O vice-presidente Geraldo Alckmin expressou preocupações sobre os efeitos do protecionismo nas relações comerciais globais e ressaltou a necessidade de promover o multilateralismo no comércio. Por outro lado, avaliou que o Brasil pode se favorecer do cenário atual. “A guerra comercial, o protecionismo não são bons para ninguém. O ideal é sempre promover o multilateralismo e o livre comércio com regras claras”, disse neste domingo (27), na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).
Alckmin apontou que, no caso do Brasil, o acordo com a União Europeia é um passo importante nesse sentido. “Esse acordo vai abrir mais oportunidades para o agronegócio brasileiro. O agro pode se beneficiar ainda mais com as exportações”, afirmou, reforçando que a redução de barreiras comerciais proporcionará um ambiente mais favorável para o crescimento do setor agrícola.
Com o fortalecimento do mercado externo, Alckmin também falou sobre as condições financeiras para que o Brasil possa aproveitar essas oportunidades, mencionando o papel fundamental do BNDES.
“Foi criada uma linha muito boa para exportação, com financiamento em dólar – o que é muito mais barato. Mas, para isso, quem exporta precisa estar ‘hedgeado’, ou seja, protegido contra riscos de desvalorização cambial”, concluiu.
Há cerca de dois meses, o casal Danilo Hiedt e Liana Maria de Quadros vive em um contêiner de concreto, no local onde será construído um novo bairro residencial em Cruzeiro do Sul, no Vale do Taquari, uma das regiões mais arrasadas do Rio Grande do Sul nas enchentes de maio de 2024.
Antes disso, eles passaram por outros abrigos e viveram na casa de parentes. Quase um ano após a catástrofe, eles se recordam em detalhes das horas de horror que viveram na zona rural do município, às margens do Rio Taquari, que superou a cota de inundação de 30 metros acima do leito normal naqueles primeiros dias de maio.
“Lá saiu tudo de arrasto, tudo que nós tínhamos, a casa inteira, animais de criação, como bois de canga, ferramentas”, contou o agricultor de 65 anos.
Eles resistiram por horas em uma canoa ou sobre o forro da casa até serem resgatados. Liane tinha operado o fêmur e ainda usava muletas. Ela passou a madrugada dentro de uma embarcação.
“Eu tinha que tomar meus remédios e bebi a água da enchente. Só deu tempo de pegar quatro bergamotas do pé, que a gente dividiu para comer. Era só o que tinha”, relatou a sobrevivente, que está com 64 anos.
O casal conseguiu salvar a família, incluindo, filha, genro e netas, mas alguns amigos e vizinhos perderam a vida.
Casas temporárias em Cruzeiro do Sul. Foto: Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
Boa parte dos 184 mortos nas enchentes do ano passado no Rio Grande do Sul são da região, sendo 13 apenas em Cruzeiro do Sul. E ainda há duas dezenas de desaparecidos, segundo a Defesa Civil estadual.
O novo loteamento contará com 480 lotes, dos quais parte será destinada à construção de moradias através das Atas de Registro de Preço da Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária (Sehab), e outra parte será disponibilizada para que os próprios beneficiários construam suas casas com recursos próprios. O investimento estimado é de R$ 120 milhões
Eles resistiram por horas em uma canoa ou sobre o forro da casa até serem resgatados. Liane tinha operado o fêmur e ainda usava muletas. Ela passou a madrugada dentro de uma embarcação.
“Eu tinha que tomar meus remédios e bebi a água da enchente. Só deu tempo de pegar quatro bergamotas do pé, que a gente dividiu para comer. Era só o que tinha”, relatou a sobrevivente, que está com 64 anos.
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
O casal conseguiu salvar a família, incluindo, filha, genro e netas, mas alguns amigos e vizinhos perderam a vida.
Boa parte dos 184 mortos nas enchentes do ano passado no Rio Grande do Sul são da região, sendo 13 apenas em Cruzeiro do Sul. E ainda há duas dezenas de desaparecidos, segundo a Defesa Civil estadual.
O novo loteamento, que está sendo construído pelo governo do estado, em parceria com a prefeitura, fica numa parte alta da cidade e vai se chamar Novo Passo da Estrela, em homenagem ao bairro que foi completamente destruído pela força da correnteza no ano passado.
A previsão é que as primeiras moradias definitivas, das 480 previstas, sejam entregues no final do ano.
