{"id":4090,"date":"2024-10-28T15:39:31","date_gmt":"2024-10-28T19:39:31","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=4090"},"modified":"2024-10-28T15:39:31","modified_gmt":"2024-10-28T19:39:31","slug":"uso-excessivo-de-agua-no-matopiba-pode-comprometer-ate-40-da-capacidade-futura-de-expansao-da-irrigacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=4090","title":{"rendered":"Uso excessivo de \u00e1gua no Matopiba pode comprometer at\u00e9 40% da capacidade futura de expans\u00e3o da irriga\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p style=\"text-align:justify\">Considerada uma das fronteiras agr\u00edcolas que mais crescem no Brasil e a \u00e1rea com maior taxa de emiss\u00e3o de gases de efeito estufa no Cerrado, a regi\u00e3o conhecida como Matopiba corre o risco de enfrentar falta de \u00e1gua j\u00e1 nos pr\u00f3ximos anos. Entre 30% e 40% da demanda por irriga\u00e7\u00e3o de terras agricult\u00e1veis pode n\u00e3o ser atendida no per\u00edodo de 2025 a 2040 devido \u00e0 superexplora\u00e7\u00e3o dos recursos h\u00eddricos.&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Esse problema, somado \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, est\u00e1 reduzindo as vaz\u00f5es subterr\u00e2neas \u2013 provenientes do aqu\u00edfero Urucuia \u2013 e dos corpos d\u2019\u00e1gua superficiais da bacia do rio Grande, afluente do S\u00e3o Francisco. A redu\u00e7\u00e3o desse fluxo pode comprometer o atendimento a demandas como o abastecimento urbano, de popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas e o pr\u00f3prio agroneg\u00f3cio, sem contar a diminui\u00e7\u00e3o de disponibilidade para toda a bacia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A conclus\u00e3o \u00e9 de um estudo liderado por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que analisou a sustentabilidade de longo prazo da expans\u00e3o agr\u00edcola em meio \u00e0 crescente escassez de \u00e1gua na regi\u00e3o. O trabalho, idealizado pela cientista do Inpe Ana Paula Aguiar\u00a0e realizado em parceria com o Centro de Resili\u00eancia de Estocolmo (Su\u00e9cia), aponta que deve haver um aumento de at\u00e9 40% de energia para irriga\u00e7\u00e3o, pressionando ainda mais o sistema.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Acr\u00f4nimo formado pelas siglas de quatro Estados \u2013 Maranh\u00e3o, Tocantins, Piau\u00ed e Bahia \u2013, o Matopiba est\u00e1 inserido predominantemente no Cerrado (91% da \u00e1rea ou 665 mil km2), tendo apenas 7,3% na Amaz\u00f4nia e 1,7% na Caatinga. Em sua parte sudeste, \u00e9 abastecido pela bacia do rio Grande, que cobre cerca de 76 mil km2.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Para fazer a an\u00e1lise, os pesquisadores usaram um modelo de din\u00e2mica de sistemas \u2013 uma ferramenta que permite representar as complexas intera\u00e7\u00f5es e feedbacks entre uso da terra, energia e \u00e1gua, al\u00e9m de simular diferentes cen\u00e1rios, vendo como \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o ao longo do tempo. Com isso, ajuda na tomada de decis\u00f5es e na implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas mais eficazes.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cA din\u00e2mica de sistemas considera uma vis\u00e3o hol\u00edstica, simulando as rela\u00e7\u00f5es e as v\u00e1rias demandas \u2013 irriga\u00e7\u00e3o, energia el\u00e9trica, consumo \u2013 que existem simultaneamente na regi\u00e3o. Isso nem sempre \u00e9 considerado em an\u00e1lises realizadas por \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos\u201d, diz o pesquisador do Inpe Celso von Randow, um dos autores do trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O artigo foi publicado na Ambio \u2013 Journal of Environment and Society e \u00e9 parte do projeto Nexus \u2013 Caminhos para a Sustentabilidade, coordenado por Jean Ometto, pesquisador do Inpe e membro da coordena\u00e7\u00e3o do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Globais (PFPMCG). O projeto buscou propor estrat\u00e9gias para viabilizar a transi\u00e7\u00e3o para um futuro sustent\u00e1vel nos biomas Cerrado e Caatinga por meio de uma abordagem participativa, integrando m\u00e9todos qualitativos e quantitativos.