 327 na última semana. No mercado paulista, a carcaça valorizou 5,5% na medição parcial do mês de abril, atingindo por volta de R$ 23/kg.

* Com supervisão de Luis Roberto Toledo



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Eliseu Alves fala sobre a origem da Embrapa e desafios do agro



O Canal Rural disponibiliza uma entrevista inédita com Eliseu Alves, um dos principais nomes da agropecuária brasileira e participante da fundação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O episódio (assista abaixo) integra a série “Memórias do Brasil Rural” e traz relatos sobre a criação da instituição e fatos marcantes da história do setor no país.

Nascido em São João del-Rei, em Minas Gerais, Eliseu Alves é engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal de Viçosa (1954), mestre e PhD em Economia Agrícola pela Purdue University, nos Estados Unidos, onde concluiu os estudos em 1968 e 1972, respectivamente.

Reconhecido pelo trabalho pioneiro no desenvolvimento científico do campo brasileiro, Alves ocupou a presidência da Embrapa nos anos 1980 e desempenhou papel fundamental na estruturação da instituição.

Durante o programa, ele compartilha detalhes sobre sua trajetória profissional e os bastidores da fundação da Embrapa, que se consolidou como uma das mais importantes instituições de pesquisa agropecuária do mundo.

O professor José Pastore, também membro do grupo que idealizou a Embrapa, participa do episódio e destaca a importância do “Dr. Eliseu da Embrapa” para a agricultura do país. “Na minha opinião, essa chama de racionalidade e retidão de conduta do Eliseu Alves foi a força-motriz do sucesso da Embrapa e, por consequência, da modernização da agricultura brasileira. O Brasil e todos nós brasileiros devemos muito a ele”, afirmou.

O programa “Memórias do Brasil Rural” é uma iniciativa do Canal Rural voltada ao resgate de histórias e personalidades que contribuíram para o desenvolvimento do campo no Brasil. como o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, que está no primeiro episódio da série. A entrevista com Eliseu Alves integra esse acervo e oferece uma oportunidade de conhecer os caminhos trilhados para a transformação do setor agropecuário nas últimas décadas.



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AgroNewsPolítica & Agro

Pilar financeiro e novos modelos de negócio da BASF Soluções para Agricultura avançam com anúncio de novo líder


Para continuar avançando no foco no cliente, sofisticar modelos de negócios e ofertas de alternativas para financiamento da produção agrícola brasileira, a BASF Soluções para Agricultura anuncia a chegada do seu novo Head de Operações de Negócios. O executivo Eduardo Gradiz Filho é economista formado pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), com pós-graduação em Finanças pelo Insper, MBA pelo IESE Business School e graduação em Gestão Geral pela Harvard Business School.

Após 12 anos como executivo em multinacionais, Gradiz co-fundou uma plataforma de marketplace de agritech e de uma holding de investimentos focada em bens de consumo de movimento rápido (FMCG) e agronegócio, além de ter passagem pelo setor de private equity, em que aprofundou suas habilidades estratégicas e de investimento. 

Na BASF, ele liderará as áreas de controladoria, finanças, operações estruturadas, barter e processos internos. “Quero trazer a cultura empreendedora cada vez mais para dentro da BASF e, assim, fomentar a ambição de uma organização mais ágil, flexível e orientada ao produtor, fortalecendo a BASF como a plataforma de soluções mais completa do mercado”, afirma o novo líder.

As modalidades de financiamento como os diversos tipos de barter, o Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) e o Fundo de Investimento em Cadeias Agroindustriais (Fiagro) vêm crescendo cada vez mais no mercado, e a BASF tem seguido essa tendência. Em 2024, de todo o montante das vendas realizadas no Brasil, 43% dos negócios fechados pela BASF foram através dessas alternativas. 

“Temos uma área de operações de negócio com uma base muito sólida e agora, queremos avançar com o nível de sofisticação que o mercado exige. Estamos muito felizes com a vinda do Eduardo, em um momento muito importante e estratégico, onde sua experiência em trading, operações financeiras, novos modelos de negócio, liderança e empreendedorismo irá contribuir para nós e para nossos clientes e parceiros”, afirma Marcelo Batistela, vice-presidente da BASF Soluções para Agricultura no Brasil.

Mudanças no Mato Grosso

A chegada de Eduardo Gradiz Filho faz parte do movimento de José Roberto Louzado Junior, que assumiu a Diretoria de Vendas do Mato Grosso. Junior desempenhou várias funções na BASF nos últimos 18 anos, passando por commodities, vendas, marketing e por último, liderando a área de Operações de Negócio, e levará este conhecimento para a área de vendas nesta geografia importante do agronegócio brasileiro. 





