A colheita da segunda safra de milho 2026 alcançou 4,4% da área cultivada no Centro-Sul do Brasil até quinta-feira (4), informou a AgRural. Uma semana antes, o índice estava em 2,4%, e no mesmo período do ano passado marcava 1,9%. O avanço dos trabalhos é liderado por Mato Grosso, enquanto o Paraná segue com ritmo mais lento devido à alta umidade.
Segundo o levantamento, Mato Grosso continua à frente no andamento da colheita e sustenta o avanço regional nesta fase inicial da safrinha. No Paraná, os trabalhos ainda não ganharam tração porque a umidade elevada limita a entrada das máquinas nas áreas produtoras. A consultoria também informou que Mato Grosso do Sul começou a colher em áreas isoladas nesta semana.
Além do ritmo de campo, a AgRural revisou no fim de maio sua estimativa para a produção de milho da safra 2025/26. A projeção para a safrinha 2026 foi reduzida em Goiás, Minas Gerais e São Paulo por causa da estiagem. Ainda assim, o recuo foi parcialmente compensado por produtividades mais altas esperadas em outros Estados do Centro-Sul, com destaque para Mato Grosso.
Com esse ajuste, a estimativa da safrinha brasileira caiu 900 mil toneladas em relação ao levantamento anterior, para 108,2 milhões de toneladas. Somados os números da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a primeira e a terceira safras, a produção total de milho do Brasil na temporada 2025/26 está projetada em 139,9 milhões de toneladas.
No levantamento anterior, o volume total estimado era de 138,9 milhões de toneladas. Na comparação com o ciclo 2024/25, quando a produção foi de 113,2 milhões de toneladas, o número atual indica uma safra maior. O andamento da colheita e a confirmação das produtividades nos principais Estados devem seguir no centro das atenções do mercado nas próximas semanas.
Os dados mostram que a colheita ainda está em fase inicial no Centro-Sul, e a consolidação do potencial produtivo dependerá do avanço dos trabalhos e dos resultados efetivos nas lavouras. Até o momento, a base disponível indica ajuste pontual na safrinha, sem alteração ampla na expectativa de oferta total de milho no país.
A presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), Maria do Carmo Cardoso, afirmou nesta segunda-feira (8), em Brasília, que as distribuidoras de energia elétrica não podem ser responsabilizadas financeiramente por interrupções de geração causadas por excesso de eletricidade no Sistema Interligado Nacional (SIN) e por menor demanda de consumo. Segundo a magistrada, o tribunal já adotou esse entendimento em processos sobre o tema e deve mantê-lo em novos casos semelhantes.
De acordo com a desembargadora, as decisões já analisadas pelo TRF1 indicam que as interrupções não decorreram de conduta direta das distribuidoras, mas de limitações operacionais do sistema de transmissão e de definições de despacho de energia no âmbito do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Nesse contexto, afirmou, não cabe impor sanções financeiras ou tributárias às empresas de distribuição.
Durante evento na capital federal, Maria do Carmo Cardoso declarou que responsabilizar as distribuidoras por ocorrências associadas a falhas técnicas do sistema de transmissão geraria distorção regulatória e insegurança jurídica no setor elétrico. Ela também disse que o sistema precisa de instrumentos para mitigar as causas e os efeitos dessas interrupções.
A magistrada citou como exemplo o leilão de baterias, cuja portaria foi publicada na semana passada pelo Ministério de Minas e Energia. Segundo ela, a expansão do armazenamento e o avanço de novas tecnologias exigirão atualização regulatória contínua e maior previsibilidade para os agentes do setor.
Maria do Carmo Cardoso afirmou ainda que a estrutura de transmissão demanda investimentos em unidades de transmissão e armazenamento para ampliar o aproveitamento do potencial energético nacional. Para o setor agropecuário, o tema tem relação com atividades dependentes de energia, como irrigação, armazenagem refrigerada, processamento industrial e operações em propriedades rurais. O texto disponível, no entanto, não informa números de processos julgados, valores envolvidos nem prazo para eventuais novas medidas regulatórias.
