terça-feira, março 17, 2026

Autor: Redação

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Colheita da Soja avança, mas alta do diesel aperta margens do produtor


Colheita da Soja avança, mas alta do diesel aperta margens do produtor
Imagem: Marca Comunicação

Após semanas de chuvas intensas que desafiaram as máquinas no campo, a colheita da soja no Oeste da Bahia ganha ritmo, mas traz também uma nova preocupação para o produtor rural: a volatilidade do mercado internacional. Com a intensificação dos trabalhos — que já atingiram mais de 50% da área plantada, segundo a Aiba (Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia) — o foco agora recai sobre o aumento expressivo no preço dos combustíveis e os impactos da geopolítica global no custo de produção.

A alta nos preços do petróleo, impulsionada por conflitos no Oriente Médio, reflete diretamente no dia a dia das fazendas do Oeste baiano. Para Gabriel Araújo, diretor de produção de um grupo de fazendas, o cenário atual é de “margens estreitas”.

“Estamos tendo uma implicação negativa, pois o custo dos combustíveis tem tido acréscimos praticamente semanais. Isso gera um clima de instabilidade que onera nosso custo final”, explica Araújo.

O produtor rural Jarbas Bergamaschi reforça que, embora o produto esteja disponível nas bombas, o peso no bolso é o que assusta.

“Por enquanto não falta combustível, estamos comprando normal, mas o preço aumentou consideravelmente. Na colheita, que é quando mais usamos diesel, isso eleva muito o custo”, pontua.

Risco de desabastecimento é descartado

Apesar do receio de alguns produtores de que a alta demanda e as incertezas globais possam levar à falta de insumos, a Associação Nacional dos Distribuidores de Combustíveis (ANDC) tranquiliza o setor.

Segundo o presidente da entidade, Francisco Neves, a infraestrutura brasileira é robusta o suficiente para suportar os “solavancos” geopolíticos.

“Não há risco de falta de produto. O Brasil tem uma estrutura gigantesca de produção, armazenamento e terminais de importação. Essa infraestrutura suporta as variações decorrentes dos conflitos no Oriente Médio. O agricultor não precisa se preocupar em não encontrar óleo diesel”, garante Neves.

O presidente da ANDC explica ainda que a alta percebida nas bombas é reflexo direto da valorização da matéria-prima. Entre o final de fevereiro e meados de março, o barril de petróleo saltou de US$ 70 para cerca de US$ 100 — uma alta superior a 40%. Como o Brasil adota o regime de preços livres, essa variação é repassada conforme a oferta e a demanda.

Gestão e cautela no campo

Para o presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Moisés Schmidt, o momento exige que o produtor mantenha o monitoramento constante sobre todos os insumos, desde fertilizantes até a tecnologia empregada.

“É um momento de muita atenção em todos os sentidos. O produtor está sempre atento, interferindo diretamente na gestão desses insumos que vão para a produção”, destaca.

Ainda de acordo com a ANDC, a recomendação de especialistas é evitar compras por impulso motivadas pelo pânico, o que poderia gerar um desequilíbrio artificial no mercado local.

Enquanto o cenário internacional não se estabiliza, a ordem no Oeste Baiano é seguir com as máquinas no campo, mantendo o olho no clima e o outro nas tabelas de preços globais.


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Custo alimentar do confinamento bovino varia entre regiões em fevereiro, segundo ICAP


Vista aérea de confinamento de bovinos de corte. Foto: Reprodução
Vista aérea de confinamento de bovinos de corte. Foto: Reprodução

O custo alimentar do confinamento bovino apresentou variação entre regiões em fevereiro de 2026, segundo o Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), calculado com dados de confinamentos monitorados. No Centro-Oeste, o índice foi de R$ 11,82 por cabeça ao dia, com recuo de 6,04% frente a janeiro. No Sudeste, o valor ficou em R$ 12,65, com alta de 2,76% no mesmo período.

Na comparação anual, o Centro-Oeste registrou queda de 14,04%. No Sudeste, houve variação de 0,16%. A diferença entre as regiões voltou a crescer após redução observada em janeiro. No Centro-Oeste, os custos no trimestre entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026 recuaram, com insumos energéticos caindo 7,14%, enquanto os proteicos também tiveram redução. Os volumosos, no entanto, registraram alta.