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Moratória da soja é tema de debate no Senado



A Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado promoveu nesta quarta-feira (23) uma audiência pública para discutir os impactos da moratória da soja e a suspensão da Lei 12.709, de 2024, de Mato Grosso, pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A norma estadual proíbe que sejam oferecidos incentivos fiscais a empresas que assumam compromissos privados de restringir a atividade agropecuária em áreas não protegidas pela legislação ambiental. A lei veda a redução de tributos para empresas que façam concessões a exigências que reduzam sua produtividade dos produtores mato-grossenses.  

Segundo o senador Wellington Fagundes (PL-MT), que solicitou a audiência, a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 7.774), que tramita no STF, questiona a validade da lei sancionada pelo governo de Mato Grosso. A medida impacta diretamente empresas signatárias da moratória da soja, acordo voluntário firmado em 2006 entre tradings (empresas que compram de produtores e exportam) e organizações da sociedade civil. O compromisso veta a aquisição de soja produzida em áreas da Amazônia desmatadas após julho de 2008.

“A norma estabelece critérios para a concessão de incentivos fiscais e doação de terrenos públicos a empresas do setor agroindustrial, proibindo o benefício àquelas que aderirem a compromissos que limitam a expansão agropecuária em áreas não protegidas por legislação ambiental”, explicou Wellington.

De acordo com o senador, partidos políticos autores da ADI sustentam que a lei fere princípios constitucionais como a livre iniciativa e a proteção ao meio ambiente, ao penalizar empresas que adotam práticas sustentáveis. O STF aceitou o pedido de forma liminar em dezembro de 2024, com decisão do ministro Flávio Dino, que entendeu haver uso de critérios tributários como forma de sanção indireta, o que poderia configurar desvio de finalidade.

O presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), André Dobashi, criticou o acordo da moratória, afirmando que ele foi firmado sem a participação dos produtores.

“Esse acordo, senhores, vale lembrar que não foi votado por essa Casa de Leis, não foi debatido no Congresso Nacional e tampouco nasceu do diálogo com os verdadeiros protagonistas que somos nós, os produtores rurais brasileiros”, afirmou Dobashi.

“A moratória, como ela está hoje, ignora a legalidade vigente, penaliza nós, produtores que cumprimos integralmente o Código Florestal brasileiro […] e acaba criando uma legislação paralela acima da Constituição”, completou.

Discussão

A audiência foi marcada por momentos de debate direto entre os participantes, especialmente entre o senador Jayme Campos (União-MT) e o presidente-executivo da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), André Meloni Nassar. O parlamentar questionou a ausência de sugestões objetivas por parte da indústria.

“Qual a sugestão sua? Até agora não vi nada”, questionou.

Nassar respondeu que a Abiove defende mudanças na moratória da soja e a busca por uma saída conciliatória. “O mercado internacional não quer comprar soja plantada em área desmatada no bioma Amazônia. Não quer.”, disse.

O senador replicou, criticando a posição da indústria e os efeitos práticos da moratória sobre os produtores.

“Quer dizer que não quer comprar a nossa? Não, quer comprar, só não quer comprar aquela soja plantada em área desmatada. Vamos resolver isso. Mas como que você vai plantar se você não tem área desmatada? […] Lá atrás, com o advento dos incentivos fiscais que saíram da Sudam, pelo fato de estarmos na Amazônia brasileira, tudo aquilo foi aplicado como Amazônia para que pudéssemos receber os incentivos “, afirmou Jayme Campos.

Nassar, ressaltou a necessidade de conciliação entre os diferentes setores envolvidos, argumentando que a polarização atual entre produtores, indústria e organizações civis precisa ser superada.

“A discussão no STF é a oportunidade para se resolver. E a resolução não está em acabar a moratória e nem manter do jeito que está. Algo diferente tem que ser feito”, defendeu Nassar. “A Abiove já trouxe propostas no passado de como oportunizar melhorias. Infelizmente, as propostas não foram bem recebidas e a gente chegou na situação que a gente está.”

Mais críticas

O diretor-executivo da Aprosoja Brasil, Fabrício Morais Rosa, afirmou que a moratória representa uma violação à soberania nacional e à liberdade econômica dos produtores.

“A moratória, do ponto de vista dos produtores de soja e milho, é uma afronta à soberania brasileira e à livre iniciativa […]. O impacto financeiro calculado da receita que seria gerada com a produção de soja e milho […] é de R$ 20 bilhões”, afirmou, referindo-se ao potencial de produção que estaria sendo bloqueado.

Lucas Beber, presidente da Aprosoja-MT, reforçou as críticas à moratória e à interferência de normas privadas sobre a legislação ambiental brasileira.

“A proposta que nós temos […] é a aplicação da nossa lei, da legalidade, da vigência da lei mais restritiva do mundo que é o nosso Código Florestal […]. Quem desmatou mesmo que legalmente após 2008 […] não tem como vender, porque as empresas signatárias da moratória correspondem a mais de 94% do mercado comprador de soja aqui do nosso país”, disse.

Parlamentares estaduais e federais do Mato Grosso também manifestaram apoio à lei estadual e à revisão dos critérios adotados pela moratória. O presidente da assembleia legislativa do estado, deputado Max Russi (PSB-MT), destacou o envolvimento do Legislativo estadual na elaboração da norma.

