sábado, maio 23, 2026

Agro

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saiba o que mexe com a economia e os mercados neste começo de semana


No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta o cenário misto de alívio e cautela nos mercados, com bolsas em alta e dólar forte.

O Ibovespa caiu na semana, mas fechou maio com ganho de 1,45%, enquanto o dólar encerrou o mês a R$ 5,71. No Brasil, PIB e mercado de trabalho surpreenderam positivamente.

Destaque da semana vai para produção industrial, saldo comercial e decisão do BCE.

Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.

Para mais conteúdos de mercado financeiro, acesse: Bom Dia Mercado!

Ariane Benedito, apresentadora do podcast Diário Econômico
Foto: divulgação



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Arroba do boi gordo teve queda de até 10% em maio; o que esperar no curto prazo?


O mercado brasileiro de boi gordo enfrentou forte retração nos preços da arroba em maio. Em Minas Gerais, por exemplo, a queda chegou a 9,7% ao longo dos últimos 30 dias.

O analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, destaca que a expectativa é de que os frigoríficos ainda tentem forçar quedas nos preços pagos pelo boi no curto prazo, diante das escalas de abate mais confortáveis, fechadas em média para oito dias úteis no país.

Segundo ele, ao longo da segunda metade do mês em diante, o mercado passou a ficar mais apreensivo também com relação aos desdobramentos do foco de influenza aviária de alta patogenicidade, a gripe aviária, registrado em granja comercial de matrizeiros no município gaúcho de Montenegro.

“O embargo às exportações de boa parte da carne de frango do Brasil não gerou grande impacto nas cotações da proteína no atacado, o que era motivo de preocupação para a cadeia pecuária”, considera.

Os preços da arroba do boi gordo na modalidade a prazo nas principais praças de comercialização do Brasil estavam assim no dia 30 de maio:

  • São Paulo (Capital): R$ 306,50, baixa de 2,7% frente os R$ 315 praticados no encerramento de abril
  • Goiás (Goiânia): R$ 289,29, queda de 3,5% perante os R$ 300 registrados no final do mês passado
  • Minas Gerais (Uberaba): R$ 288,82, recuo de 9,7% frente aos R$ 320,00 praticados no fechamento do mês anterior
  • Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 304, retração de 5% em relação aos R$ 320 registrados anteriormente
  • Mato Grosso (Cuiabá): R$ 300, desvalorização de 7,69% ante os R$ 320 observados no final de abril
  • Rondônia (Vilhena): R$ 265, queda de 5,36% frente aos R$ 280 praticados no encerramento do mês anterior

Mercado atacadista

Iglesias informa que o mercado atacadista apresentou queda em seus preços no decorrer de maio, especialmente a partir da segunda quinzena. Ele acrescenta que o ambiente de negócios ainda sugere novos recuos no curto prazo em meio a reposição mais lenta entre o atacado e o varejo.

O analista afirma que a preferência de boa parte da população por proteínas mais acessíveis é uma tendência incontestável em 2025.

O quarto do traseiro do boi foi cotado a R$ 23,90 o quilo, queda de 4,40% frente aos R$ 25,00 praticados no final de abril. Já o quarto do dianteiro do boi foi vendido por R$ 19,00 o quilo, recuo de 5,00% frente aos R$ 20,00 registrados no fechamento do mês passado.

Exportações de carne bovina

carnecarne
Foto: arquivo Canal Rural

Uma boa notícia para o Brasil no fechamento deste mês de maio foi a conquista da certificação de livre de febre aftosa sem vacinação por parte da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

O analista de Safras & Mercado destaca que a medida abre caminho para o país ingressar em mercados que remunerem melhor pela carne bovina, como Japão e Coreia do Sul.

As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 899,9 milhões em maio (16 dias úteis), com média diária de US$ 56,243 milhões, de acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

A quantidade total exportada pelo país chegou a 173,804 mil toneladas, com média diária de 10,862 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 5.117,70.

