{"id":35763,"date":"2026-06-29T17:34:59","date_gmt":"2026-06-29T21:34:59","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=35763"},"modified":"2026-06-29T17:34:59","modified_gmt":"2026-06-29T21:34:59","slug":"mulheres-gerenciam-30-milhoes-de-hectares-no-brasil-mas-tem-menos-acesso-a-credito-que-homens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=35763","title":{"rendered":"Mulheres gerenciam 30 milh\u00f5es de hectares no Brasil, mas t\u00eam menos acesso a cr\u00e9dito que homens\u00a0"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Mulheres-gerenciam-30-milhoes-de-hectares-no-Brasil-mas-tem.jpg\" alt=\"ocupa\u00e7\u00e3o-agroneg\u00f3cio, ABCZ Mulher\" \/><figcaption>Foto: jcomp\/Freepik<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As mulheres est\u00e3o cada vez mais ativas no campo, mas ainda enfrentam barreiras que limitam seu potencial de atua\u00e7\u00e3o no setor. \u00c9 o que confirma o estudo &#8220;Mulheres nas Cadeias de Valor do Agroneg\u00f3cio Brasileiro&#8221;, liderado pela Funda\u00e7\u00e3o IDH, no \u00e2mbito do Fundo AGRI3.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O diagn\u00f3stico aponta que a disparidade salarial, o acesso restrito \u00e0 terra e a baixa representatividade em cargos de lideran\u00e7a e espa\u00e7os de discuss\u00e3o ainda barram o avan\u00e7o feminino na \u00e1rea.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A an\u00e1lise mostrou que das 5,07 milh\u00f5es de propriedades rurais no Brasil, 19% (947.000) s\u00e3o geridas por mulheres. No entanto, essas gestoras controlam apenas 8,5% da \u00e1rea rural total do pa\u00eds (cerca de 30 milh\u00f5es de hectares), com uma concentra\u00e7\u00e3o de mulheres em  propriedades menores, muitas vezes herdadas ou de agricultura familiar.<\/p>\n<h2 id=\"h-papel-das-mulheres-por-cultura-agricola\" class=\"wp-block-heading\">Papel das mulheres por cultura agr\u00edcola<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O relat\u00f3rio analisa o papel feminino em seis cadeias produtivas estrat\u00e9gicas: soja, cana-de-a\u00e7\u00facar, citros, cacau, caf\u00e9 e pecu\u00e1ria, principais pautas do agroneg\u00f3cio do pa\u00eds.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"752\" height=\"482\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Mulheres-gerenciam-30-milhoes-de-hectares-no-Brasil-mas-tem.png\" alt=\"mulherres gestoras propriedades rurais\" class=\"wp-image-4183421\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a presen\u00e7a feminina tenha crescido em todos os setores, a pecu\u00e1ria se destaca como o principal motor dessa mudan\u00e7a: entre 2006 e 2017, o n\u00famero de mulheres \u00e0 frente de fazendas de gado saltou 55%, totalizando 450.700 gestoras. Nessas propriedades, 60% delas atuam em estrat\u00e9gias reprodutivas e 56% no manejo da sa\u00fade animal, sendo que em 33% das propriedades s\u00e3o elas que lideram toda a opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O desempenho nos demais setores apresenta realidades distintas de ocupa\u00e7\u00e3o e lideran\u00e7a:<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Cacau: <\/strong>elas gerem 22% das propriedades (com maior incid\u00eancia na Bahia do que no Par\u00e1), mas comandam apenas 13% da \u00e1rea total. A for\u00e7a de trabalho \u00e9 composta por 27% de mulheres, sendo que a vasta maioria (93%) possui la\u00e7os familiares com o produtor.<\/li>\n<li><strong>Citros:<\/strong> a lideran\u00e7a feminina chega a 18% das fazendas, enquanto a participa\u00e7\u00e3o na for\u00e7a de trabalho \u00e9 de 23%, concentrando-se especialmente nos per\u00edodos de colheita.<\/li>\n<li><strong>Soja:<\/strong> representam 17% da for\u00e7a de trabalho na produ\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, n\u00famero que sobe para 34,5% quando inclu\u00eddos os agrosservi\u00e7os. Contudo, o estudo mostra que o acesso \u00e0 gest\u00e3o ainda enfrenta barreiras culturais severas, incluindo press\u00e3o dom\u00e9stica para o abandono de cargos de lideran\u00e7a.<\/li>\n<li><strong>Caf\u00e9:<\/strong> a gest\u00e3o feminina alcan\u00e7a apenas 13,2% dos estabelecimentos, mas gera um efeito multiplicador: em fazendas lideradas por mulheres, o quadro de funcion\u00e1rios \u00e9 mais equilibrado, com 43% de presen\u00e7a feminina, contra apenas 24% nas propriedades geridas por homens.<\/li>\n<li><strong>Cana-de-a\u00e7\u00facar:<\/strong> registra os \u00edndices mais baixos do levantamento, com apenas 8,8% de participa\u00e7\u00e3o na for\u00e7a de trabalho e 5,4% em cargos de lideran\u00e7a.<\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para al\u00e9m dos desafios, o relat\u00f3rio mostra um impacto qualitativo: propriedades lideradas por mulheres tendem a ser mais humanizadas e sustent\u00e1veis. Elas se consolidam como &#8220;campe\u00e3s de inova\u00e7\u00e3o&#8221;, priorizando a responsabilidade social e t\u00e9cnicas avan\u00e7adas de conserva\u00e7\u00e3o do solo.<\/p>\n<h2 id=\"h-barreiras-a-inclusao-de-genero\" class=\"wp-block-heading\">Barreiras \u00e0 inclus\u00e3o de g\u00eanero<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O relat\u00f3rio identifica seis &#8220;temas materiais&#8221; que se imp\u00f5em como barreiras cr\u00edticas \u00e0 inclus\u00e3o de g\u00eanero, come\u00e7ando pela sucess\u00e3o familiar, onde normas culturais ainda privilegiam herdeiros homens. <\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><em>Veja em primeira m\u00e3o tudo sobre agricultura, pecu\u00e1ria, economia e previs\u00e3o do tempo:<\/em><a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAqBwgKMPKZlQswq_mqAw?hl=pt-BR&amp;gl=BR&amp;ceid=BR%3Apt-419\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00a0<em>siga o Canal Rural no Google News!