Enquanto isso, essas casas temporárias, com 27 metros quadrados (m²), são compostas por dormitório, sala e cozinha conjugadas e banheiro, além de mobiliário, como mesa, armário, cama, beliche e eletrodomésticos da linha branca.
A entrega das moradias temporárias marcou o encerramento dos abrigos coletivos no município.
“Pode botar meu terreno aqui, que eu só atravesso a rua. A gente tem que brincar, fazer o quê. Chorar eu já chorei o que chega. Salvei minha família, conseguimos salvar todo mundo”, afirmou Liana, que agora espera por dias melhores.
Ambos receberam o Auxílio Reconstrução, do governo federal, no valor de R$ 5,1 mil, que ajudou a recuperar parte das perdas materiais.
Em outro contêiner, Edevar Porto da Cruz, de 67 anos, espera que a próxima mudança seja para uma moradia permanente. “O governador [Eduardo Leite] esteve aí essa semana, disse que até o fim do ano eles vão entregar um pouco [das casas] e depois até mais um ano [entrega o restante]”, observou.
Somente no município de Cruzeiro do Sul, 1.109 casas foram destruídas. Além do novo bairro, o programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, prevê a entrega de 500 unidades habitacionais, que ainda serão construídas.
Outras 50 famílias também já foram contempladas com a Compra Assistida, uma modalidade do programa federal que concede até R$ 200 mil para a compra direta de um imóvel já existente.
Parque Memorial
Em uma parte baixa de Cruzeiro do Sul, bem próxima ao Rio Taquari, o cenário após a tragédia era apocalíptico, com casas, carros e postes totalmente destruídos. Era ali que ficava o Passo da Estrela, bairro completo, com escola, igreja e posto de saúde.
Agora, o que se vê é um campo aberto de terra batida. As máquinas ainda trabalham para demolir o que restou das casas destruídas. Olocal dará lugar a um Parque Memorial, com área de vegetação, equipamentos para a prática de esportes e homenagem aos que morreram na catástrofe.
Das poucas casas que não foram interditadas na área onde ficava o bairro, está o imóvel de José Claudio Lenhardt, de 71 anos, e de sua esposa Rosane Lenhardt, de 67 anos. Eles estão entre os últimos moradores ali, mas não devem permanecer.
“Não adianta ficar aqui com essa preocupação de enchente, indo e voltando”, contou Rosane.
“A gente trabalha uma vida inteira para juntar alguma coisa e ter um futuro melhor e perder da noite para o dia, não é fácil”, afirmou José Claudio.
O casal tinha uma pequena olaria no terreno ao lado, que foi derrubada pelas águas. Eles vão se mudar para um outro loteamento na cidade, adquirido com recursos próprios, em parceria com outros vizinhos e amigos, e que atualmente está recebendo obras de encanamento e acesso à rede de energia elétrica.
Ela concorda com a extinção do bairro.
“Agora que arrancou tudo, é bom que não deixem mais ninguém voltar”, reforçou Rosane.
Demanda habitacional
Na região do Vale do Taquari, a situação das famílias que perderam suas casas é variada, mas a maioria ainda aguarda um lar definitivo.
Em Estrela, segundo a prefeitura, o número de famílias contempladas com aluguel social está em 516. Cerca de 100 casas começaram a ser construídas pelo Minha Casa, Minha Vida, e há ainda a previsão de mais 800 imóveis pelo mesmo programa.
Outras 60 famílias estão sendo contempladas com o Compra Assistida. Da parte do governo estadual, a previsão é construir 108 casas no município, que estão em diferentes fases de andamento.
Em Muçum, o governo municipal informou à reportagem que conta com três novos loteamentos habitacionais em áreas seguras, fora da zona de inundação.
“Todos são terrenos novos, nunca antes utilizados, sendo dois desapropriados pelo município e um pelo governo do estado”, disse a prefeitura, em nota.
Através do Minha Casa, Minha Vida Calamidade, voltado para áreas rurais, o município de Muçum informou ter sido contemplado com 17 residências, que devem ficar prontas em até seis meses e serão construídas em terrenos fora da mancha de inundação.