O posicionamento exposto pelo TRF1 reforça a separação entre responsabilidades de distribuição, transmissão e despacho de energia. Os desdobramentos práticos para agentes econômicos, inclusive do meio rural, dependerão do andamento de novos processos e da evolução das regras sobre transmissão e armazenamento no setor elétrico.
O juiz federal Luís Praxedes da Silva, da 1ª Vara Federal do Ceará, determinou nesta segunda-feira (8) a suspensão imediata da homologação do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) 2026. A medida cautelar vale até que o tema seja analisado pela 6ª Vara Cível do Distrito Federal. O magistrado declinou da competência e não decidiu o mérito da controvérsia.
A decisão atinge a etapa de homologação dos produtos de 2026 do leilão, já aprovada pela diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Segundo as informações disponíveis, a formalização abrangia 13 unidades geradoras de diferentes companhias, todas relacionadas a usinas termelétricas. O início do suprimento estava previsto, em tese, para 1º de agosto de 2026.
Também estava prevista para esta terça-feira (9) a segunda etapa da homologação do certame, referente aos produtos de 2027, 2028, 2029, 2030 e 2031. O voto antecipado do relator, diretor Fernando Mosna, era favorável à formalização desses contratos.
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Na decisão, o juiz afirmou que a suspensão temporária se impõe para permitir análise mais aprofundada, diante do prazo longo dos contratos e do risco de irreversibilidade caso sejam implementados antes da conclusão da discussão judicial. Em sua manifestação, ele citou a necessidade de preservar o planejamento de investimentos futuros em energia limpa e em sistemas de baterias de suporte.
Na semana passada, o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia (MME), Gustavo Ataíde, declarou na Câmara dos Deputados que a segurança do sistema elétrico depende do leilão, que também é questionado na Justiça e no Tribunal de Contas da União (TCU). De acordo com o conteúdo informado, estudos técnicos indicam que, mesmo com a contratação prevista, ainda haveria necessidade adicional de potência nos próximos anos.
Para o setor agropecuário, o tema é acompanhado por causa da dependência de energia em irrigação, armazenagem, refrigeração, processamento e agroindústria. Ainda assim, o alcance efetivo da decisão sobre tarifas, cronograma de contratação e oferta futura de potência não foi detalhado nas informações disponíveis.
O próximo desdobramento depende da análise da 6ª Vara Cível do Distrito Federal e da tramitação regulatória na Aneel. Sem nova decisão de mérito ou detalhamento adicional dos efeitos operacionais, ainda não é possível definir com precisão o impacto prático da suspensão sobre o planejamento do sistema elétrico e sobre consumidores do setor produtivo.
A história do seu Odair Tofanin com a terra começou literalmente na lida diária do campo. Nativo de Jarinu (SP), ele costuma brincar que sua mãe deu à luz debaixo de um pé de uva, onde os filhos ficavam acomodados em cestos de vime enquanto os pais trabalhavam na roça.
Com o passar dos anos, a família comprou o Sítio Santa Luzia, em Bragança Paulista (SP), e em 1996 seu Odair assumiu a propriedade sozinho. O local, que antes era apenas pasto, logo ganhou o colorido das plantações de poncã, pêssego e da tradicional uva.
Contudo, o faturamento da fruticultura era muito instável e deixava buracos no orçamento ao longo do ano. Diante disso, em 2012, Odair decidiu investir na avicultura de corte para buscar uma renda mais garantida.
O começo da atividade foi tocado pelo pai e filho, Diego. Como nenhum deles tinha experiência com aves, o medo de perder o lote por qualquer falha tirava o sono de todo mundo. Nas primeiras semanas, eles não saíam de dentro do galpão e vigiavam o painel elétrico até a meia-noite, com medo de o sistema automático falhar.
Além disso, Diego chegava a acordar assustado no quarto achando que ouvia o barulho dos pintinhos. Depois de seis anos de trabalho familiar, a engrenagem funcionou bem e a granja trouxe a estabilidade que eles tanto buscavam.
O estalo que quase virou tragédia
Apesar do sucesso inicial, o teste mais duro da trajetória dos Tofanin aconteceu em 2020. Uma granja nova, que estava apenas no seu quinto lote, desabou como um dominó devido a erros de cálculo da construtora. No momento do estalo, seu Odair e Diego trabalhavam dentro do núcleo. O pai só sobreviveu porque correu para perto de um pilar de concreto, que segurou o peso do forro a poucos centímetros do chão.