Em relação a maio de 2024, houve alta de 23,7% no valor médio diário da exportação, ganho de 7,6% na quantidade média diária exportada e avanço de 15% no preço médio.



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Agricultura familiar beneficia 178 mil pessoas em instituições sociais no Pará



Mais de 500 produtores rurais do nordeste do Pará, sendo a maioria mulheres, foram inseridos no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) com o apoio do Sebrae-PA. A iniciativa já movimentou quase R$ 9 milhões em negócios, com vendas diretas para instituições que atendem a pessoas em situação de vulnerabilidade social.

Ao todo, 18 propostas foram aprovadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), garantindo que os agricultores possam comercializar alimentos com entidades sociais ao longo de 2025. Cada produtor deve receber, em média, R$ 15 mil por entrega, em um modelo que une geração de renda no campo com fortalecimento da segurança alimentar.

O projeto abrange nove municípios paraenses: Capanema, Bragança, Viseu, Tracuateua, Cachoeira do Piriá, Santa Luzia do Pará, Primavera, Ourém e São João de Pirabas. A produção local — composta por hortaliças, frutas, mel, raízes e derivados — será destinada a 26 instituições sociais, beneficiando diretamente cerca de 178 mil pessoas.

Segundo o diretor superintendente do Sebrae no Pará, Rubens Magno, a iniciativa mostra o impacto da articulação entre políticas públicas e pequenos negócios. “Estamos conectando oportunidades e fortalecendo a economia regional com base no protagonismo da agricultura familiar”, afirmou.

“Mais de 460 desses agricultores estão vendendo para o governo pela primeira vez. É um marco na inclusão produtiva e na organização coletiva de quem estava à margem do mercado”, disse a gerente regional do Sebrae na região de Caeté, Denize Carneiro.

Para a presidente da Cooperativa de Primavera, Joelma Nunes, a política pública aliada ao apoio técnico tem efeito direto na vida das mulheres. “Comecei numa associação e hoje lidero uma cooperativa com cem mulheres. Estamos gerando renda com apoio do Sebrae e da Conab. Isso é desenvolvimento real”, comentou.



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Brasil e França devem fazer nova declaração climática visando a COP30



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja à França, entre os dias 4 e 9 de junho, para uma visita de Estado que não é realizada há 13 anos por um chefe de governo brasileiro. A última ocorreu em 2012, durante o mandato de Dilma Rousseff. Um dos pontos altos da agenda deverá ser o anúncio de uma nova declaração climática conjunta dos dois países, em um dos encontros bilaterais entre Lula e o presidente francês, Emmanuel Macron.

“Há expectativa de adoção de uma nova declaração dos dois líderes sobre a mudança do clima considerando o engajamento dentro dos países nesse tema e a necessidade de maior mobilização internacional para a COP30 [Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas], sediada pelo Brasil. Também esperamos acordar a criação de um corredor marítimo descarbonizado com a França”, pontuou o embaixador Flávio Goldman, diretor do Departamento de Europa do Ministério das Relações Exteriores, em entrevista a imprensa na última sexta-feira (30), para detalhar sobre a viagem.

Ao todo, os dois presidentes devem assinar 20 atos bilaterais, envolvendo acordos de cooperação na área de vacinas, de segurança pública, de educação e de ciência e tecnologia. Um anúncio de investimentos entre os dois países também é esperado. Atualmente, a corrente de comércio entre Brasil e França é de US$ 9,1 bilhões, segundo dados de 2024, alta de 8% em relação a 2023. A França é o terceiro país que mais investe no Brasil, com mais de US$ 66,3 bilhões em estoque.

“A visita acontece num momento muito positivo do relacionamento bilateral, com aproximação em diversas áreas. Durante sua passagem pela França, Lula terá vários encontros com Emmanuel Macron, nos quais ele discutirá aspectos relevantes do relacionamento bilateral e temas da agenda internacional de importância dos dois países, como a necessidade de reforma da governança global, a defesa do multilateralismo, o combate ao extremismo e a preparação para a COP30”, destacou Goldman.

