{"id":5506,"date":"2024-11-24T16:57:43","date_gmt":"2024-11-24T20:57:43","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=5506"},"modified":"2024-11-24T16:57:43","modified_gmt":"2024-11-24T20:57:43","slug":"doses-elevadas-de-calcario-podem-elevar-produtividade-da-soja-em-ate-30","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=5506","title":{"rendered":"Doses elevadas de calc\u00e1rio podem elevar produtividade da soja em at\u00e9 30%"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o de altas doses de calc\u00e1rio para cultivo de <strong><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/soja\/\">soja<\/a><\/strong> de primeira safra, na regi\u00e3o do Matopiba (parte dos estados do Maranh\u00e3o, Tocantins, Piau\u00ed e <strong><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/nacional\/bahia\/\">Bahia<\/a><\/strong>), garante um aumento de at\u00e9 30% na produtividade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s doses recomendadas pelos documentos oficiais.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a principal conclus\u00e3o dos estudos que v\u00eam sendo conduzidos pela\u00a0Embrapa Meio-Norte\u00a0(PI) na regi\u00e3o desde o ano de 2019.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, a pr\u00e1tica n\u00e3o causa desbalanceamento na fertilidade do solo, embora possa ocorrer uma diminui\u00e7\u00e3o dos nutrientes, que pode ser corrigida com aduba\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-pratica-dificultava-acesso-a-credito-bancario\">Pr\u00e1tica dificultava acesso a cr\u00e9dito banc\u00e1rio <\/h2>\n<p>As pesquisas foram iniciadas a partir de uma demanda da Associa\u00e7\u00e3o dos Produtores de Soja do estado do Piau\u00ed (Aprosoja-PI), que identificou, junto a alguns produtores, a utiliza\u00e7\u00e3o de doses de calc\u00e1rio mais elevadas em algumas \u00e1reas.<\/p>\n<p>O pesquisador da Embrapa\u00a0Henrique Antunes\u00a0explica que a pr\u00e1tica tem sido adotada pelo valor dessa commodity. <\/p>\n<p>\u201cOs produtores v\u00eam abrindo \u00e1reas com doses mais altas de calc\u00e1rio e j\u00e1 plantando soja, que traz um certo retorno. Em outras situa\u00e7\u00f5es, come\u00e7am com forrageiras e no segundo ano entram com a soja\u201d, afirma.\u00a0<\/p>\n<p>A ado\u00e7\u00e3o dessa pr\u00e1tica, sem respaldo t\u00e9cnico-cient\u00edfico, dificulta o acesso dos produtores ao cr\u00e9dito banc\u00e1rio, \u201cpor isso, a pesquisa ajuda a gerar novos crit\u00e9rios que tragam mais seguran\u00e7a para o agricultor\u201d, avalia.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-revisao-dos-documentos-oficiais\">Revis\u00e3o dos documentos oficiais<\/h2>\n<p>Antunes afirma que grande parte dos documentos oficiais sobre fertilidade do solo foram elaborados com base em pesquisas das d\u00e9cadas de 1980 e 1990 e que hoje os agricultores utilizam cultivares de soja com caracter\u00edsticas e demandas nutricionais diferentes, sistemas de manejo do solo mais intensivos e maior quantidade de insumos biol\u00f3gicos e nutricionais.<\/p>\n<p>\u201cTudo isso justifica a necessidade de revis\u00e3o das documenta\u00e7\u00f5es oficiais, sobretudo para regi\u00f5es de fronteira agr\u00edcola com condi\u00e7\u00f5es peculiares\u201d, defende.<\/p>\n<p>O primeiro estudo da Embrapa sobre o tema, realizado em parceria com a Universidade Federal do Piau\u00ed\u00a0(UFPI), buscava avaliar os efeitos da aplica\u00e7\u00e3o de altas quantidades de calc\u00e1rio e gesso em \u00e1reas de abertura, na fertilidade do solo, no estado nutricional das plantas e na produtividade da soja no Cerrado piauense. <\/p>\n<p>O gesso combinado com o calc\u00e1rio ajuda na melhoria das caracter\u00edsticas do solo reduzindo sua acidez.