{"id":36580,"date":"2026-07-08T20:32:13","date_gmt":"2026-07-09T00:32:13","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=36580"},"modified":"2026-07-08T20:32:13","modified_gmt":"2026-07-09T00:32:13","slug":"a-trajetoria-do-cacau-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=36580","title":{"rendered":"a trajet\u00f3ria do cacau brasileiro"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p style=\"text-align:justify\">No Dia Mundial do Chocolate, celebrado nesta ter\u00e7a-feira (7), o Brasil revisita uma trajet\u00f3ria de altos e baixos que marca sua rela\u00e7\u00e3o com o cacau: de pot\u00eancia mundial na virada do s\u00e9culo 20 a v\u00edtima de uma das pragas mais devastadoras da agricultura nacional \u2014 e agora, d\u00e9cadas depois, em processo de recupera\u00e7\u00e3o gradual, puxado por Bahia e Par\u00e1.&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O cacau chegou ao Brasil ainda no s\u00e9culo 17 e encontrou na Bahia o solo ideal para prosperar, transformando o estado no principal polo produtor nacional e em um gigante mundial da cultura no in\u00edcio do s\u00e9culo 20. Essa fase de expans\u00e3o sustentou a economia regional e atraiu investimentos por d\u00e9cadas, at\u00e9 que, entre o fim dos anos 1980 e o in\u00edcio dos anos 1990, a vassoura-de-bruxa \u2014 doen\u00e7a causada pelo fungo Moniliophthora perniciosa \u2014 se espalhou pelas lavouras baianas. A praga dizimou planta\u00e7\u00f5es inteiras, derrubou drasticamente os volumes produzidos e provocou uma crise socioecon\u00f4mica profunda na regi\u00e3o, da qual o setor levaria d\u00e9cadas para come\u00e7ar a se recuperar.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O cen\u00e1rio atual, no entanto, aponta para uma retomada. Dados preliminares do Levantamento Sistem\u00e1tico da Produ\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola (LSPA), do IBGE, projetam crescimento de 5,3% no volume de cacau produzido na Bahia em 2026 na compara\u00e7\u00e3o com 2025 \u2014 sinal de recomposi\u00e7\u00e3o gradual depois de anos de retra\u00e7\u00e3o agr\u00edcola na regi\u00e3o. O movimento \u00e9 puxado, em parte, pela valoriza\u00e7\u00e3o do cacau tanto no mercado nacional quanto no internacional, o que tem estimulado novos investimentos na cultura. A retomada tamb\u00e9m aparece nos n\u00fameros mais recentes da cadeia: o recebimento de am\u00eandoas no primeiro trimestre de 2026 cresceu 61,1% frente ao mesmo per\u00edodo do ano passado, com Bahia e Par\u00e1 concentrando praticamente toda a produ\u00e7\u00e3o nacional, enquanto o Par\u00e1 desponta como nova fronteira produtiva do cacau brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>A for\u00e7a de uma associa\u00e7\u00e3o criada h\u00e1 mais de 20 anos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Parte dessa reorganiza\u00e7\u00e3o do setor tem origem em 2004, quando as principais ind\u00fastrias moageiras identificaram a necessidade de uma entidade que representasse a cadeia diante dos desafios e oportunidades de crescimento do mercado. Nascia ali a Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Ind\u00fastrias Processadoras de Cacau (AIPC), formada desde ent\u00e3o por Barry Callebaut, Cargill e Olam, com a chegada da IBC como nova associada em 2024. Juntas, essas empresas respondem por algo entre 93% e 95% de toda a compra e moagem de cacau no pa\u00eds \u2014 uma concentra\u00e7\u00e3o que d\u00e1 \u00e0 AIPC papel central no debate sobre o futuro da cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A cadeia do cacau vai muito al\u00e9m da moagem: segundo a associa\u00e7\u00e3o, o setor sustenta mais de 4.000 empregos diretos e indiretos e integra uma rede de mais de 120 mil pessoas, entre produtores rurais e ind\u00fastrias de chocolate, gerando cerca de R$ 23 bilh\u00f5es por ano em valor para o pa\u00eds.&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Chocolate em alta, mas com espa\u00e7o para crescer<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O avan\u00e7o da mat\u00e9ria-prima tem reflexo direto na mesa do brasileiro. Segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab), o pa\u00eds produziu 805 mil toneladas de chocolate em 2024, volume que subiu para 814 mil toneladas em 2025. Os n\u00fameros de 2026 ainda n\u00e3o fecharam, mas o presidente da entidade, Jaime Recena, estima que a produ\u00e7\u00e3o segue em trajet\u00f3ria de crescimento.