O Brasil registrou recorde na captação de leite em 2025. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, os laticínios sob inspeção sanitária adquiriram 27,51 bilhões de litros ao longo do ano, volume 8,5% superior ao registrado em 2024.
O resultado marca o terceiro ano consecutivo de crescimento, após as quedas observadas em 2021 e 2022, e supera o recorde anterior, registrado em 2020, quando a captação somou 25,64 bilhões de litros.
Na comparação mensal, todos os meses de 2025 apresentaram aumento frente ao mesmo período do ano anterior. O maior avanço foi registrado em outubro, com incremento de 276,65 milhões de litros.
O volume adicional de 2,15 bilhões de litros em relação a 2024 foi impulsionado pelo crescimento em 21 das 26 unidades da federação que participam da pesquisa.
Os principais aumentos foram observados no Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. Por outro lado, houve recuo em cinco estados, com destaque para Mato Grosso, Espírito Santo e Distrito Federal.
Minas Gerais segue como principal produtor do país, com 23,9% da captação nacional, seguido por Paraná (15,6%) e Rio Grande do Sul (12,8%).
Preço do leite recua em 2025
Apesar do aumento na produção, o preço médio pago ao produtor apresentou queda. Em 2025, o valor médio ficou em torno de R$ 2,56 por litro, recuo de 1,9% em relação a 2024.
A retração foi ainda mais intensa no último trimestre do ano. Entre outubro e dezembro, o preço médio caiu para R$ 2,21 por litro, uma queda de 19,9% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Quarto trimestre reforça alta na captação
No quarto trimestre de 2025, a aquisição de leite somou 7,36 bilhões de litros, com aumento de 8,6% em relação ao mesmo período de 2024.
Na comparação com o terceiro trimestre, também houve crescimento, de 3,9%, consolidando o melhor desempenho já registrado para o período.
Segundo o IBGE, os dados são preliminares, mas indicam manutenção do ritmo de expansão da produção leiteira no país.
O Brasil registrou, em 2025, novos recordes na produção pecuária. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgados nesta quarta-feira (18), o abate de bovinos, frangos e suínos atingiu os maiores níveis da série histórica.
Abate de bovinos cresce e lidera avanço
Foram abatidas 42,94 milhões de cabeças de bovinos no ano, o que representa alta de 8,2% em relação a 2024, até então o maior valor da série. O resultado mantém a trajetória de crescimento observada desde 2022.
O avanço foi registrado em 26 das 27 unidades da federação, com destaque para São Paulo, Pará, Rondônia, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O Mato Grosso segue na liderança nacional, com 17,1% de participação, seguido por São Paulo (11,1%) e Goiás (9,9%).
O crescimento foi impulsionado, principalmente, pelo abate de fêmeas, que avançou 18,2% e registra alta pelo quarto ano consecutivo.
Frango mantém ritmo e renova recorde
O abate de frangos somou 6,69 bilhões de cabeças em 2025, crescimento de 3,1% em relação ao ano anterior e novo recorde da série iniciada em 1997.
O resultado foi influenciado pelo aumento do abate em 23 unidades da federação, com destaque para Paraná, São Paulo, Goiás, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O Paraná permanece como líder nacional, com 34,4% de participação.
Suínos avançam pelo segundo ano seguido
O abate de suínos atingiu 60,69 milhões de cabeças, alta de 4,3% na comparação com 2024, também estabelecendo novo recorde da série histórica.
Santa Catarina lidera o ranking nacional, com 28,2% do total, seguida por Paraná (21,2%) e Rio Grande do Sul (17,9%).
Segundo o IBGE, os dados de 2025 são preliminares, mas indicam um cenário de crescimento consistente da pecuária brasileira, com aumento da produção e manutenção do ritmo de expansão observado nos últimos anos.
As atenções do mercado financeiro estão voltadas para Brasília, onde o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central define, nesta quarta-feira (18), o rumo da taxa básica de juros, a Selic.
As expectativas indicam alívio nos juros, mas o tamanho do corte segue incerto, com o mercado dividido entre corte moderado e manutenção da taxa em 15%.
