terça-feira, julho 7, 2026

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Piscicultura brasileira apresenta aumento nas exportações



Conforme informações divulgadas pela Embrapa Pesca e Aquicultura, as exportações da piscicultura brasileira apresentaram um crescimento recorde em 2024, com aumento de 138% em valor, alcançando 59 milhões de dólares.

Em volume, o crescimento foi de 102%, passando de 6.815 toneladas para 13.792 toneladas, o maior aumento desde 2021. O principal responsável por esse incremento foram os embarques de filés frescos, que atingiram 36 milhões de dólares, seguidos pelos peixes inteiros congelados, com 17 milhões de dólares.

A tilápia continua sendo a principal espécie exportada pelo Brasil, representando 94% das exportações nacionais do setor, com um total de 55,6 milhões de dólares, o que representa um impressionante crescimento de 138% em comparação com o ano anterior. Esse aumento consolidou a tilápia como a estrela da piscicultura brasileira no comércio internacional.

De acordo com Manoel Pedroza, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, o motivo do aumento de 138% no valor exportado deve-se à redução no preço da tilápia no mercado interno. ”Houve uma importante queda no preço da tilápia pago ao produtor ao longo de 2024. Se, no final de 2023, o preço da tilápia pago ao produtor chegava a uma média de R$ 9,73 o quilo, ao término de 2024 esse valor caiu para R$ 7,85, segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea)”, explica.

O aumento da cotação do dólar frente ao real também é outro fator que justifica o aumento das exportações, além da elevação da produção da tilápia. “Houve um aumento de produção da espécie, e o mercado interno não absorveu a maior oferta. Com isso, as empresas buscaram outros países para vender o pescado”, explica Pedroza.

Os Estados Unidos destacaram-se como o maior destino do peixe brasileiro, sendo responsáveis por 89% das exportações do setor, com um valor total de 52,3 milhões de dólares. Nesse contexto, a tilápia foi, sem dúvida, a principal espécie exportada para os norte-americanos, mantendo sua posição de liderança no mercado.

Apesar do crescimento recorde nas exportações em 2024, a balança comercial de produtos da piscicultura fechou com déficit de US$ 992 milhões, devido ao aumento das importações que atingiram US$ 1 bilhão. O salmão é a principal espécie importada na piscicultura pelo Brasil, seguido pelo pangasius. Houve um aumento de 9% em valor da importação do salmão e em 5% em volume, atingindo a marca de 909 milhões de dólares. Isso corresponde a 87% do volume total importado pelo país”, afirma Pedroza.



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Síndrome da murcha da cana ameaça produtividade em 30% das áreas cultivadas no Brasil



A síndrome da murcha da cana, doença que afeta diretamente a produtividade dos canaviais, é motivo de crescente preocupação para os produtores de cana-de-açúcar. Estima-se que cerca de 30% das áreas de cultivo no Brasil, o equivalente a aproximadamente 3 milhões de hectares, já tenham sido impactadas.

A doença pode reduzir em até 45% o rendimento das lavouras, prejudicando a produção de açúcar e etanol ao diminuir os níveis de sacarose e comprometer o desenvolvimento das plantas.

Os sintomas incluem colmos murchos ou secos, coloração avermelhada ou marrom glacê nos internos e, em casos mais graves, a presença de estruturas fúngicas visíveis. A doença afeta o índice TCH (toneladas de cana por hectare), reduz o ATR (açúcar teórico recuperável) e altera o índice de Brix, que mede a pureza do caldo da cana e o teor de sacarose.

A síndrome foi identificada pela primeira vez na década de 1960, mas sua expansão nos últimos anos é alarmante, especialmente nos estados de Goiás, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Piauí, Mato Grosso e Tocantins. Eventos climáticos extremos, como variações de temperatura e períodos de seca, têm sido apontados como fatores que favorecem a propagação da doença.