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Ainda assim, o brasileiro consome bem menos chocolate que os grandes mercados mundiais: o consumo per capita no pa\u00eds \u00e9 de quase 4 kg por ano, contra 9 kg a 10 kg por ano nos mercados norte-americano e europeu, de acordo com Recena \u2014 uma dist\u00e2ncia que a ind\u00fastria enxerga como potencial de expans\u00e3o para os pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Pre\u00e7o elevado ainda pesa sobre a cadeia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Se a produ\u00e7\u00e3o brasileira vive um momento de retomada, o mercado internacional segue em um patamar de pre\u00e7os que ajuda a explicar por que o chocolate n\u00e3o chega mais barato ao consumidor. Depois de meses de forte volatilidade, as cota\u00e7\u00f5es internacionais mostram sinais de acomoda\u00e7\u00e3o, mas seguem elevadas: segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Cacau (ICCO), o pre\u00e7o di\u00e1rio da commodity foi de US$ 5.169,23 por tonelada em 1\u00ba de julho de 2026, recuando para US$ 5.116,52 por tonelada no dia seguinte. Nos contratos futuros de Nova York, as cota\u00e7\u00f5es ficaram em US$ 5.178,33 e US$ 5.141,67 por tonelada nos mesmos dias, enquanto em Londres os contratos fecharam em \u00a3 3.883,00 e \u00a3 3.811,33 por tonelada.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Mesmo abaixo dos picos hist\u00f3ricos do per\u00edodo de escassez global, o mercado avalia que o cacau entrou em um novo patamar de pre\u00e7os, estruturalmente mais alto que o observado em anos anteriores. Para a ind\u00fastria de chocolates e derivados, o desafio deixou de ser apenas a oscila\u00e7\u00e3o di\u00e1ria das bolsas e passou a ser o custo elevado da mat\u00e9ria-prima como um todo \u2014 o que reduz margens, limita promo\u00e7\u00f5es e mant\u00e9m pressionados os pre\u00e7os de barras, bombons, coberturas, achocolatados e insumos usados pela confeitaria. No Brasil, as cota\u00e7\u00f5es acompanham esse movimento externo, somado a fatores internos como log\u00edstica, disponibilidade de produto, qualidade das am\u00eandoas e varia\u00e7\u00e3o cambial.&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u00c9 nesse cruzamento entre retomada hist\u00f3rica e pre\u00e7o internacional ainda pressionado que o Dia Mundial do Chocolate encontra o setor em 2026: mais de tr\u00eas d\u00e9cadas depois da crise causada pela vassoura-de-bruxa, o cacau brasileiro volta a crescer, mas o caminho at\u00e9 uma barra de chocolate mais acess\u00edvel ainda passa por um mercado global em reacomoda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><script data-cfasync=\"false\">\n    !function (f, b, e, v, n, t, s) {\n        if (f.fbq) return; n = f.fbq = function () {\n            n.callMethod ?\n                n.callMethod.apply(n, arguments) : n.queue.push(arguments)\n        };\n        if (!f._fbq) f._fbq = n; n.push = n; n.loaded = !0; n.version = '2.0';\n        n.queue = []; t = b.createElement(e); t.async = !0;\n        t.src = v; s = b.getElementsByTagName(e)[0];\n        s.parentNode.insertBefore(t, s)\n    }(window, document, 'script',\n        'https:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/fbevents.js');\n    fbq('init', '522546078623747');\n    fbq('track', 'PageView');\n<\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agrolink.com.br\/noticias\/da-vassoura-de-bruxa-a-retomada--a-trajetoria-do-cacau-brasileiro_516449.html\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Dia Mundial do Chocolate, celebrado nesta ter\u00e7a-feira (7), o Brasil revisita uma trajet\u00f3ria de altos e baixos que marca<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":36581,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[8,1,14],"tags":[],"class_list":["post-36580","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agro","category-news","category-politica-agro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/36580"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=36580"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/36580\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/36581"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=36580"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=36580"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=36580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}