Ainda assim, o prejuízo foi avassalador para o bolso. Eles precisaram sacrificar 42 mil frangos com 18 dias de vida e, somado a isso, foram enganados pelo construtor, que prometeu reerguer a estrutura, fez a família gastar o que não tinha e depois sumiu.
Ver aquele monte de ferro retorcido no chão trazia uma angústia diária no peito. Todavia, apoiados na fé e no abraço dos amigos da região, os Tofanin encontraram forças para buscar o prejuízo na justiça e reconstruir a operação do zero.
Manejo sem antibiótico e o orgulho das três gerações
Superada a tempestade, o Sítio Santa Luzia hoje colhe os frutos de um manejo de excelência com a integradora Seara. A propriedade foca no chamado “frango verde”, criado com rigorosos controles de biosseguridade que incluem banho, troca de roupas e vazio sanitário rigoroso para visitas e sem o uso de antibióticos. Esse capricho com a ambiência, a água e a temperatura rendeu à família o primeiro lugar no prêmio Superagro de Amparo em 2020, além de pódios constantes como criadores do mês.
Hoje, aos 63 anos, seu Odair olha para a janela e vê o trabalho multiplicado. O frango que sai de Bragança Paulista viaja para alimentar famílias fora do país. O maior prêmio da fazenda, no entanto, é ver as três gerações unidas no mesmo balcão.
Diego lidera a operação moderna e as netas já começam a pegar gosto pela rotina do agro. Satisfeitos com a segurança que o ciclo de 40 dias do frango proporciona, os Tofanin já fazem planos para o futuro: assim que quitarem os financiamentos atuais, o plano é erguer o terceiro aviário e expandir ainda mais o legado da família.
As exportações brasileiras de carne bovina somaram 297 mil toneladas em maio de 2026, alta de 17,8% na comparação com o mesmo mês de 2025 e de 2,9% frente a abril. A receita no mês alcançou US$ 1,83 bilhão, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC). O preço médio de exportação ficou em US$ 6.163 por tonelada, 3,5% acima do registrado em abril.
A China permaneceu como principal destino da carne bovina brasileira em maio, com 157,6 mil toneladas embarcadas e faturamento de US$ 1,06 bilhão. O país respondeu por 53,1% de todo o volume exportado no mês. Na comparação com maio de 2025, os embarques para o mercado chinês avançaram 39,6% em volume. Segundo a ABIEC, esse movimento ocorreu em meio à antecipação de embarques antes da entrada em vigor de medidas de salvaguarda anunciadas pelo país asiático para as importações de carne bovina.
Os Estados Unidos ficaram na segunda posição entre os compradores, com 28,8 mil toneladas e receita de US$ 195,6 milhões, alta de 5,1% sobre maio do ano passado. Na sequência aparecem Rússia, com 13,7 mil toneladas e US$ 66,5 milhões, Chile, com 8,5 mil toneladas e US$ 52,7 milhões, e União Europeia, com 8,3 mil toneladas e US$ 77,5 milhões.
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A carne bovina in natura concentrou 88,2% do volume exportado e 93,1% da receita obtida em maio, totalizando US$ 1,7 bilhão. No acumulado de janeiro a maio, o Brasil exportou 1,388 milhão de toneladas, avanço de 15,3% em relação ao mesmo período de 2025. A receita chegou a US$ 7,88 bilhões, enquanto o preço médio no período foi de US$ 5.677 por tonelada, acima dos US$ 4.824 por tonelada observados nos cinco primeiros meses do ano passado.
No acumulado do ano, a China comprou 631,9 mil toneladas, com faturamento de US$ 3,78 bilhões. Os Estados Unidos somaram 178,6 mil toneladas e US$ 1,16 bilhão. Chile, Rússia e União Europeia também registraram aumento nas aquisições em volume no período.
Os dados indicam continuidade do ritmo de embarques da proteína bovina brasileira no mercado internacional, com concentração relevante na demanda chinesa e avanço em outros destinos. Segundo a ABIEC, a presença do produto brasileiro em mais de 177 mercados tem contribuído para a estabilidade comercial do setor. Não foram informados, no material disponível, efeitos diretos desses embarques sobre preços internos ou oferta doméstica.
