{"id":8881,"date":"2025-02-01T08:11:48","date_gmt":"2025-02-01T12:11:48","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=8881"},"modified":"2025-02-01T08:11:48","modified_gmt":"2025-02-01T12:11:48","slug":"afinal-qual-o-nome-correto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=8881","title":{"rendered":"afinal, qual o nome correto?"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/afinal-qual-o-nome-correto.jpg\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Durante uma edi\u00e7\u00e3o do programa <em>\u00c9 de Casa<\/em>, na Rede Globo, o nome da castanha gerou um debate que repercutiu nas redes sociais. O ator manauara Adanilo, ao preparar uma tradicional tapioca caboquinha, prato t\u00edpico da regi\u00e3o, referiu-se ao ingrediente como \u201ccastanha-da-amaz\u00f4nia\u201d. A apresentadora Talitha Morete, por sua vez, mencionou que, no Sudeste, ela \u00e9 conhecida como \u201ccastanha-do-par\u00e1\u201d. A discuss\u00e3o se intensificou com a participa\u00e7\u00e3o de internautas e figuras p\u00fablicas, como a ex-BBB paraense Alane Dias, que defendeu a denomina\u00e7\u00e3o \u201ccastanha-do-par\u00e1\u201d. Mas, afinal, quem est\u00e1 certo nessa hist\u00f3ria?<\/p>\n<p>Um artigo publicado por tr\u00eas pesquisadoras da <strong><a href=\"http:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/embrapa\/\">Embrapa <\/a><\/strong>ajuda a entender melhor o porqu\u00ea de tantas demina\u00e7\u00f5es. Patricia da Costa, da Embrapa Meio Ambiente, L\u00facia Helena de Oliveira Wadt, da Embrapa Rond\u00f4nia, e K\u00e1tia Em\u00eddio da Silva, da Embrapa Amaz\u00f4nia Ocidental afirmam que o fruto da castanheira (<em>Bertholletia excelsa Bonpl.<\/em>) carrega uma diversidade de nomes que reflete quest\u00f5es hist\u00f3ricas, culturais e econ\u00f4micas. Portanto, n\u00e3o existe um termo \u201ccorreto\u201d. <\/p>\n<p>No entanto, no mercado internacional e em normativas comerciais, como o decreto federal n\u00ba 51.209\/1961, prevalece o nome \u201ccastanha-do-brasil\u201d \u2013 alinhado ao termo ingl\u00eas <em>Brazil nut<\/em>.<\/p>\n<p>Historicamente, a denomina\u00e7\u00e3o \u201ccastanha-do-par\u00e1\u201d remonta ao per\u00edodo colonial, quando o porto de Bel\u00e9m, no Par\u00e1, era o principal centro de exporta\u00e7\u00e3o do produto. J\u00e1 a ado\u00e7\u00e3o de \u201ccastanha-do-brasil\u201d na d\u00e9cada de 1960 buscou padronizar a nomenclatura para refor\u00e7ar a origem brasileira e facilitar a comercializa\u00e7\u00e3o no exterior.<\/p>\n<p>Por outro lado, o termo \u201ccastanha-da-amaz\u00f4nia\u201d vem sendo defendido por pesquisadores e produtores para destacar sua ampla ocorr\u00eancia na Amaz\u00f4nia brasileira e em pa\u00edses vizinhos como Bol\u00edvia, Peru e Col\u00f4mbia. Segundo a pesquisadora Patricia da Costa, o estado do Amazonas lidera a produ\u00e7\u00e3o nacional, mas desde 1998 a Bol\u00edvia superou o Brasil como maior exportador do produto.<\/p>\n<\/div>\n<div>\n<p>A pesquisadora K\u00e1tia Em\u00eddio, da Embrapa Amaz\u00f4nia Ocidental, argumenta que o nome \u201ccastanha-da-amaz\u00f4nia\u201d reflete melhor a origem e abrang\u00eancia do fruto. Anteriormente, j\u00e1 houve iniciativas de altera\u00e7\u00e3o e padroniza\u00e7\u00e3o do nome \u201ccastanha-da-amaz\u00f4nia\u201d. Durante a Terceira Conven\u00e7\u00e3o Mundial de Frutos Secos comercial, promovida em Manaus, em 1992, com a participa\u00e7\u00e3o de mais de 300 empres\u00e1rios, convencionou-se adotar o nome que refor\u00e7a a origem amaz\u00f4nica do produto. No entanto, a for\u00e7a do nome \u201ccastanha-do-brasil\u201d no mercado internacional impediu a mudan\u00e7a de se consolidar.<\/p>\n<p>Iniciativas para adotar essa denomina\u00e7\u00e3o ganharam for\u00e7a em eventos como a Conven\u00e7\u00e3o Mundial de Frutos Secos, em 1992, e no projeto de lei n\u00ba 913\/2024, apresentado na Assembleia Legislativa do Amazonas.<\/p>\n<p>A pesquisadora L\u00facia Wadt da Embrapa Rond\u00f4nia (Porto Velho,\u00a0RO), em parceria com o Observat\u00f3rio da Castanha-da-Amaz\u00f4nia (OCA) e com o apoio do projeto NewCast \u2013 Novas solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e ferramentas para agrega\u00e7\u00e3o de valor \u00e0 cadeia produtiva da castanha-da-amaz\u00f4nia, est\u00e1 conduzindo uma revis\u00e3o das normativas relacionadas \u00e0 nomenclatura e aos padr\u00f5es de qualidade da castanha.<\/p>\n<p>Em consulta recente com agentes da cadeia produtiva, o nome \u201ccastanha-do-brasil\u201d foi o mais votado para a padroniza\u00e7\u00e3o comercial. \u201cEssa discuss\u00e3o foi dif\u00edcil e complexa porque existe um sentimento e uma percep\u00e7\u00e3o de que \u2018castanha-da-amaz\u00f4nia\u2019 \u00e9 o nome mais inclusivo. No entanto, quando se analisa mundialmente a identidade da nossa castanha, o nome \u2018castanha-do-brasil\u2019 se destaca por estar consolidado internacionalmente como Brazil nut. H\u00e1 um receio de que a mudan\u00e7a para \u2018castanha-da-amaz\u00f4nia\u2019 \u2013 que no ingl\u00eas seria Amazon nut \u2013 possa gerar confus\u00e3o entre os consumidores. De fato, essa quest\u00e3o permanece sem resolu\u00e7\u00e3o\u201d, afirma L\u00facia Wadt.<\/p>\n<p>Independentemente da nomenclatura, a castanha produzida na Amaz\u00f4nia \u00e9 um patrim\u00f4nio da sociobiodiversidade. Al\u00e9m de ser uma importante fonte de renda para comunidades amaz\u00f4nicas, ela carrega significados culturais, hist\u00f3ricos e econ\u00f4micos. E \u00e9 isso que realmente importa, seja l\u00e1 o nome pelo qual a castanha for chamada.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/castanha-do-para-castanha-do-brasil-ou-castanha-da-amazonia-afinal-qual-o-nome-correto\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante uma edi\u00e7\u00e3o do programa \u00c9 de Casa, na Rede Globo, o nome da castanha gerou um debate que repercutiu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":8882,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-8881","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8881"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=8881"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/8881\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/8882"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=8881"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=8881"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=8881"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}