No município deLajeado, um dos mais populosos e prósperos do Vale do Taquari, cerca de 500 famílias recebem aluguel social calamidade enquanto aguardam residências definitivas pelos programas habitacionais, informou a prefeitura. Desde julho de 2024, não há mais abrigos ativos na cidade,
“Existem cerca de 700 casas definitivas previstas para Lajeado por meio de programas habitacionais dos governos e iniciativas privadas referentes às cheias de setembro de 2023 e maio de 2024. Existem seis residências entregues por uma ONG. As demais, estão em fase administrativa ou em construção”, informou a gestão municipal.
EmArroio do Meio, o prefeito Sidnei Eckert informou que a demanda é por 700 novas moradias. “Governos federal e estadual são parceiros, mas burocracia consome muito tempo”, reclamou.
O município não apresentou balanço sobre o andamento das iniciativas de realocação de quem perdeu suas casas.
Rodeado por possíveis candidatos de oposição na eleição de 2026, como os governadores Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás, e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin usou a cerimônia de abertura da Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), para listar entregas realizadas pelo governo federal e, especificamente, pela sua pasta, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio e Serviços (MDIC). “Quando o agro vai bem, ajuda a indústria. Quando a indústria vai bem, ajuda o agro. Eles são irmãos”, disse.
Ao abordar o crédito para o setor agropecuário, Alckmin afirmou que levará pessoalmente a demanda por um Plano Safra robusto, adequado ao desempenho da agricultura brasileira. “Eu sei da preocupação com o Plano Safra. Vamos nos empenhar”, disse.
Ele reforçou que o novo plano está em construção e deve refletir a expectativa de colheita recorde em 2025. “Vou, sim, levar o pleito do Plano Safra, condizente com o tamanho recorde que vai ser a safra agrícola deste ano no Brasil.”
Alckmin afirmou que o Brasil vive uma nova fase de apoio à reindustrialização, com foco em inovação, sustentabilidade e exportações. Ele destacou as missões do programa Nova Indústria Brasil, com prioridade para a agroindústria. “É onde o Brasil tem um potencial enorme de poder crescer, gerando mais valor e emprego”, afirmou.
Um dos pilares da nova política é a ampliação do acesso ao crédito com taxas mais baixas. Segundo Alckmin, serão R$ 80 bilhões em financiamentos via BNDES, Finep e Embrapii, com juros baseados na Taxa Referencial (TR). “É 4% ao ano, é juros negativos para a indústria”, disse.
A intenção, segundo ele, é estimular investimentos em inovação e renovação de maquinário industrial, com medidas como a depreciação acelerada de bens de capital.
Alckmin também ressaltou o esforço para tornar o Brasil mais competitivo internacionalmente. “Nós precisamos ganhar mercado. O Brasil tem 2% do PIB do mundo. Então, 98% do mercado está lá fora”, disse. Entre os destaques, mencionou o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que, segundo ele, “vai abrir uma enorme possibilidade de mercado”, e a criação de um portal único de exportações, que deve reduzir R$ 40 bilhões por ano em custos logísticos.
A política industrial também tem foco em sustentabilidade. Alckmin defendeu o fortalecimento dos biocombustíveis por meio do programa Combustível do Futuro, que inclui aumento da mistura de etanol na gasolina e estímulo ao biodiesel e ao aproveitamento do metano. “É para estimular uma energia limpa e renovável”, disse. Ele também lembrou da redução do ICMS sobre o etanol em São Paulo: “Mantivemos a gasolina em 25% e reduzimos o etanol para 12%, menos da metade”.
Durante o discurso, Alckmin ainda citou a criação da Letra de Crédito do Desenvolvimento (LCD), voltada ao financiamento industrial. “É mais barato porque quem compra o título tem isenção de imposto. Essa redução é para o tomador do dinheiro, que vai ter crédito mais barato.”
A autonomia dos bancos centrais voltou ao centro dos debates após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificar as críticas ao Federal Reserve, que é o banco central norte-americano. No Brasil, o presidente Lula também já fez cobranças públicas ao então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.
O tom do governo Trump contra o presidente do Fed, Jerome Powell, foi elevado nos últimos dias com a cobrança de cortes mais rápidos nos juros e chegando a sugerir, ainda que sem planos concretos, a possibilidade de sua demissão. As declarações causaram instabilidade: bolsas recuaram e o ouro se valorizou – uma resposta clássica à percepção de risco no cenário econômico.
Mas como este tipo de interferência política pode afetar diretamente a economia e a confiança do mercado?
