{"id":37730,"date":"2026-07-23T15:57:47","date_gmt":"2026-07-23T19:57:47","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=37730"},"modified":"2026-07-23T15:57:47","modified_gmt":"2026-07-23T19:57:47","slug":"bacteria-que-causa-doenca-grave-em-peixes-e-identificada-pela-primeira-vez-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=37730","title":{"rendered":"Bact\u00e9ria que causa doen\u00e7a grave em peixes \u00e9 identificada pela primeira vez no Brasil"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/Bacteria-que-causa-doenca-grave-em-peixes-e-identificada-pela.jpg\" alt=\"Peixe; doen\u00e7a\" \/><figcaption>Foto: Daniel Ferreira\/Caunesp<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cientistas identificaram pela primeira vez no Brasil a presen\u00e7a de bact\u00e9rias causadoras de uma grave doen\u00e7a em peixes de cria\u00e7\u00e3o destinados ao consumo humano: a columnariose. At\u00e9 agora, as diferentes esp\u00e9cies do g\u00eanero <em>Flavobacterium<\/em> s\u00f3 haviam sido detectadas em criadouros da <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/asia\/\">\u00c1sia<\/a> e dos <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/eua\/\">Estados Unidos<\/a>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A doen\u00e7a impacta principalmente cria\u00e7\u00f5es de til\u00e1pia (<em>Oreochromis niloticus<\/em>) tamb\u00e9m conhecida, comercialmente, como <em>Saint Peter<\/em>, que \u00e9 uma esp\u00e9cie de origem africana; mas tamb\u00e9m cria\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies nativas do Brasil, como tambaqui, pacu e pintado-da-amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados s\u00e3o um alerta para a necessidade de vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica e desenvolvimento de vacinas. &#8220;A identifica\u00e7\u00e3o inicial das bact\u00e9rias desse g\u00eanero \u00e9 feita por exame visual das col\u00f4nias no microsc\u00f3pio&#8221;, conta Daniel de Abreu Reis Ferreira, primeiro autor do estudo.<\/p>\n<h2 id=\"h-doenca-de-pele\" class=\"wp-block-heading\"><strong>Doen\u00e7a de pele<\/strong><\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">At\u00e9 pouco tempo, as quatro esp\u00e9cies de <em>Flavobacterium<\/em> detectadas eram conhecidas como apenas uma, <em>Flavobacterium columnare<\/em>, da\u00ed o nome da doen\u00e7a. A columnariose <strong>causa les\u00f5es esbranqui\u00e7adas na pele e nas nadadeiras, al\u00e9m de necrose nas br\u00e2nquias<\/strong> dos peixes.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;As bact\u00e9rias se alimentam de c\u00e9lulas epiteliais e matam os peixes em poucos dias, especialmente as larvas e os alevinos&#8221;, explica Fabiana Pilarski, professora do Caunesp.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pilarski \u00e9 pesquisadora associada do Centro de Ci\u00eancia para o Desenvolvimento Sanidade na Piscicultura, sediado no Instituto de Pesca.<\/p>\n<h2 id=\"h-identificacao\" class=\"wp-block-heading\">Identifica\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as 11 cepas isoladas no estudo, seis eram da esp\u00e9cie <em>Flavobacterium oreochromis<\/em>, at\u00e9 ent\u00e3o conhecida no Brasil por infectar apenas a til\u00e1pia, peixe mais produzido no pa\u00eds e no mundo. Agora, o pat\u00f3geno foi detectado em amostras de peixes nativos criados para consumo: tambaqui (<em>Colossoma macropomum<\/em>), lambari (<em>Astyanax lacustris<\/em>) e pacu (<em>Piaractus mesopotamicus<\/em>).<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outro resultado foi a detec\u00e7\u00e3o in\u00e9dita de <em>Flavobacterium davisii<\/em> em um pintado-da-amaz\u00f4nia (<em>Pseudoplatystoma punctifer<\/em>). &#8220;Esse caso mostra que a bact\u00e9ria tamb\u00e9m pode infectar siluriformes, uma ordem de peixes distinta das que ela costuma colonizar, ampliando a possibilidade de hospedeiros para esse pat\u00f3geno&#8221;, explica Ferreira.<\/p>\n<h2 id=\"h-adaptacao-ao-clima\" class=\"wp-block-heading\">Adapta\u00e7\u00e3o ao clima<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As an\u00e1lises mostraram ainda que os pat\u00f3genos at\u00e9 ent\u00e3o encontrados apenas na \u00c1sia e nos Estados Unidos est\u00e3o adaptados ao clima do Brasil. Nos testes, <em>F. davisii<\/em> e <em>F. inkyongense<\/em>, outra bact\u00e9ria identificada nas an\u00e1lises, alcan\u00e7aram condi\u00e7\u00f5es ideais para o crescimento a 28 \u00b0C, temperatura m\u00e9dia das \u00e1guas continentais brasileiras.