Pesquisas e manejo integrado

Pesquisas conduzidas pela Syngenta, em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), têm buscado alternativas para mitigar os impactos da doença. Amostras coletadas em lavouras afetadas nas safras de 2023 e 2024 identificaram os fungos Pleocyta sacchari, Colletotrichum falcatum e Fusarium spp. como os principais causadores.

Desde 2021, grupos de pesquisadores monitoram as áreas afetadas para desenvolver estratégias de manejo. Entre as ações sugeridas estão o corte antecipado, o uso de controle químico e o desenvolvimento de variedades mais resistentes. “Precisamos unir esforços para mitigar os impactos dessa síndrome e assegurar a sustentabilidade da produção de cana-de-açúcar no Brasil”, afirma Thales Barreto, gerente de marketing de produtos fungicidas da Syngenta.

Testes realizados em laboratório e campo apontaram o solatenol como o ingrediente ativo com maior eficácia no controle dos patógenos associados à síndrome. Esse ativo está presente no fungicida Invict, da Syngenta, registrado para a cultura da cana-de-açúcar e recomendado para combater os fungos Pleocyta sacchari e Colletotrichum falcatum.

Além disso, a pesquisa destaca a necessidade de diagnóstico preciso e monitoramento contínuo para prevenir perdas ainda maiores. De acordo com dados da Orplana, a doença já causou prejuízos significativos na última safra, afetando diretamente a cadeia produtiva de açúcar e etanol.



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Produção de soja em Goiás pode superar o ano passado



A segunda edição da Expedição Safra Goiás, concluída nesta quinta-feira (23/01), traz uma estimativa de produção de soja para o estado de Goiás que pode superar os 20 milhões de toneladas, um aumento de até 23% em relação à safra anterior. As informações são da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A Expedição percorreu mais de 5 mil quilômetros em cinco regiões do estado, visitando 43 municípios e mais de 80 propriedades rurais. De acordo com a análise realizada nas lavouras, a produtividade média varia entre 66 a 70 sacas por hectare. A expectativa é que a produção atinja no mínimo 19,6 milhões de toneladas, podendo chegar até 20,7 milhões de toneladas.

O clima como aliado da soja

O clima favorável tem sido um fator importante para os bons números, mas os produtores também podem enfrentar desafios no escoamento e armazenamento da produção, conforme destacado pelo presidente do Sistema Faeg/Senar/Ifag, José Mário Schreiner. A primeira fase da colheita da soja da safra 2024/25 já começou em Rio Verde, no sudoeste de Goiás, onde 2% da área plantada já foi colhida. A região, com cerca de 400 mil hectares dedicados à soja, apresenta bons resultados iniciais, com rendimento médio entre 4.200 e 4.800 quilos por hectare.

A Expedição Safra Goiás é uma iniciativa da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag) e dos Sindicatos Rurais, com o apoio do Senar Goiás e Sebrae Goiás. Além das análises técnicas realizadas pela equipe, foram ouvidas demandas de produtores e presidentes de Sindicatos Rurais, e tudo será compilado em um relatório que será compartilhado com o poder público em busca de melhorias para o setor, conforme explicou o vice-presidente administrativo da Faeg, Armando Rollemberg.



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Temporais e temperaturas elevadas no Brasil; confira como fica o tempo nesta semana



A previsão do tempo para o período de 27 a 31 de janeiro aponta para variações climáticas em diversas regiões do Brasil. A semana será marcada por temperaturas elevadas e chuvas irregulares, com destaque para o risco de temporais, o que pode impactar os produtores nas atividades agrícolas. Confira abaixo como ficará o tempo no país:

O tempo no Sul

A semana começa sem chuvas no centro-sul, leste e litoral do Rio Grande do Sul, com temperaturas subindo à tarde. Pancadas são esperadas no noroeste e norte do estado, além de Santa Catarina e Paraná, com risco de temporais na divisa do Paraná.