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-cultivar-de-soja-utilizada\"><strong>Cultivar de soja utilizada<\/strong><\/h3>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"506\" alt=\"Calc\u00e1rio\" class=\"wp-image-4077041\"  data-lazy- src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Doses-elevadas-de-calcario-podem-elevar-produtividade-da-soja-em.jpg\"\/><img decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"506\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Doses-elevadas-de-calcario-podem-elevar-produtividade-da-soja-em.jpg\" alt=\"Calc\u00e1rio\" class=\"wp-image-4077041\"  \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Doze Batista\/Embrapa<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>O experimento foi conduzido por duas safras agr\u00edcolas (2019\/2020 e 2020\/2021) utilizando a cultivar de soja BRS 9180. Foram testadas cinco doses de calc\u00e1rio (zero, 5, 10, 15 e 20 toneladas por hectare) e quatro de gesso (zero, 1, 2 e 4 toneladas por hectare), em parcelas com\u00a0dimens\u00f5es de 13,2 m x 6,6 m. <\/p>\n<p>As doses de 5 toneladas por hectare de calc\u00e1rio e 1 tonelada por hectare de gesso s\u00e3o as mais pr\u00f3ximas do padr\u00e3o atualmente recomendado. Os resultados indicam que doses de calc\u00e1rio pr\u00f3ximas a 15 toneladas por hectare praticamente neutralizam a toxicidade do solo por alum\u00ednio. <\/p>\n<p>Doses entre 10 e 15 toneladas por hectare aumentaram as concentra\u00e7\u00f5es de f\u00f3sforo e pot\u00e1ssio, mas quantidades maiores (entre 15 e 20 toneladas por hectare) reduziram as concentra\u00e7\u00f5es desses elementos e de micronutrientes, o que ocasionou perda de rendimento dos gr\u00e3os.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-ajuda-do-calcario-na-produtividade\">Ajuda do calc\u00e1rio na produtividade<\/h2>\n<p>O engenheiro-agr\u00f4nomo Doze Batista de Oliveira, que escreveu sua tese de doutorado na UFPI a partir dos resultados do projeto, explica que a aplica\u00e7\u00e3o de uma dose de 10 toneladas de calc\u00e1rio por hectare resultou em aumentos significativos na produtividade da soja, com incrementos de 18% e 12% nas safras de 2019\/2020 e 2020\/2021, respectivamente.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cIsso demonstra que a calagem promoveu melhorias na fertilidade do solo, o que impulsionou a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os. O uso combinado de gesso e calc\u00e1rio proporcionou uma r\u00e1pida melhoria nas caracter\u00edsticas qu\u00edmicas do solo, com a redu\u00e7\u00e3o da acidez em profundidade\u201d, detalha o agr\u00f4nomo.\u00a0<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<div>\n<p>Ap\u00f3s os estudos iniciais em parceria com a IFPI, Antunes vem conduzindo outras a\u00e7\u00f5es de pesquisa na regi\u00e3o do Matopiba e no Par\u00e1 com o apoio da\u00a0Rede FertBrasil\u00a0e recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). <\/p>\n<p>Segundo ele, dados posteriores revelam um aumento de <strong>20% e at\u00e9 30%<\/strong> na produ\u00e7\u00e3o da soja em \u00e1reas onde foram utilizadas altas doses de calc\u00e1rio e gesso.<\/p>\n<p>Ele explica que, quando se corrige as caracter\u00edsticas do solo com a aplica\u00e7\u00e3o desses corretivos e h\u00e1 uma boa incorpora\u00e7\u00e3o, as ra\u00edzes das plantas conseguem explor\u00e1-lo melhor, atingindo camadas nas quais n\u00e3o conseguiam chegar anteriormente. Ali elas encontram \u00e1gua e nutrientes e passam pelo per\u00edodo sem chuvas sob uma condi\u00e7\u00e3o de estresse menor. <\/p>\n<p>\u201cO uso de corretivos cria um ambiente prop\u00edcio para o pleno desenvolvimento das plantas, algo fundamental principalmente em regi\u00f5es de fronteira agr\u00edcola, como o Matopiba, que tem uma condi\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica um pouco mais sens\u00edvel, e onde ainda se est\u00e1 criando a fertilidade do solo\u201d, ressalta Antunes.\u00a0<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-experiencias-de-produtores\">Experi\u00eancias de produtores<\/h2>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" alt=\"gr\u00e3os - soja\" class=\"wp-image-4041523\"  data-lazy- src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Mercado-da-soja-no-Brasil-deve-ser-pressionado-pela-queda.jpg\"\/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/Mercado-da-soja-no-Brasil-deve-ser-pressionado-pela-queda.jpg\" alt=\"gr\u00e3os - soja\" class=\"wp-image-4041523\"  \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: R.R. Rufino\/Embrapa<\/figcaption><\/figure>\n<p>O pesquisador chama a aten\u00e7\u00e3o para a diminui\u00e7\u00e3o das concentra\u00e7\u00f5es de f\u00f3sforo, pot\u00e1ssio e micronutrientes no solo, quando se utiliza elevadas doses de calc\u00e1rio. Isso se reflete na redu\u00e7\u00e3o de macro e micronutrientes nas plantas; assim, \u00e9 necess\u00e1rio que o produtor se atente para uma aduba\u00e7\u00e3o que corrija essas defici\u00eancias.