Com petróleo acima de US$ 100, Trump propõe coalizão para reabrir o Estreito de Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu a formação de uma coalizão internacional para ajudar a reabrir o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo e gás. A iniciativa ocorre em meio à escalada do conflito entre EUA, Israel e Irã, que já entrou na terceira semana e tem provocado forte volatilidade nos mercados de energia.
Localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, o Estreito de Ormuz é responsável pela passagem de cerca de 20% da energia comercializada globalmente. Desde os ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, grande parte dos petroleiros enfrenta dificuldades para atravessar a região.
Segundo Trump, o governo norte-americano entrou em contato com sete países, incluindo China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido, para pedir apoio na garantia da segurança da rota marítima.
Apesar da pressão de Washington, alguns aliados importantes já sinalizaram cautela. Japão e Austrália afirmaram que não pretendem enviar navios de guerra para escoltar embarcações na região neste momento.
Pressão sobre a China
Trump também elevou o tom nas negociações com Pequim. Em entrevista ao Financial Times, o presidente norte-americano afirmou que pode adiar sua visita oficial à China, prevista para o fim do mês, caso o país não demonstre disposição em participar da coalizão.
Segundo ele, a China deveria contribuir para a segurança da rota por depender fortemente do petróleo proveniente do Oriente Médio.
As declarações ocorreram enquanto o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, se reunia em Paris com o vice-premiê chinês He Lifeng, em mais uma rodada de negociações comerciais entre as duas potências.
Pequim, no entanto, evitou comentar diretamente o pedido de Washington. Em coletiva de imprensa, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, reiterou apenas o apelo do país por uma redução das tensões e o fim dos combates no Oriente Médio.
Irã diz que rota não está totalmente fechada
O governo iraniano afirmou que o Estreito de Ormuz não está completamente bloqueado.
Segundo o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, a passagem marítima continua aberta para outros países, mas está restrita a embarcações dos Estados Unidos, de Israel e de seus aliados, considerados pelo governo iraniano como participantes da ofensiva militar contra o país.
A tensão na região já provoca impactos diretos nos mercados globais de energia. O petróleo Brent superou os US$ 104,50 por barril, refletindo o receio de investidores sobre possíveis interrupções no fornecimento.
Além do transporte marítimo, o conflito também tem causado restrições no tráfego aéreo e ataques com drones na região do Golfo, aumentando a instabilidade geopolítica.
Autoridades norte-americanas avaliam que o confronto pode ser resolvido em algumas semanas, o que ajudaria a reduzir os preços da energia. Já o governo iraniano afirmou que está preparado para manter o conflito “pelo tempo que for necessário”.
O post Com petróleo acima de US$ 100, Trump propõe coalizão para reabrir o Estreito de Ormuz apareceu primeiro em Canal Rural.