A chuva se concentrará no extremo oeste de Paraná e Santa Catarina, com volumes de 80 a 100mm, auxiliando no déficit hídrico das lavouras. O restante da região deve receber de 40 a 60mm de chuva, ajudando a repor a umidade do solo sem prejudicar as operações agrícolas. No Rio Grande do Sul, a situação será mais quente e seca, com precipitação limitada a 20 a 30mm, insuficiente para recuperar as lavouras de verão.

No Sudeste

A frente fria que avança no alto mar trará temporais em São Paulo, sul do Rio de Janeiro, Triângulo Mineiro e sul de Minas Gerais. O volume de chuva pode ultrapassar os 150mm nessas áreas, o que pode dificultar a colheita da safra de verão. Em outros locais de São Paulo, o acumulado deve ficar em torno de 100mm, ajudando na recuperação de pastagens e nas lavouras. Já o centro-norte de Minas Gerais e o Espírito Santo devem ter chuvas de até 50mm, contribuindo para a boa umidade do solo.

Centro-Oeste

O tempo será abafado e com risco de temporais no sul de Mato Grosso, centro-sul de Goiás e em Mato Grosso do Sul. A previsão é de chuvas volumosas no sul de Goiás, com acumulados acima de 150mm, o que pode inviabilizar os trabalhos agrícolas.

No restante de Goiás e Mato Grosso do Sul, os volumes devem atingir cerca de 100mm, beneficiando as lavouras e o gado. Já em Mato Grosso, a previsão é de uma semana mais otimista, com precipitação entre 20 e 30mm, o que ajudará no avanço da colheita de soja, mas as chuvas no sudeste do estado continuam atrasando a secagem das vagens.

E como fica o tempo no Nordeste?

O tempo será quente e com pancadas de chuva mais irregulares na Bahia, Sergipe e Alagoas. Já no Maranhão, Piauí, Ceará, interior do Rio Grande do Norte e Pernambuco, as chuvas podem ser fortes, com volumes variando entre 60 e 80mm, favorecendo o desenvolvimento dos cultivos.

Na região do oeste da Bahia e no interior de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, o volume de chuva será em torno de 40mm, ajudando a aliviar o calor e a repor a umidade do solo. Porém, a seca persiste na faixa leste, onde as chuvas podem prejudicar as lavouras e aumentar o risco de focos de incêndio.

Norte do Brasil

A semana começará abafada, com risco de chuvas fortes em todos os estados. As pancadas de chuva podem ocorrer a qualquer momento no Tocantins, Pará, Roraima e Acre, com risco de temporais no Amapá e Amazonas. A previsão é de volumes de chuva em torno de 50mm em todos os estados, o que ajudará na recuperação das pastagens e no desenvolvimento das lavouras de verão. No entanto, os produtores devem ficar atentos ao manejo fitossanitário, pois o aumento da umidade pode intensificar a pressão de pragas nas lavouras.



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Qualidade da maçã deve impulsionar crescimento de 20% na atual safra



A maçã, uma das frutas mais tradicionais do país, está pronta para ser colhida. A Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM) projeta que a safra deste ano alcance 915 mil toneladas, representando um aumento de cerca de 10% em relação ao ciclo anterior.

Contudo, o grande diferencial desta safra é a sua qualidade excepcional. “Os frutos apresentam tamanho médio superior, ótima coloração e características ideais para uma boa conservação pós-colheita. Isso deve garantir um aproveitamento ainda maior para embalagem e oferta de frutas frescas, com uma oferta potencial 20% superior à de 2024″, diz a entidade, em nota.

A abertura oficial da colheita da safra 2024/2025 ocorrerá no dia 31 de janeiro, no Hotel Renar, em Fraiburgo, Santa Catarina. A cidade é conhecida como a “Terra da Maçã”.

Para o presidente da ABPM, Francisco Schio, o evento simboliza uma etapa importante para os produtores. “Estamos iniciando mais um ciclo de colheita com grande expectativa. A qualidade da maçã está excelente, e a previsão é de que o aumento da produção traga ótimos resultados. […] Temos certeza de que este será um ano muito positivo para os produtores e consumidores”, destaca.