Lula e comitiva embarcam na próxima quarta-feira (4), e o primeiro compromisso, em Paris, será no dia seguinte, com a cerimônia oficial de chegada ao Pátio de Honra da Esplanada dos Inválidos, na área norte do edifício Hotel des Invalides. O local sedia cerimônias militares francesas e é frequentemente utilizado para desfiles e outros eventos.

Em seguida, o presidente brasileiro se reúne com Macron no Palácio do Eliseu, sede do governo francês, em uma reunião entre as delegações dos dois países e que será seguida por uma cerimônia de assinatura de atos, além de declarações à imprensa.

Reconhecimento

No dia 6 de junho, Lula receberá o título de Doutor Honoris Causa na Universidade Paris 8. No mesmo dia, ele fará uma visita à exposição sobre o ano do Brasil na França, no Grand Palais, o principal centro de convenções do país. De acordo com o Palácio Itamaraty, a programação da temporada brasileira na França compreenderá diversas atividades até setembro, em mais de 50 cidades francesas. Elas incluirão iniciativas tanto na área artística quanto nas de cooperação acadêmica, científica, tecnológica, educativa e ambiental, com o objetivo de longo prazo de fortalecer os laços entre os países.

Ainda no âmbito cultural, o presidente Lula receberá uma homenagem na Academia Francesa. A Academia foi criada em 1635, e, em seus quase 400 anos de história, apenas outros 19 chefes de Estados foram homenageados em sessão oficial. Antes dele, o único brasileiro reconhecido pela honraria havia sido Dom Pedro II, em 1872.

Está prevista também a participação de Lula na sessão do Fórum Econômico Brasil-França. O encontro reunirá autoridades e líderes empresariais de ambos os países.

Certificação sanitária

Ainda neste dia, Lula participará de um evento que formaliza o reconhecimento do status do Brasil como país livre da febre aftosa sem vacinação. O reconhecimento foi aprovado na reunião da assembleia-geral da entidade, em 29 de maio.

O presidente brasileiro deverá se encontrar com a prefeita de Paris, Ane Hidalgo, e viajará a Toulon, onde manterá outro encontro com Macron, desta vez na Base da Marinha Francesa, para tratar do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (ProSub), uma retribuição à mesma agenda realizada pelo francês, em março do ano passado, durante sua visita de Estado ao Brasil.



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Mandioca açucarada é alternativa para produção de bioetanol, aponta pesquisa


Um estudo analisou a viabilidade de produzir bioetanol a partir da hidrólise e fermentação de raízes de mandioca açucarada. A pesquisa foi realizada pela Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e pelo governo do Amazonas.

A análise intitulada: “Mandioca açucarada, uma alternativa para a produção de bioetanol no estado do Amazonas”, observou que a quantidade de amido presente no bagaço, após extração do caldo, permite uma maior liberação de açúcares, o que torna o processo fermentativo mais eficiente e vantajoso.

Segundo a coordenadora do estudo, Leiliane do Socorro Sodré de Souza, a mandioca foi escolhida devido à motivação do grupo de pesquisa em desenvolver bioprodutos a partir de biomassa vegetal presente no estado.

“A produção de biocombustíveis é uma possibilidade interessante para comunidades isoladas. E, como a mandioca é uma espécie que vários produtores têm experiência com cultivo e, mesmo que a mandioca açucarada tenha algumas características diferentes, a mandioca amilácea e açucarada são similares no cultivo, e assim esta foi escolhida para a pesquisa”, afirmou a coordenadora.

A mandioca açucarada apresenta em sua composição em torno de 85% de água e o restante da composição divide-se em açúcares, proteína, amido e fibras.