Pressão que gera ruídos
Segundo o economista Caio Augusto Rodrigues, do Terraço Econômico, o cenário evidencia como “a confiança do mercado é sensível a qualquer sinal de ingerência política”. O economista explica que, nos Estados Unidos, mesmo com a autonomia legal do Federal Reserve, “a pressão política gera ruído e pode afetar expectativas econômicas”.
No caso das críticas de Lula ao ex-presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, o especialista aponta que o discurso dos dois presidentes, apesar das diferenças políticas, tem pontos em comum. Durante o mandato de Neto, Lula chegou a atribuir ao patamar elevado dos juros parte da dificuldade de acelerar o crescimento econômico.
“Nesse aspecto, Lula e Trump parecem até combinar o discurso. Ambos usam o Banco Central como alvo quando a economia não responde como gostariam”, afirma.
De acordo com o economista, é natural haver algum nível de atrito entre o governo e o banco central, já que as instituições têm objetivos diferentes. “O Banco Central olha para a estabilidade da moeda no longo prazo, enquanto o governo está preocupado com os resultados imediatos que podem influenciar a reeleição ou a aprovação popular”, explica.
O problema, segundo ele, é quando essa tensão se intensifica sob líderes com perfil mais “estridente” e que tentam “canetar a lógica”.
O que limita a interferência?
Rodrigues lembra quetanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, os bancos centrais têm, por lei, certa independência. Os presidentes indicam os dirigentes das instituições, mas não podem demiti-los a qualquer momento.
Ele ressalta que a preocupação não é sobre quem está à frente da instituição, e sim sobre sua capacidade de cumprir a função sem interferência.
“Galípolo [atual presidente do Banco Central] foi tido como ‘pau mandado’ de Lula, mas até agora o Banco Central não tomou nenhuma decisão que confirme essa ideia. Pode ser que ocorra no futuro, mas não aconteceu até o momento”, afirma.
Exemplo na América Latina
Como contraponto, o economista cita o caso do Peru, que enfrentou forte instabilidade política com seis presidentes em seis anos. “Mesmo assim, a política monetária seguiu estável por lá. Isso só foi possível porque o Banco Central manteve sua autonomia, mesmo em meio ao caos institucional.”
Para ele, o exemplo mostra que, com uma estrutura bem definida, é possível proteger a política econômica dos ruídos da política partidária.
O Brasil é o segundo maior produtor mundial de cafés da espécie canéfora (Coffea canephora), também conhecida como robusta e conilon. Agora, o país avança também como referência em inovação científica no setor. Um dos destaques é a pesquisa desenvolvida por Michel Rocha Baqueta durante seu doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que resultou na criação de um método inovador para autenticar cafés canéforas produzidos por indígenas em Rondônia.
A técnica utiliza imagens captadas por celular comum, acoplado a um dispositivo impresso em 3D que controla iluminação e distância. As fotos revelam características físicas da amostra por meio do sistema RGB (red, green, blue), cujas informações de cor são analisadas por ferramentas de ciência de dados. Após treinar um modelo preditivo com milhares de amostras autênticas e adulteradas, os pesquisadores conseguiram identificar adulterações com precisão de 95%.
“É o uso de machine learning aplicado à autenticação de cafés especiais. O modelo identifica alterações como adição de arábica, borra, casca de café, milho, soja e até semente de açaí torrada”, afirma Baqueta.
A tecnologia é voltada a produtores, certificadoras e exportadores, e pode ser adaptada para outras origens e adulterantes. Segundo a professora Juliana Azevedo Lima Pallone, coorientadora da pesquisa, o método oferece uma alternativa viável ao teste sensorial, que não consegue detectar a procedência geográfica do produto.
Os cafés canéforas indígenas de Rondônia se destacam pelas características únicas, atribuídas ao terroir amazônico e às práticas de cultivo. A tese de Baqueta é a primeira no Brasil a estudar quimicamente cafés produzidos por indígenas, e aponta seu alto potencial para o mercado premium.
O grupo também aplicou técnicas como espectrometria de massas, absorção atômica, ressonância magnética e espectroscopia de infravermelho, sempre aliadas à quimiometria. Com isso, foi possível distinguir cafés canéforas brasileiros entre si e em relação ao arábica, inclusive quando os primeiros são utilizados como adulterantes.