“A Assembleia Legislativa de Mato Grosso fez a sua parte, aprovou uma lei não com intuito de prejudicar ninguém, mas com intuito de mostrar a importância do nosso produtor, de fazer uma lei talvez da reciprocidade. Se você quer prejudicar o nosso produtor, nada mais justo que a gente não dê benefícios e outros privilégios que o estado de Mato Grosso, através da sua legislação tributária, fornece”, declarou Russi.

O senador Jayme Campos criticou a decisão liminar do STF, alegando que a matéria seria de competência do estado.

“A decisão do Supremo Tribunal Federal, lamentavelmente, está de forma errônea. Primeiro que ela não podia interferir naquilo que é da competência do estado. Até pela Constituição Federal, no artigo 23 e 24, já tem lá regras claras de que o estado pode dispor corretamente com a Federação em determinar a situação dentro da questão ambiental”, afirmou o senador.

Monitoramento

A audiência também contou com a presença do pesquisador Marcos Adami, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que apresentou dados técnicos sobre o monitoramento do desmatamento e a metodologia usada para verificar a conformidade com a moratória.

“O Inpe não tem a prerrogativa para dizer se o desmatamento é legal ou não. Ele apenas faz o mapeamento do desmatamento. E todos os nossos dados são públicos”, explicou Adami.

Conclusão

Ao encerrar a audiência, o senador Wellington Fagundes reafirmou a importância de garantir segurança jurídica aos produtores e defendeu a continuidade do debate no Congresso Nacional. Ele também agradeceu a participação dos convidados e informou que a comissão deverá consolidar as contribuições em um relatório.

“Foi um debate extremamente importante, que mostra a necessidade de buscarmos um caminho de equilíbrio entre produção e preservação, mas com respeito à legalidade e aos direitos do produtor rural brasileiro”, declarou.



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Ministério da Fazenda e senadores buscam saída para dívidas de produtores gaúchos



Com o objetivo de encontrar uma solução para a crise vivida pelos produtores rurais do Rio Grande do Sul, os senadores Luis Carlos Heinze (PP-RS) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS) participaram, nesta quarta-feira (23), de uma reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. No ano passado, chuvas castigaram o estado, e neste ano, estiagem atrapalha os agricultores – muitos estão com dificuldade de pagar dívidas.

Os parlamentares defendem a publicação de uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), que poderá permitir a prorrogação, por até quatro anos, das parcelas de custeio rural dos produtores gaúchos.

Os senadores também solicitaram a criação de uma linha especial de crédito no novo Plano Safra 2025/26, voltada à prevenção dos efeitos das intempéries climáticas, com foco em investimentos em irrigação e recuperação do solo.

Protelação das dívidas

Entretanto, a prorrogação não será automática e dependerá da análise individual de cada contrato. O subsecretário de Política Agrícola e Negócios Agroambientais do Ministério da Fazenda, Gilson Alceu Bittencourt, informou que o governo avalia a possibilidade de propor ao CMN um voto que permita a renegociação das operações de crédito rural de custeio com recursos equalizados pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), amparadas pelo Pronamp e por demais programas, observando o limite de 8% dos vencimentos no ano de 2025 de cada instituição financeira.

“Hoje, essa regra já é permitida para o Pronaf (custeio e investimento), e para investimentos no Pronamp e para os demais produtores”, afirmou Bittencourt.

Especificamente sobre o Banco do Estado do Rio Grande do Sul S.A. (Banrisul), o subsecretário informou que o governo discute a possibilidade de ampliar esse percentual exclusivamente para o ano de 2025, em razão da concentração de suas operações no estado.

Sobre o custeio, Bittencourt explicou que a regra permite renegociação em até três anos. No caso do crédito para investimento, a norma autoriza o adiamento da parcela do ano para até um ano após o prazo final do contrato.

“Em todas as situações, a negociação será avaliada caso a caso, sendo necessário que o produtor comprove perda devido à seca e incapacidade de pagamento da parcela de investimento ou do crédito de custeio”, declarou.

Expectativa

O senador Luis Carlos Heinze destacou que a reunião trouxe certo alívio. “A expectativa é que o CMN analise as propostas nos próximos dias, diante da proximidade do vencimento dos custeios, que começa em 30 de abril”, ressaltou.

Durante a reunião, Heinze também apresentou duas propostas voltadas ao refinanciamento de longo prazo das dívidas rurais. A primeira sugere o uso de recursos do Fundo Social do Pré-Sal. A segunda propõe a securitização das dívidas, nos moldes do Projeto de Lei 320/2025, de sua autoria. No entanto, ambas as iniciativas foram rejeitadas pelo governo.

“Agora, a pressão continua por uma solução para essas dívidas acumuladas. É importante que os produtores permaneçam mobilizados”, afirmou o senador.



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