sexta-feira, março 20, 2026

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Produção de café cresce 4,3% em 2025 e exportações batem recorde



A produção brasileira de café em 2025 está estimada em 56,5 milhões de sacas de 60 quilos, segundo o 4º Levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgado nesta quinta-feira (4). Mesmo sendo um ano de bienalidade negativa, o volume projetado é o terceiro maior da série histórica, atrás apenas das safras de 2018 e 2020, ambas de bienalidade positiva. O número representa ainda alta de 4,3% em relação à produção de 2024.

O resultado combina uma leve redução de 1,2% na área em produção, estimada em 1,85 milhão de hectares, com melhora na produtividade média nacional, projetada em 30,4 sacas por hectare. O avanço é impulsionado principalmente pelo desempenho das lavouras de conilon.

Conilon bate recorde histórico e cresce 42%

Com menor influência da bienalidade, a produção de conilon deve alcançar 20,8 milhões de sacas, o maior volume já registrado pela Conab. Isso supera o recorde anterior, de 2022, quando foram colhidas 18,2 milhões de sacas. A alta é de 42,1% frente à safra passada, favorecida pela regularidade climática, que garantiu maior vigor às plantas.

Entre os estados:

  • Espírito Santo: 14,2 milhões de sacas (+43,8%)
  • Bahia: 3,29 milhões de sacas (+68,7%)
  • Rondônia: 2,32 milhões de sacas (+10,8%)

Arábica recua 9,7% com bienalidade negativa e seca

Já o café arábica registra retração. A Conab estima 35,76 milhões de sacas, queda de 9,7% em relação a 2024. A redução é explicada pelo ciclo de bienalidade negativa e por períodos de escassez hídrica, que prejudicaram o potencial produtivo.

A área de arábica teve redução de 1,5%, totalizando 1,49 milhão de hectares, enquanto a produtividade caiu 8,4%, para 24,1 sacas por hectare.

Nos estados produtores:

  • Minas Gerais: 25,17 milhões de sacas (-9,2%)
  • São Paulo: 4,7 milhões de sacas (-12,9%)
  • Bahia: 1,14 milhão de sacas (+2,5%), com destaque para o Cerrado baiano (+18,5%)

Exportações caem em volume, mas valor bate recorde

De janeiro a outubro de 2025, o Brasil exportou 34,2 milhões de sacas, queda de 17,8% ante o mesmo período de 2024, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A redução é consequência dos estoques internos menores, após o embarque recorde de 50,5 milhões de sacas em 2024.

Apesar disso, o valor exportado atingiu US$ 12,9 bilhões, superando todo o faturamento de 2024 e já configurando um novo recorde anual, mesmo faltando dois meses para o encerramento do ano. O desempenho é explicado pela alta dos preços internacionais do café em 2025.

Estoques mundiais apertados sustentam preços

Segundo o USDA, mesmo com previsão de aumento na produção global em 2025/26, os preços devem seguir firmes. O motivo é o estoque mundial extremamente baixo, estimado em 21,8 milhões de sacas, o menor nível em 25 anos.

O boletim completo e as tabelas detalhadas do levantamento estão disponíveis no site da Conab.



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Estudo exclusivo do Cepea revela poder de compra no agro para 2026; confira os números



O poder de compra do produtor rural deve apresentar movimentos distintos entre as principais cadeias em 2025 e 2026. É o que aponta um estudo inédito do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), realizado exclusivamente para o Canal Rural. O levantamento detalha as relações de troca esperadas para soja, milho, café e boi gordo, considerando preços projetados e custos de produção.

Soja 25/26: mais sacas para fechar o orçamento

Para a safra de soja 2025/26, a relação de troca tende a piorar em comparação à média das últimas cinco temporadas (20/21 a 24/25). Segundo o estudo, o produtor deverá entregar mais sacas para honrar o orçamento planejado, efeito direto da queda no poder de compra.

A deterioração ocorre porque os custos reais, especialmente com fertilizantes e defensivos, permanecem elevados, enquanto o preço médio esperado da soja para o próximo ano está abaixo da média recente. Com isso, mesmo um custo relativamente estável pressiona a conta final e reduz a margem.

