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Foto: Nadia Borges
O clima úmido registrado em parte das regiões agrícolas da Argentina vem dificultando o avanço da colheita das safras de verão, segundo informações do boletim Weekly Weather and Crop Bulletin, divulgado nesta terça-feira (15) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Apesar dos atrasos, as chuvas contribuíram para a recomposição das reservas de umidade no solo, fator importante para o desenvolvimento das lavouras de grãos de inverno.
Segundo o boletim, precipitações moderadas a fortes, variando entre 25 e 50 milímetros, atingiram uma faixa que vai de Buenos Aires até o norte de Corrientes. No centro de Corrientes e em Entre Rios, as chuvas superaram os 50 milímetros, chegando a 100 mm em algumas áreas. Regiões mais afastadas registraram volumes inferiores a 25 mm.
As temperaturas da semana ficaram abaixo do padrão histórico. Em média, os termômetros marcaram até 4°C abaixo da normalidade, com máximas diurnas oscilando entre 20°C e 25°C. As mínimas permaneceram acima de zero em todo o território analisado.
Dados oficiais divulgados pelo governo argentino no dia 10 de abril indicam que a colheita do girassol atingiu 89% da área, enquanto o milho chegou a 22% e o sorgo, a 18%.
A expectativa de safra cheia e o retorno gradual dos investimentos dos produtores faz o Itaú BBA projetar melhora nas intenções de negócios para o setor de máquinas agrícolas em 2025.
O primeiro bimestre deste ano mostra que há razões para o otimismo: foram comercializados 7.326 tratores e colheitadeiras, alta de 43% em relação ao mesmo período de 2024, conforme dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
O crescimento ocorre após dois anos de retração: 48.897 unidades vendidas em 2024 (-20%) e 60.992 em 2023 (-13%).
A Associação Brasileira de Máquinas (Abimaq), por sua vez, estima crescimento de 8,2% nas vendas de máquinas agrícolas em 2025. Em 2024, o faturamento do setor foi de R$ 60,4 bilhões, queda de 19,9% frente ao ano anterior, desempenho puxado pela quebra de safra.
“Começamos a observar a liberação de investimentos que estavam represados. Nos últimos anos, o produtor segurou a renovação do parque de máquinas, e agora já vemos um ritmo melhor de negócios e perspectivas mais animadoras. Efetivamente, o preço por saca não reagiu, mas a receita por hectare subiu bastante, dada a produtividade”, contextualiza o diretor de Agronegócio do Itaú BBA, Pedro Fernandes.
Negócios na Agrishow
Mesmo com a indefinição do Plano Safra 2025/26 e em um cenário macroeconômico desafiador, a Agrishow, maior feira de tecnologia agrícola da América Latina, anunciou R$ 15 bilhões em intenções de negócios para 2025. O valor representa um aumento de 10,2% em relação ao registrado em 2024.
O Itaú BBA iniciou o ano com uma carteira de crédito rural de R$ 115 bilhões e anunciou que prevê alcançar R$ 135 bilhões até o fim de 2025.
Segundo Fernandes, um dos focos estruturais de investimento está na cadeia de agroindústrias voltadas à produção de biocombustíveis. Atualmente, estão mapeados mais de R$ 30 bilhões em projetos nos segmentos de etanol de milho e esmagamento de soja.
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Foto: Pixabay
O clima na Europa apresentou contrastes marcantes durante o período monitorado pelo boletim Weekly Weather and Crop Bulletin, divulgado nesta terça-feira (15) pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Enquanto o sudoeste do continente enfrentou tempo quente e chuvoso, o leste europeu registrou queda acentuada de temperatura e ocorrência de neve em áreas agrícolas.
De acordo com o USDA, “um bloqueio estacionário ancorado sobre a Grã-Bretanha finalmente cedeu e se deslocou para o leste no final do período de monitoramento”. Esse movimento manteve o tempo seco no centro e norte da Europa até a chegada das chuvas no fim da semana.
Na Península Ibérica, as chuvas foram menos intensas em comparação às semanas anteriores, mas ainda ultrapassaram os 25 milímetros em algumas áreas de Portugal e no oeste da Espanha. No final da semana, a instabilidade climática também avançou para o oeste e sul da França. Estimativas via satélite indicaram acumulados entre 10 e 25 milímetros nas principais zonas de cultivo de verão.