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outras duas esp\u00e9cies detectadas nas an\u00e1lises, <em>F. oreochromis<\/em> e <em>F. indicum<\/em>, demonstraram prefer\u00eancia por temperaturas mais altas, sendo que a segunda apresentou o pico de desenvolvimento a 35 \u00b0C, ou seja, pode ser favorecida pelo aquecimento das \u00e1guas. Outro dado alarmante \u00e9 que a 28 \u00b0C as bact\u00e9rias apresentaram uma alta produ\u00e7\u00e3o de biofilme.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;O biofilme \u00e9 uma matriz protetora que permite que as bact\u00e9rias se mantenham num estado de dorm\u00eancia quando as condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o favor\u00e1veis, voltando a se multiplicar quando o ambiente se torna prop\u00edcio&#8221;, diz Pilarski.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cDa\u00ed a import\u00e2ncia de protocolos robustos de higiene e desinfec\u00e7\u00e3o para prevenir a coloniza\u00e7\u00e3o dos equipamentos usados para o manejo dos peixes\u201d, completa Ferreira.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto quase todas as esp\u00e9cies analisadas sofreram uma queda expressiva na forma\u00e7\u00e3o de biofilmes a 35 \u00b0C, na <em>F. davisii<\/em> esse mecanismo de defesa permaneceu bastante ativo. Os pesquisadores observaram, por\u00e9m, que sob essa temperatura a bact\u00e9ria teve sua mobilidade prejudicada.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Isso sugere uma adapta\u00e7\u00e3o, o que chamamos de um <em>trade-off<\/em> metab\u00f3lico, em que ela perderia por um lado, se movimentando menos, mas ganharia por outro, produzindo biofilme e sobrevivendo&#8221;, explica Ferreira.<\/p>\n<h2 id=\"h-vacinas-e-sal\" class=\"wp-block-heading\"><strong>Vacinas e sal<\/strong><\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A boa not\u00edcia \u00e9 que estudos realizados por outros grupos de pesquisa mostram que bact\u00e9rias do g\u00eanero <em>Flavobacterium<\/em> n\u00e3o suportam bem a salinidade. Com isso, adicionar sal \u00e0 \u00e1gua poderia diminuir as chances de coloniza\u00e7\u00e3o do pat\u00f3geno. No entanto, ainda s\u00e3o necess\u00e1rios novos estudos para determinar os n\u00edveis ideais de salinidade para proteger cada esp\u00e9cie de peixe.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores agora realizam estudos gen\u00f4micos com as bact\u00e9rias encontradas a fim de encontrar poss\u00edveis alvos para vacinas. A ideia \u00e9 desenvolver os chamados imunizantes aut\u00f3genos, vacinas personalizadas para as cepas presentes em cada local de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cUma vez que a columnariose ataca sobretudo a pele, uma vacina na forma de banho com a bact\u00e9ria atenuada seria ideal, beneficiando principalmente os peixes jovens. \u00c9 uma fase em que o sistema imune est\u00e1 em forma\u00e7\u00e3o e, por serem pequenos, os alevinos poderiam ser vacinados em grande quantidade simultaneamente\u201d, avalia Pilarski.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/bacteria-que-causa-doenca-grave-em-peixes-e-identificada-pela-primeira-vez-no-brasil\/\">Bact\u00e9ria que causa doen\u00e7a grave em peixes \u00e9 identificada pela primeira vez no Brasil<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\">Canal Rural<\/a>.<\/p>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/bacteria-que-causa-doenca-grave-em-peixes-e-identificada-pela-primeira-vez-no-brasil\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Daniel Ferreira\/Caunesp Cientistas identificaram pela primeira vez no Brasil a presen\u00e7a de bact\u00e9rias causadoras de uma grave doen\u00e7a em<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":37731,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-37730","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/37730"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=37730"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/37730\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/37731"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=37730"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=37730"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=37730"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}