Custos no sudeste

No Sudeste, os três grupos de insumos apresentaram aumento no período. Os volumosos subiram 17,27%, influenciados pela silagem de milho, enquanto proteicos e energéticos também avançaram. O custo da arroba produzida foi estimado em R$ 197,27 no Centro-Oeste e R$ 215,10 no Sudeste.

Com base nas cotações do boi gordo — R$ 331 em Cuiabá e R$ 346 em São Paulo, segundo a Scot Consultoria — o resultado foi de R$ 1.028 por cabeça no Centro-Oeste e R$ 1.021 no Sudeste. Os dados consideram produção de 7,69 arrobas por animal no Centro-Oeste e 7,80 arrobas no Sudeste, em ciclos de 114 dias.

Relação entre valor da arroba e custo alimentar

A relação entre o valor da arroba e o custo alimentar aumentou em fevereiro, com uma arroba pagando 27,99 dias de alimentação no Centro-Oeste e 27,35 dias no Sudeste. Esse indicador representa o maior nível da série para o Centro-Oeste desde 2024, quando eram necessárias mais de oito arrobas para cobrir o custo alimentar de um ciclo. Em 2026, esse volume caiu para pouco mais de quatro arrobas.

O ICAP é calculado com informações de confinamentos que utilizam tecnologias da Ponta, incluindo sistemas de gestão. A base reúne dados de consumo e custos, permitindo o acompanhamento mensal do custo alimentar nas principais regiões produtoras.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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Governo lança Plano Clima com metas e estratégias de redução de emissões até 2035


Marina Silva
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O governo federal lançou, nesta segunda-feira, o novo Plano Nacional sobre Mudança do Clima, o chamado Plano Clima, que estabelece metas e estratégias para enfrentar a crise climática no país até 2035.

A iniciativa reúne ações voltadas à redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e à adaptação aos impactos ambientais, com foco também na justiça climática.

Para este ano, estão previstos recursos do Fundo Clima, com valores reembolsáveis de bilhões de reais, além de cerca de R$ 6 milhões em verbas não reembolsáveis. A proposta busca ampliar o financiamento de projetos sustentáveis e fortalecer políticas públicas voltadas à preservação ambiental.

Entre as metas para 2026 estão a execução total dos projetos previstos, a destinação de 25% dos recursos para as regiões Norte e Nordeste e a aplicação de 20% em ações de adaptação às mudanças climáticas. O plano também prioriza o atendimento às populações mais vulneráveis, consideradas mais expostas aos efeitos da crise climática.

Durante o lançamento, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, afirmou que o planeta vive uma situação grave de emergência climática e que as ações serão intensificadas em todos os setores da economia. 

“Esse sistema que nós estamos criando no Ministério do Meio Ambiente, o Indica Clima vai ser uma espécie de DT do Plano Clima. Nesse caso, nós já estamos criando esse sistema para dar transparência e obviamente que isso vai ser visto por todo mundo, quem está, digamos, cumprindo com as metas e quem não está cumprindo com as metas”, destaca.

Monitoramento e transparência

Um dos eixos centrais do Plano Clima é o fortalecimento do monitoramento, da transparência e da comunicação das ações. Essa estratégia transversal, já disponível no site oficial do plano, estabelece mecanismos para garantir o acompanhamento contínuo das metas e dar visibilidade aos resultados alcançados.

A proposta prevê três ciclos de avaliação. O primeiro é anual, com a publicação de um relatório de execução que detalha o andamento de cada uma das ações previstas. Esse balanço será elaborado pelos órgãos responsáveis e alinhado ao ciclo do Plano Plurianual (PPA), integrando o processo formal de planejamento e monitoramento do governo federal.

Além disso, a cada dois anos será realizada uma avaliação mais ampla, com a participação de instâncias de assessoramento científico, espaços de participação social e representantes de estados e municípios. O objetivo é analisar o que está avançando, identificar gargalos e orientar ajustes nas estratégias, incluindo a possibilidade de redirecionamento de recursos e prioridades.