A pesquisa mostra que canéforas especiais do Espírito Santo e da Amazônia podem atingir notas superiores a 80 pontos, segundo a escala da Specialty Coffee Association (SCA), entrando assim na categoria de cafés especiais. Em um mercado pressionado por preços altos e aumento de fraudes, os cientistas alertam para a necessidade de métodos rigorosos de controle e regulamentação.
“Cafés fake, criados a partir de torra de insumos não cafeeiros, têm crescido. É uma ameaça à segurança alimentar e à integridade do setor”, afirma Baqueta.
A inovação reforça o papel do Brasil não apenas como potência produtora, mas também como referência científica no combate a fraudes e valorização da origem dos cafés nacionais.
O encontro de chanceleres do Brics – bloco que reúne as maiores economias emergentes – no Rio de Janeiro, nesta semana, deve resultar em uma declaração, a ser publicada já na segunda-feira (28), condenando a imposição unilateral de tarifas do presidente americano, Donald Trump, em defesa da arquitetura global de multilateralismo, representada pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
O texto deve ter no máximo cinco parágrafos e não deve citar os EUA, Trump ou a OMC, segundo apuração inicial.
Os encontros ocorrerão amanhã e na terça-feira (29). Amanhã, as reuniões contarão apenas com países membros (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã).
O texto condenando o tarifaço de Trump deverá ser divulgado ao final desse dia
A previsão para a semana entre 28 de abril e 2 de maio aponta um cenário climático variado em todas as regiões do Brasil, conforme análise do meteorologista Arthur Müller, do Canal Rural.
Sul
Na região, uma frente fria afastada no oceano provoca pancadas isoladas no leste e norte de Santa Catarina e no leste e sul do Paraná. A maior parte do Rio Grande do Sul inicia a semana sem chuva, com temperaturas mais amenas.
Nas áreas de baixada, as mínimas devem girar em torno de 10 ºC, e há chance de geada apenas na Serra Gaúcha e Catarinense, onde os termômetros podem marcar abaixo de 4 ºC.
O tempo mais firme deve favorecer a conclusão da colheita do arroz em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
Apenas o oeste gaúcho e os litorais de Santa Catarina e Paraná devem registrar volumes baixos de chuva, entre 5 e 10 milímetros.
Sudeste
O litoral de São Paulo e a capital paulista terão mais nebulosidade e possibilidade de chuviscos. Já no norte do estado, no Triângulo Mineiro, no noroeste e norte de Minas Gerais e no Espírito Santo, há previsão de pancadas moderadas a fortes.
No Rio de Janeiro, o sol aparece entre nuvens, com possibilidade de chuva fraca no fim da tarde.
O acumulado da semana deve ficar entre 40 e 50 milímetros no centro-norte mineiro, Espírito Santo, Rio de Janeiro e litoral paulista, favorecendo especialmente os cafeicultores capixabas.
No restante de São Paulo e no centro-sul de Minas Gerais, a chuva será mais fraca, entre 10 e 15 milímetros, sem grandes impactos nas operações agrícolas.
Centro-Oeste
Instabilidades provenientes do Paraguai devem trazer chuva para Mato Grosso do Sul, especialmente no noroeste e sul do estado, com risco de temporais. Em Mato Grosso e Goiás, pancadas de chuva moderadas a fortes podem ocorrer, com atenção para as capitais Cuiabá e Goiânia.
O centro-norte de Mato Grosso e o nordeste de Goiás devem acumular de 30 a 40 milímetros, favorecendo a manutenção da umidade no solo.
Nas demais áreas da região, os volumes variam entre 5 e 15 milímetros, permitindo o avanço das atividades em campo, como o tratamento fitossanitário do milho segunda safra.
Nordeste
A atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) provoca pancadas de chuva no litoral do Maranhão, Piauí e Ceará. O interior da região permanece seco e abafado.
No litoral da Bahia, o alerta é para chuvas volumosas, com acumulados entre 100 e 150 milímetros, aumentando o risco de alagamentos e deslizamentos. No norte do Ceará e Maranhão, as chuvas agrícolas devem alcançar de 30 a 40 milímetros, enquanto no restante do Maranhão, sul do Piauí e interior baiano, os volumes ficam entre 15 e 30 milímetros.
Apesar da melhoria, o cenário ainda exige atenção para armazenamento de água.