No campo, essas incertezas se traduzem em um possível impacto no Plano Safra, principal instrumento no financiamento da produção agropecuária no Brasil. A Selic é fundamental na referência para o custo do dinheiro na economia, impactando diretamente o crédito rural.
Segundo Hulisses Dias, mestre em Finanças pela Universidade de Sorbonne, quando a taxa de juros sobe, o custo de captação dos bancos aumenta e esse movimento é repassado ao produtor, tanto nas linhas livres quanto nas subsidiadas.
“Juro mais alto não machuca só o consumidor urbano, ele também encarece o capital de giro, o custeio e o investimento no campo”, afirma.
Ele ressalta que o efeito não é imediato nem uniforme, mas tende a encarecer capital de giro, custeio e investimentos no campo, já que o crédito fica mais caro ao longo de toda a cadeia.
Para Marcelo Bassani, economista e sócio da Boa Brasil Capital, o impacto varia conforme a origem dos recursos.
Nas linhas livres, que dependem da captação de mercado, o custo acompanha o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) e já supera 20% o ao ano em alguns casos, o que encarece principalmente operações fora dos programas oficiais.
Linhas subsidiadas também sentem efeito da Selic
Mesmo nas linhas controladas, com taxas definidas pelo governo, a pressão dos juros aparece. Isso ocorre por meio da equalização, mecanismo que cobre a diferença entre a taxa de mercado e a cobrada do produtor.
Bassani explica que, com a Selic elevada, o custo dessa conta aumenta para o Tesouro, o que reduz a capacidade de oferta de crédito subsidiado. “Com o mesmo orçamento, o governo consegue bancar um volume menor de crédito”, diz.
Na prática, isso tende a forçar produtores a migrarem para linhas livres, historicamente mais caras.
Guerra pressiona inflação e muda cenário de juros
O avanço do conflito no Oriente Médio trouxe novas incertezas para a política monetária. Dias afirma que o principal impacto vem da alta do petróleo, que encarece energia, combustíveis e frete, com efeito disseminado sobre a inflação.
Segundo ele, o risco está na contaminação das expectativas, o que exige maior cautela dos bancos centrais.
Já Bassani classifica o cenário como um choque de oferta com potencial estagflacionário. “O aumento dos combustíveis eleva os custos de frete e de produção de alimentos”, afirma.
Diante disso, a tendência é de manutenção de juros elevados por mais tempo ou cortes mais lentos, mesmo com impacto sobre o crescimento econômico.
Mercado reduz apostas e Plano Safra entra no radar
A decisão do Copom desta semana ocorre em um ambiente de maior incerteza. Antes do ataque de Estados Unidos e Israel contra o Irã, no fim de fevereiro, a expectativa do mercado girava em torno de um corte de meio ponto percentual na Selic. Portanto, um quadro mais otimista.
Dias avalia que o mercado ainda vê espaço para queda da taxa básica de juros ao longo de 2026, mas agora com ritmo mais moderado. A discussão, segundo ele, deixou de ser apenas sobre o início dos cortes e passou a incluir o tamanho e a velocidade desse movimento.
Já Bassani aponta que o mercado se divide entre um corte menor ou a manutenção da taxa, após a piora nas expectativas de inflação.
“O financiamento tende a ficar mais sensível, mais caro e mais dependente da capacidade do Tesouro de sustentar subsídios”, afirma.
Na prática, isso pode resultar em maior pressão sobre o orçamento, disputa por recursos subsidiados e maior dependência de linhas livres por parte do produtor, em um cenário de custos ainda elevados.
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (17) um projeto de lei que estabelece regras para a quantidade mínima de cacau em produtos como chocolate e cacau em pó.
O texto também determina que o percentual de cacau seja informado na parte frontal da embalagem, ocupando pelo menos 15% da área, com caracteres legíveis e de fácil visualização.
A proposta aprovada é um substitutivo do relator, o deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA), ao Projeto de Lei 1769/19, de autoria do Senado. Como houve alterações, o texto retorna para nova análise dos senadores.
Regras definem composição do chocolate
O projeto estabelece parâmetros técnicos para os derivados do cacau.
