sábado, maio 23, 2026

Autor: Redação

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Crise no campo exige soluções urgentes e criativas além da securitização


O endividamento dos produtores rurais do Rio Grande do Sul ultrapassou os R$ 100 bilhões, impulsionado por sucessivos eventos climáticos extremos, queda na produtividade e encarecimento do crédito. Em meio à calamidade, produtores e lideranças do setor têm defendido a securitização das dívidas como forma de aliviar a pressão imediata. A proposta é que o governo federal lance R$ 60 bilhões em títulos públicos para comprar ou garantir essas dívidas.

Apesar de legítima como bandeira política, a proposta esbarra em limitações constitucionais e fiscais. A Constituição veda a assunção de dívidas privadas pelo Estado, salvo em casos muito específicos. Além disso, uma emissão dessa magnitude poderia agravar a já delicada situação fiscal do país, elevando os juros e afastando investimentos.

O alerta sobre a fragilidade do modelo atual de financiamento não vem apenas do agro. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, declarou que a queda estrutural da poupança no Brasil exige que o país encontre novas fontes de financiamento ,ou seja, para setores estratégicos, como o imobiliário. Essa fala pode e deve ser lida também como um sinal para o agronegócio: o futuro do crédito rural dependerá, cada vez mais, da mobilização de capital privado e da articulação de instrumentos modernos de mercado.

Neste cenário, um passo importante já foi dado pelas principais entidades representativas do setor no Rio Grande do Sul — Farsul, Fetag-RS, FecoAgro/RS e Famurs — que apresentaram conjuntamente um pacote de 15 demandas emergenciais ao governo federal.

Entre os pontos centrais estão:

  • alongamento das dívidas por 20 a 25 anos com juros de 3% ao ano;
  • criação de linha emergencial de crédito com o mesmo patamar de juros;
  • ampliação do Proagro para R$ 500 mil por CPF;
  • suspensão imediata da cobrança de parcelas vencidas e vincendas do crédito rural;
  • renegociação com bônus de adimplência para produtores atingidos por eventos climáticos;
  • ampliação dos recursos e operacionalização ágil do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf);
  • e ainda, reforço institucional aos fundos garantidores e seguro rural de cobertura ampla.

Essas propostas oferecem uma base concreta para a construção de soluções realistas, constitucionais e aplicáveis. Elas dialogam diretamente com as possibilidades de política pública e com instrumentos já utilizados em outros setores da economia.

Nesse contexto, é possível transformar a crise em oportunidade, buscando caminhos viáveis e juridicamente seguros para socorrer os produtores. Entre eles, destacam-se a criação de fundos garantidores regionais, nos quais a União e os estados compartilham o risco para destravar negociações com o sistema financeiro; a ampliação de linhas de crédito emergenciais com carência estendida e juros equalizados; e a securitização via mercado de capitais, por meio de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), com apoio parcial do governo para atrair investidores.

Outro caminho importante é a renegociação das dívidas com bônus de adimplência, oferecendo estímulo para quem honra os compromissos dentro de condições ajustadas à realidade do campo. Esses mecanismos já existem em outros setores e poderiam ser aplicados de forma ágil, sem romper o equilíbrio fiscal.

O momento exige responsabilidade e sensibilidade. O Rio Grande do Sul é um dos pilares da produção nacional de alimentos. Ignorar o drama vivido no campo é colocar em risco a segurança alimentar, as exportações e a retomada do crescimento. Ao mesmo tempo, oferecer soluções fantasiosas ou inconstitucionais apenas prolonga a crise.

É fundamental que lideranças do setor produtivo, do sistema financeiro, da CNA e do próprio governo sentem à mesa — não apenas para reagir à crise atual, mas para construir novos instrumentos de financiamento para o agro brasileiro. Talvez seja o momento de reunir, em um único espaço, os especialistas certos para repensar o futuro do crédito rural no Brasil com profundidade e visão estratégica.

É preciso reconhecer o mérito dos produtores, sua resiliência e sua contribuição para o Brasil, e agir com inteligência. A securitização, embora limitada, cumpre seu papel de visibilizar a gravidade da situação. Mas é com instrumentos modernos, combinando mercado e Estado, que o país poderá oferecer ao agro a resposta que ele merece: rápida, sólida e sustentável.

Miguel DaoudMiguel Daoud

*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural


Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.



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Arroz sofre queda nos preços frente à baixa liquidez



Com novas quedas, o Indicador do arroz em casca Cepea/IRGA-RS (58% de grãos inteiros, com pagamento à vista) volta a operar nos patamares de fevereiro/22, em termos nominais, conforme apontam levantamentos do Cepea.

