{"id":39530,"date":"2026-08-14T07:39:46","date_gmt":"2026-08-14T11:39:46","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=39530"},"modified":"2026-08-14T07:39:46","modified_gmt":"2026-08-14T11:39:46","slug":"descoberta-pode-mudar-manejo-do-nitrogenio-no-algodao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=39530","title":{"rendered":"Descoberta pode mudar manejo do nitrog\u00eanio no algod\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p style=\"text-align:justify\">Pesquisadores da Embrapa identificaram bact\u00e9rias capazes de fixar <a href=\"https:\/\/www.agrolink.com.br\/fertilizantes\/nutrientes\/fertilizantes-minerais-nitrogenados_361444.html?utm_source=agrolink-detalhe-noticia&amp;utm_medium=detalhe-noticia&amp;utm_campaign=links-internos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Nitrog\u00eanio<\/a> em plantas de <a href=\"https:\/\/www.agrolink.com.br\/culturas\/algodao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">algod\u00e3o<\/a>, abrindo caminho para o desenvolvimento de bioinsumos que podem reduzir parte da depend\u00eancia de fertilizantes nitrogenados. Em testes realizados em 2025, plantas inoculadas apresentaram desempenho semelhante ao de plantas que receberam a dose recomendada de adubo nitrogenado.&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A descoberta envolve bact\u00e9rias diazotr\u00f3ficas encontradas nas ra\u00edzes de algod\u00e3o arb\u00f3reo. Esses microrganismos conseguem transformar o nitrog\u00eanio presente no ar em formas que podem ser assimiladas pelas plantas. A pesquisa \u00e9 coordenada pela pesquisadora da Embrapa Algod\u00e3o (PB) L\u00facia Hoffmann, em parceria com a Embrapa Agrobiologia (RJ). O trabalho come\u00e7ou com o isolamento, em laborat\u00f3rio, de bact\u00e9rias presentes nas ra\u00edzes do algod\u00e3o arb\u00f3reo Gossypium barbadense.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Fixa\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio no algod\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A fixa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de Nitrog\u00eanio j\u00e1 \u00e9 uma tecnologia consolidada em leguminosas como a <a href=\"https:\/\/www.agrolink.com.br\/culturas\/soja?utm_source=agrolink-detalhe-noticia&amp;utm_medium=detalhe-noticia&amp;utm_campaign=links-internos\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">soja<\/a>, mas ainda n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel comercialmente no algod\u00e3o. Segundo L\u00facia Hoffmann, em soja a associa\u00e7\u00e3o ocorre por meio de n\u00f3dulos presentes nas ra\u00edzes. No algod\u00e3o, a inocula\u00e7\u00e3o das bact\u00e9rias pode potencialmente substituir parte da aduba\u00e7\u00e3o nitrogenada. \u201cEm soja isso j\u00e1 \u00e9 muito conhecido, mas a soja \u00e9 capaz de simbiose com essas bact\u00e9rias, atrav\u00e9s dos n\u00f3dulos presentes nas ra\u00edzes. A inocula\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias no algod\u00e3o pode potencialmente substituir adubo nitrogenado, que \u00e9 caro, e que n\u00e3o poderia ser utilizado em agricultura org\u00e2nica, por exemplo\u201d, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Hoffmann trabalha h\u00e1 24 anos no mapeamento e na cataloga\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies arb\u00f3reas no Brasil. Entre os algodoeiros aparentados ao algod\u00e3o cultivado est\u00e3o o algod\u00e3o nativo brasileiro (Gossypium mustelinum), o algod\u00e3o moc\u00f3 e o algod\u00e3o ancestral (Gossypium barbadense).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Segundo a pesquisadora, os algodoeiros arb\u00f3reos possuem ra\u00edzes profundas que contribuem para a conserva\u00e7\u00e3o do solo e estabelecem associa\u00e7\u00f5es com fungos e bact\u00e9rias, auxiliando no aproveitamento de \u00e1gua e nutrientes.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Bact\u00e9rias apresentam efeito semelhante ao do fertilizante<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Ap\u00f3s o isolamento das bact\u00e9rias diazotr\u00f3ficas, os pesquisadores realizaram a inocula\u00e7\u00e3o dos microrganismos em plantas de algod\u00e3o herb\u00e1ceo, esp\u00e9cie cultivada comercialmente em larga escala.