Entre as definições, o texto determina que:
A massa ou liquor de cacau é obtida da moagem das amêndoas torradas
A manteiga de cacau corresponde à fração de gordura extraída dessa massa
Os sólidos totais de cacau resultam da soma da manteiga com os sólidos secos
No caso do chocolate ao leite, o produto deverá conter, no mínimo:
25% de sólidos totais de cacau
14% de sólidos de leite ou derivados
Já o cacau em pó deve ter:
mínimo de 10% de manteiga de cacau
máximo de 9% de umidade
O texto também limita em até 5% o uso de outras gorduras vegetais autorizadas.
Nova categoria e mudança no “meio amargo”
O substitutivo cria ainda a categoria “chocolate doce”, com regras próprias de composição.
Além disso, o relator retirou do texto a classificação “amargo” e “meio amargo”, mantendo apenas os critérios técnicos de composição.
A mudança ocorre após estudos indicarem distorções no mercado. Pesquisa da Universidade de São Paulo apontou que chocolates rotulados como “meio amargo” podem ter proporção de cacau semelhante à de produtos ao leite.
Fiscalização e punições
Empresas que descumprirem as regras estarão sujeitas às sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor e na legislação sanitária. As novas exigências passam a valer 360 dias após a publicação da lei.
Segundo o relator, o objetivo da proposta é garantir mais clareza nas informações e evitar confusão no momento da compra.
“Não são raros os casos de produtos com baixo teor de cacau que se apresentam como chocolate de verdade”, afirmou Daniel Almeida.
Para o parlamentar, a medida permite que o consumidor compare produtos de forma mais consciente. De acordo com a Abicab, cada brasileiro consome, em média, 3,9 quilos de chocolate por ano.
Uma solução simples e acessível pode mudar a realidade de pequenos produtores rurais no Brasil: a adaptação de uma moto em um “mini trator”.
A tecnologia foi desenvolvida pelo pesquisador da Embrapa Algodão, Odilon Reny Ribeiro, e tem se mostrado uma alternativa viável e de baixo custo para mecanizar atividades no campo, especialmente em regiões onde o acesso a máquinas agrícolas ainda é limitado.
A inovação foi um dos destaques da primeira edição da Feira Nacional de Máquinas e Tecnologias para Agricultura Familiar, realizada até esta quarta-feira (18), na Expo Dom Pedro, em Campinas (SP).
A proposta é aproveitar um equipamento já presente na rotina de muitos agricultores, principalmente no Nordeste, e transformá-lo em uma fonte de potência para diversas atividades na propriedade.
“Esse equipamento substitui a tração animal e transforma a moto em uma fonte de potência. Com essa adaptação, é possível trabalhar com diferentes implementos e atender praticamente todas as atividades da lavoura. É uma inovação que já vem sendo utilizada por agricultores e que atende à demanda por mecanização, já que muitos não têm condições financeiras de adquirir um trator”, explica Odilon.
Com a adaptação, a motocicleta passa a operar como um pequeno trator, capaz de acionar diferentes implementos agrícolas. Na prática, a solução amplia o acesso à mecanização, reduz custos operacionais e aumenta a eficiência das atividades no campo.
Tecnologia acessível e foco na produtividade
A mecanização é apontada como um dos principais caminhos para elevar a produtividade e reduzir custos na agricultura familiar.
Durante a feira, outras soluções também chamaram atenção, como pulverizadores de menor porte e versões elétricas, desenvolvidas para reduzir gastos com combustível.
Os equipamentos são projetados para tratores de baixa potência, mais compatíveis com a realidade dos pequenos produtores.
Outro destaque foi uma colheitadeira de açaí desenvolvida pela empresa Kaatech para atender produtores da região amazônica.
O equipamento foi criado para reduzir a penosidade e os riscos da atividade, tradicionalmente realizada de forma manual e em altura elevada.
“Há cinco anos desenvolvemos pesquisas na Amazônia para chegar a esse equipamento, enfrentando os desafios da colheita, como o risco e o esforço físico. A tecnologia reduz a penosidade do trabalho, diminui a exposição a acidentes e também contribui para reduzir o trabalho infantil, além de permitir a inclusão da mão de obra feminina”, afirma Marcelo Feliciano, CEO da Kaatech.
