{"id":37908,"date":"2026-07-25T15:29:05","date_gmt":"2026-07-25T19:29:05","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=37908"},"modified":"2026-07-25T15:29:05","modified_gmt":"2026-07-25T19:29:05","slug":"a-disputa-pelo-prato-do-futuro-e-por-que-nao-associamos-o-feijao-a-proteina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=37908","title":{"rendered":"A disputa pelo prato do futuro, e por que n\u00e3o associamos o feij\u00e3o \u00e0 prote\u00edna?"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/A-disputa-pelo-prato-do-futuro-e-por-que-nao.jpg\" alt=\"prato de feij\u00e3o\" \/><figcaption>Foto: Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 mais de 30 anos acompanho diariamente o mercado de Feij\u00e3o. Nesse per\u00edodo, aprendi que, quando falamos desse alimento, estamos tratando de muito mais do que uma commodity agr\u00edcola. Estamos falando do Prato Feito brasileiro, da seguran\u00e7a alimentar e da forma como milh\u00f5es de fam\u00edlias se alimentam.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Posso afirmar que poucas vezes vi tantas mudan\u00e7as acontecendo ao mesmo tempo, e n\u00e3o apenas na lavoura, mas principalmente no consumidor.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante d\u00e9cadas, uma pergunta orientou grande parte das an\u00e1lises sobre o consumo de alimentos: quanto o consumidor pode gastar?<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela continua indispens\u00e1vel. Infla\u00e7\u00e3o, juros, renda, emprego e c\u00e2mbio determinam o tamanho da cesta de compras. Quando o or\u00e7amento aperta, as fam\u00edlias substituem marcas, reduzem quantidades, procuram promo\u00e7\u00f5es e reorganizam o card\u00e1pio.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas uma segunda pergunta come\u00e7a a ganhar protagonismo, silenciosamente, no Brasil e no exterior: o que merece ocupar espa\u00e7o no prato?<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pode parecer uma mudan\u00e7a pequena, mas ela tem potencial para redesenhar uma parte importante do mercado de alimentos. O consumidor continua atento ao pre\u00e7o. Compara ofertas e troca de marca quando necess\u00e1rio. Por\u00e9m, cada vez mais, sua decis\u00e3o tamb\u00e9m considera sa\u00fade, praticidade, origem, confian\u00e7a, qualidade nutricional e a hist\u00f3ria por tr\u00e1s do produto.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em outras palavras, ele n\u00e3o procura apenas o alimento mais barato. Procura aquilo que, dentro de seu or\u00e7amento, entrega mais valor. Essa transforma\u00e7\u00e3o merece a aten\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio brasileiro.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante muito tempo, concentramos nossa comunica\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o. Quantos hectares foram plantados? Qual ser\u00e1 a produtividade? Quanto exportamos? Como est\u00e3o os pre\u00e7os?<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essas quest\u00f5es continuar\u00e3o essenciais para produtores, empacotadores, cerealistas e exportadores. Mas, se desejamos aumentar o consumo dos alimentos de verdade, precisamos olhar com mais aten\u00e7\u00e3o para quem est\u00e1 do outro lado da cadeia: a pessoa que decide, todos os dias, o que colocar na mesa da fam\u00edlia.<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><em>Veja em primeira m\u00e3o tudo sobre agricultura, pecu\u00e1ria, economia e <a title=\"Previs\u00e3o e informa\u00e7\u00f5es sobre previs\u00e3o do tempo\" href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/previsao-do-tempo\/\">previs\u00e3o do tempo<\/a>: <\/em><a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAqBwgKMPKZlQswq_mqAw?hl=pt-BR&amp;gl=BR&amp;ceid=BR%3Apt-419\"><em>siga o Canal Rural no Google News!<\/em><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa decis\u00e3o passou a ser influenciada por fatores que, at\u00e9 poucos anos atr\u00e1s, quase n\u00e3o apareciam nas an\u00e1lises agr\u00edcolas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o aumenta a preocupa\u00e7\u00e3o com a alimenta\u00e7\u00e3o preventiva. A incid\u00eancia de doen\u00e7as metab\u00f3licas amplia a procura por dietas equilibradas. A dissemina\u00e7\u00e3o de medicamentos voltados ao controle do diabetes e da obesidade tamb\u00e9m come\u00e7a a alterar o comportamento alimentar de milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Posso falar por experi\u00eancia pr\u00f3pria. Ao iniciar o uso de um medicamento da classe GLP-1, ouvi do m\u00e9dico uma orienta\u00e7\u00e3o muito clara: seria necess\u00e1rio prestar ainda mais aten\u00e7\u00e3o ao consumo de prote\u00edna.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando a fome diminui, cada refei\u00e7\u00e3o passa a ter um peso maior. N\u00e3o se trata apenas de comer menos. \u00c9 preciso escolher melhor o que ser\u00e1 consumido. Foi ent\u00e3o que me fiz uma pergunta: quando se recomenda prote\u00edna, por que quase ningu\u00e9m se lembra do Feij\u00e3o?<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A publicidade costuma relacionar prote\u00edna principalmente \u00e0s carnes, aos latic\u00ednios, aos suplementos, \u00e0s barras e a uma nova gera\u00e7\u00e3o de produtos industrializados. Ao mesmo tempo, um dos alimentos mais completos, acess\u00edveis e presentes na cultura brasileira permanece quase invis\u00edvel nessa conversa. Esse \u00e9 um dos grandes paradoxos da alimenta\u00e7\u00e3o moderna.