O prefeito de Fraiburgo, Wilson Ribeiro Cardoso Jr., ressalta que a colheita da maçã é uma atividade econômica vital para o município. “Além disso, a cultura da maçã abre portas para o turismo, atraindo visitantes interessados em conhecer as plantações e colher o fruto no pé, o que por sua vez impulsiona o comércio local e diversifica as oportunidades econômicas no município.”

Maçã: fruta para o ano todo

A maçã é uma fruta que pode ser consumida ao longo de todo o ano, graças às tecnologias avançadas e à capacidade de frigorificação. De acordo com a ABPM, o armazenamento em câmaras frigoríficas controladas garante que as maçãs mantenham sua qualidade, frescor e características de sabor, textura e aparência por períodos prolongados.

O Brasil possui mais de 33 mil hectares de pomares, com um potencial produtivo superior a 1,35 milhão de toneladas anuais, o que gera mais de 120 mil empregos diretos e indiretos, conforme dados da ABPM.

Atualmente, a grande maioria das maçãs voltadas ao mercado interno são produzidas nacionalmente, tornando a fruta a terceira mais consumida no país.



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O apoio nutricional às crianças em Primavera do Leste (MT)



Em Primavera do Leste, Mato Grosso, o Projeto Mãe Cidinha tem transformado a vida de 160 crianças e adolescentes, proporcionando uma alimentação mais saudável e atividades educativas essenciais para o desenvolvimento de cada um. O Programa Agrosolidário, promovido pela Aprosoja Mato Grosso, tem desempenhado um papel fundamental nesse processo ao fornecer a bebida de soja, que tem sido um complemento nutricional essencial para as crianças atendidas pela instituição.

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Além de promover o fortalecimento nutricional, o projeto oferece atividades como judô, capoeira, artesanato, reforço escolar, informática e muito mais, contribuindo diretamente para a educação e o preparo dos pequenos para o mercado de trabalho. Maria Eduarda, de 10 anos, compartilha com entusiasmo o que tem aprendido nas aulas, como manobras de dança e bordado no artesanato. “Quando eu crescer, posso fazer crochê e bordado. Eu adoro aprender essas coisas aqui”, contou ela, destacando as oportunidades de aprendizado.

Lara Fernanda, de 9 anos, também expressou sua gratidão pelas aulas e pelo apoio recebido, especialmente no aprendizado de matérias como português e matemática. Ela ainda destacou os benefícios da bebida de soja, que a mantém animada e pronta para as atividades. “Eu gosto da bebida de soja de morango, porque ela é bem geladinha. Quando eu tomei, fiquei mais animada e disposta para brincar com meus coleguinhas”, disse Lara.

A diretora-presidente do Projeto Mãe Cidinha, Creonice Pessoa dos Santos, reafirma a importância do trabalho realizado pela instituição, que se dedica a oferecer atividades gratuitas que contribuem para o desenvolvimento integral das crianças. “Nós oferecemos oficinas culturais e educacionais, como judô, dança, capoeira, música e reforço escolar. O objetivo é que nossos alunos aprendam de forma divertida e criativa, mas também se preparem para a vida e o mercado de trabalho”, afirmou Creonice.

Ela também destacou o impacto positivo da bebida de soja no cotidiano das crianças. “Temos visto que a bebida tem uma vitamina altíssima e ajuda muito na energia das crianças. Isso reflete no aprendizado delas, que ficam mais dispostas para as atividades”, explicou a diretora-presidente, agradecendo o apoio recebido.

Douglas Rodrigues Cruz, professor de capoeira, expressou o orgulho de fazer parte dessa história de transformação. “A capoeira tem um papel importante na formação de cidadãos. Ela ajuda a criança a aprender respeito, disciplina e a se tornar mais educada, tanto na escola quanto em casa”, afirmou Douglas, que acompanha o desenvolvimento das crianças ao longo dos anos.