Milho segunda safra: cenário mais favorável

No milho segunda safra 2025/26, o movimento é o oposto. A relação de troca tende a melhorar, já que o produtor deverá utilizar menos sacas para saldar o orçamento. O Cepea atribui a melhora ao preço médio esperado para a temporada, que é mais positivo, e ao custo mais baixo com fertilizantes e defensivos.

Café arábica: melhora no poder de compra em 26/27

O estudo exclusivo para o Canal Rural mostra ainda que o café arábica de alta tecnologia em Minas Gerais pode ter um avanço no poder de compra na safra 2026/27. A projeção indica redução na quantidade mínima de sacas necessárias para cobrir cada item do custo.

A recuperação das margens ocorre em um contexto de alta internacional dos preços, influenciada pela menor produtividade global. Produtor que conseguiu colheitas próximas da média recente tende a sentir o alívio. Mesmo assim, o Cepea ressalta que problemas de déficit hídrico e calor persistiram, ainda que propriedades irrigadas reduzam parte desse risco.

Boi gordo: custos de reposição e alimentação seguem pesando

Para o boi gordo, o Cepea destaca a forte sensibilidade do sistema aos custos de reposição e alimentação. Esses itens representam pelo menos 80% das despesas anuais de recria e engorda em todas as regiões, considerando preços de setembro de 2025.

O início do período de águas 2025/26 traz sinalização de alta para animais de reposição. Ao mesmo tempo, a incerteza cambial mantém elevados os preços de insumos importados, como fertilizantes e suplementos minerais.

Apesar disso, a boa expectativa para a safra de grãos segura os preços dos ingredientes de ração, o que ajuda a limitar o impacto do aumento dos demais custos nas margens projetadas para 2026.

O estudo também aponta que custos fixos continuam altos, como mão de obra e depreciação. A diluição desses gastos ainda é limitada, reflexo de uma pecuária brasileira que cresce, mas opera abaixo do potencial. Sistemas com maior investimento tendem a apresentar margens melhores no médio prazo, justamente por conseguirem distribuir melhor esses custos.



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Suíno vivo segue na casa dos R$ 8/kg



Os preços do suíno vivo no mercado paulista seguem na casa dos R$ 8/kg desde o começo de outubro. Isso é o que indicam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

No Paraná, no Rio Grande do Sul, em Minas Gerais e em Santa Catarina, as cotações operam nesse patamar desde meados de setembro. Segundo o centro de pesquisas, o cenário de estabilidade está atrelado ao forte equilíbrio entre a oferta e a demanda por novos lotes de animais para abate por parte dos frigoríficos.

Alguns agentes consultados pelo Cepea indicam que o atual nível de preço de negociação pode indicar que o suinocultor estaria comercializando com rentabilidade positiva, enquanto a indústria consegue garantir consumo na ponta final do mercado.

Em relação à carne, o destaque é a demanda externa aquecida. Pesquisadores ressaltam que a interrupção dos embarques espanhóis, após confirmação de casos de Peste Suína Africana (PSA) naquele país, pode significar uma oportunidade para o Brasil.

A Espanha é o maior produtor de carne suína da União Europeia, tendo sido também a maior exportadora da proteína do mundo em 2023 (quando desconsiderada a União Europeia como bloco único).

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Agro puxa alta do PIB no terceiro trimestre com crescimento de 10,1% em relação a 2024



O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro registrou estabilidade de 0,1% no terceiro trimestre de 2025 frente ao segundo trimestre, segundo dados do IBGE divulgados nesta quinta-feira. Apesar do desempenho moderado da economia como um todo, o setor agropecuário voltou a ser o principal destaque, sustentando o crescimento do país.

Agro cresce 0,4% no trimestre e dispara 10,1% na comparação anual

Pela ótica da produção, a Agropecuária apresentou alta de 0,4% ante o trimestre anterior, ritmo superior ao dos Serviços (0,1%) e atrás apenas da Indústria (0,8%).