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Polícia Civil desarticula esquema de furto milionário de soja e açúcar em trens no interior de SP


Divulção Policia Civil

O Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), da Polícia Civil, realizou, nesta terça-feira (17), a Operação Ouro Branco para desarticular uma quadrilha especializada no furto de cargas de farelo de soja e açúcar transportadas por trens no interior de São Paulo. O grupo chegava a subir nos vagões em movimento para retirar os produtos na região de Aguaí, rota de escoamento com destino ao Porto de Santos. O esquema causou prejuízos milionários.

De forma estruturada, os criminosos agiam em etapas: enquanto parte do grupo retirava e lançava a carga às margens da ferrovia, outros integrantes faziam o recolhimento com veículos e levavam o material até galpões e propriedades rurais da região. Nesses locais, os produtos eram armazenados e depois revendidos como se fossem de origem legal.

Coordenada pela Divisão de Investigações sobre Furtos, Roubos e Receptações de Veículos e Cargas (Divecar), a operação mobilizou 29 policiais civis e dez viaturas para o cumprimento de quatro mandados de prisão temporária e 11 de busca e apreensão. Até o momento, três suspeitos foram presos, enquanto um quarto investigado segue sendo procurado.

Durante as diligências, os agentes apreenderam veículos, sacos utilizados no transporte das cargas furtadas, dois simulacros de arma e outros materiais ligados à atuação do grupo criminoso. As investigações tiveram início em dezembro de 2025, após denúncias sobre furtos recorrentes ao longo das linhas férreas.

De acordo com o delegado Danilo Alexiades, responsável pela investigação, o grupo vinha sendo monitorado desde o fim do ano passado. Ele destacou que o esquema se aproveitava da facilidade de revenda, especialmente no caso do açúcar, produto de alta liquidez no mercado.

O nome da operação faz referência justamente a essa característica. Conhecido como “ouro branco”, o açúcar tem alta demanda e rápida comercialização, o que facilitava a atuação da quadrilha. As investigações continuam para identificar outros envolvidos no esquema criminoso.

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Operação contra pesca ilegal gera R$ 1,1 milhão em multas no RS


pescado ilegal
Foto: Fiscalização/Ibama

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concluiu a segunda etapa da Operação Decapoda 2026, com foco no controle da pesca ilegal na Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul.

A nova fase da ação teve como objetivo coibir a pesca ilegal do camarão-rosa com o uso de rede de arrasto com portas, prática proibida por causar danos ao ecossistema lagunar e prejudicar a atividade de pescadores legalizados, que utilizam armadilhas autorizadas.

Até o momento, a operação resultou na lavratura de 10 autos de infração, que somam R$ 1.132.660,00. As equipes também realizaram inspeções em 15 veículos de transporte de pescados, uma empresa comercial e uma indústria pesqueira.

Entre os materiais e produtos apreendidos estão uma embarcação, uma rede de arrasto de camarão, duas portas de arrasto, seis veículos utilitários e 32.242 quilos de pescados, sendo 25.560 quilos de peixes e 6.682 quilos de camarão.

Além disso, uma empresa clandestina de comércio de pescados foi embargada.

A operação

A operação reuniu o Ibama, a Brigada Militar Ambiental e a Polícia Federal e envolveu patrulhamentos aquáticos, barreiras rodoviárias, além de inspeções nos setores industrial e comercial, com inspeção de estoques.

Durante a fiscalização, também foi autuada uma embarcação de pesca industrial que operava ilegalmente na Área de Exclusão de Pesca do Albardão, na costa do Rio Grande do Sul, e em águas do mar territorial uruguaio.

A partir da análise de dados de rastreamento por satélite, as autoridades identificaram a infração. Trata-se de caso de reincidência das mesmas práticas pela embarcação, e viola os direitos de soberania do país vizinho.

Produtos foram doados

Os orgãos envolvidos doaram todo o pescado apreendido ao programa social Sesc Mesa Brasil, que mantém Acordo de Cooperação Técnica com o Ibama. Dessa forma, a destinação beneficiou 160 entidades e atendeu cerca de 26 mil pessoas em situação de insegurança alimentar.

*Sob supervisão de Beatriz Gunther

Foto: Fiscalização/Ibama

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Exportações de soja do Brasil devem superar 16 milhões de t em março


embarque de soja para mercado externo
Brasil exportou US$ 2,6 bilhões para o Leste Europeu e o farelo de soja foi um dos destaques

O Brasil deve exportar até 16,316 milhões de toneladas de soja em grão em março, segundo estimativa da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). O volume representa avanço em relação ao mesmo mês do ano passado, quando os embarques somaram 15,732 milhões de toneladas, e também indica forte aceleração frente a fevereiro deste ano, que registrou 8,869 milhões de toneladas.