Além de melhorar as condições de trabalho, a tecnologia pode elevar significativamente a produtividade. Segundo o executivo, a colheita pode saltar de cerca de 120 kg por período para até 500 kg, podendo chegar a 1 tonelada por dia.
Programa aposta em mecanização e capacitação
A feira também foi palco da apresentação do programa Mecaniza Mais, iniciativa voltada à ampliação do acesso a máquinas na agricultura familiar.
O projeto, idealizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em parceria com instituições de ensino, combina a oferta de equipamentos com capacitação técnica para os produtores.
A proposta é acelerar a adoção de tecnologias no campo e fortalecer a produção de alimentos com mais eficiência e sustentabilidade.
Solo saudável: a chave para aumentar a produtividade e mitigar o impacto climático. Foto: Divulgação.
Vou ser direto: o Brasil está olhando na direção certa. O chamado Plano Clima parte de uma premissa que, para mim, é inquestionável. O mundo está mudando, a pressão por produção com menor impacto ambiental só aumenta, e quem conseguir entregar isso com escala vai sair na frente.
E poucos países têm as condições que o Brasil tem.
Nós temos terra, tecnologia tropical, uma matriz energética mais limpa que a média mundial e, principalmente, um agronegócio que já vem fazendo, há anos, uma transição silenciosa. Recuperação de pastagens, plantio direto, integração lavoura-pecuária-floresta… isso não é teoria, isso já acontece no campo.
Por isso, quando se fala em economia de baixo carbono, eu não vejo isso como ameaça ao agro. Vejo como oportunidade.
Agora, dito isso, vem a parte que realmente importa.
O governo fala em algo próximo de R$ 160 bilhões para financiar essa transição. É um número grande, chama atenção, gera expectativa. Mas quem está no campo, e eu converso com produtor todos os dias, sabe que o problema nunca foi o anúncio.
O problema é sempre o mesmo: o dinheiro chega?
Porque não adianta ter linha “verde” com exigência impossível, taxa pouco atrativa ou uma burocracia que trava tudo. No papel, o recurso existe. Na prática, muitas vezes ele não se transforma em investimento dentro da porteira.
O Plano Clima acerta ao colocar o agro no centro da solução. Porque, goste-se ou não, é no campo que está uma das maiores oportunidades de o Brasil combinar produção e captura de carbono.
Eu vejo o Plano Clima como um avanço. A direção está correta. Esse dinheiro vai chegar na ponta, de forma viável, para quem produz?
Se chegar, o Brasil assume a liderança global. Se não chegar, virá mais uma promessa que o campo aprende a ignorar.
*Miguel Daoud é comentarista de Economia e Política do Canal Rural
O Canal Rural não se responsabiliza pelas opiniões e conceitos emitidos nos textos desta sessão, sendo os conteúdos de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequação às normas de publicação.
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou nesta terça-feira (17) que o governo brasileiro irá negociar os requisitos de inspeção e segurança da soja destinada à China, após reclamações de autoridades e compradores do país asiático.
Segundo informações da Reuters, Fávaro negou que o Brasil tenha flexibilizado as regras de inspeção nos últimos dias. Ele rebateu reportagens que apontavam mudanças para facilitar as exportações.
O ministro confirmou que o país recebeu notificações após a identificação de sementes de plantas daninhas em algumas cargas. Diante disso, as inspeções foram, inclusive, intensificadas.
“Não houve qualquer alteração nas regras. Temos obrigação legal de inspecionar”, afirmou Fávaro.
Ele acrescentou que embarcações com inspeções pendentes só receberão certificação se atenderem aos padrões exigidos pela China, maior importadora mundial de soja. “Se tivesse havido flexibilização, os navios já estariam navegando”, disse.
Autoridades vão à China para negociar protocolo
Fávaro informou que o Brasil enviará dois representantes do ministério à China na próxima semana: Luis Rua, secretário de Comércio e Relações Internacionais, e Carlos Goulart, secretário de Defesa Agropecuária.
A missão terá como objetivo propor um novo protocolo sanitário que atenda às exigências chinesas, preserve a capacidade operacional da indústria brasileira e reduza riscos.
O ministro ressaltou que a situação não configura embargo. “Se a China quisesse suspender as compras, já teria suspendido. Não é esse o caso”, afirmou.