Com a parceria do Programa Agrosolidário, o Projeto Mãe Cidinha tem fortalecido a alimentação das crianças e oferecido a elas a oportunidade de se desenvolverem de forma integral. A bebida de soja, além de ser uma importante fonte de nutrição, tem contribuído para o ganho de peso e o bem-estar das crianças, promovendo não apenas saúde, mas também carinho e cuidado.



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estudo desvenda genes de resistência ao fungo


Como o cupuaçuzeiro reage aos estágios iniciais da infecção por Moniliophthora perniciosa, fungo causador da vassoura-de-bruxa, doença que traz grandes prejuízos tanto para a cultura do cupuaçu como para a do cacau? Esse foi o objeto de pesquisa da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF).

O estudo identificou os genes da planta relacionados à sua resistência ou mesmo à sua suscetibilidade ao fungo.

Conduzido pelas pesquisadoras Lucilia Helena Marcellino e Loeni Ludke Falcão, o trabalho é pioneiro no estudo da expressão gênica em grande escala voltado para a cultura do cupuaçu.

De acordo com nota explicativa no site da Embrapa, a pesquisa foi feita a partir do sequenciamento de alta profundidade do transcritoma da planta, particularmente de uma parte que é alvo do ataque do patógeno: as regiões meristemáticas presentes nas pontas dos galhos.

O que é o transcritoma?

Transcritoma é o conjunto completo de transcritos (RNAs mensageiros, RNAs ribossômicos, RNAs transportadores e os microRNAs) de um dado organismo, órgão, tecido ou linhagem celular.

De acordo com as pesquisadoras, a análise de transcritoma é uma ferramenta poderosa para estudar a expressão gênica e, ao examinar os RNAs mensageiros (mRNAs), é possível desvendar os mecanismos moleculares que determinam os diferentes processos biológicos em curso.

Para as cientistas da Embrapa, os resultados da pesquisa representam um avanço no entendimento da interação entre o cupuaçuzeiro e o fungo causador da vassoura-de- bruxa, abrindo novas perspectivas para o desenvolvimento de tecnologias que impulsionem a produção sustentável de cupuaçu no Brasil.

“Diferentemente do cacau, que já conta com um volume considerável de pesquisas, o cupuaçu ainda possui um grande potencial a ser explorado, especialmente no que diz respeito ao desenvolvimento de cultivares resistentes e ao controle de doenças”, assinala Loeni.

Lucilia, por sua vez, afirma que foi o sequenciamento de alta profundidade do transcritoma do cupuaçuzeiro, ao gerar um vasto banco de dados, que permitiu a identificação de genes relacionados à resposta à infecção por M. perniciosa. Assim, foram registrados milhares de genes expressos tanto em plantas suscetíveis como nas resistentes.

“Por meio da análise bioinformática desses dados, foi possível identificar genes relacionados à resposta imune da planta, ao metabolismo secundário e ao crescimento”, conta.

Controle da doença do cupuaçu

Vassoura-de-bruxa no cupuaçuzeiro Vassoura-de-bruxa no cupuaçuzeiro
Vassoura-de-bruxa no cupuaçuzeiro. Foto: Lucilia Helena Marcellino/ Embrapa

A informação detalhada sobre a interação planta-patógeno serve para o desenvolvimento de novas estratégias de controle da doença, como a criação de marcadores moleculares para a seleção de plantas resistentes; a identificação de alvos para o desenvolvimento de fungicidas; bem como a identificação de genes envolvidos na resistência e suscetibilidade à doença.

“Nossa pesquisa é um trabalho básico, que pode ajudar os melhoristas no desenvolvimento de plantas resistentes à doença e disponibilizar genes de interesse para estudos de função. Alguns desses genes, inclusive, foram inseridos no tomate Micro-Tom, uma planta-modelo para estudos com o fungo. Isso permitirá um estudo mais aprofundado sobre a função e potencial uso dos genes”, afirma Loeni.

Em outra frente, Lucilia conta que está em andamento um trabalho em parceria com a Embrapa Agricultura Digital (SP) que visa sintetizar uma molécula capaz de inibir o fungo, ao se ligar a uma proteína presente no microrganismo.