Na comparação com o mesmo período de 2024, o avanço do agro foi ainda mais significativo: crescimento de 10,1%, impulsionado por ganhos de produtividade e expansão das principais culturas do trimestre. O Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) apontou aumentos expressivos em:

  • Milho: +23,5%
  • Laranja: +13,5%
  • Algodão: +10,6%
  • Trigo: +4,5%

A única queda relevante foi na cana-de-açúcar (-1,0%), cuja safra também tem peso na análise trimestral.

Exportações do agro contribuem para o PIB

No setor externo, as exportações de bens e serviços cresceram 7,2% em relação ao terceiro trimestre de 2024. Entre os destaques, o agro aparece ao lado de veículos automotores, celulose e do segmento de petróleo e gás.

Agro impulsiona resultados acumulados

O desempenho robusto da produção rural tem sustentado o crescimento agregado da economia ao longo do ano. No acumulado de quatro trimestres terminados em setembro:

  • Agropecuária cresce 9,6%, muito acima da Indústria (1,8%) e dos Serviços (2,2%).
  • O PIB acumulado avança 2,7% frente aos quatro trimestres anteriores.

De janeiro a setembro, a agropecuária também lidera: alta de 11,6%, contra 1,7% da Indústria e 1,8% dos Serviços.

PIB chega a R$ 3,2 trilhões no trimestre

O PIB totalizou R$ 3,2 trilhões no terceiro trimestre de 2025. A taxa de investimento ficou em 17,3%, ligeiramente abaixo do nível de 2024 (17,4%), enquanto a taxa de poupança se manteve em 14,5%.

Embora o crescimento geral da economia tenha sido modesto, o setor agropecuário segue desempenhando papel central na expansão do PIB e no dinamismo das exportações brasileiras.



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Carne bovina: demandas interna e externa aquecidas



Com a entrada de dezembro, o mercado pecuário se volta ao pico de consumo doméstico, impulsionado pelas festividades e pelo 13º salário. Isso é o que apontam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

No front externo, China e Estados Unidos dão sinais de demandas também firmes para este mês que se inicia. Para atender a essas vendas, pesquisadores explicam que parte dos frigoríficos já está com escalas adiantadas e com programação de férias coletivas nos últimos dias do mês. Outra parte das indústrias, no entanto, ainda precisa adquirir boa quantidade de animais e isso pode manter o mercado aquecido principalmente até meados da próxima semana.

Historicamente, conforme o centro de pesquisas, a primeira quinzena do mês costuma ser marcada por forte escoamento de carne no atacado e varejo, o que dá suporte aos preços também da arroba.

No entanto, é comum que, na segunda quinzena, haja uma redução no volume de negócios, paradas técnicas e recessos de final de ano nos frigoríficos. Mesmo assim, com a oferta de animais já ajustada e a exportação em ritmo recorde, os preços de toda a pecuária podem atravessar dezembro sustentados, sem pressão significativa de baixa.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Economia brasileira cresce 0,1% no terceiro trimestre



A economia brasileira cresceu 0,1% no terceiro trimestre de 2025 na comparação com o segundo trimestre. Em relação ao terceiro trimestre de 2024, o Produto Interno Bruto (PIB), conjunto dos bens e serviços produzidos no país, apresenta alta de 1,8%. No acumulado de quatro trimestres, o PIB teve expansão de 2,7%. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A alta trimestral de 0,1% é considerada pelo IBGE como estabilidade, ou seja, não significativa. No entanto o resultado representa a 17ª expansão trimestral seguida. De acordo com o instituto, o PIB chega a R$ 3,2 trilhões.

Setores

Na passagem do segundo para o terceiro trimestre, a indústria apresentou o maior crescimento (0,8%), seguida pela agropecuária (0,4%). O desempenho dos serviços, que representam o maior peso no PIB, ficou praticamente estável 0,1%.

Observando o comportamento das atividades dentro dos serviços, os destaques foram:

  • Transporte, armazenagem e correio: + 2,7%
  • Informação e comunicação: +1,5%
  • Atividades imobiliárias: +0,8%

A analista das Contas Trimestrais do IBGE, Claudia Dionísio, explica que o desempenho da atividade de transportes é resultado do escoamento da produção extrativa mineral e agropecuária. No trimestre, o comércio, que também está no grupo de serviços, avançou 0,4%.

