{"id":35637,"date":"2026-06-27T14:18:25","date_gmt":"2026-06-27T18:18:25","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=35637"},"modified":"2026-06-27T14:18:25","modified_gmt":"2026-06-27T18:18:25","slug":"caverna-revela-influencia-da-antartida-e-do-el-nino-em-chuvas-extremas-no-sul-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=35637","title":{"rendered":"Caverna revela influ\u00eancia da Ant\u00e1rtida e do El Ni\u00f1o em chuvas extremas no Sul do Brasil"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Caverna-revela-influencia-da-Antartida-e-do-El-Nino-em.jpg\" alt=\"Cientistas analisam estalagmites da Caverna do Malfazido\" \/><figcaption>Foto: Julio Cauhy<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma caverna no interior do <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/parana\/\">Paran\u00e1<\/a> guarda um \u201carquivo clim\u00e1tico\u201d que permitiu a pesquisadores brasileiros reconstruir a hist\u00f3ria das chuvas extremas na regi\u00e3o Sul do Brasil nos \u00faltimos 7,5 mil anos. <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O resultado mostrou que a frequ\u00eancia desses eventos no s\u00e9culo 20 figura entre as mais elevadas de toda a s\u00e9rie hist\u00f3rica e apontou dois fatores que influenciam esse processo: a variabilidade clim\u00e1tica no continente ant\u00e1rtico e a ocorr\u00eancia de <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/el-nino\/\">El Ni\u00f1o<\/a>, ambos presentes no cen\u00e1rio atual.<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><em>Veja em primeira m\u00e3o tudo sobre agricultura, pecu\u00e1ria, economia e previs\u00e3o do tempo:<\/em><a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAqBwgKMPKZlQswq_mqAw?hl=pt-BR&amp;gl=BR&amp;ceid=BR%3Apt-419\"><em> <\/em><strong><em>siga o Canal Rural no Google News!<\/em><\/strong><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os cientistas descobriram que per\u00edodos de ver\u00e3o com temperaturas mais baixas na Ant\u00e1rtida Ocidental tendem a coincidir com mais eventos extremos no Sul do Brasil. <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hip\u00f3tese \u00e9 que mudan\u00e7as no gradiente t\u00e9rmico entre altas e m\u00e9dias latitudes (ou seja, entre as regi\u00f5es polares, que s\u00e3o mais frias, e as zonas temperadas e subtropicais, mais quentes) alterem a circula\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica, favorecendo a forma\u00e7\u00e3o de frentes frias e o transporte de umidade da Amaz\u00f4nia para a regi\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nos \u00faltimos mil anos, tamb\u00e9m se nota uma rela\u00e7\u00e3o significativa entre a frequ\u00eancia de chuvas extremas e epis\u00f3dios moderados ou fortes de El Ni\u00f1o, fen\u00f4meno caracterizado pelo aquecimento anormal e persistente das \u00e1guas do oceano Pac\u00edfico Equatorial, que altera a circula\u00e7\u00e3o dos ventos e a distribui\u00e7\u00e3o de calor e umidade em todo o planeta.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os achados ganham ainda mais relev\u00e2ncia neste ano em fun\u00e7\u00e3o da alta probabilidade de ocorr\u00eancia de um El Ni\u00f1o de intensidade moderada a forte nos pr\u00f3ximos meses, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM). <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os impactos ser\u00e3o sentidos no Brasil. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) divulgou nota t\u00e9cnica com alertas para a poss\u00edvel ocorr\u00eancia de chuvas intensas e desastres hidrogeol\u00f3gicos na regi\u00e3o centro-sul do Brasil, enquanto no restante do pa\u00eds a preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com secas.<\/p>\n<h2 id=\"h-arquivo-natural\" class=\"wp-block-heading\"><strong>Arquivo natural<\/strong><\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Motivados pela necessidade de compreender casos como as enchentes que devastaram mais de 470 munic\u00edpios no Rio Grande do Sul em maio de 2024 (um ano de El Ni\u00f1o), os cientistas analisaram espeleotemas (estalagmites) da Caverna do Malfazido, localizada no munic\u00edpio de Doutor Ulysses (regi\u00e3o metropolitana de Curitiba). Desde 2019, eles fazem monitoramento constante das inunda\u00e7\u00f5es no local.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante as cheias na caverna, sedimentos finos s\u00e3o depositados sobre as estalagmites, forma\u00e7\u00f5es rochosas de origem mineral que crescem a partir do ch\u00e3o, e ficam preservados em camadas microsc\u00f3picas dentro do carbonato, que continua crescendo no local. Uma das peculiaridades em Malfazido \u00e9 o r\u00e1pido crescimento dos espeleotemas, o que contribui para esse tipo de estudo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As estalagmites foram datadas por meio de m\u00e9todos isot\u00f3picos (que analisam a propor\u00e7\u00e3o de certos elementos qu\u00edmicos que funcionam como um \u201crel\u00f3gio natural\u201d para calcular a idade das amostras), resultando na identifica\u00e7\u00e3o de 921 dessas camadas de inunda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O m\u00e9todo foi validado ao comparar parte delas ao que foi registrado em 2023, quando enchentes atingiram o rio Turvo, onde des\u00e1guam as \u00e1guas da caverna, mostrando correspond\u00eancia entre os resultados geol\u00f3gicos e os atuais.