A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) abriu, nesta segunda-feira (8), as inscrições para a seleção do Programa de Pós-graduação em Defesa e Tecnologia Agropecuária (PPGDTAgro), no Rio Grande do Sul. O curso oferece até 29 vagas de mestrado stricto sensu. As inscrições são gratuitas e seguem até 30 de junho, segundo o edital divulgado pela secretaria.
Podem participar candidatos com formação superior nas áreas de ciências agrárias, biológicas, biomédicas ou ambientais. O processo seletivo terá três etapas: Carta de Intenções e Proposta Preliminar de Pesquisa, Entrevista Técnica e avaliação do Currículo Lattes. As aulas estão previstas para começar em setembro de 2026.
Sediado no Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (DDPA/Seapi), o programa sucede o antigo Programa de Pós-Graduação em Saúde Animal, criado em 2014 no Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor (IPVDF), em Eldorado do Sul.
De acordo com o coordenador do PPGDTAgro, Guilherme Klafke, a reformulação ampliou o escopo acadêmico para temas ligados aos desafios atuais das cadeias produtivas agropecuárias do estado. Entre os eixos citados estão defesa agropecuária, saúde única, diagnóstico, vigilância, biotecnologia, inovação, sustentabilidade, resiliência climática e desenvolvimento rural.
A área de concentração do mestrado é em Sistemas Inovadores e Sustentáveis para a Defesa e Desenvolvimento Agropecuário. O curso está organizado em três linhas de pesquisa: Saúde e Diagnóstico em Sistemas Agropecuários; Biotecnologia e Inovação em Produtos e Processos Agropecuários; e Resiliência e Inovação em Sistemas Agroalimentares e Desenvolvimento Rural Sustentável.
Para o setor, a abertura de vagas reforça a formação de profissionais voltados a temas técnicos que afetam sanidade, monitoramento, inovação de processos e adaptação produtiva. O edital completo, com cronograma e orientações, está disponível no site oficial da secretaria.
Como se trata de processo seletivo com regras e etapas definidas em edital, a orientação técnica é que os candidatos consultem a documentação oficial para verificar cronograma, critérios de avaliação e exigências de ingresso. Até o momento, a Seapi informa apenas a oferta de até 29 vagas e o início das aulas em setembro de 2026.
O Itaú BBA lançou nesta segunda-feira (8) a Trilha de Gestão de Riscos, curso gratuito voltado a produtores rurais e profissionais do agronegócio. Segundo o banco, a formação foi estruturada para apoiar a gestão financeira e a tomada de decisão em um cenário de maior volatilidade de mercado, clima e geopolítica. O conteúdo está disponível para clientes e não clientes da instituição.
De acordo com o Itaú BBA, a trilha reúne videoaulas, artigos em PDF e estudos de caso com foco em mapeamento de riscos na produção rural. O material também aborda fundamentos financeiros do negócio, ciclo financeiro da safra, mercado de commodities, hedge, derivativos, estratégias de comercialização e gestão de riscos financeiros.
A formação é direcionada não apenas a produtores, mas também a consultores, agrônomos, técnicos de assistência, equipes de cooperativas e agroindústrias. Ao fim do curso, os participantes recebem certificado de conclusão.
Em nota, o diretor de Agronegócio do Itaú BBA, Pedro Fernandes, afirmou que a gestão de riscos passou a invadir posição central na sustentabilidade do negócio rural. Segundo ele, a proposta do conteúdo é ampliar o acesso a informações práticas e estratégicas para decisões mais estruturadas no campo.
O tema tem relação direta com a rotina produtiva e comercial do agro, especialmente em cadeias expostas a variações de preço, custos de insumos, câmbio e clima. Ferramentas como hedge e planejamento do ciclo financeiro da safra são usadas para reduzir exposição a oscilações de mercado e melhorar previsibilidade de caixa.
O banco não informou, no material divulgado, a carga horária da formação, o prazo para conclusão nem o endereço eletrônico de acesso à trilha. Essas informações são relevantes para adesão de produtores e equipes técnicas interessadas.