Bioetanol

Sobre a investigação da viabilidade da produção de bioetanol através da hidrólise (fenômeno químico no qual uma molécula é quebrada em moléculas menores na presença de água) e da fermentação das raízes de mandioca açucarada.

“Foi utilizado o caldo extraído da raiz, que já contém açúcares, e o bagaço restante foi analisado e ao observarmos que o mesmo apresenta mais de 50% de amido, foi aplicado o processo de hidrólise para a quebra desse amido em moléculas menores, os açúcares. Com mais açúcar, favorecemos o processo de fermentação, no qual o etanol é liberado”, afirmou Leiliane Souza.

No processo, após prensar as raízes, foram obtidas duas porções, uma fase líquida (caldo) e uma fase sólida (bagaço), essa última foi levada para análise, por apresentar um teor significativo de amido, observou-se que o uso das enzimas permitiria aumentar a contração de açúcares.

Durante a pesquisa, no processo de fermentação com a levedura Saccharomyces cerevisiae a concentração de etanol obtida foi de 14,33 g/L em 72 horas de processo, sendo possível obter 0,29 g de etanol/g de biomassa. Esses resultados podem ser melhorados com ajustes na concentração de açúcares.

Outro benefício apontado pela pesquisadora sobre a utilização dessas fontes alternativas de energia foi a respeito da redução das emissões de gases de efeito estufa. Os biocombustíveis têm um ciclo de carbono mais equilibrado em comparação com os combustíveis fósseis, contribuindo para a mitigação das mudanças climáticas.

O uso e a produção de biocombustíveis, como o etanol, são fundamentais para promover a autonomia energética em regiões isoladas, onde o acesso a recursos energéticos é limitado.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Anac suspende voos dos Correios por descumprimento de normas de segurança



A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) determinou a suspensão de todas as operações aéreas dos Correios a partir de 4 de junho. A medida cautelar ocorre após fiscalização realizada entre fevereiro e abril deste ano apontar o descumprimento de medidas determinadas pelo órgão para “identificar e recusar a introdução de artigos perigosos” em cargas enviadas pelo transporte aéreo.

A suspensão, determinada na sexta-feira (30), foi revelada pela colunista Mariana Barbosa, do UOL, e confirmada pelo Estadão. No ofício que determina a interrupção do transporte, a Anac cita que a fiscalização deste ano constatou que os Correios descumpriram “integralmente” providências de segurança como a restrição de transportar apenas malas postais com conteúdo declarado e a necessidade de funcionário qualificado acompanhar a preparação dessas cargas. As demais medidas foram, em geral, cumpridas apenas parcialmente.

O ofício aponta ainda que a interrupção do transporte aéreo será cancelada se os Correios e os operadores aéreos que prestam serviço à estatal comprovarem à Anac que cumpriram as medidas exigidas. Eles também precisam enviar um cronograma detalhado para adequação completa às normas de segurança da agência, além de apresentar uma análise de risco conjunta entre Correios e empresas prestadoras de serviço atestando que as operações estão dentro do nível aceitável de risco.

O presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, disse ao Estadão que a estatal vem há meses em diálogo com a Anac está empenhada em resolver o problema antes da suspensão prevista. “Na próxima terça-feira, 3, haverá reunião para validar as medidas que já haviam sido debatidas. Estamos fazendo tudo. Não houve suspensão e assim que validarem essa situação se resolve”, afirmou o presidente.

Apesar de as falhas terem sido apontadas em fiscalização no início de 2025, em nota enviada à reportagem, a estatal responsabiliza a gestões anteriores pelo problema.

“Os Correios estão comprometidos com o cumprimento integral da legislação vigente. O problema decorre de práticas herdadas de gestões anteriores e representa mais um desafio que a atual administração está enfrentando para garantir a regularização completa do serviço. A empresa está adotando todas as medidas cabíveis para solucionar a situação no prazo estipulado, reafirmando o compromisso com a segurança das operações e o atendimento à população”, diz nota da estatal enviada à reportagem.