Com isso, a expectativa é de que a tecnologia seja capaz de controlar tanto a M. perniciosa como a M. roreri, praga quarentenária que já está entrando no Brasil.

“A obtenção de plantas que aliem resistência, boa produção e qualidade de fruto é essencial para o desenvolvimento da cultura. Entretanto, o menor conhecimento a respeito da genética molecular do cupuaçuzeiro é um gargalo para o desenvolvimento de plantas com essas características; daí a importância dessa pesquisa”, declara a pesquisadora.



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CNA promove o agro brasileiro na Europa



A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) está realizando, entre os dias 26 e 31 de janeiro, uma missão à Europa com o objetivo de defender os interesses do produtor rural brasileiro e destacar a produção sustentável do setor agropecuário do país.

A comitiva é liderada por importantes representantes do setor, como o vice-presidente de Relações Internacionais da CNA e presidente do Sistema Farsul (RS), Gedeão Pereira, e o presidente da Famasul (MS), Marcelo Bertoni, além de diretores da CNA e membros da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), como o presidente Pedro Lupion e a senadora Tereza Cristina.

Durante a missão, os integrantes da comitiva da CNA terão a oportunidade de participar de uma série de encontros estratégicos em três importantes capitais europeias: Roma, Bruxelas e Paris. Os encontros envolverão representantes de organizações internacionais, como a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura) e a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), além de adidos agrícolas, embaixadores, membros do Parlamento Europeu e da Comissão Europeia.

A agenda dos encontros abrange uma série de temas de grande relevância tanto para o Brasil quanto para a União Europeia. Entre os principais tópicos, destacam-se o Green Deal e seus impactos diretos sobre a agropecuária, incluindo a implementação da Lei Antidesmatamento (EUDR), que impõe restrições ao comércio de produtos vinculados ao desmatamento ilegal.

Outro ponto importante é a continuidade das negociações do acordo Mercosul-União Europeia, com foco na redução de barreiras comerciais e na ampliação do acesso do agro brasileiro ao mercado europeu. Também será discutida a relação do Brasil com o bloco europeu, com ênfase em estratégias para fortalecer a parceria em áreas como comércio, sustentabilidade e desenvolvimento rural.

Além disso, a missão abordará os preparativos para a COP 30, evento que será realizado no Brasil em 2025, com foco na agenda ambiental e nas questões relacionadas às mudanças climáticas, onde o papel do agronegócio brasileiro será crucial.



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reflexos para o Brasil e o agro



O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a retirada do país do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas. A decisão, revelada durante seu discurso de posse na última segunda-feira (20), reforça sua visão de que o tratado prejudica a economia americana e beneficia outros países.

Essa é a segunda vez que Trump retira os Estados Unidos do acordo. A primeira ocorreu em 2017, mas foi revertida durante o governo de Joe Biden em 2021. Agora, o processo de saída deve levar um ano para ser concretizado, conforme as regras do tratado.

O Acordo de Paris foi criado em 2012, durante a COP21 da Organização das Nações Unidas, realizada na capital francesa. Ele propõe que os governos adotem medidas para conter o aumento da temperatura global em até 2 ºC em relação aos níveis pré-industriais, além de buscar limitar o aquecimento a menos de 1,5 ºC, visando prevenir os efeitos mais severos da crise climática.

Peso global da decisão de sair do Acordo de Paris

Os Estados Unidos são o segundo maior emissor de gases de efeito estufa e desempenham um papel crucial na agenda climática. Na visão de Talita Martins, professora da Trevisan Escola de Negócios, sem esse compromisso da maior economia do mundo, o impacto no esforço coletivo global pode ser significativo.

“A ausência dos Estados Unidos no Acordo de Paris enfraquece a pressão internacional por ações climáticas e compromete a credibilidade do acordo”, alerta.

A especialista cita ainda a necessidade de ações coordenadas para limitar o aquecimento global, após 2024 ser registrado como o ano mais quente da história. De acordo com Martins, a decisão ocorre em um momento crítico e pode gerar um efeito dominó, incentivando outros países a flexibilizar seus compromissos climáticos.