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Os primeiros testes mostraram desempenho semelhante entre as plantas tratadas apenas com bact\u00e9rias e aquelas que receberam a dose recomendada de fertilizante nitrogenado para o cultivo de algod\u00e3o no Cerrado.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O experimento foi realizado em 2025, no N\u00facleo Regional do Algod\u00e3o no Cerrado, sediado na Embrapa Arroz e Feij\u00e3o (GO). As plantas foram cultivadas individualmente em vasos, em ambiente controlado de casas de vegeta\u00e7\u00e3o. \u201cObservamos que as plantas que receberam apenas as bact\u00e9rias, sem aduba\u00e7\u00e3o nitrogenada, tiveram desenvolvimento equivalente ao das plantas adubadas. Isso indica que esses microrganismos t\u00eam potencial para serem utilizados como bioinsumos, substituindo parte da aduba\u00e7\u00e3o convencional\u201d, relata L\u00facia Hoffmann.&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A pesquisa agora avan\u00e7a para a identifica\u00e7\u00e3o e caracteriza\u00e7\u00e3o de novas estirpes de bact\u00e9rias diazotr\u00f3ficas que possam integrar futuros bioinsumos para o algod\u00e3o e outras culturas agr\u00edcolas. \u201cO pr\u00f3ximo passo \u00e9 aprofundar os estudos para identificar e caracterizar novas estirpes de bact\u00e9rias diazotr\u00f3ficas que possam compor futuros bioinsumos para o cultivo do algod\u00e3o e de outras culturas agr\u00edcolas\u201d, conta a pesquisadora Marcia Soares Vidal.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Nitrog\u00eanio pesa nos custos do algod\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Segundo dados divulgados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecu\u00e1ria (Imea) em parceria com o Senar-MT, fertilizantes e defensivos representam atualmente 44,76% do custo total de produ\u00e7\u00e3o do algod\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">No Brasil, o custo total de produ\u00e7\u00e3o estimado em julho de 2025 chegou a R$ 18.454,19 por hectare, alta de 17,83% em rela\u00e7\u00e3o ao consolidado da safra 2024\/25.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Em Mato Grosso, maior produtor nacional da fibra, o custo consolidado da safra 2024\/25 foi de R$ 15.661,10 por hectare, queda de 3,43% ante a temporada anterior. Segundo dados divulgados pelo Imea e pelo Senar-MT, a redu\u00e7\u00e3o foi impulsionada principalmente pela diminui\u00e7\u00e3o dos gastos com corretivos de solo e defensivos agr\u00edcolas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">As pesquisadoras da Embrapa destacam que a nutri\u00e7\u00e3o mineral \u00e9 o principal custo de produ\u00e7\u00e3o da cultura e que o nitrog\u00eanio est\u00e1 entre os nutrientes que mais sofrem perdas durante a aduba\u00e7\u00e3o. \u201cO nitrog\u00eanio \u00e9 o nutriente que mais costuma apresentar defici\u00eancia, mesmo que aplicado nas doses recomendadas, possivelmente devido a perdas por volatiliza\u00e7\u00e3o, no caso de am\u00f4nia, denitrifica\u00e7\u00e3o ou lixivia\u00e7\u00e3o\u201d, explicam as pesquisadoras.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Bioinsumos podem ampliar ganhos econ\u00f4micos e ambientais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Al\u00e9m do potencial econ\u00f4mico, a fixa\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica de nitrog\u00eanio pode contribuir para reduzir os impactos ambientais associados ao uso de fertilizantes nitrogenados. Segundo as pesquisadoras, a menor utiliza\u00e7\u00e3o desses produtos pode reduzir a emiss\u00e3o de \u00f3xido nitroso, um dos principais gases de efeito estufa emitidos pelos solos agr\u00edcolas. \u201cA emiss\u00e3o de \u00f3xido nitroso para a atmosfera pode ser minimizada restringindo a aduba\u00e7\u00e3o nitrogenada, seja qu\u00edmica ou org\u00e2nica. O \u00f3xido nitroso \u00e9, depois do CO2, o principal g\u00e1s de estufa emitido pelos solos agr\u00edcolas\u201d, destacam.&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A pesquisa tamb\u00e9m busca diminuir a depend\u00eancia brasileira das importa\u00e7\u00f5es de fertilizantes nitrogenados. Atualmente, o Pa\u00eds importa 95% do adubo nitrogenado utilizado nas lavouras.