Na Indústria, houve alta nas indústrias extrativas (1,7%), na construção (1,3%) e nas indústrias de transformação (0,3%). Já o segmento eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos recuou (-1,0%).

Pelo lado das despesas, o consumo das famílias (0,1%) ficou praticamente estável e o consumo do governo avançou 1,3%.

A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), indicador que mede o aumento da capacidade produtiva de um país por meio de investimentos, subiu 0,9%.

O que é o PIB

O PIB é o conjunto de todos os bens e serviços produzidos em uma localidade em determinado período. Com o dado, é possível traçar o comportamento da economia do país, estado ou cidade, assim como fazer comparações internacionais.

O PIB é calculado com o auxílio de diversas pesquisas setoriais, como comércio, serviços e indústria.

Durante o cálculo, há cuidados para não haver dupla contagem. Um exemplo: se um país produz R$ 100 de trigo, R$ 200 de farinha de trigo e R$ 300 de pão, o PIB será de R$ 300, pois os valores da farinha e do trigo já estão embutidos no valor do pão.

Os bens e serviços finais que compõem o PIB são medidos no preço em que chegam ao consumidor. Dessa forma, levam em consideração também os impostos cobrados.

O PIB ajuda a compreender a realidade de um país, mas não expressa fatores como distribuição de renda e condição de vida. É possível, por exemplo, um país ter PIB alto e padrão de vida relativamente baixo, assim como pode haver nação com PIB baixo e altíssima qualidade de vida.



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o Brasil está entrando em um ciclo perigoso de preços baixos


A redução de 3,04% no IC-Br divulgada pelo Banco Central não é um problema estatístico: é um aviso. O principal indicador de preços das commodities exportadas pelo Brasil mostra que a remuneração internacional está caindo justamente quando o custo interno está subindo.

Para um país que depende do agro, da mineração e da energia para gerar renda e superávit comercial, isso é perigoso. No agronegócio, o segmento mais sensível ao movimento, o índice agropecuário despencou 5,43% em novembro. É um recuo forte, que pega o produtor descapitalizado, endividado e enfrentando juros altos.

O alerta está dado.

A história nos ensina o caminho do prejuízo
Os ciclos de commodities sempre seguem a mesma lógica:

Quando os preços sobem, aumentam a renda, investimento e capacidade de pagamento.

Quando caem, os custos permanecem, as dívidas crescem e a margem some.

O comportamento das commodities segue um padrão recorrente observado há mais de 125 anos (analisados): ciclos de baixa comprimem margens, aumentam o peso do crédito e promovem uma transferência estrutural de renda do produtor para o sistema financeiro. O movimento recente do mercado sugere que esse mecanismo histórico pode estar sendo reativado.

A conta já não fecha, e se nada for feito, 2026 pode ser um ano de forte aperto.

Por que a queda do IC-Br preocupa agora
Diferente de anos anteriores, o produtor entra nessa fase com:

  • endividamento recorde,
  • inadimplência em alta,
  • Selic a 15%,
  • câmbio menos favorável,
  • mercado internacional desaquecido,
  • supersafras pressionando preços em dólar,
  • e custos internos ainda elevados.

É a combinação mais perigosa possível: preços caindo + crédito caro + renda comprimida.

Esse é o tipo de movimento que historicamente empurra produtores para renegociação de dívidas, venda de ativos e descapitalização generalizada.

Pode surgir uma crise de preços? Sim, e o risco é crescente
A queda do índice pode ser o início de um fenômeno maior, alimentado por:

  • Desaceleração global (China, Europa e EUA).
  • Alta oferta de alimentos e minerais no mundo.
  • Dólar fraco, que reduz a receita em reais.
  • Tensões geopolíticas e instabilidade comercial.
  • Incerteza fiscal no Brasil, que mantém juros nas alturas.

Nada disso é rápido de resolver. Por isso o IC-Br funciona como termômetro adiantado.
E ele está esfriando.