Repercussões para o Brasil e para o agro

Para o Brasil, a saída dos Estados Unidos do tratado climático gera desafios e oportunidades. Como um dos maiores exportadores de commodities agrícolas, o país pode enfrentar maior pressão por sustentabilidade nos mercados internacionais.

“Fortalecer mecanismos de rastreabilidade e combate ao desmatamento é sempre importante para garantir acesso aos mercados internacionais”, ressalta.

Para a professora, o país também precisa liderar pelo exemplo em energia renovável, bioeconomia e restauração florestal, mostrando que é possível crescer economicamente e contribuir para o cenário global de redução das emissões.

Oportunidades no setor privado

Mesmo com a redução esperada de recursos financeiros para ações climáticas, há espaço para o setor privado preencher essas lacunas. Além disso, a ausência americana pode abrir espaço para o setor privado liderar soluções climáticas.

Martins também chama a atenção para a realização da COP30 no Brasil, o que traz uma oportunidade de atrair investimentos e demonstrar liderança em energia renovável e bioeconomia, reafirmando o protagonismo do país na agenda ambiental.

“A inovação pode se tornar um diferencial competitivo, criando novos mercados e fortalecendo a imagem do Brasil como parceiro confiável no comércio global”, afirma Talita Martins.

Sobre a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, a professora ressalta que, embora represente um retrocesso, isso reforça a urgência de liderança responsável em um momento em que as decisões de hoje moldam o futuro climático do planeta.



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Escalas de abate e exportações em alta seguram preços da arroba do boi na semana


O mercado brasileiro de boi gordo registrou acomodação nos preços da arroba em grande parte das praças de comercialização durante a semana.

De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, a mudança se deve ao enfraquecimento dos patamares da carne bovina no mercado interno.

“O padrão de demanda delimitado para o período direciona o consumo para proteínas de menor valor agregado. Por outro lado, as exportações em alto nível e a atual posição das escalas de abate, bastante encurtadas, ainda são variáveis chave a serem consideradas visando a sustentação dos preços internos”, considera.

Preços do boi gordo

Os preços da arroba do boi gordo na modalidade a prazo nas principais praças do país estavam assim no dia 23 de janeiro:

  • São Paulo (capital): R$ 335, estável frente à semana passada
  • Goiás (Goiânia): R$ 325, inalterado frente à última semana
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 325, aumento de 1,56% frente ao fechamento da semana anterior, de R$ 320
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 330, sem mudanças frente à última semana
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 320, sem alterações
  • Rondônia (Vilhena): R$ 295, similar ao registrado na semana passada

Mercado atacadista

carne bovinacarne bovina
Foto: Freepik

O mercado atacadista apresentou preços acomodados no decorrer da semana. Para Iglesias, o ambiente de negócios sugere queda das cotações no curto prazo.

Ele entende que a baixa maior pode ocorrer nos cortes do traseiro bovino, pelo padrão de consumo delimitado no primeiro bimestre.

O analista de Safras & Mercado destaca que a preferência da população ainda recai sobre as proteínas de menor valor agregado, a exemplo da carne de frango, embutidos e ovos.

O quarto do dianteiro do boi foi cotado a R$ 18,50 o quilo, sem mudanças frente ao valor praticado na semana passada. Já o quarto do traseiro do boi foi vendido por R$ 26,00 o quilo, queda de 1,89% frente aos R$ 26,50 por quilo registrados na última semana.

Exportações de carne

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 568,186 milhões em janeiro (12 dias úteis), com média diária de US$ 47,348 milhões, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A quantidade total exportada pelo país chegou a 112,731 mil toneladas, com média diária de 9,394 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 5.040,20.

Em relação a janeiro de 2024, houve alta de 26,8% no valor médio diário da exportação, ganho de 13,8% na quantidade média diária exportada e avanço de 11,4% no preço médio.



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