{"id":34610,"date":"2026-06-15T17:46:28","date_gmt":"2026-06-15T21:46:28","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=34610"},"modified":"2026-06-15T17:46:28","modified_gmt":"2026-06-15T21:46:28","slug":"como-a-biotecnologia-ajudou-a-colocar-o-brasil-no-topo-da-producao-mundial-de-soja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=34610","title":{"rendered":"Como a biotecnologia ajudou a colocar o Brasil no topo da produ\u00e7\u00e3o mundial de soja?"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Como-a-biotecnologia-ajudou-a-colocar-o-Brasil-no-topo.jpeg\" alt=\"\" \/><figcaption>Foto: Gabriel Miqueleti <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A soja brasileira passou por uma das maiores transforma\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio mundial nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. Nesse per\u00edodo, o Brasil deixou de ser apenas um importante produtor para assumir a lideran\u00e7a global na produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/?s=soja+\">oleaginosa<\/a>, impulsionado por avan\u00e7os em biotecnologia, gen\u00e9tica, infraestrutura e profissionaliza\u00e7\u00e3o do campo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante workshop sobre biotecnologia e inova\u00e7\u00e3o na soja promovido pela Bayer nesta segunda-feira (15), em S\u00e3o Paulo, Fabiano Oliveira, l\u00edder de neg\u00f3cios de soja da Bayer Brasil, destacou que a demanda mundial pelo gr\u00e3o praticamente dobrou nos \u00faltimos 20 anos, com o Brasil respons\u00e1vel por absorver cerca de 60% desse crescimento.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cFoi muito melhor ser sojicultor no Brasil do que em qualquer outro pa\u00eds nos \u00faltimos 20 anos\u201d, afirmou. Segundo ele, o desempenho brasileiro foi constru\u00eddo sobre quatro pilares, que s\u00e3o ambiente institucional, infraestrutura, tecnologia e perfil do agricultor. Entre os pontos citados est\u00e3o leis ligadas \u00e0 propriedade intelectual, \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de cultivares e \u00e0 biosseguran\u00e7a, que ajudaram a criar um ambiente favor\u00e1vel \u00e0 inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cHoje, o Brasil tem um grande potencial competitivo fundamentado nesses quatro pilares. O ambiente institucional, com leis relacionadas \u00e0 propriedade intelectual e \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de cultivares se junta a esses fatores. Um outro ponto importante \u00e9 a infraestrutura, com hidrovias, rodovias e outros sistemas log\u00edsticos capazes de escoar cerca de 180 milh\u00f5es de toneladas, algo que poucos pa\u00edses conseguem fazer\u201d, explicou.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O impacto da soja, no entanto, vai al\u00e9m da porteira. Oliveira ressaltou que a cultura contribuiu para o desenvolvimento econ\u00f4mico e social de diversas regi\u00f5es produtoras. \u201cA soja foi um ve\u00edculo de progresso nos \u00faltimos anos. Onde teve soja, teve desenvolvimento\u201d, afirmou.<\/p>\n<h2 id=\"h-biotecnologia-e-sementes\" class=\"wp-block-heading\">Biotecnologia e sementes<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A import\u00e2ncia da inova\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi debatida a partir da produ\u00e7\u00e3o de sementes e do desenvolvimento de novas biotecnologias. F\u00e1bio Passos, diretor de soja comercial da Bayer, explicou que uma nova tecnologia pode levar cerca de 15 anos para chegar ao campo, exigindo testes, adapta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica \u00e0s diferentes regi\u00f5es produtoras, avalia\u00e7\u00e3o de ciclo, matura\u00e7\u00e3o, pacote sanit\u00e1rio e multiplica\u00e7\u00e3o de sementes.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo ele, o desafio \u00e9 desenvolver solu\u00e7\u00f5es em larga escala que sejam relevantes para o produtor e adaptadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es brasileiras. Tecnologias foram citadas como exemplo de ferramentas que ajudam no manejo da lavoura e na prote\u00e7\u00e3o contra desafios fitossanit\u00e1rios.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Representando o setor de sementes, o CEO da Jotabasso destacou que a semente \u00e9 o principal ve\u00edculo de entrega da inova\u00e7\u00e3o ao agricultor. Para ele, o investimento das sementeiras n\u00e3o se limita a equipamentos, mas envolve tamb\u00e9m pessoas, processos e controle de qualidade.