O ritmo de embarques tem ganhado força ao longo do mês. Na semana encerrada em 14 de março, o país exportou 3,011 milhões de toneladas. Para o período entre os dias 15 e 21, a projeção é ainda mais robusta, com expectativa de 4,326 milhões de toneladas embarcadas, refletindo o avanço da colheita e maior disponibilidade do grão.

Além da soja em grão, o farelo também apresenta desempenho positivo no mercado externo. A previsão para março é de exportações de 2,661 milhões de toneladas, acima das 2,187 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025 e bem superior ao volume de fevereiro, que ficou em 1,353 milhão de toneladas.

Na semana passada, os embarques de farelo de soja somaram 377,388 mil toneladas. Já para o intervalo entre 15 e 21 de março, a Anec projeta exportações de 729,810 mil toneladas, indicando intensificação das vendas externas do derivado ao longo do mês.

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Manejo no campo e colheita seletiva definem a qualidade do café especial, diz produtora


O café, presente na rotina de milhões de brasileiros, começa muito antes de chegar à xícara. No campo, o processo exige técnica, planejamento e atenção em cada etapa, da escolha da variedade ao pós-colheita.

Em entrevista para A Protagonista, a produtora Ana Mazzi detalhou como o manejo influencia diretamente a qualidade do produto final.

O estado de São Paulo, um dos principais produtores de café arábica do país, registra safras que variam entre 4,7 milhões e 5,4 milhões de sacas por ciclo, dependendo das condições climáticas e da bienalidade. Nesse cenário, a busca por qualidade tem ganhado espaço, especialmente no segmento de cafés especiais.

Segundo Ana Mazzi, a qualidade do café começa ainda na lavoura, com destaque para a colheita seletiva. A prática consiste em colher apenas os grãos maduros, no ponto ideal de açúcar.

Antes da colheita, a produtora realiza análises com o uso de refratômetro, equipamento que mede o teor de açúcar do grão. “A partir dessa informação, decidimos como será o processamento, se vamos fermentar ou despoupar”, explica.

Grãos verdes, pretos ou ardidos são descartados para evitar prejuízos na qualidade. “Um único grão defeituoso pode comprometer toda a saca”, ressalta.

Secagem exige controle rigoroso

Após a colheita, o processo de secagem é outra etapa crítica. Na propriedade, o café é seco em terreiros de cimento e suspensos, sendo este último considerado mais eficiente pela melhor circulação de ar.

Durante a secagem, os grãos são revolvidos até seis vezes por dia. O controle da umidade é constante, com medições frequentes. “Se não houver esse controle, o café pode desenvolver mofo ou perder qualidade”, explica a produtora.

Sustentabilidade

A adoção de práticas mais sustentáveis também tem avançado na propriedade. Ana Mazzi destaca o uso de insumos biológicos no manejo.

A produção conta com certificação que prioriza o uso de biológicos, embora ainda utilize adubação mineral (NPK), devido às dificuldades logísticas de aplicar adubos orgânicos em áreas de altitude.

“Hoje o consumidor busca um café mais saudável, e isso tem impulsionado essas práticas”, afirma.

Além disso, a produtora investe em estratégias de agricultura regenerativa, como o plantio de culturas nas entrelinhas do café, ajudando no controle natural de pragas e na conservação do solo.

Sem o uso de defensivos químicos, o manejo exige acompanhamento diário da lavoura. “É preciso monitorar constantemente. Os biológicos funcionam, mas demandam mais atenção”, explica.

Apesar dos desafios, a produtora destaca os benefícios a médio e longo prazo, tanto em qualidade quanto em valor agregado do produto.

Qualidade também depende do pós-colheita

Após a torra, a conservação do café também influencia na experiência do consumidor. O uso de embalagens com válvula desgaseificadora e aplicação de nitrogênio evita a oxidação e preserva aroma e sabor por mais tempo.

A preservação de nascentes e recursos hídricos também faz parte da rotina na propriedade. Segundo Mazzi, esse cuidado é essencial para manter a qualidade do solo e garantir a sustentabilidade da produção.