<\/em><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cen\u00e1rio de invisibilidade se estende ao mercado de trabalho. Reduzidas ao papel de &#8220;ajudantes&#8221;, as responsabilidades assumidas pelas mulheres se traduzem em remunera\u00e7\u00e3o inferior. Na soja, por exemplo, o percentual de homens que ganham acima de tr\u00eas sal\u00e1rios-m\u00ednimos \u00e9 quase o dobro do feminino.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A desigualdade \u00e9 refor\u00e7ada pela dificuldade de acesso: <strong>a escassez de t\u00edtulos de terra em nome pr\u00f3prio bloqueia o cr\u00e9dito banc\u00e1rio<\/strong> necess\u00e1rio para a autonomia. Como resultado, a lideran\u00e7a feminina permanece restrita. <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No setor de cana-de-a\u00e7\u00facar, as agricultoras ocupam apenas 5,4% dos postos de comando, mas a representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e setorial segue deficit\u00e1ria, principalmente no quadro de cooperativas, perpetuando o ciclo de exclus\u00e3o nas inst\u00e2ncias de decis\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Fechar as lacunas de g\u00eanero no agroneg\u00f3cio brasileiro \u00e9 tanto um imperativo moral quanto uma alavanca para a resili\u00eancia econ\u00f4mica e ambiental&#8221;, conclui Luiz Almeida, \u00e0 frente do levantamento da Funda\u00e7\u00e3o IDH.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo conclui que ampliar as oportunidades para as mulheres no agroneg\u00f3cio n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de equidade, mas uma estrat\u00e9gia essencial para elevar a produtividade, impulsionar a inova\u00e7\u00e3o e fortalecer a resili\u00eancia do setor diante dos desafios clim\u00e1ticos e econ\u00f4micos. <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre as principais recomenda\u00e7\u00f5es est\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o de mecanismos financeiros mais inclusivos, que ampliem o acesso ao cr\u00e9dito <strong>sem exigir, necessariamente, t\u00edtulos de propriedade da terra como garantia.<\/strong><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O relat\u00f3rio tamb\u00e9m defende a ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de compras inclusivas, que valorizem e priorizem produtos provenientes de propriedades lideradas por mulheres, al\u00e9m da oferta de programas de capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e de desenvolvimento de lideran\u00e7as adaptados \u00e0 realidade feminina no meio rural, com hor\u00e1rios flex\u00edveis e aten\u00e7\u00e3o \u00e0s demandas relacionadas ao cuidado com os filhos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outras medidas propostas incluem a cria\u00e7\u00e3o de redes de mentoria e interc\u00e2mbio de experi\u00eancias entre lideran\u00e7as femininas, a implementa\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de transpar\u00eancia salarial e auditorias para eliminar diferen\u00e7as de remunera\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00f5es equivalentes.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m  disso, recomenda o estabelecimento de canais seguros e an\u00f4nimos para den\u00fancias de ass\u00e9dio moral e sexual e investimentos em infraestrutura de apoio, como creches e escolas em tempo integral, capazes de reduzir a sobrecarga dom\u00e9stica que ainda limita a participa\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho rural.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo &#8220;Mulheres nas Cadeias de Valor do Agroneg\u00f3cio Brasileiro&#8221; foi embasado em uma revis\u00e3o da literatura existente, a partir da qual foi poss\u00edvel construir o panorama atual. Para acess\u00e1-lo na \u00edntegra, <strong><a href=\"https:\/\/agri3.com\/women-in-brazilian-agribusiness-value-chains\/\">clique aqui<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\n<p>O post <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/mulheres-gerenciam-30-milhoes-de-hectares-no-brasil-mas-tem-menos-acesso-a-credito-que-homens\/\">Mulheres gerenciam 30 milh\u00f5es de hectares no Brasil, mas t\u00eam menos acesso a cr\u00e9dito que homens\u00a0<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\">Canal Rural<\/a>.<\/p>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/mulheres-gerenciam-30-milhoes-de-hectares-no-brasil-mas-tem-menos-acesso-a-credito-que-homens\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: jcomp\/Freepik As mulheres est\u00e3o cada vez mais ativas no campo, mas ainda enfrentam barreiras que limitam seu potencial de<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":35764,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-35763","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35763"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=35763"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35763\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/35764"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=35763"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=35763"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=35763"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}