A média dessa segunda-feira, 16, foi de R$ 65,98 a saca de 50 kg. Segundo o instituto, o mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul continua enfrentando um cenário de baixa liquidez. Cenário este, motivado pela redução nos preços ofertados por compradores.

Representantes de indústrias alegam que precisam preservar margens no repasse do arroz beneficiado, sobretudo em um ambiente de demanda internacional enfraquecida.

Assim, pesquisadores explicam que os poucos negócios fechados são motivados pela necessidade de agentes em cumprir com compromissos financeiros.

Quanto à safra brasileira 2024/25, a produção está estimada em 12,15 milhões de toneladas, avanço de 14,79% em relação à temporada anterior, de acordo com dados divulgados pela Conab neste mês.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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guerra entre Israel e Irã preocupa o agro nacional



O recente conflito entre Irã e Israel traz preocupações ao setor agrícola brasileiro. Isso porque deve influenciar a oferta global de fertilizantes e consequentemente, os preços de alguns insumos. Essa é a análise dos pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

O Irã é um dos principais produtores mundiais de amônia anidra. Este, por sua vez, é a matéria-prima para produção de fertilizantes nitrogenados, como a ureia. 

Dessa forma, o país é atualmente responsável por cerca de 7% a 8% da uréia produzida no mundo. 

Diante disso, produtores brasileiros de culturas que dependem de ureia, tais como milho, algodão, arroz, café e citros, temem possíveis novos aumentos nos custos de produção.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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iniciada a colheita da safra 2024/25



Com expectativa de produção recorde, a safra de algodão 2024/25 começa a ser colhida, aos poucos, no Brasil. É isso que mostram os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Por outro lado, as negociações seguem lentas no spot nacional e os preços, estáveis, de acordo com o Cepea. 

A desvalorização do dólar frente ao Real, somada aos recuos nas cotações internacionais vêm pressionando a paridade de exportação. Dessa forma, vendedores domésticos tem se mantido afastados de novos negócios, mesmo diante da entrada da nova safra. 

Compradores, por sua vez, ficam ativos no spot apenas quando há necessidade mais urgente de renovar estoques. 

Em relatório divulgado no último dia 12, a Conab apontou novos reajustes positivos na produção brasileira de pluma da temporada 2024/25, de 0,2% frente aos dados de maio/25 e de 5,7% em comparação à safra 2023/24, podendo chegar a 3,913 milhões de toneladas.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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Café segue apresentando queda nos preços com avanço da colheita



O avanço da colheita de café nas principais regiões produtoras do Brasil tem mantido os preços do grão em queda. Isso de acordo com os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com o Indicador Cepea/Esalq do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, posto na capital paulista, voltou a operar abaixo de R$ 2.200 a saca de 60 kg nesta semana. A variedade não atingia valores tão baixos desde dezembro de 2024, em termos nominais. No acumulado da parcial de junho (até o dia 16), a retração é de 7,2%. 

Para o robusta, o Indicador Cepea/Esalq do tipo 6, peneira 13 acima, a retirar no Espírito Santo, acumula queda ainda mais intensa no mês. A baixa acumulou de 8,65% (também até o dia 16), voltando a fechar abaixo dos R$ 1.300/sc, patamar de agosto/24. 

Levantamento do Cepea mostra que, até o fim da última semana, a colheita do arábica somava entre 20% e 25% do esperado. Para o robusta, as atividades se aproximam da metade. Destaca-se que a safra desta variedade deve superar as 20 milhões de sacas, compensando a menor produção do arábica em 2025/26.

*Sob supervisão de Luis Roberto Toledo



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11 casos suspeitos são investigados no Brasil



Até às 8h30 desta quarta-feira (18), o painel de dados disponibilizado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) apontava que há onze casos suspeitos de gripe aviária em investigação no Brasil.

Eles envolvem galinhas domésticas em Alto Alegre (RR), Parauapebas (PA), Cedro (CE), Novo Cruzeiro (MG), Sacramento (MG), São Joaquim de Bicas (MG) e Serra (ES).

Há ainda quatro casos suspeitos da doença em aves silvestres, envolvendo as espécies biguá, maçarico-branco, coruja-das-torres e pombo, em Morro do Chapéu (BA), Linhares (ES), Vila Velha (ES) e São Valentim (RS).