Na Europa Ocidental, as temperaturas ficaram de 2 °C a 5 °C acima da média, o que acelerou o desenvolvimento das culturas de inverno. No entanto, uma queda da corrente de jato para o sul provocou um cenário oposto no leste europeu. As temperaturas ficaram entre 3 °C e 9 °C abaixo do normal, acompanhadas por precipitações que, em muitas áreas, ocorreram na forma de neve.
Apesar das geadas registradas, com mínimas entre -5 °C e -2 °C, o boletim informa que “as geadas severas não representaram uma ameaça significativa às culturas vegetativas de inverno”. Os acúmulos de neve também não foram expressivos.
No norte da Europa, os céus permaneceram predominantemente ensolarados, com temperaturas próximas à média. As condições favoreceram o avanço das atividades de campo e o desenvolvimento das culturas de inverno, embora a escassez de chuvas nos últimos dois meses tenha reduzido os níveis de umidade do solo em diversas áreas.
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Foto: Divulgação
O mercado internacional de soja manteve-se firme na semana, apoiado por cotações em Chicago e pela pressão da demanda chinesa, apesar do recuo recente nos embarques de março.
Na Bolsa de Cereais de Chicago, o primeiro mês cotado da soja oscilou entre US$ 10,42/bushel (11/04) e US$ 10,36/bushel (17/04), mantendo-se acima da média de uma semana antes (US$ 10,29/bushel) . Esse movimento reforça a importância do mercado internacional de soja como referência para negociações globais.
As importações chinesas despencaram a 3,5 milhões de toneladas em março, o menor volume para o mês desde 2012, impactadas pela guerra comercial com os EUA e pelo atraso na colheita brasileira. No primeiro trimestre, a China importou 17,1 milhões de toneladas, 7,9% abaixo do ano anterior, abaixo das expectativas de 17,3–18 milhões de t . Para o período abril–junho, o mercado projeta compras de 31,3 milhões de toneladas, mantendo a preferência pela soja brasileira.
Na União Europeia, o ano comercial 2024/25 somava até 13/04 cerca de 11 milhões de toneladas importadas, alta de 8% sobre 2023, enquanto as compras de farelo de soja totalizaram 14,8 milhões de t (+26%) e de óleo de palma caíram 20% . Já a Argentina eliminou o “dólar blend”, medida celebrada pelo setor, que deve promover maior volatilidade cambial e atrair investimentos ao agronegócio local.
Segundo informações divulgadas pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA, a combinação de oferta ajustada em Chicago, demanda chinesa e políticas cambiais na América Latina continua a definir o ritmo do mercado internacional de soja.
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Foto: Claudio Neves/APPA
O mercado global de milho experimentou leve recuo nas cotações de Chicago, enquanto o ritmo de plantio nos Estados Unidos ganha atenção de traders e analistas.
Na CBOT, o contrato de milho para o primeiro mês cotado atingiu US$ 4,90/bushel em 11/04, o maior nível desde 21/02, antes de recuar a US$ 4,82/bushel em 17/04, praticamente estável frente a US$ 4,83/bushel na semana anterior .
O plantio de milho nos EUA alcançou 4% da área esperada até 13/04, abaixo da média histórica de 5% e da expectativa de 6% do mercado – sinal de atenção para o desenvolvimento das lavouras de primavera .
No comércio exterior, o Brasil exportou 120,3 mil toneladas de milho nos primeiros nove dias úteis de abril, média diária 345% superior à de abril de 2024, com preço médio de US$ 265,97/t (queda de 26,1% sobre abril/24) . Esses números refletem a forte participação brasileira no suprimento global e a pressão dos estoques internacionais.
Segundo informações divulgadas pela Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário – CEEMA, as cotações em Chicago e o andamento do plantio nos EUA seguem como principais indicadores para o mercado internacional de milho.
O Conselho Internacional de Grãos (IGC, na sigla em inglês) reduziu sua previsão para a produção mundial de grãos em 2024/25, de 2,306 bilhões para 2,303 bilhões de toneladas.
O recuo, feito na última quinta-feira (17), foi atribuído principalmente a uma projeção menor para o trigo. O volume ainda é inferior ao estimado para 2023/24, de 2,310 bilhões de toneladas.