O presidente da estatal alegou ainda que o problema “vem desde 2015”. “Só na nossa gestão é que avançamos”. Silva apontou, entre as limitações “herdadas”, a falta de equipamentos de raio-X nas unidades dos Correios nos aeroportos, por onde a carga entra para ser transportada. Ele afirmou que foram adquiridos novos equipamentos e realizadas capacitações com as equipes para garantir o cumprimento das normas da Anac. “A empresa estava para ser privatizada e não houve investimentos necessários”, reclamou.



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Agro impulsiona PIB no 1º tri/2025, mas produtores do RS enfrentam crise sem precedentes


No primeiro trimestre de 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1,4% em relação ao trimestre anterior, impulsionado principalmente pela agropecuária, que registrou um expressivo crescimento de 12,2%. Esse desempenho foi atribuído a condições climáticas favoráveis e a uma safra recorde de soja, o principal produto agrícola do país.

Apesar de sua contribuição significativa para a economia nacional, o setor agropecuário enfrenta desafios estruturais persistentes. A infraestrutura logística inadequada, caracterizada por estradas em más condições e falta de armazenamento adequado, continua a dificultar o escoamento eficiente da produção agrícola.

Além disso, os produtores rurais enfrentam dificuldades no acesso a financiamentos adequados e seguros agrícolas eficientes, o que aumenta sua vulnerabilidade a riscos climáticos e de mercado.

Situação crítica no RS

Enquanto o agronegócio nacional impulsiona o crescimento econômico, os produtores rurais do Rio Grande do Sul enfrentam uma crise sem precedentes. O estado foi severamente afetado por uma estiagem prolongada que se intensificou a partir de dezembro de 2024, comprometendo especialmente a cultura da soja, principal produto agrícola da região. A produção local de soja totalizou 13,2 milhões de toneladas, representando uma queda de 27,4% em relação à safra anterior e de 38,8% em comparação à estimativa inicial de 21,6 milhões de toneladas .

As perdas na produção agrícola gaúcha entre 2020 e 2024 totalizam 50 milhões de toneladas de grãos, o que representa um prejuízo direto de R$ 106,6 bilhões para os produtores do estado. Além disso, as dívidas dos produtores rurais com vencimento em 2025 somam R$ 27,7 bilhões, sendo R$ 17 bilhões apenas na agricultura familiar .

Em resposta à crise, o Conselho Monetário Nacional (CMN) autorizou a prorrogação das dívidas bancárias dos produtores rurais gaúchos por até três anos. No entanto, a medida foi considerada insuficiente pelos produtores, que se mobilizaram por todo o estado, realizando bloqueios em rodovias federais e pressionando por soluções mais eficazes, como a implementação da securitização da dívida rural .

Apelo aos poderes da República

É imperativo que os poderes da República — Executivo, Legislativo e Judiciário — reconheçam a gravidade da situação enfrentada pelos produtores rurais, especialmente no Rio Grande do Sul. A agropecuária, que tem sido o pilar do crescimento econômico do país, não pode continuar sendo negligenciada em momentos de crise.

É necessário implementar políticas públicas que fortaleçam a infraestrutura, facilitem o acesso a financiamentos e seguros, e garantam a segurança jurídica no campo. Além disso, é fundamental que medidas emergenciais sejam adotadas para apoiar os produtores afetados por eventos climáticos extremos, como a estiagem no RS.

O Brasil precisa escolher: ou valoriza quem produz, ou arrisca comprometer a sustentabilidade de sua economia. Chegou a hora dos poderes da República olharem com seriedade para o campo — não apenas como uma fonte de recursos, mas como a força estratégica que pode garantir ao país um futuro sólido, soberano e sustentável.

Quem alimenta a nação merece segurança, infraestrutura e respeito. O Brasil deve isso ao agro.