Na prática, a iniciativa amplia a oferta de conteúdo técnico sobre gestão financeira e comercialização no agro. Sem detalhamento público sobre carga horária e cronograma, a avaliação sobre alcance operacional da formação depende de informações adicionais da instituição.
A mediana do relatório Focus para a taxa Selic no fim de 2026 subiu de 13,25% para 13,50%, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (8). Há um mês, a estimativa era de 13,00%. O movimento ocorre em meio à revisão das apostas do mercado para a extensão do ciclo de afrouxamento monetário do Banco Central (BC), diante do aumento da incerteza externa e da alta do petróleo associada à guerra no Oriente Médio.
Considerando apenas as 52 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana para a Selic no fim de 2026 também avançou de 13,25% para 13,50%, sinalizando ajuste mais recente das expectativas. Para 2027, a estimativa intermediária subiu de 11,25% para 11,50%. No recorte das 51 previsões mais atualizadas, a mediana passou de 11,25% para 11,75%.
Para os horizontes mais longos, o relatório mostrou estabilidade. A projeção para o fim de 2028 permaneceu em 10,00% pela 20ª semana seguida. Para 2029, a mediana continuou em 10,00% pela quinta semana consecutiva.
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Neste ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central já reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual nas duas primeiras reuniões de 2026, levando a taxa para 14,50% ao ano. Na ata mais recente, o colegiado informou que a magnitude e a duração do ciclo de cortes dependerão de novas informações sobre o cenário internacional e seus efeitos sobre os preços.
O Copom também afirmou que mantém postura de cautela na condução da política monetária. Para o setor agropecuário, a trajetória dos juros é um indicador relevante porque influencia o custo de financiamentos, a rolagem de dívidas, as despesas com capital de giro e o ritmo de investimento em máquinas, armazenagem e tecnologia. Em cadeias mais dependentes de crédito, mudanças nas expectativas para a Selic também podem afetar o planejamento financeiro de produtores e agroindústrias.
No curto prazo, o mercado segue atento aos próximos comunicados do Banco Central e à evolução do conflito no Oriente Médio, fatores que podem alterar as projeções para inflação e juros. Sem novas sinalizações da autoridade monetária, a tendência implícita no Focus é de cortes mais graduais do que os estimados anteriormente.
A mediana do relatório Focus para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 subiu de 5,09% para 5,11% nesta segunda-feira (8), segundo dados do Banco Central (BC). O avanço marca a 13ª alta semanal consecutiva e mantém a projeção acima do teto da meta de inflação, de 4,50%. De acordo com o material divulgado, o movimento ocorre em meio ao aumento das incertezas com a guerra no Oriente Médio e à alta dos preços do petróleo.
Considerando apenas as 56 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, mais sensíveis às mudanças de cenário, a mediana para o IPCA de 2026 avançou de 5,09% para 5,17%. Para 2027, a estimativa intermediária do mercado passou de 4,02% para 4,03%. Um mês antes, estava em 4,00%. No recorte das 55 projeções mais recentes, porém, a mediana permaneceu em 4,00%.
Para 2028, a projeção oscilou de 3,66% para 3,65%. Em 2029, ficou estável em 3,50% pela 40ª semana consecutiva. O Banco Central trabalha, desde 2025, com meta contínua de inflação medida pelo IPCA acumulado em 12 meses. O centro da meta é de 3,0%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo. Se o índice ficar fora dessa faixa por seis meses consecutivos, o alvo é considerado descumprido.
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A trajetória indicada pelo Focus segue acima da projetada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na última reunião. O colegiado estima IPCA de 4,6% em 2026 e de 3,5% em 2027.
Para o setor agropecuário, a combinação de inflação mais alta e petróleo pressionado amplia a atenção sobre custos operacionais. O diesel tem peso direto no transporte de insumos e da produção, enquanto a alta de preços na economia pode afetar despesas com armazenagem, processamento e logística. O material disponível não detalha, porém, a abertura da inflação projetada por grupos de preços para 2026.
Os números do Focus mostram deterioração marginal, mas contínua, das expectativas para 2026. No curto prazo, o comportamento do petróleo e a evolução do cenário internacional devem seguir no radar, enquanto o mercado acompanha se as próximas projeções convergem ou não para a trajetória indicada pelo Banco Central.