Já o consumo dessas commodities agrícolas em 2024/25 foi projetado em 2,328 bilhões de toneladas, recuo de 8 milhões de toneladas ante o projetado em março.
Quanto aos estoques, o conselho ampliou sua estimativa em 4 milhões de toneladas, para 580 milhões. Em 2023/24, a projeção de consumo ficou em 2,325 bilhões de toneladas, com volume estocado de 605 milhões.
Grãos em números
O IGC fez projeções para a soja, o milho e o trigo. Acompanhe (em toneladas):
Soja
Produção estimada: redução de 1 milhão, totalizando 417 milhões
Consumo global: mantido em 409 milhões
Estoques: redução em 1 milhão, chegando a 181 milhões.
Produção em 2023/24: estimada em 396 milhões, com consumo de 385 milhões e estoques de 73 milhões.
Milho:
Produção estimada: aumento de 1 milhão, para 1,218 bilhão
Consumo global: reduzido em 1 milhão, para 1,237 bilhão
Estoques: subiu 2 milhões, para 276 milhões
Produção em 2023/24: estimada em 1,233 bilhão, com consumo de 1,231 bilhão e estoques de 295 milhões.
Trigo
Produção estimada: redução de 1 milhão, para 798 milhões
Consumo global: reduzido de 807 milhões para 802 milhões
Estoques: ampliados em 3 milhões, para 268 milhões
Produção em 2023/24: 794 milhões, com consumo de 807 milhões e estoques de 272 milhões.
Estimativas para a safra 2025/26
“A perspectiva de oferta de grãos para 2025/26 é ligeiramente mais confortável em comparação com o mês passado, com projeções melhoradas para estoques iniciais e produção”, destacou o conselho na nota.
Assim, a estimativa para a safra 2025/26 é de 2,373 bilhões de toneladas, ante 2,368 bilhões de toneladas previstas no mês passado.
O volume ainda é 2,9% maior que o projetado para a safra atual. Na temporada, o consumo foi apontado em 2,373 bilhões de toneladas, ante 2,367 bilhões de toneladas previstos em março, com estoques de 580 milhões de toneladas.
Mais soja e milho, menos trigo
A soja pode ter uma produção maior no próximo ano comercial, com 428 milhões de toneladas, segundo as projeções do IGC, alta de 1 milhão de toneladas ante o previsto no relatório de março.
O consumo foi projetado em 427 milhões de t, aumento mensal de 1 milhão de t, e os estoques estáveis em 83 milhões de t.
Já o milho pode ter produção de 1,274 bilhão de t, alta mensal de 5 milhões de t, com consumo elevado em 4 milhões de t ante a previsão passada para 1,269 bilhão de t e estoques de 281 milhões de t, alta mensal de 1 milhão de t.
O trigo, por sua vez, foi reduzido em 1 milhão de t para 806 milhões de t produzidas, estimou a conselho. O consumo do cereal foi projetado para 814 milhões de t, alta mensal de 1 milhão de t, com estoque de 260 milhões de t, também 1 milhão de t mais altos do que em março.
A produção e o consumo global de vinhos atingiram os menores patamares em décadas em 2024, influenciados por mudanças climáticas, inflação e transformações nos hábitos dos consumidores.
Segundo relatório da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV, na sigla em inglês), divulgado na última terça-feira (15), a produção mundial da bebida caiu 5% em relação a 2023, totalizando 226 milhões de hectolitros – o menor volume em 60 anos.
“Eventos climáticos extremos e imprevisíveis em ambos os hemisférios” foram apontados como a principal causa pelo documento da OIV.
O consumo também registrou queda de 3,3%, chegando a 214 milhões de hectolitros, o menor nível desde 1961, influenciado por “fatores econômicos e geopolíticos, incertezas e mudanças nos padrões de comportamento”, especialmente em mercados consolidados.
Apesar disso, a organização ressaltou que “o vinho nunca foi tão consumido em tantos países”, 195 no total, com potencial de crescimento em nações populosas.