&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O relat\u00f3rio t\u00e9cnico do Nexus,\u00a0que traz informa\u00e7\u00f5es da pesquisa do grupo e de outras desenvolvidas na regi\u00e3o, foi lan\u00e7ado agora em outubro e apresentado no semin\u00e1rio \u201cContribui\u00e7\u00f5es da comunidade cient\u00edfica brasileira para a tem\u00e1tica de combate \u00e0 desertifica\u00e7\u00e3o\u201d, realizado na Superintend\u00eancia do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Pesquisadores do grupo estar\u00e3o juntamente com a delega\u00e7\u00e3o brasileira na Confer\u00eancia das Partes da Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Combate \u00e0 Desertifica\u00e7\u00e3o (UNCCD), na Ar\u00e1bia Saudita, em dezembro.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cA ideia do estudo nasceu de uma das oficinas do projeto Nexus, realizada no munic\u00edpio de Barreiras. Havia uma preocupa\u00e7\u00e3o com a sustentabilidade do sistema de irriga\u00e7\u00e3o. Desenvolvemos um modelo de din\u00e2mica de sistemas para a regi\u00e3o, mas ele pode ser aplicado a outras \u00e1reas adaptando algumas vari\u00e1veis de acordo com a necessidade\u201d, explica a engenheira agr\u00edcola Minella Alves Martins, primeira autora do artigo e orientanda de von Randow no Inpe com o apoio da FAPESP.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Durante a oficina, os principais desafios relatados na bacia do rio Grande estavam relacionados \u00e0 disponibilidade de \u00e1gua \u2013 tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo \u2013 e aos conflitos socioambientais motivados por seu uso e pela posse irregular da terra. Mais de 90% das retiradas de \u00e1gua na bacia s\u00e3o destinadas \u00e0 irriga\u00e7\u00e3o, de acordo com dados da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas e Saneamento B\u00e1sico (ANA).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">&#13;<br \/>\nUma das oficinas realizadas em Barreiras para montar o escopo da pesquisa (foto: Projeto Nexus)\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Nos \u00faltimos dez anos, o Matopiba \u2013 com 337 munic\u00edpios \u2013 registrou um salto na produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os \u2013 92%, passando de 18 milh\u00f5es de toneladas (safra 2013\/14) para cerca de 35 milh\u00f5es de toneladas. Na Bahia, as culturas de soja, milho e algod\u00e3o s\u00e3o destaque, tendo o munic\u00edpio de Barreiras como um dos principais produtores no Estado.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Estima-se que na pr\u00f3xima d\u00e9cada o crescimento agr\u00edcola do Matopiba ainda seja de 37%, com a produ\u00e7\u00e3o atingindo 48 milh\u00f5es de toneladas em uma \u00e1rea plantada de 110 mil km2. Os n\u00fameros fazem parte do estudo Proje\u00e7\u00f5es do Agroneg\u00f3cio, elaborado pelo Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Por outro lado, a seca severa que vem atingindo o pa\u00eds reduziu a previs\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os na safra 2023\/2024, especialmente no Matopiba. Para agravar a situa\u00e7\u00e3o, o Cerrado bateu recorde de focos de inc\u00eandio neste ano. Foram 68.868 entre janeiro e 25 de setembro, superando todo o ano de 2023. \u00c9 o maior desde 2015.&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Com esse cen\u00e1rio, al\u00e9m de registrar aumento da temperatura, o Matopiba emitiu 80% dos 135 milh\u00f5es de toneladas de CO2 liberadas para a atmosfera por causa do desmatamento no Cerrado entre janeiro de 2023 e julho de 2024, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia (Ipam).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A destrui\u00e7\u00e3o da vegeta\u00e7\u00e3o nativa pelo fogo e o desmatamento para outros usos levam a uma redu\u00e7\u00e3o da evapotranspira\u00e7\u00e3o das plantas, diminuindo a quantidade de chuva. H\u00e1 ainda o fato de a \u00e1gua, sem a cobertura vegetal, chegar com mais for\u00e7a ao solo, escorrendo superficialmente e deixando de formar os canais subterr\u00e2neos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Proje\u00e7\u00f5es<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O modelo de din\u00e2mica de sistemas usado pelos pesquisadores para a regi\u00e3o mostrou que as vaz\u00f5es superficiais e subterr\u00e2neas tendem a diminuir at\u00e9 2040. Eles levaram em considera\u00e7\u00e3o os usos de \u00e1gua atuais, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e feedbacks econ\u00f4micos. Em contrapartida, haver\u00e1 um aumento na demanda de \u00e1gua, principalmente impulsionada pela expans\u00e3o da irriga\u00e7\u00e3o. Deve passar de 1,53 m\u00b3\/s (2011-2020) para 2,18 m\u00b3\/s (2031-2040).