Representantes do setor criticam a medida, defendem a qualidade sanitária da produção nacional e cobram uma resposta mais firme do governo brasileiro e do Mercosul diante das exigências impostas pelo bloco europeu.
A restrição está relacionada às regras da UE sobre o uso de antimicrobianos, como antibióticos, na produção animal. O regulamento europeu foi aprovado em 2019 e complementado em 2023, estabelecendo prazo até setembro de 2026 para que os países exportadores comprovassem equivalência regulatória às normas sanitárias do bloco.
Segundo comunicado da Comissão Europeia, as informações apresentadas pelo Brasil foram consideradas insuficientes para validar os processos oficiais de fiscalização exigidos pela UE.
SRB pede análise técnica e revisão do processo
A Sociedade Rural Brasileira (SRB) afirmou que o episódio precisa ser analisado sob o ponto de vista técnico e regulatório, sem transformar o debate em busca por culpados.
Em nota, a entidade defendeu uma investigação detalhada sobre quais etapas do cronograma de adequação não avançaram dentro do prazo previsto pela União Europeia.
A SRB argumenta que o Brasil possui capacidade técnica para atender às exigências internacionais e cita o histórico do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal, além dos mecanismos de autocontrole do setor privado, como fatores que ampliaram a eficiência da fiscalização sanitária brasileira.
No caso da pecuária bovina, a entidade também destacou a experiência do Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (Sisbov), utilizado para garantir rastreabilidade em mercados mais exigentes.
Para a SRB, o caso deve servir para aperfeiçoar procedimentos e fortalecer a capacidade do país de responder a exigências regulatórias cada vez mais rigorosas no comércio internacional.
Faep critica veto e cobra ação do governo federal
O Sistema Faep, da Federação da Agricultura do Estado do Paraná, classificou a decisão europeia como incompatível com a realidade sanitária brasileira e cobrou do governo federal o envio urgente das informações exigidas pela UE.
Segundo a entidade, o Brasil e o Paraná possuem reconhecimento internacional como áreas livres de febre aftosa sem vacinação e contam com estrutura sanitária consolidada na cadeia pecuária.
A Faep também destacou o impacto econômico da medida. Em 2025, os embarques dos produtos atingidos pela restrição somaram US$ 1,8 bilhão dentro de um total de US$ 49,8 bilhões exportados pelo agronegócio brasileiro para a União Europeia.
Na avaliação da federação, o bloqueio afeta diretamente frigoríficos, exportadores e produtores integrados às cadeias de proteína animal.
A entidade ressaltou ainda que associações do setor, como a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), entendem que o impasse não envolve falhas sanitárias no campo, mas divergências burocráticas relacionadas à validação dos processos oficiais de fiscalização conduzidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O Ministério das Relações Exteriores informou que mantém negociações diplomáticas para tentar reverter a decisão europeia.
Faesp cobra reação mais firme do Mercosul
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) também criticou a decisão da União Europeia e afirmou que as novas exigências representam uma mudança nas condições discutidas ao longo de 25 anos de negociações entre Mercosul e UE.
A entidade contestou o argumento sanitário utilizado pelo bloco europeu e alegou tratamento desigual em relação a países concorrentes, como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia.
Na avaliação da Faesp, as restrições ampliam a insegurança para frigoríficos, pecuaristas, exportadores e processadores que atuam no mercado europeu.
A federação também defendeu uma atuação diplomática mais firme do Mercosul, com posicionamento conjunto entre Brasil, Argentina e Uruguai diante das barreiras impostas pela União Europeia.
Setor aguarda definição sobre alcance da medida
Apesar das manifestações das entidades, ainda não há detalhamento completo sobre o alcance prático da decisão europeia.
Até o momento, não foram divulgadas oficialmente informações adicionais sobre documentos pendentes, exigências complementares, cronograma de revisão das restrições ou o volume exato das exportações que poderão ser afetadas.
O setor avalia que os próximos passos dependerão do avanço das negociações diplomáticas e do envio das informações técnicas exigidas pela União Europeia para validar os sistemas brasileiros de controle sanitário e fiscalização.