O equilíbrio entre oferta e demanda foi mantido, mas os estoques regionais seguem desiguais, segundo a OIV. O comércio internacional manteve volumes estáveis, em 99,8 milhões de hectolitros, embora o valor das exportações tenha caído 0,3%, para 36 bilhões de euros, com preços ainda 30% acima dos níveis pré-pandemia, aponta a instituição.
John Barker, diretor-geral da OIV, enfatizou a necessidade de adaptação: “Trabalhar juntos para desenvolver soluções climáticas, investir em pesquisa e reforçar o multilateralismo são elementos essenciais para o futuro do setor”.
A imposição de tarifas comerciais entre Estados Unidos e China tende a inviabilizar o comércio entre as duas potências. Com isso, as exportações brasileiras de soja e carne bovina e suína devem ganhar mercado, mas outras commodities também podem sair vencedoras.
Na opinião do analista de mercado Carlos Cogo, o algodão e o café nacionais serão beneficiados com a continuidade do cenário de tensão capitaneado por Donald Trump e Xi Jinping, o que traz a oportunidade para o produtor avançar na comercialização antecipada.
“O Brasil já é líder global nas exportações dessas duas commodities. No caso da pluma, atingiu o posto em 2024 e se mantém em 2025, enquanto no café ocupa a primeira posição há muitos anos. Quanto ao algodão, assim como na soja, os Estados Unidos são ainda um grande supridor do mercado chinês, abastecendo em torno de 20% da demanda importadora asiática, mas, provavelmente, parte desse volume vai ser deslocado para o Brasil”, acredita.
Cogo destaca que os preços dos dois produtos se encontra, atualmente, firmes por conta da entressafra, mas já sinalizam viés de alta em decorrência da demanda extra que se avizinha.
China ‘sedenta’ por café
De acordo com ele, especificamente sobre o café, o mercado criou uma “calmaria” temporária devido à suspensão de tarifas dos Estados Unidos a diversos países pelo período de 90 dias. “Mas se as tarifas forem retomadas e aplicadas [em cima de grandes produtores do grão] como no Vietnã, em 46%, e na Indonésia, em 32%, o grão robusta brasileiro, o conilon, usado para café solúvel, pode ficar mais competitivo no mercado chinês.”
A maior participação brasileira seria, assim, providencial, visto que a China é, atualmente, um consumidor emergente da bebida, tendo triplicado o consumo nos últimos 10 anos.
Segundo Cogo, observa-se elevação dos preços da soja, com prêmios igualmente em alta nos portos brasileiros desde a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. “Os prêmios já foram para o campo positivo e estão operando em um viés de alta gradual a partir dos embarques de maio, junho e julho adiante, o que vai sendo incorporado aos preços da soja pagos ao produtor e, consequentemente, também levar à alta dos derivados, como o farelo e o óleo.”
O analista lembra que a elevação do farelo, assim como vem acontecendo com o milho, impacta diretamente os preços da carne no mercado interno, visto que os grãos são utilizados como ração do plantel bovino brasileiro.
Commodities no acordo entre China e EUA
Apesar do ganho de mercado para o Brasil, Cogo ressalta que o produtor rural deve ter em mente que se tratam de ganhos temporários, visto que um acordo comercial entre Estados Unidos e China é dado como certo, ainda que não tenha data para ocorrer.
“Vale a pena olhar para ‘Trump 1’, quando Donald Trump assumiu [a presidência dos EUA] pela primeira vez em 2018, os preços e prêmios subiram, mas quando saiu o acordo comercial [com a China], naquela época chamada de Fase 1, os preços futuros das commodities subiram e os prêmios cederam”, lembra.
O analista considera que o mundo viverá a mesma situação comercial daquela época. “Nos bastidores os departamentos de comércio de ambos os países estão traçando uma negociação para um acordo comercial. E o que os Estados Unidos teriam para oferecer que a China precisa? Grãos, fibras e carnes, assim como ocorreu no acordo anterior [do primeiro mandato de Trump].”
Diante dessa futura realidade – e certa, na opinião de Cogo – os preços futuros ficariam mais fortes pela demanda por commodities norte-americanas, mas, por outro lado, os prêmios nos portos brasileiros podem sofrer quedas acentuadas.
Assim, para o analista, o produtor brasileiro precisa aproveitar o momento para avançar na comercialização futura, principalmente de soja, café e algodão antes que o acordo entre chineses e norte-americanos seja assinado.