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Por isso, os pesquisadores apontam a possibilidade de estagna\u00e7\u00e3o da expans\u00e3o da agricultura irrigada na regi\u00e3o, levantando preocupa\u00e7\u00f5es sobre a sustentabilidade de longo prazo do setor na bacia do rio Grande.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cOuvimos muito na regi\u00e3o que as retiradas de \u00e1gua s\u00e3o acima dos n\u00edveis de outorga. Ent\u00e3o, o primeiro ponto de recomenda\u00e7\u00e3o seria a revis\u00e3o dessas permiss\u00f5es, justamente para que estejam de acordo com o novo normal climatol\u00f3gico que estamos vivendo. A s\u00e9rie hist\u00f3rica pode estar defasada, levando a uma permiss\u00e3o acima do que \u00e9 poss\u00edvel ofertar. Observamos por meio de dados de monitoramento de po\u00e7os da CPRM que os n\u00edveis de \u00e1guas subterr\u00e2neas est\u00e3o caindo, mas esse sistema ainda \u00e9 muito utilizado. Por isso, outra necessidade seria a fiscaliza\u00e7\u00e3o para proibir po\u00e7os clandestinos e o monitoramento da explora\u00e7\u00e3o de novos locais de perfura\u00e7\u00e3o, visando um uso racional dos recursos h\u00eddricos\u201d, afirma Martins \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O grupo recomenda tamb\u00e9m que seja aprimorada a fiscaliza\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as de uso e cobertura do solo para que \u00e1reas de recarga do aqu\u00edfero n\u00e3o sejam comprometidas, al\u00e9m de incentivar estrat\u00e9gias mais eficientes e racionais da utiliza\u00e7\u00e3o de \u00e1gua na agricultura. Para estudos futuros, os cientistas sugerem a explora\u00e7\u00e3o de outros caminhos para adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s condi\u00e7\u00f5es atuais, como a possibilidade de conectar o subsistema el\u00e9trico local \u00e0 rede nacional e a cria\u00e7\u00e3o de canais adicionais para garantir o abastecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O artigo Long-term sustainability of the water-agriculture-energy nexus in Brazil\u2019s MATOPIBA region: A case study using system dynamics pode ser lido em: https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s13280-024-02058-9#Ack1.<br \/>&#13;<br \/>\n\u00a0<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><script data-cfasync=\"false\">\n    !function (f, b, e, v, n, t, s) {\n        if (f.fbq) return; n = f.fbq = function () {\n            n.callMethod ?\n                n.callMethod.apply(n, arguments) : n.queue.push(arguments)\n        };\n        if (!f._fbq) f._fbq = n; n.push = n; n.loaded = !0; n.version = '2.0';\n        n.queue = []; t = b.createElement(e); t.async = !0;\n        t.src = v; s = b.getElementsByTagName(e)[0];\n        s.parentNode.insertBefore(t, s)\n    }(window, document, 'script',\n        'https:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/fbevents.js');\n    fbq('init', '522546078623747');\n    fbq('track', 'PageView');\n<\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agrolink.com.br\/noticias\/uso-excessivo-de-agua-no-matopiba-pode-comprometer-ate-40--da-capacidade-futura-de-expansao-da-irrigacao_496249.html\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Considerada uma das fronteiras agr\u00edcolas que mais crescem no Brasil e a \u00e1rea com maior taxa de emiss\u00e3o de gases<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4091,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[8,1,14],"tags":[],"class_list":["post-4090","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agro","category-news","category-politica-agro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4090"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4090"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4090\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4091"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4090"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4090"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4090"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}