Norte
O tempo instável persiste, com sol entre nuvens e alerta de temporais em Manaus, Belém e Macapá. Rio Branco e Porto Velho também devem registrar chuva frequente.
A ZCIT segue ativa, levando volumes de até 100 milímetros para Roraima, noroeste do Pará, Amapá e norte do Amazonas, impactando as atividades em campo.
Acre, Rondônia, o restante do Amazonas, Pará e Tocantins terão volumes entre 30 e 50 milímetros, mantendo a boa umidade para pastagens e cultivos em desenvolvimento.
O azeite Mantikir Summit Premium, produzido pela Vinícola Essenza, em Maria da Fé (MG), foi reconhecido na última como um dos 100 melhores azeites extravirgens do mundo na edição 2025 do Evooleum Top 100, realizada na Espanha. O produto recebeu 93 pontos na avaliação técnica e foi eleito o melhor azeite do Brasil, sendo também o único representante das Américas entre os premiados este ano.
A premiação é promovida pelo Grupo Editorial Mercacei, em parceria com a Associação Espanhola de Municípios Oleícolas (AEMO), e é considerada uma das mais prestigiadas do setor. O concurso reúne amostras de quase mil azeites extravirgens de 26 países, avaliadas às cegas por um júri internacional de 25 especialistas de 11 nações.
O Mantikir Summit Premium é um blend de campo formado pelas variedades arbequina, coratina, grapolo e koroneiki. As azeitonas foram colhidas no final de fevereiro, em altitudes de 1.910 metros nos olivais da vinícola localizados em Maria da Fé. Segundo o produtor Herbert Sales, o diferencial está na colheita manual prematura e na extração cuidadosa em baixa temperatura.
“Realizamos a colheita manual prematura com baixo rendimento, respeitando os índices de maturação e a integridade dos frutos. A extração foi feita com temperatura controlada a 22ºC, o que nos permitiu alcançar um azeite de excepcional qualidade”, disse.
O processo produtivo utiliza a prensagem imediata de azeitonas colhidas em diferentes talhões da propriedade. São necessários, em média, 12 quilos de azeitonas para produzir 1 litro do azeite. O método, segundo o produtor, prioriza a qualidade sensorial e técnica, preservando compostos fenólicos e atributos aromáticos do produto.
O reconhecimento internacional da Evooleum reforça o potencial do Brasil como produtor de azeites extravirgens de alta qualidade. Em 2024, o mesmo rótulo já havia conquistado o título de melhor azeite do mundo na categoria de produção limitada até 2.500 litros, superando marcas tradicionais da Europa e do Oriente Médio.
A edição 2025 da Evooleum destacou azeites de dez países, incluindo China, África do Sul, Grécia, Portugal, Croácia, Turquia, Itália e Espanha — que lidera o ranking com 67 azeites classificados, sendo 43 deles da região da Andaluzia.
O azeite Mantikir Summit Premium tem se consolidado como símbolo da nova geração de azeites brasileiros. Além de impulsionar o reconhecimento internacional do país no setor, o produto destaca o potencial das regiões de altitude de Minas Gerais para a produção de azeites finos e de qualidade superior.
O setor de biocombustíveis registrou um crescimento modesto de 3,4% em 2024, segundo levantamento da Equus Capital. Atualmente, existem 823 empresas ativas no segmento, mas apenas 28 novas aberturas líquidas foram contabilizadas no último ano. Entre elas, estão 2 microempresas, 8 pequenas empresas e 18 médias e grandes.
De acordo com a Equus Capital, a expansão limitada é devida à incerteza regulatória, que ainda afeta decisões de investimento. Segundo Felipe Vasconcellos, sócio da consultoria, o ambiente macroeconômico e regulatório gera cautela entre investidores. “O setor segue com muitas negociações em andamento, mas ainda sem volume expressivo de transações concluídas”, afirma.
O subsetor de fabricação de álcool não registrou novas aberturas líquidas entre microempresas em 2024, mantendo 85 estabelecimentos ativos. Especialistas da Equus apontam que as altas exigências regulatórias, os custos elevados e a concentração de mercado nas grandes usinas dificultam a entrada de novos empreendedores. Já a fabricação de biocombustíveis, como biodiesel e biogás, apresentou crescimento de 7,1%, com o surgimento de duas novas microempresas, impulsionado pela crescente demanda por fontes renováveis.