Miguel DaoudMiguel Daoud

Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Brasil bate recorde nas exportações e conquista prêmio por sustentabilidade


O Brasil acaba de registrar um marco histórico: entre maio de 2024 e abril de 2025, foram exportadas mais de 400 mil toneladas de feijões, movimentando mais de R$ 2 bilhões e consolidando o país como um dos principais fornecedores globais de pulses — grupo que inclui também ervilhas, lentilhas e grão-de-bico.

Esse recorde foi coroado com um reconhecimento importante: o prêmio de Sustentabilidade entregue pelo Global Pulse Confederation (GPC), em Singapura, ao projeto Pulse Day. Criado pelo Instituto Brasileiro do Feijão, Pulses e Colheitas Especiais (Ibrafe), o Pulse Day conecta produtores às últimas inovações, incentivando-os por meio de conhecimento, aproximando a pesquisa do campo e promovendo práticas mais eficientes e sustentáveis.

Por trás desses números, está uma trajetória de décadas. O Brasil, que no passado exportava apenas três cultivares de feijão, hoje atende mais de 75 países com mais de 20 variedades — resultado do trabalho conjunto entre produtores, pesquisadores da Embrapa, IAC, IDR-Paraná e exportadores, que, ao lado do Ibrafe, ajudaram a ampliar mercados e a melhorar a competitividade do produto brasileiro.

Mas os desafios são grandes. O setor enfrenta gargalos logísticos severos: portos congestionados, falta de fiscais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para liberar cargas, estradas em más condições e processos burocráticos que encarecem e atrasam operações. Em um mercado global altamente competitivo, com gigantes como Índia, Canadá, Estados Unidos e Austrália, cada atraso é uma perda de oportunidade.

Ao lado das soluções técnicas, o Brasil conta com aliados institucionais essenciais. Os adidos agrícolas no exterior, com apoio do Mapa, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) e Ministério das Relações Exteriores (MRE), têm sido fundamentais para abrir portas, destravar negociações, alinhar protocolos sanitários e posicionar o Feijão brasileiro como produto competitivo e confiável.

Além disso, o projeto Brazil Superfoods, desenvolvido pelo Ibrafe com apoio da ApexBrasil, vem ampliando a presença do feijão e outros pulses brasileiros em mercados premium, reforçando a imagem de alimentos sustentáveis, saudáveis e alinhados às novas tendências globais de consumo.

O momento é de celebrar, mas também de planejar os próximos passos. Manter o crescimento das exportações depende de investimentos em infraestrutura, digitalização, rastreabilidade e certificações. É preciso fortalecer a base logística e aduaneira para garantir que o Brasil continue avançando no mercado global, com eficiência e inovação.

O prêmio recebido no GPC não é apenas uma conquista simbólica — é um sinal de que, quando pesquisa, produtores, governo e setor privado trabalham juntos, os resultados aparecem. A liderança no mercado global de pulses exige alinhamento estratégico e compromisso com o futuro.

Nesta coluna semanal de estreia no Canal Rural, a proposta é acompanhar de perto os caminhos do agro brasileiro: suas vitórias, seus desafios e os debates que vão definir os rumos do setor. E se há algo que essa conquista nos mostra, é que o Brasil tem força, inteligência e propósito para ir ainda mais longe.

*Marcelo Lüders é presidente do Ibrafe, especialista em pulses e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional


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Reforma tributária pode reduzir em 30% demanda aérea e elevar preço de passagens



A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) prevê que a reforma tributária pode reduzir em 30% a demanda aérea no Brasil diante do aumento de preço nas passagens. A entidade estima ainda impactos bilionários na receita do turismo, além de reflexos negativos para a conectividade regional.

A reforma tributária prevê um imposto sobre valor agregado (IVA) com uma alíquota estimada em 26,5% para o setor aéreo. A expectativa da Iata é que o tributo aumente o preço médio de passagens domésticas de US$ 130 para US$ 160. No caso de bilhetes internacionais, o valor médio deve crescer de US$ 740 para US$ 935.