Inspeções mais rígidas afetam ritmo de embarques
Na semana passada, a Reuters informou que o Ministério da Agricultura intensificou a fiscalização após recorrentes apontamentos de resíduos de pesticidas e fungicidas em cargas brasileiras.
Segundo tradings, o aumento do rigor tem desacelerado os embarques em pleno pico da safra de exportação, elevando custos logísticos.
Apesar disso, o cronograma de exportações segue relativamente estável. De acordo com a Anec, os embarques de março estão estimados em 16,32 milhões de toneladas, ligeiramente abaixo da previsão anterior, de 16,47 milhões.
Com a guerra no Oriente Médio pressionando o preço dos combustíveis, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) faz nesta quarta-feira (18) a segunda reunião do ano. Mesmo com a alta do petróleo, os analistas de mercado acreditam que o comitê decidirá pela primeira redução dos juros em dois anos.
Atualmente em 15% ao ano, a Selic está no maior nível desde julho de 2006, quando era de 15,25% ao ano. De setembro de 2024 a junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes seguidas, mas não foi alterada nas quatro últimas reuniões.
A decisão sobre a Taxa Selic será anunciada no início da noite desta quarta. O Copom estará desfalcado, porque o mandato dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti, expirou no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva só encaminhará as indicações dos substitutos ao Congresso Nacional nas próximas semanas.
Na ata da reunião de janeiro, o Copom confirmou que pretendia começar a cortar a Selic em março. No entanto, o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã pôs em dúvida o tamanho do corte, com algumas instituições financeiras chegando a apostar no adiamento da redução dos juros.
Segundo a edição mais recente do boletim Focus, pesquisa semanal que ouve analistas do mercado financeiro, a taxa básica deve ser reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. Antes do início do conflito, a expectativa estava num corte de 0,5 ponto.
O comportamento da inflação continua uma incógnita. A prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA), acelerou para 0,7% em fevereiro, pressionada por gastos com educação. No entanto, recuou para 3,81% em 12 meses, abaixo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2024.
Segundo o último boletim Focus, a estimativa de inflação para 2026 subiu de 3,8% para 4,1% por causa do conflito no Oriente Médio. Isso representa inflação pouco abaixo do teto da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3%, podendo chegar a 4,5%, com o intervalo de tolerância de 1,5 ponto.
Taxa Selic
A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia. Ela é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle.
O BC atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima do valor definido na reunião.
Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, pretende conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.
Desse modo, taxas de juros mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.
Ao reduzir a Selic, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, afrouxando o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.
O Copom reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.
Meta contínua
Pelo novo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.
No modelo de meta contínua, a meta passa a ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em março de 2026, a inflação desde abril de 2025 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância.
Em abril de 2026, o procedimento se repete, com apuração a partir de maio de 2025. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.
No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de dezembro pelo Banco Central, a autoridade monetária manteve a previsão de que o IPCA termine 2026 em 3,5%, mas a estimativa deve ser revista. A próxima edição do documento, que substituiu o Relatório de Inflação, será divulgada no fim de março.
O avanço de uma frente fria e a atuação de sistemas meteorológicos em diferentes níveis da atmosfera colocam o Brasil em alerta para instabilidades nesta quarta-feira (18).
A combinação entre calor, umidade e áreas de baixa pressão favorece a formação de nuvens carregadas em praticamente todas as regiões do país, com previsão de pancadas de chuva, rajadas de vento e risco de temporais em diversos estados.
Enquanto o Sul sente os efeitos mais diretos da frente fria, outras regiões enfrentam chuvas típicas de verão, que ganham intensidade ao longo do dia.
Sul
A quarta-feira começa com tempo instável na região Sul, influenciada pelo avanço de uma frente fria sobre o Rio Grande do Sul. Além disso, um cavado em níveis médios da atmosfera reforça as instabilidades, somado à alta umidade.
Desde cedo, há registro de chuva moderada a forte no norte, nordeste, serra, região central, Região Metropolitana de Porto Alegre e litoral gaúcho.
Ao longo da manhã, as instabilidades avançam também para a Campanha e o oeste do estado.
