{"id":37872,"date":"2026-07-24T20:34:19","date_gmt":"2026-07-25T00:34:19","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=37872"},"modified":"2026-07-24T20:34:19","modified_gmt":"2026-07-25T00:34:19","slug":"numero-de-especies-exoticas-de-moluscos-no-brasil-aumenta-215-em-15-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=37872","title":{"rendered":"N\u00famero de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas de moluscos no Brasil aumenta 215% em 15 anos"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Numero-de-especies-exoticas-de-moluscos-no-Brasil-aumenta-215.jpg\" alt=\"Caramujo-africano\" \/><figcaption>Foto: LocoWiki\/Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O n\u00famero de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas (n\u00e3o nativas) de moluscos encontradas no Brasil aumentou de 26 para 82 nos \u00faltimos 15 anos, segundo o primeiro invent\u00e1rio de amplitude nacional j\u00e1 produzido sobre esses organismos no pa\u00eds. <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vinte dessas esp\u00e9cies s\u00e3o consideradas invasoras (ou seja, capazes de causar preju\u00edzos ecol\u00f3gicos, socioecon\u00f4micos ou \u00e0 sa\u00fade), incluindo o mexilh\u00e3o-dourado e o caramujo-africano. A lista completa inclui organismos terrestres, aqu\u00e1ticos (de \u00e1gua doce) e marinhos (de \u00e1gua salgada).<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cObservamos uma taxa acelerada de introdu\u00e7\u00e3o de moluscos n\u00e3o nativos no Brasil e lacunas persistentes no conhecimento taxon\u00f4mico e ecol\u00f3gico dessas esp\u00e9cies\u201d, comenta o pesquisador, Marcel Sabino Miranda.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo, publicado em abril na revista <em>Biological Invasions<\/em>, foi liderado por Fabrizio Marcondes Machado, do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em colabora\u00e7\u00e3o com cientistas de diversas institui\u00e7\u00f5es, de diversos Estados brasileiros.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"450\" height=\"298\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/1784939659_190_Numero-de-especies-exoticas-de-moluscos-no-Brasil-aumenta-215.jpg\" alt=\"mexilh\u00e3o-dourado\" class=\"wp-image-4198960\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Imagem: Luciano de Souza\/Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure>\n<h2 id=\"h-deteccao\" class=\"wp-block-heading\">Detec\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os autores destacam a necessidade urgente de fortalecer medidas de biosseguran\u00e7a e esfor\u00e7os de detec\u00e7\u00e3o precoce, al\u00e9m de estabelecer programas de monitoramento de longo prazo em todos os ambientes. Defendem ainda que, quando houver impactos, se definam adequadamente sua qualidade e magnitude.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAlgumas esp\u00e9cies s\u00e3o bem problem\u00e1ticas, como o mexilh\u00e3o-dourado e o caramujo-africano, mas a maioria n\u00e3o sabemos se est\u00e1 causando algum dano ou pode vir a causar\u201d, conta Miranda, que atualmente realiza est\u00e1gio de p\u00f3s-doutorado na Universidade do Alabama, nos Estados Unidos.<\/p>\n<h2 id=\"h-especies-invasoras\" class=\"wp-block-heading\">Esp\u00e9cies invasoras<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mexilh\u00e3o-dourado<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mexilh\u00e3o-dourado (<em>Limnoperna fortunei<\/em>) chegou ao Brasil provavelmente no in\u00edcio dos anos 1990, ap\u00f3s uma longa jornada de invas\u00f5es desde a China. Espalhado pela Am\u00e9rica do Sul, causa entupimentos e perda de efici\u00eancia em usinas hidrel\u00e9tricas, entre outros problemas. <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de ser alvo de um plano de controle, o molusco continua prosperando. Estima-se que cerca de US$ 10 milh\u00f5es j\u00e1 tenham sido aplicados para combat\u00ea-lo no Brasil.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Caramujo-africano<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caramujo-africano (<em>Lissachatina fulica<\/em>), por sua vez, foi introduzido no pa\u00eds como alternativa ao <em>escargot<\/em>, mas teve o cultivo abandonado e hoje est\u00e1 espalhado pelo territ\u00f3rio. Pode ser uma praga agr\u00edcola, al\u00e9m de hospedeiro intermedi\u00e1rio de um parasita causador de meningite, o nematoide <em>Angiostrongylus cantonensis<\/em>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo os pesquisadores, h\u00e1 poucas informa\u00e7\u00f5es sobre moluscos invasores no Brasil, apesar de as invas\u00f5es biol\u00f3gicas serem apontadas como uma das principais amea\u00e7as \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da biodiversidade no mundo. Por aqui, o foco predominante est\u00e1 em peixes, artr\u00f3podes (insetos) e mam\u00edferos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Mais 13 esp\u00e9cies <\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No levantamento, constam ainda 13 esp\u00e9cies cuja origem n\u00e3o foi poss\u00edvel determinar, chamadas criptog\u00eanicas. A cautela na