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Foto: Canva
A cotação do boi gordo registrou alta em São Paulo nesta quarta-feira (16), segundo o informativo Tem Boi na Linha, da Scot Consultoria. Com oferta mais restrita, os preços subiram R$ 2,00 por arroba tanto para o boi gordo quanto para o animal destinado ao mercado externo, conhecido como “boi China”. A novilha acompanhou o movimento e também teve reajuste de R$ 2,00 por arroba. A vaca, por sua vez, manteve o valor estável.
“O cenário de oferta limitada contribuiu para o aumento dos preços pagos ao produtor”, informou a Scot. As escalas de abate nos frigoríficos paulistas seguem com média de cinco dias.
Em Mato Grosso, todas as regiões monitoradas apresentaram alta nas cotações. Na região Norte, o boi gordo teve valorização de R$ 5,00 por arroba. A vaca e a novilha também subiram, com acréscimo de R$ 3,00.
Na região Sudoeste, houve aumento de R$ 2,00 para as três categorias. Já em Cuiabá, os preços ficaram estáveis para o boi gordo e para a novilha, enquanto a vaca subiu R$ 2,00 por arroba.
No Sudeste mato-grossense, o boi gordo e a novilha tiveram alta de R$ 5,00 por arroba, e a vaca registrou aumento de R$ 3,00.
Em Alagoas, o mercado se manteve estável, sem alterações nas cotações para nenhuma das categorias.
Nesta época do ano, os peixes e mariscos ganham destaque. Os alimentos aquáticos enfeitam as mesas e contribuem com proteínas, ácidos graxos, ômega-3 e micronutrientes essenciais — elementos-chave para a alimentação e a nutrição. No entanto, esse consumo sazonal não se traduz em um hábito permanente. Enquanto a média mundial de ingestão de alimentos aquáticos é de 20,7 kg per capita por ano, na América Latina e no Caribe consome-se, em média, apenas 10,7 kg — uma das médias mais baixas do mundo.
Essa lacuna revela um desafio urgente: é preciso repensar como integrar os alimentos aquáticos nas dietas da população para ampliar sua contribuição à segurança alimentar e nutricional na região. Isso é ainda mais relevante quando consideramos que esses alimentos representam o sustento de milhões de famílias pescadoras e aquicultoras na América Latina e no Caribe.
Para isso, é necessário desenhar políticas que incentivem seu consumo, atualizar os marcos normativos, fortalecer as cadeias de valor, aprimorar a vigilância sanitária e promover o uso responsável dos recursos naturais. Além disso, é fundamental garantir que esses produtos sejam acessíveis para as populações mais vulneráveis.
O consumo de alimentos aquáticos contribui para reduzir a pressão sobre os sistemas agroalimentares. Também ajuda a enfrentar os efeitos relacionados às mudanças climáticas, por exemplo, por meio da aquicultura sustentável, que apresenta uma pegada ambiental menor.
Para avançar nesse desafio, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) promove a Transformação Azul — um processo abrangente que busca maximizar a contribuição dos sistemas alimentares aquáticos para uma produção mais sustentável, preservando a biodiversidade para as gerações futuras.
Com a plena implementação dessa agenda, estima-se que o consumo per capita global possa ultrapassar os 25 kg até 2050, com impactos positivos sobre a nutrição infantil e a saúde pública.
A agenda da FAO com o Brasil nos permite seguir impulsionando a Transformação Azul e antecipar temas-chave para os diálogos técnicos que ocorrerão em junho de 2025, no âmbito da XIX Reunião da Comissão de Pesca em Pequena Escala, Artesanal e Aquicultura da América Latina e do Caribe (Coppesaalc), organizada pela FAO.
Governos, setores social e privado, organizações, academia, consumidores e outros parceiros devem se unir para desenvolver e implementar estratégias que incentivem o consumo de alimentos aquáticos — por exemplo, incorporando esses produtos em programas sociais, como o de alimentação escolar, além de comunicar amplamente os benefícios de seu consumo.
A Transformação Azul é o caminho para uma melhor produção, uma melhor nutrição, um melhor meio ambiente e uma vida melhor — sem deixar ninguém para trás.
*Javier Villanueva é Oficial Sênior de Pesca e Aquicultura da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe
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