Em Santa Catarina e no Paraná, a chuva também ganha força, especialmente no oeste, sul e interior catarinense e no sudoeste paranaense. Durante a tarde, a frente fria avança e intensifica as precipitações em grande parte do Rio Grande do Sul.
Há alerta para temporais, principalmente no leste e no litoral. Nos demais estados da região, chove com intensidade moderada a forte, com destaque para áreas do leste e litoral catarinense.
As rajadas de vento variam entre 40 e 50 km/h no sul do Rio Grande do Sul e no litoral de Santa Catarina.
Sudeste
No Sudeste, a combinação de calor, umidade vinda do Norte e um cavado meteorológico favorece pancadas de chuva ao longo do dia.
Desde a manhã, chove em áreas do interior, oeste e Triângulo Mineiro, além do norte de São Paulo. Durante a tarde, as instabilidades se espalham e ganham intensidade.
Há previsão de chuva moderada a forte em grande parte de São Paulo, Minas Gerais e sul do Rio de Janeiro. O alerta para temporais é maior no norte paulista e no interior de Minas, incluindo o Triângulo Mineiro.
No Espírito Santo, a chuva atinge principalmente o norte e sudoeste, enquanto outras áreas seguem com tempo mais firme.
À noite, as condições começam a melhorar, mas ainda há risco de pancadas isoladas, especialmente em São Paulo e Minas Gerais. Apesar da chuva, o calor predomina em grande parte da região.
Centro-Oeste
No Centro-Oeste, a quarta-feira é marcada por instabilidades desde o início do dia. As pancadas atingem Mato Grosso e Goiás com intensidade moderada a forte já pela manhã.
Em Mato Grosso do Sul, áreas de instabilidade associadas a uma baixa pressão no Paraguai favorecem chuva no oeste e sudoeste. Ao longo do dia, a chuva se intensifica em toda a região.
Há risco de temporais em Mato Grosso, além do leste e sul de Goiás. Em Mato Grosso do Sul, o alerta é maior para o oeste, sudeste e partes do norte e nordeste do estado. As temperaturas seguem elevadas e o calor predomina.
Nordeste
A atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) continua influenciando o tempo no Nordeste. Desde cedo, há chuva moderada a forte no Maranhão, Piauí, sul do Ceará e oeste de Pernambuco.
Ao longo do dia, as instabilidades se intensificam e se espalham. Chove com força no Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e em grande parte do Maranhão e Piauí.
Há risco de temporais na faixa central do Maranhão e do Piauí, além do litoral entre o Rio Grande do Norte e a Paraíba.
No restante da região, o tempo segue mais firme, com predomínio de calor. Rajadas de vento entre 40 e 50 km/h podem ocorrer no litoral do Ceará e entre o Rio Grande do Norte e o norte da Bahia.
Norte
Na Região Norte, a alta umidade mantém o tempo instável. Chove com intensidade no Amazonas, Pará, Acre, Rondônia e Tocantins.
A ZCIT também reforça as instabilidades no Amapá e no litoral do Pará. Ao longo do dia, a chuva se intensifica, com risco de temporais em grande parte da região.
Os maiores volumes são esperados no Acre, Rondônia, Amazonas, Pará e Amapá. No norte de Roraima, o tempo segue mais firme, mas com possibilidade de rajadas de vento de até 50 km/h.
As temperaturas permanecem elevadas, mantendo a sensação de calor.
No morning call de hoje, a economista-chefe do PicPay, Ariane Benedito, comenta que o ambiente global segue cauteloso, com foco na política monetária dos EUA e nas incertezas geopolíticas no Oriente Médio.
O petróleo subiu para a faixa de US$ 103, reforçando riscos inflacionários, enquanto bolsas de NY tiveram ganhos moderados e o dólar global perdeu força. No Brasil, a curva de juros abriu com risco de greve dos caminhoneiros às vésperas do Copom. O Ibovespa subiu 0,30%, aos 180 mil pontos, e o dólar caiu para R$ 5,20.
Ouça o Diário Econômico, o podcast do PicPay que traz tudo que você precisa saber sobre economia para começar o seu dia, com base nas principais notícias que impactam o mercado financeiro.