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto a ind\u00fastria trabalha para adicionar prote\u00ednas e fibras a diferentes formula\u00e7\u00f5es, o Feij\u00e3o j\u00e1 re\u00fane naturalmente prote\u00edna vegetal, fibras, vitaminas e minerais. Al\u00e9m disso, carrega uma hist\u00f3ria constru\u00edda ao longo de gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mesmo vale para o gr\u00e3o-de-bico, a lentilha e a ervilha. Esses alimentos, conhecidos internacionalmente como pulses, ocupam espa\u00e7o crescente nos debates sobre nutri\u00e7\u00e3o, sustentabilidade e seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Brasil, por\u00e9m, continuamos tratando-os quase exclusivamente como commodities ou produtos b\u00e1sicos de abastecimento. N\u00e3o est\u00e1 na hora de mudar essa narrativa?<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro movimento importante ocorre dentro dos supermercados. As grandes redes est\u00e3o ampliando suas marcas pr\u00f3prias e procurando produtos que combinem qualidade, diferencia\u00e7\u00e3o e pre\u00e7o competitivo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso n\u00e3o deve ser visto apenas como amea\u00e7a para a ind\u00fastria. Pode representar uma oportunidade para empacotadores e processadores brasileiros desenvolverem novas linhas de Feij\u00f5es, pulses, pipoca, gergelim e outras colheitas especiais.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m cresce o interesse por alimentos minimamente processados, por ingredientes de origem conhecida e por produtos cuja hist\u00f3ria possa ser contada. O consumidor quer entender quem produz, como produz e por que aquele alimento merece sua confian\u00e7a.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso aproxima o campo da mesa de uma maneira que ainda n\u00e3o compreendemos completamente. E o Brasil possui vantagens extraordin\u00e1rias nesse cen\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Somos capazes de produzir durante praticamente todo o ano. Temos uma enorme diversidade de Feij\u00f5es, al\u00e9m de pulses, pipoca, gergelim e outras culturas especiais. Contamos com pesquisa cient\u00edfica, produtores tecnificados, agricultura familiar, cooperativas, empresas de beneficiamento e presen\u00e7a crescente no com\u00e9rcio internacional.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas ainda precisamos conectar essa capacidade produtiva com aquilo que realmente move o consumidor.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o basta produzir mais. \u00c9 preciso comunicar melhor. N\u00e3o basta exportar mais. \u00c9 preciso construir reputa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o basta afirmar que o alimento \u00e9 saud\u00e1vel. \u00c9 necess\u00e1rio explicar, demonstrar e participar ativamente da conversa sobre sa\u00fade e alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem n\u00e3o ocupar esse espa\u00e7o corre o risco de produzir alimentos extraordin\u00e1rios e continuar invis\u00edvel aos olhos do consumidor. \u00c9 por isso que tenho defendido o conceito de Agroalimento.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O s\u00e9culo 21 provavelmente n\u00e3o ser\u00e1 lembrado apenas pela expans\u00e3o do agroneg\u00f3cio. Ser\u00e1 lembrado como o per\u00edodo em que a sociedade passou a discutir, com muito mais profundidade, a qualidade daquilo que come.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem compreender essa mudan\u00e7a deixar\u00e1 de vender somente produtos agr\u00edcolas e passar\u00e1 a oferecer solu\u00e7\u00f5es alimentares. Essa diferen\u00e7a \u00e9 enorme.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O produtor continuar\u00e1 olhando para o clima, os custos, a produtividade, o c\u00e2mbio e os mercados internacionais. Mas precisar\u00e1 olhar tamb\u00e9m para o consumidor final, entender suas preocupa\u00e7\u00f5es, suas aspira\u00e7\u00f5es e seus novos h\u00e1bitos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00f3xima grande disputa do agro n\u00e3o acontecer\u00e1 apenas pela terra, pela produtividade ou pelos mercados externos. Ser\u00e1 tamb\u00e9m uma disputa por espa\u00e7o no prato.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O futuro do agroneg\u00f3cio continuar\u00e1 sendo constru\u00eddo na lavoura. Mas ser\u00e1 confirmado \u2014 ou n\u00e3o \u2014 todos os dias, diante de milh\u00f5es de consumidores.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem compreender isso primeiro deixar\u00e1 de disputar apenas mercados. Passar\u00e1 a disputar algo ainda mais valioso: a confian\u00e7a de quem escolhe o que colocar no prato.<\/p>\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\">\n<figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"346\" height=\"278\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/O-que-e-comida-regenerativa-e-o-que-tem-a.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4103453 size-full\" \/><\/figure>\n<div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>*<strong>Marcelo L\u00fcders<\/strong> \u00e9 presidente do Instituto Brasileiro do Feij\u00e3o e Pulses (Ibrafe), e atua na promo\u00e7\u00e3o do feij\u00e3o brasileiro no mercado interno e internacional<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em>O&nbsp;<strong>Canal Rural<\/strong>&nbsp;n\u00e3o se responsabiliza pelas opini\u00f5es e conceitos emitidos nos textos desta sess\u00e3o, sendo os conte\u00fados de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s normas de publica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/a-disputa-pelo-prato-do-futuro-e-por-que-nao-associamos-o-feijao-a-proteina\/\">A disputa pelo prato do futuro, e por que n\u00e3o associamos o feij\u00e3o \u00e0 prote\u00edna?<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\">Canal Rural<\/a>.<\/p>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/a-disputa-pelo-prato-do-futuro-e-por-que-nao-associamos-o-feijao-a-proteina\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Pixabay H\u00e1 mais de 30 anos acompanho diariamente o mercado de Feij\u00e3o. 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