Primeiro passo

Com mais de 30 anos de experiência, a produtora destaca que o primeiro passo para quem deseja investir na atividade é escolher variedades adaptadas ao clima da região e resistentes a pragas.

Ela também aponta o crescimento da demanda por cafés orgânicos como uma oportunidade, apesar dos custos mais elevados de produção. “O café exige mais no início, mas a recompensa vem com qualidade e mercado”, afirma.

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Colheita de soja avança no Brasil, mas segue atrasada em relação ao ano passado


Bahia alcança maior média de produtividade da soja
Foto: Divulgação/Aiba

A colheita de soja alcançou 59,2% da área cultivada no Brasil, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O índice representa um avanço relevante em relação à semana anterior, quando os trabalhos estavam em 50,6%, o que corresponde a um crescimento de 17% no ritmo da colheita.

Apesar da evolução, os trabalhos seguem atrasados na comparação anual. No mesmo período de 2025, a colheita já atingia 69,8% da área, o que indica um recuo de 15,2% neste ciclo. O dado reforça que, mesmo com a aceleração recente, o andamento ainda não conseguiu alcançar o desempenho do ano passado.

Em relação à média dos últimos cinco anos, estimada em 58,4%, o desempenho atual está levemente acima, com alta de 1,4%. Isso mostra que, apesar do atraso frente a 2025, o ritmo da colheita permanece próximo do padrão histórico.

Colheita de soja por região do Brasil

No recorte regional, os trabalhos seguem mais avançados no Centro-Oeste, com destaque para Mato Grosso, que já colheu 96,4% da área. Goiás aparece na sequência com 70%, seguido por Mato Grosso do Sul, com 68%, e Paraná, com 60%. Em outras regiões, o ritmo é mais moderado, como em Tocantins (58%), Minas Gerais (52%) e São Paulo (50%).

Já nas áreas do Matopiba e do Sul, o avanço ainda é mais lento. A Bahia registra 45% da área colhida, enquanto Piauí e Maranhão apresentam 26% e 23%, respectivamente. Em Santa Catarina, o índice é de 21%, e no Rio Grande do Sul, onde o ciclo é mais tardio, a colheita ainda está no início, com apenas 2% da área.

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Justiça padroniza análise de recuperação judicial de produtores rurais


Recuperação judicial, dívidas rurais, endividamento
Foto: Freepik

A Corregedoria Nacional de Justiça (CNJ) publicou o Provimento nº 216/2026, que define diretrizes nacionais para pedidos de recuperação judicial e falência de produtores rurais. A norma busca padronizar a atuação do Judiciário e dar mais segurança jurídica a processos que vêm crescendo no campo.

A medida responde a uma demanda do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), diante do aumento da judicialização envolvendo produtores. A preocupação é com os efeitos desse movimento sobre o risco de crédito e, consequentemente, sobre as taxas de juros no setor.

O objetivo é estabelecer critérios mais claros para que os juízes verifiquem se o solicitante se enquadra como produtor rural em situação de insolvência, reduzindo o uso indevido da recuperação judicial.

Mais previsibilidade nas decisões

O texto foi construído no âmbito do Fórum Nacional de Recuperação Empresarial e Falências (Fonaref), após meses de debates entre Judiciário, setor produtivo e especialistas.

Segundo o presidente do fórum, ministro Moura Ribeiro, a norma busca dar mais segurança às decisões e aos próprios produtores: “esse provimento é a prova de que o diálogo entre o Judiciário, o setor produtivo e a academia pode gerar bons resultados concretos”, diz.

Na avaliação do conselheiro do CNJ Rodrigo Badaró, o texto organiza parâmetros objetivos e reduz incertezas em processos com impacto econômico relevante. “ao estabelecer diretrizes para a análise desses pedidos, o provimento contribui para uniformizar a atuação do Judiciário”, afirma.

Já o ministro Raul Araújo destaca que a norma considera as particularidades da atividade rural. “o produtor rural que busca a recuperação judicial precisa encontrar um Judiciário que compreenda o ciclo da safra e os riscos climáticos”, afirma.

Regras para acesso ao benefício

O provimento detalha os requisitos para solicitar a recuperação judicial. O produtor deverá comprovar pelo menos dois anos de atividade e apresentar documentos como o Livro Caixa Digital do Produtor Rural e a declaração do Imposto de Renda.