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incertezas com clima dos EUA sustentam leve alta de Chicago



Os contratos do milho operam com preços levemente mais altos nas negociações da sessão eletrônica da Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) desta quarta-feira (18).

O mercado é sustentado pela incerteza sobre as condições climáticas nas lavouras do Meio-Oeste dos Estados Unidos. Os investidores aguardam previsões mais consistentes.

Também ajuda na valorização do cereal a leve queda do dólar frente a outras moedas, o que aumenta a competitividade do produto norte-americano.

Os contratos com entrega em julho estão cotados a US$ 4,32 por bushel, alta de 0,50 centavo de dólar, ou 0,11%, em relação ao fechamento anterior.

Ontem (17), o milho fechou com alta nos preços. O mercado foi sustentado pela expectativa de que há uma demanda aquecida pelo produto dos Estados Unidos, além dos fortes ganhos do petróleo em Nova York.

Na sessão, os contratos com entrega em julho de 2025 fecharam com alta de 4,00 centavos, ou 0,95%, cotados a US$ 4,23 3/4 por bushel. Os contratos com entrega em dezembro de 2025 fecharam com avanço de 3,75 centavos, ou 0,86%, cotados a US$ 4,38 3/4 por bushel.



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NY recua mais de 1% com aumento de estoques certificados e colheita no Brasil



O café arábica opera com preços mais baixos na sessão eletrônica da Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE) neste momento.

O mercado recua mais de 1%, acompanhando o robusta na Bolsa de Londres e das bolsas de valores da Europa. O contínuo avanço dos estoques certificados pela ICE e a pressão natural da entrada da safra brasileira são fatores baixistas.

Os estoques certificados de café nos armazéns credenciados da Bolsa de Mercadorias de Nova York (ICE Futures) na posição de 17 de junho de 2025 estão em 859.389 sacas de 60 quilos, com aumento de 6.540 sacas em relação ao dia anterior.

Comerciantes disseram que os riscos geopolíticos ligados à guerra entre Israel e Irã parecem estar pesando sobre o café por enquanto, em vez de impulsioná-lo.

Os contratos com entrega em setembro/25 operam a 327,20 centavos de dólar por libra-peso, baixa de 5,25 centavos ou 1,57%.

Na terça-feira (17), o café arábica encerrou as operações com preços mais baixos. Em mais uma sessão volátil, NY chegou a esboçar ganhos em parte do pregão, mas não os manteve. O arábica em NY seguiu o robusta em Londres e caiu diante da pressão natural com a entrada da safra brasileira.

Apesar de alguns períodos de chuvas atrapalhando a colheita, os trabalhos vão andando relativamente bem e a chegada da safra do maior país produtor e exportador do mundo acaba pesando sobre os preços internacionais.

Os preços atingiram para setembro os patamares mais baixos desde 09 de abril. Os contratos com entrega em julho/2025 fecharam a 335,85 centavos de dólar por libra-peso, com desvalorização de 8,10 centavos, ou de 2,3%. A posição setembro/2025 fechou a 332,45 centavos, com perda de 7,80 centavos, ou de 2,3%.



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Chicago opera no vermelho, buscando realizar lucros



Os contratos da soja em grão registram preços levemente mais baixos nas negociações da sessão eletrônica na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT) nesta quarta-feira (18).

Após três pregões consecutivos de alta, o mercado ensaia um movimento de realização de lucros. Porém, limitam a correção à recente valorização do óleo e às incertezas tarifárias dos Estados Unidos.

Investidores monitoram as negociações comerciais entre Washington e Pequim – maior compradora de soja norte-americana. A decisão da China de reduzir o uso de farelo de soja na ração animal pode diminuir as importações de soja em cerca de 10 milhões de toneladas até 2030, reduzindo a dependência externa do país.

Os contratos com vencimento em julho operam cotados a US$ 10,72 3/4 por bushel, baixa de 1,25 centavo de dólar, ou 0,11%, em relação ao fechamento anterior.

Ontem (17), a soja fechou em alta. O mercado foi sustentado pela forte alta do petróleo em Nova York, também seguindo os vizinhos milho e trigo, apesar do clima benéfico às lavouras nos Estados Unidos ter limitado os ganhos. O grão chegou a registrar baixa no início do dia, mas reverteu o cenário ao longo da sessão.

Os contratos da soja em grão com entrega em julho fecharam com alta de 4,25 centavos, ou 0,39%, a US$ 10,74 por bushel. A posição novembro teve cotação de US$ 10,67 3/4 por bushel, ganho de 7,25 centavos ou 0,68%.



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