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, essas camadas funcionaram como uma esp\u00e9cie de \u201carquivo natural\u201d, permitindo estimar a frequ\u00eancia de eventos extremos ao longo de mil\u00eanios. Os achados foram publicados em abril na revista <em>Communications Earth &amp; Environment<\/em>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAt\u00e9 agora, todo o nosso conhecimento era limitado a s\u00e9ries instrumentais, que geralmente cobrem os \u00faltimos cem anos, no m\u00e1ximo, no Brasil. Havia, por exemplo, alguns registros de sedimentos em lagos, que t\u00eam problemas cronol\u00f3gicos, outros utilizando an\u00e9is de \u00e1rvore, que s\u00e3o muito descont\u00ednuos\u201d, resumiu o ge\u00f3logo Julio Cauhy, autor principal do artigo.<\/p>\n<h2 id=\"h-da-lama-para-a-historia\" class=\"wp-block-heading\"><strong>Da &#8216;lama&#8217; para a hist\u00f3ria<\/strong><\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa s\u00f3 foi poss\u00edvel porque a caverna apresenta condi\u00e7\u00f5es particulares. Caracterizada por um conduto (uma esp\u00e9cie de \u201ccano\u201d) principal alimentado por um rio subterr\u00e2neo que forma um c\u00e2nion, Malfazido \u00e9 dividida em duas galerias: superior e inferior.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira consiste em uma passagem estreita com zonas de inunda\u00e7\u00e3o definidas e numerosas estalagmites em forma de vela. A segunda tem uma sequ\u00eancia de grandes barragens de calcita que interrompem o fluxo e criam um sistema de \u201csif\u00f5es\u201d, aprisionando \u00e1gua e sedimentos durante inunda\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse represamento natural em ambas as galerias \u00e9 crucial para a deposi\u00e7\u00e3o de sedimentos finos sobre os espeleotemas durante per\u00edodos prolongados de cheia.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A inunda\u00e7\u00e3o come\u00e7a na parte mais profunda da caverna e vai gradualmente em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 entrada, enchendo sucessivamente uma sequ\u00eancia de barragens de calc\u00e1rio conhecida por \u201crepresas de travertinos\u201d.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Caverna do Malfazido, esse tipo de forma\u00e7\u00e3o, que pode atingir at\u00e9 dois metros de altura, transforma o conduto em uma sequ\u00eancia de tanques naturais. Eles se enchem de \u00e1gua e lama durante os eventos de inunda\u00e7\u00e3o. Dependendo do volume de chuvas, a \u00e1gua chega \u00e0 entrada da caverna. Nesse ponto, muitas estalagmites encontram-se submersas, com uma fina camada de lama sobre seu topo que registra o evento de inunda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cAndamos por centenas de cavernas pelo Brasil e nunca t\u00ednhamos visto um conduto com essa configura\u00e7\u00e3o, que permite uma abordagem \u00fanica. N\u00e3o \u00e9 o tipo de coisa que se consegue fazer todos os dias. O trabalho do Julio [Cauhy] virou uma refer\u00eancia\u201d, diz Strikis.<\/p>\n<h2 id=\"h-aumento-da-frequencia\" class=\"wp-block-heading\"><strong>Aumento da frequ\u00eancia<\/strong><\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores detectaram que entre 3 mil e 2 mil anos atr\u00e1s houve um per\u00edodo com poucas chuvas extremas. Por outro lado, a maior frequ\u00eancia de eventos extremos foi observada no per\u00edodo entre 7,5 mil e 4 mil anos atr\u00e1s e durante o \u00faltimo mil\u00eanio, sobretudo no s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cEsse trabalho coloca os eventos extremos em perspectiva hist\u00f3rica. A partir do momento em que come\u00e7amos a observar que est\u00e3o ficando mais recorrentes e considerando o aumento da temperatura da atmosfera, podemos gerar um cen\u00e1rio mais claro\u201d, completa Strikis.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, o estudo sugere que o aquecimento global provocado pelas atividades humanas pode estar contribuindo para a intensifica\u00e7\u00e3o recente desses eventos. Por isso, enfatiza a necessidade de estrat\u00e9gias de mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, especialmente para comunidades e regi\u00f5es mais expostas e vulner\u00e1veis.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/nacional\/caverna-revela-influencia-da-antartida-e-do-el-nino-em-chuvas-extremas-no-sul-do-brasil\/\">Caverna revela influ\u00eancia da Ant\u00e1rtida e do El Ni\u00f1o em chuvas extremas no Sul do Brasil<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\">Canal Rural<\/a>.<\/p>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/nacional\/caverna-revela-influencia-da-antartida-e-do-el-nino-em-chuvas-extremas-no-sul-do-brasil\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Julio Cauhy Uma caverna no interior do Paran\u00e1 guarda um \u201carquivo clim\u00e1tico\u201d que permitiu a pesquisadores brasileiros reconstruir a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":35638,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-35637","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35637"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=35637"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/35637\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/35638"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=35637"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=35637"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=35637"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}