O que fazer agora para amenizar os efeitos, ações urgentes e práticas

  1. Para o produtor rural e exportador
    a) Travar preços enquanto há liquidez
    Usar mecanismos de hedge, barter e contratos antecipados para fixar margens antes que o ciclo se deteriore mais.

b) Reavaliar custos fixos e operacionais
Cortar despesas que não geram retorno imediato e renegociar contratos de insumos, frete e armazenagem.

c) Alongar e reestruturar dívidas enquanto ainda é possível
Antes do pico da crise, as instituições financeiras negociam melhor.
Depois, a taxa piora.

d) Priorizar fluxo de caixa em vez de expansão
Momento é de proteção, não de alavancagem.

e) Apostar em agregação de valor e processamento
Que transforma grão em proteína, fruto em polpa, leite em derivados…
…sofre menos com preços internacionais.

2- Para o setor público
a) Criar linhas emergenciais anticíclicas de crédito
Taxas abaixo da Selic, carência estendida e foco no custeio da nova safra.

b) Reforçar o seguro rural e ampliar subvenção
Menor dependência de renegociação e maior estabilidade de renda.

c) Estabelecer instrumentos de garantia de preços mínimos
Gatilhos automáticos para proteger pequenos e médios produtores.

d) Destravar logística e armazenagem
Quanto mais o Brasil depende de exportar na “janela”, mais vulnerável fica ao preço internacional.

e) Previsibilidade tributária
Evitar novos impostos sobre exportação, sobre LCAs ou sobre insumos.

  1. Para cooperativas e setor privado
    a) Criar programas coletivos de hedge
    Facilitam acesso para pequenos e médios produtores.

b) Ampliar serviços financeiros próprios
Cooperativas fortes reduzem a dependência dos grandes bancos.

c) Investir em marketing e nichos de exportação
Prêmios de qualidade geram proteção contra volatilidade.

Ainda dá tempo de evitar o pior
A queda do IC-Br é um aviso claro: está começando um novo ciclo de pressão sobre os preços. E como sempre aconteceu na história, se nenhum movimento for feito, quem paga a conta é o produtor rural, enquanto o sistema financeiro protege sua margem, ou seja, renda saindo do campo e indo para o sistema financeiro,

Mas, ao contrário de crises anteriores, hoje sabemos o que fazer:

  • proteger caixa,
  • travar preços,
  • reduzir risco financeiro,
  • e exigir políticas anticíclicas que não deixem o setor produtivo sozinho.

O Brasil não pode repetir a velha fórmula de “lucro na alta, prejuízo na baixa”.
É hora de agir, antes que a queda das commodities vire uma crise de renda no campo.

Miguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Queda nas commodities agropecuárias puxa IC-Br para baixo em novembro



O Índice de Commodities do Banco Central (IC-Br), medido em reais, registrou queda de 3,04% em novembro frente a outubro, segundo dados divulgados pela autarquia. O recuo foi influenciado principalmente pela forte baixa das commodities agropecuárias, que caíram 5,43% no período.

Enquanto o agro pressionou o indicador para baixo, outros grupos avançaram: as commodities metálicas subiram 1,29%, e o segmento de energia teve alta de 2,51%.

Agro pesa mais no indicador

O IC-Br acompanha mensalmente o comportamento de um conjunto de commodities relevantes para a inflação brasileira. O setor agropecuário tem o maior peso no índice, aproximadamente 67%, seguido por energia (17%) e metais (16%).

Desempenho em dólares

Em dólares, o índice agregado também recuou, mas de forma mais moderada: queda de 2,22% em novembro. Nesse cenário, houve recuo de 4,63% nas commodities agropecuárias, alta de 2,15% nas metálicas e queda de 3,35% no grupo de energia.

Acumulado do ano segue negativo

No acumulado de janeiro a novembro, o IC-Br em reais apresenta baixa de 13,22% e queda de 7,37% nos últimos 12 meses.

  • Agropecuárias: -18,11% no ano e -11,30% em 12 meses
  • Energia: -14,78% no ano e -11,82% em 12 meses
  • Metálicas: +9,27% no ano e +13,28% em 12 meses

O desempenho reforça a trajetória de preços mais baixos no mercado internacional de commodities agrícolas ao longo de 2024, enquanto metais mostram recuperação consistente.