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">As bact\u00e9rias estudadas ainda podem apresentar outras fun\u00e7\u00f5es al\u00e9m da fixa\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio. Segundo as pesquisadoras, alguns microrganismos possuem propriedades relacionadas \u00e0 promo\u00e7\u00e3o do crescimento das plantas, absor\u00e7\u00e3o de nutrientes, antagonismo a pat\u00f3genos e insetos-pragas, indu\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia e mitiga\u00e7\u00e3o do estresse h\u00eddrico. \u201cElas s\u00e3o microrganismos ben\u00e9ficos multifuncionais, que estabelecem uma associa\u00e7\u00e3o de mutualismo com as plantas hospedeiras, e apresentam propriedades de promo\u00e7\u00e3o do crescimento de plantas (Plant Growth Promotion), como a s\u00edntese de fitorm\u00f4nios, absor\u00e7\u00e3o de nutrientes, antagonismo a pat\u00f3genos e insetos-pragas, indutores de resist\u00eancia e mitigadores de estresse h\u00eddrico\u201d, afirmam.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Com base nessas caracter\u00edsticas, a Embrapa Algod\u00e3o e a Embrapa Agrobiologia continuam os estudos para desenvolver novos bioinsumos capazes de contribuir para a produtividade das plantas mesmo sob condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas adversas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Receita pode cobrir custos da atividade<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Segundo dados divulgados pelo Imea em parceria com o Senar-MT, a receita bruta estimada para a safra brasileira 2024\/25, considerando a comercializa\u00e7\u00e3o da pluma e do caro\u00e7o de algod\u00e3o, chega a R$ 18.727,44 por hectare.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O valor representa aumento de 6,39% em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 safra 2023\/24. De acordo com os dados, a receita \u00e9 suficiente para cobrir todos os custos de produ\u00e7\u00e3o e proporciona margem estimada de R$ 3.066,34 por hectare. Nesse cen\u00e1rio, o desenvolvimento de bioinsumos capazes de fornecer nitrog\u00eanio \u00e0s plantas pode representar uma nova frente de pesquisa para reduzir a depend\u00eancia da aduba\u00e7\u00e3o convencional e ampliar a efici\u00eancia produtiva do algod\u00e3o.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><script data-cfasync=\"false\">\n    !function (f, b, e, v, n, t, s) {\n        if (f.fbq) return; n = f.fbq = function () {\n            n.callMethod ?\n                n.callMethod.apply(n, arguments) : n.queue.push(arguments)\n        };\n        if (!f._fbq) f._fbq = n; n.push = n; n.loaded = !0; n.version = '2.0';\n        n.queue = []; t = b.createElement(e); t.async = !0;\n        t.src = v; s = b.getElementsByTagName(e)[0];\n        s.parentNode.insertBefore(t, s)\n    }(window, document, 'script',\n        'https:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/fbevents.js');\n    fbq('init', '522546078623747');\n    fbq('track', 'PageView');\n<\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agrolink.com.br\/noticias\/descoberta-pode-mudar-manejo-do-nitrogenio-no-algodao_517747.html\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores da Embrapa identificaram bact\u00e9rias capazes de fixar Nitrog\u00eanio em plantas de algod\u00e3o, abrindo caminho para o desenvolvimento de bioinsumos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3052,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[8,1,14],"tags":[],"class_list":["post-39530","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agro","category-news","category-politica-agro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/39530"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=39530"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/39530\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3052"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=39530"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=39530"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=39530"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}