\u00a0<\/p>\n<p>A experi\u00eancia do consultor Di\u00f3genes Brandalize tem sido positiva. Ele trabalha com uma propriedade de 3 mil hectares no munic\u00edpio de \u00c1gua Branca (PI), na qual planta soja, <strong><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/milho\/\">milho<\/a><\/strong>, sorgo e milheto e costumava utilizar 4 toneladas de calc\u00e1rio e meia tonelada de gesso por hectare. H\u00e1 tr\u00eas anos, passou a empregar doses mais elevadas visando maior produ\u00e7\u00e3o. O resultado foi um ganho de 20% na produtividade.<\/p>\n<p>H\u00e1 agricultores que participam do projeto, seguem com o manejo tradicional e aguardam os resultados definitivos das pesquisas. \u00c9 o caso de Lu\u00eds Fernando Devicari, que produz soja e milho, al\u00e9m de criar <strong><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/pecuaria\/\">bovinos<\/a> <\/strong>e ovinos numa propriedade de 1.020 hectares, na Fazenda Barbosa, em Brejo (MA). <\/p>\n<p>Devicari relata que costuma utilizar cerca de tr\u00eas toneladas de calc\u00e1rio por hectare, em \u00e1reas de abertura e, a cada dois ou tr\u00eas anos, acrescenta uma tonelada por hectare.<\/p>\n<p>\u201cEm algumas \u00e1reas mais deficit\u00e1rias aqui na regi\u00e3o, os produtores usam doses maiores. Aqui na fazenda, fazemos an\u00e1lise do solo todos os anos e, quando necess\u00e1rio, a gente coloca calc\u00e1rio\u201d, conta.<\/p>\n<p>O engenheiro-agr\u00f4nomo e consultor Christofer Andre Garanhani, de Paragominas (PA), afirma que os estudos t\u00eam ajudado o produtor a tomar decis\u00f5es sobre o volume de calc\u00e1rio a ser utilizado nas propriedades. <\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cCom a extens\u00e3o de \u00e1reas bastante argilosas que a gente tem, as doses de calc\u00e1rio precisam ser revistas. E os trabalhos aqui t\u00eam comprovado que a gente precisa de doses crescentes, principalmente para a composi\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o do perfil e depois, logicamente, para as reposi\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-doses-baixas-de-calcario-ja-nao-fazem-efeito\">\u201cDoses baixas de calc\u00e1rio j\u00e1 n\u00e3o fazem efeito\u201d<\/h2>\n<p>Ele conta que havia uma expectativa para o uso de doses at\u00e9 mais elevadas, mas com os resultados das pesquisas compreenderam como deve ser utilizado o calc\u00e1rio, buscando equil\u00edbrio para a qualidade do solo. Garanhani acredita que a maior barreira para a ado\u00e7\u00e3o dessa pr\u00e1tica \u00e9 o custo mais alto.<\/p>\n<p>\u201cEm uma regi\u00e3o de fronteira, a gente tem muito custo de abertura, constru\u00e7\u00e3o e infraestrutura, mas acredito que a maioria dos produtores sabe que doses baixas j\u00e1 n\u00e3o fazem o mesmo efeito, principalmente quando a gente trata de cultivares que j\u00e1 t\u00eam alto potencial gen\u00e9tico\u201d, analisa.<\/p>\n<p>Brandalize acredita que os produtores da regi\u00e3o est\u00e3o come\u00e7ando a adotar essa pr\u00e1tica. \u201cEst\u00e1 ocorrendo uma migra\u00e7\u00e3o lenta e gradual; em alguns casos, os produtores parcelam a dose total mais alta. A dificuldade de acesso ao cr\u00e9dito atrapalha de certa forma\u201d, conta.\u00a0<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/doses-elevadas-de-calcario-podem-elevar-a-produtividade-da-soja-em-ate-30\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A utiliza\u00e7\u00e3o de altas doses de calc\u00e1rio para cultivo de soja de primeira safra, na regi\u00e3o do Matopiba (parte dos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5507,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-5506","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5506"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5506"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5506\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5507"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5506"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5506"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5506"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}