Para pessoas jurídicas, será exigida também a Escrituração Contábil Fiscal (ECF).

Uma das novidades é a possibilidade de perícia prévia. O juiz poderá determinar visita técnica para verificar se há atividade produtiva de fato, inclusive com uso de ferramentas de geoprocessamento.

Proteção a operações do agro

A norma também reforça a preservação de operações consideradas essenciais para o setor. Contratos de troca (barter), por exemplo, não poderão ser descumpridos via recuperação judicial.

Além disso, financiamentos por meio de Cédula de Produto Rural (CPR) ficam protegidos, especialmente nos casos de entrega física do produto, que não se submete ao processo.

Limites durante a recuperação

Durante o período de suspensão de ações e execuções, o produtor poderá manter a posse de bens essenciais, como máquinas e a terra.

Por outro lado, não poderá reter recursos financeiros ou produtos agrícolas que estejam vinculados como garantia a credores.

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Estudo revela que Pará detém 93,8% do valor da produção nacional de açaí


açaí - frutos tropicais
Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Base alimentar da população paraense e símbolo da Amazônia, o açaí consolidou-se como um dos principais indutores de desenvolvimento sustentável na região.

Um estudo estruturado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), intitulado “O Contexto econômico e ambiental do açaí”, revela que a produção do fruto saltou de 145,8 mil toneladas para 1,9 milhão de toneladas em 38 anos (1987-2024) – um crescimento de 14 vezes.

Nesse cenário, o Pará mantém a liderança absoluta com 89,5% do total nacional, seguido por Amazonas (7,2%) e Amapá (1,3%). Dentro do estado, dez municípios concentram cerca de 60% da produção brasileira, com destaque para Igarapé-Miri (13,2%), Cametá (7,9%) e Anajás (6,2%).

Em termos financeiros, o valor da produção paraense saltou de R$ 509,7 milhões, em 1994, para R$ 8,8 bilhões em 2024, respondendo por 93,8% do valor total gerado no setor no Brasil.

Impacto no mercado de trabalho e exportações

A expansão da cadeia produtiva reflete diretamente no emprego. O número de estabelecimentos produtores no Pará cresceu de 5,2 mil, em 1986, para mais de 81 mil em 2017, integrando desde a agricultura familiar ao agronegócio.

Estima-se que a atividade sustente 4.763 postos de trabalho diretos e indiretos, impulsionando subsetores como transporte, comercialização e beneficiamento.

No comércio exterior, o protagonismo paraense é confirmado pela valorização do produto. O valor exportado de derivados do açaí passou de US$ 334,2 mil, em 2002, para US$ 127,8 milhões em 2024. O preço médio da tonelada para exportação também acompanhou a alta, subindo de US$ 1,1 mil para US$ 3,6 mil no mesmo período.

Sustentabilidade e créditos de carbono

Além do impacto econômico, o cultivo da espécie atua como uma ferramenta ambiental. Entre 2015 e 2024, a área reflorestada com açaí no Pará cresceu de 135 mil para 252 mil hectares. Esse avanço permitiu que o estado quase dobrasse sua capacidade de captura de dióxido de carbono (CO2), atingindo cerca de 907 mil toneladas capturadas em 2024.

“O estudo demonstra a liderança nacional e internacional do açaí paraense e desvenda seu papel importante no equilíbrio climático como sumidouro de CO2. Com a expansão das lavouras de açaí plantado, o fruto gera riquezas, constitui uma grande cadeia produtiva que preserva a natureza e agora também gera créditos de carbono, além de ser um dos principais símbolos da cultura paraense”, avalia o diretor da Fapespa responsável pelo estudo, Márcio Ponte.

Liderança tecnológica

Para a Fapespa, o futuro da hegemonia paraense depende do investimento em ciência. O presidente da fundação, Marcel Botelho, reforça que o crescimento exige responsabilidade tecnológica para manter a competitividade global.

“Esses números mostram a grande potencialidade da cadeia produtiva do açaí para o Pará. Essa liderança traz a responsabilidade de manter e ampliar o nível tecnológico no cultivo, garantindo uma produção sustentável, economicamente viável e ecologicamente correta”, destaca Botelho.

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