Entre as pequenas empresas, o estudo destaca que o subsetor de fabricação de álcool teve um avanço de 25%, com oito novas empresas e um total de 40 estabelecimentos ativos. Em contrapartida, a fabricação de biocombustíveis permaneceu estável, com sete empresas.
O desempenho nas médias e grandes empresas também foi moderado. O subsetor de fabricação de álcool cresceu 1,6%, com oito novas empresas, somando 518 estabelecimentos. A fabricação de biocombustíveis registrou um crescimento de 7,5%, com dez novas companhias e um total de 143 empresas ativas.
Felipe Vasconcellos, sócio da Equus Capital. Foto: divulgação
Parte desse movimento é atribuído à aprovação da Lei do Combustível do Futuro, que prevê o aumento gradual da mistura de biodiesel no diesel, estimulando investimentos na diversificação da matriz energética brasileira. No entanto, a implementação da lei ainda depende de regulamentações que podem afetar o ritmo de expansão, diz a Equus.
Vasconcellos ressalta que, embora o setor esteja em expansão, os desafios estruturais persistem. “Precisamos de um ambiente mais favorável para novos empreendedores e incentivos que estimulem a inovação e a produção em larga escala”.
A produção precoce de pinhão por meio da enxertia em araucárias (Araucaria angustifolia) foi validada como alternativa viável pela Embrapa Florestas. Um estudo inédito da instituição, em parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), concluiu que o pinhão produzido a partir da técnica tem sabor e valor nutricional semelhantes ao obtido por meio do extrativismo em florestas nativas.
A clonagem via enxertia permite a colheita do pinhão entre seis e dez anos após o plantio, um avanço expressivo frente aos 12 a 20 anos exigidos por árvores “tradicionais”. A técnica, que completou dez anos de aplicação na araucária, representa uma oportunidade de diversificação produtiva com retorno econômico mais rápido para os agricultores, além de colaborar com a conservação da espécie.
Foto: Kátia Pichelli/Embrapa
Segundo o pesquisador Ivar Wendling, da Embrapa Florestas, o sistema ajuda a consolidar uma cadeia produtiva sustentável para o pinhão.
“A produção ainda é baseada em extrativismo, mas com o cultivo precoce podemos reduzir a pressão sobre as florestas e estimular o plantio planejado com retorno financeiro viável”.
Para apoiar produtores interessados, os pesquisadores elaboraram um manual técnico com orientações sobre implantação de pomares, escolha de mudas e práticas de manejo. Um dos principais desafios identificados foi a adaptação das mudas enxertadas, o que exige cuidados específicos desde o planejamento da área até a condução das árvores.
A escolha correta das árvores-mãe e o processo técnico da enxertia são determinantes para o sucesso da produção, além de manter a diversidade genética da espécie, alerta Wendling.
Foto: Andre Kasczeszen/Embrapa
Pinhão precoce mantém qualidades nutricionais
A Embrapa também analisou o valor nutricional dos pinhões precoces. Os testes compararam amostras in natura e cozidas com as de árvores tradicionais. O resultado confirmou a equivalência nutricional: baixo teor de gordura, boas fontes de carboidratos, proteínas, fibras alimentares e alto valor calórico.
“O estudo mostra que a técnica permite aumentar a oferta do alimento mantendo sua qualidade. Isso pode ampliar o consumo e valorizar o plantio da araucária”, destaca Cristiane Helm, pesquisadora da Embrapa.
Expansão da técnica e geração de renda
O Viveiro Porto Amazonas (PR) foi o primeiro a produzir mudas enxertadas de araucária de forma comercial, utilizando inicialmente matrizes selecionadas pela UFPR e, a partir de 2020, também cultivares registradas pela Embrapa.
“A técnica de enxertia ainda é recente, mas a possibilidade de colher pinhão em menos da metade do tempo empolga os produtores”, afirma Leonel Anderman, gerente do viveiro. Hoje, o viveiro produz cerca de 3 mil mudas por ano.
Além de reduzir a pressão sobre as plantas nativas e permitir colheita em árvores de menor porte — o que ajuda a evitar acidentes —, a prática abre novas possibilidades para o uso do pinhão como matéria-prima na indústria de alimentos sem glúten e produtos regionais de valor agregado.