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Calagem no início do período chuvoso é segura, afirma especialista



A dúvida do pecuarista Antonio Carlos Zuntini, do Norte de Mato Grosso, sobre a segurança de realizar a calagem no início do período chuvoso é pertinente.

Segundo o engenheiro agrônomo Marcius Gracco, da Intensifique Consultoria, o produtor está totalmente em tempo de fazer a calagem na área de pastagem, mesmo com as chuvas já consolidadas na região.

A calagem é crucial para a saúde do pasto, pois o ideal é que o solo mantenha um pH entre 6,0 e 6,5, faixa onde a maioria dos nutrientes tem a sua absorção maximizada. A calagem neutraliza o alumínio e o hidrogênio em excesso, corrigindo a acidez do solo e melhorando o sistema radicular da planta.

Confira:

Importância da análise de solo

A decisão de fazer a calagem é sempre pautada pela análise de solo. Se o pH estiver abaixo de 6,0, a correção é recomendada. Embora a aplicação em superfície seja viável agora, Gracco ressalta que o método ideal é a calagem na reforma. Quando o produtor “reseta o solo”, é recomendado incorporar o calcário (até dobrar a dosagem) para levá-lo a 20-40 cm de profundidade, potencializando o resultado.

O principal benefício da calagem é a disponibilização de nutrientes que estavam indisponíveis para a planta devido à acidez do solo. Portanto, a ação agora garantirá que a pastagem da fazenda do produtor use o período de maior luz e calor de forma mais eficiente.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.



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por que a LDO 2026 se tornou decisiva para o PSR


O Brasil vive um ponto crítico na consolidação de uma política moderna de gestão de riscos agropecuários. O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), principal instrumento para estabilização de renda e mitigação de perdas climáticas, nunca dispôs de proteção orçamentária estrutural. Desde sua criação, tem sido classificado como despesa discricionária, sujeito a contingenciamentos e à disputa constante por espaço fiscal no orçamento do Ministério da Agricultura, uma lógica incompatível com a necessidade de planejamento plurianual que caracteriza o seguro rural.

Essa condição impede o estabelecimento de uma política anticíclica robusta e perpetua o modelo reativo baseado em renegociações de dívidas, liberação de linhas emergenciais e outras medidas de caráter paliativo. Trata-se de um arranjo fiscalmente oneroso, ineficiente e incapaz de reduzir a volatilidade estrutural enfrentada pelo setor.

O impacto dessa instabilidade é evidente. Em 2021, o PSR permitiu a cobertura de 14 milhões de hectares. Com a retomada dos contingenciamentos a partir de 2023, a área segurada despencou para 2,5 milhões de hectares em 2025 — retração superior a 80% em período marcado pelo aumento da frequência e severidade de eventos climáticos extremos.

Esse recuo desloca novamente para o Estado — e, portanto, para a sociedade — o custo de parte das perdas, sem resolver os impactos recentes, por exemplo, no Rio Grande do Sul, onde produtores enfrentam erosão patrimonial, queda de capacidade produtiva e desestruturação socioeconômica. A recorrência desses episódios evidencia o limite das renegociações de dívidas como ferramenta de política agrícola.

O ideal seria a transformação do PSR em politica de Estado, classificando-o como despesa obrigatória, a exemplo do Proagro. No entanto, essa evolução institucional ainda não foi adotada pelo governo.

Diante disso, a LDO 2026 apresenta avanço relevante ao propor a inclusão do PSR no Anexo III, tornando-o não contingenciável. A medida amplia previsibilidade e cria condições para expansão contínua do seguro rural.

O processo, entretanto, depende de decisão política: mesmo aprovado, o texto pode sofrer veto presidencial. Para restaurá-lo, o Congresso precisa reunir 257 votos na Câmara e 41 no Senado, configurando maioria absoluta em sessão conjunta.

A definição da LDO 2026 indicará se o país avançará para uma política agrícola baseada em gestão de riscos ou se seguirá dependente do improviso. Um PSR estável e blindado é condição técnica para um futuro mais resiliente e sustentável no campo.

*Pedro Loyola é coordenador executivo do Observatório do Seguro Rural da FGV Agro.


Canal Rural e a FGV Agro não se responsabilizam pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seu autor. O Canal Rural se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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