classifica\u00e7\u00e3o se d\u00e1 \u00e0 medida que muitas descri\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies s\u00e3o antigas e n\u00e3o trazem estudos biogeogr\u00e1ficos ou moleculares para determinar sua origem com seguran\u00e7a, ou seja, se s\u00e3o nativas do Brasil ou n\u00e3o. <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nomenclatura evita confus\u00f5es como a que ocorreu em rela\u00e7\u00e3o ao mexilh\u00e3o da esp\u00e9cie <em>Perna perna<\/em>, por exemplo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Presente em todo o litoral brasileiro e cultivado para consumo humano, o <em>Perna perna<\/em> j\u00e1 foi apontado como introduzido no pa\u00eds por a\u00e7\u00e3o humana, uma vez que ocorre tamb\u00e9m na \u00c1frica, regi\u00e3o de origem da esp\u00e9cie. Nessa vers\u00e3o da hist\u00f3ria, a esp\u00e9cie teria chegado ao Brasil no s\u00e9culo 16 com as grandes navega\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Posteriormente, por\u00e9m, estudos arqueol\u00f3gicos e moleculares apontaram que uma popula\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie, separada em 2 mil anos da linhagem africana, j\u00e1 ocorria no Brasil antes mesmo da chegada dos portugueses em 1500. A esp\u00e9cie, portanto, \u00e9 nativa da Am\u00e9rica do Sul e n\u00e3o foi introduzida por a\u00e7\u00e3o humana, como se pensava.<\/p>\n<h2 id=\"h-mar-rio-e-terra\" class=\"wp-block-heading\">Mar, rio e terra<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As esp\u00e9cies n\u00e3o nativas s\u00e3o distribu\u00eddas em tr\u00eas tipos de ambientes. As marinhas e estuarinas s\u00e3o 32, al\u00e9m de quatro criptog\u00eanicas. Na \u00e1gua doce, que inclui rios, lagos e lagoas, s\u00e3o 17 n\u00e3o nativas e nenhuma criptog\u00eanica. Entre as terrestres, foram documentadas 33 n\u00e3o nativas e nove criptog\u00eanicas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As esp\u00e9cies foram classificadas em diferentes categorias, de acordo com diretrizes do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e Mudan\u00e7a do Clima (MMA) e da Classifica\u00e7\u00e3o de Impacto Ambiental para T\u00e1xons Ex\u00f3ticos (EICAT) da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (IUCN).<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esp\u00e9cies \u201cn\u00e3o nativas contidas\u201d, por exemplo, s\u00e3o aquelas com propaga\u00e7\u00e3o restrita (como em cativeiro) ou sob controle em determinada \u00e1rea geogr\u00e1fica. Na categoria \u201cdetectadas\u201d, est\u00e3o aquelas presentes no ambiente, mas com ocorr\u00eancias isoladas e sem evid\u00eancia de crescimento populacional que tenha resultado em estabelecimento ou dissemina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esp\u00e9cies \u201cestabelecidas\u201d s\u00e3o as que completam o ciclo de vida no ambiente natural, apresentam sinais de crescimento da popula\u00e7\u00e3o, mas sem impactos negativos aparentes. \u201cInvasoras\u201d s\u00e3o esp\u00e9cies n\u00e3o nativas j\u00e1 estabelecidas em territ\u00f3rio nacional e que causam algum impacto ecol\u00f3gico, socioecon\u00f4mico ou \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, na categoria \u201cdeficiente de dados\u201d est\u00e3o aquelas com evid\u00eancias de uma popula\u00e7\u00e3o nativa, mas sem informa\u00e7\u00f5es suficientes para determinar sua identidade ou n\u00edvel de impacto. <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA maioria n\u00f3s apenas detectamos, n\u00e3o temos muita informa\u00e7\u00e3o. O ideal \u00e9 que fossem realizados grandes estudos e pol\u00edticas para avaliar os poss\u00edveis impactos e planos para conter ou erradicar as esp\u00e9cies que causam preju\u00edzos. Um estudo como esse, por\u00e9m, \u00e9 um primeiro passo importante nessa dire\u00e7\u00e3o\u201d, encerra Miranda.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/nacional\/numero-de-especies-exoticas-de-moluscos-no-brasil-aumenta-215-em-15-anos\/\">N\u00famero de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas de moluscos no Brasil aumenta 215% em 15 anos<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\">Canal Rural<\/a>.<\/p>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/nacional\/numero-de-especies-exoticas-de-moluscos-no-brasil-aumenta-215-em-15-anos\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: LocoWiki\/Wikimedia Commons O n\u00famero de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas (n\u00e3o nativas) de moluscos encontradas no Brasil aumentou de 26 para 82<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":37873,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-37872","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/37872"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=37872"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/37872\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/37873"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=37872"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=37872"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=37872"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}