Nesse cenário, a associação destaca a “enxurrada de propostas legislativas que alegam proteger os consumidores na América Latina, mas não se alinham aos padrões globais”. Para a Iata, essas medidas, na verdade, elevam custos, reduzem conectividade e frustram passageiros.

Demanda aquecida no setor aéreo

Apesar dos desafios regulatórios na América Latina, a associação vê um momento de oportunidade para o setor aéreo na região, que tem registrado evolução no tráfego. Em abril de 2025, a demanda, medida por passageiros-quilômetro transportados pagos (RPK), subiu 10,9% na América Latina e no Caribe ante igual mês de 2024. Na comparação com abril de 2019, pré-pandemia, houve crescimento de 16,2%.

A taxa de crescimento da região está acima da indústria global. Em abril de 2025, a demanda global registrou alta anual de 8%, enquanto subiu 9,2% em relação ao mesmo mês de 2019. Na América do Norte, no entanto, as altas foram mais modestas: 8,7% ante pré-pandemia e 1,6% ano contra ano.



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Plataforma lança módulo gratuito de rastreabilidade para impulsionar valor do agro



Uma nova ferramenta voltada à rastreabilidade de produtos agropecuários foi lançada nesta sexta-feira (30) durante a 3ª Jornada Técnica da Rede Técnica Cooperativa (RTC). O recurso será integrado à plataforma digital Smartcoop, já utilizada por produtores do Rio Grande do Sul. A inovação promete rastrear toda a cadeia produtiva — da porteira à exportação — agregando valor aos produtos e facilitando o acesso a mercados internacionais mais exigentes.

Segundo a Smartcoop, a nova funcionalidade permitirá gerar um código de rastreio único para cada produto, desde a origem na propriedade até o destino final, passando pela industrialização nas cooperativas. O gerente de desenvolvimento da empresa, Darlan Schwade, afirma que será possível verificar se o produto está em conformidade com critérios ambientais, como os exigidos pelo Cadastro Ambiental Rural (CAR).

“Esse processo garante mais segurança jurídica, eficiência produtiva e transparência. A rastreabilidade vai trazer vários benefícios para o sistema cooperativo”, destacou Schwade.

Além da rastreabilidade, a ferramenta fornece dados essenciais sobre áreas de preservação permanente (APPs), reserva legal e eventuais pontos de desmatamento, permitindo ao produtor acompanhar essas informações em tempo real e diretamente pelo celular.

Para o gerente de Pesquisa e Tecnologia da CCGL e da RTC, Geomar Corassa, o lançamento atende à crescente demanda do mercado internacional por transparência e sustentabilidade. “Com isso, conseguimos abrir novos mercados e agregar mais valor à produção rural, além de identificar oportunidades de melhoria nas propriedades”, afirmou.

O projeto também foi um dos destaques da palestra do empreendedor e membro do programa Accelerate 2030 da ONU, Mauricio Schneider. Ele reforçou que a tecnologia da Smartcoop pode ser um caminho para a “descomoditização” do agro, processo que visa agregar valor por meio de inovação e novos modelos de negócio.

“O segredo é sair da lógica da commodity. A rastreabilidade é a chave para transformar o agro em um setor mais lucrativo, sustentável e competitivo, sobretudo diante das exigências da Europa e da China”, afirmou Schneider. Ele ainda sugeriu a integração da plataforma ao Gov.BR.

Durante a palestra, Schneider também alertou sobre as transformações no cenário global, como a pressão regulatória e o movimento de desglobalização, destacando que o Brasil pode se antecipar ao criar sistemas integrados, transparentes e escaláveis no campo.

A ferramenta de rastreabilidade da Smartcoop é gratuita e já está disponível para produtores vinculados à rede de cooperativas do Rio Grande do Sul.




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