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA semente carrega inova\u00e7\u00e3o e tecnologia para os produtores\u201d, afirmou. De acordo com o executivo, uma semente de alto vigor pode potencializar a produtividade da lavoura em at\u00e9 10%, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia de materiais certificados e bem manejados.<\/p>\n<p>Pompilio Rocha, vice-presidente da Funda\u00e7\u00e3o Chapad\u00e3o e participante da Aprosoja Mato Grosso do Sul, destacou que a ado\u00e7\u00e3o de tecnologias depende da capacidade de avaliar o desempenho dos materiais nas condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de cada fazenda.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo ele, a realiza\u00e7\u00e3o de \u00e1reas experimentais \u00e9 uma ferramenta essencial para identificar quais cultivares apresentam melhor desempenho em cada ambiente produtivo. &#8221;Nem sempre a variedade mais plantada em uma regi\u00e3o ser\u00e1 a mais adequada para todas as propriedades, tornando a experimenta\u00e7\u00e3o uma etapa importante no processo de tomada de decis\u00e3o&#8221;, comentou.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pompilio tamb\u00e9m enfatizou que a tecnologia no campo vai al\u00e9m da aquisi\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas e equipamentos. Para ele, o conhecimento aplicado ao planejamento da safra e ao manejo das lavouras \u00e9 um dos principais fatores para o sucesso da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 id=\"h-seguranca-juridica-e-combate-a-pirataria\" class=\"wp-block-heading\">Seguran\u00e7a jur\u00eddica e combate \u00e0 pirataria<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O debate tamb\u00e9m abordou os impactos da pirataria de sementes na cadeia produtiva da soja. De acordo com Catharina Pires, diretora de Germoplasma e Biotecnologia da CropLife Brasil, sementes ilegais j\u00e1 representam mais de 28% do mercado de soja no Rio Grande do Sul, acima da m\u00e9dia nacional, estimada em 11%.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo ela, a pr\u00e1tica gera perdas estimadas em R$ 10 bilh\u00f5es por ano para a cadeia da soja brasileira, afetando produtores, empresas, exportadores e a arrecada\u00e7\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Catharina alertou ainda que o uso de sementes de origem ilegal compromete qualidade, vigor, pureza gen\u00e9tica, germina\u00e7\u00e3o e produtividade. Al\u00e9m do preju\u00edzo econ\u00f4mico, h\u00e1 riscos sanit\u00e1rios, especialmente em regi\u00f5es de fronteira, com a possibilidade de entrada de pragas e problemas fitossanit\u00e1rios sem fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 id=\"h-china-mira-na-autossuficiencia\" class=\"wp-block-heading\">China mira na autossufici\u00eancia<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m dos desafios internos, o mercado brasileiro tamb\u00e9m acompanha os movimentos da China, principal destino da soja nacional. Durante o evento, Fabio Meneghini, um dos fundadores da Veeries, empresa especializada em intelig\u00eancia de mercado para o agroneg\u00f3cio, afirmou que o pa\u00eds asi\u00e1tico pretende ampliar sua autossufici\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o de soja dos atuais 15% para 60% nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo ele, esse movimento poderia reduzir a depend\u00eancia chinesa em rela\u00e7\u00e3o ao mercado internacional e impactar os principais exportadores globais da oleaginosa. Atualmente, a China importa cerca de 112 milh\u00f5es de toneladas de soja por ano. Pelas proje\u00e7\u00f5es apresentadas, esse volume poderia recuar para aproximadamente 99 milh\u00f5es de toneladas em 2030 e para 82 milh\u00f5es de toneladas em 2035.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meneghini explicou que a estrat\u00e9gia chinesa passa pelo aumento da produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica, por ganhos de produtividade e pela busca de maior independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao mercado externo. Apesar disso, ponderou que metas semelhantes j\u00e1 foram anunciadas em outros momentos pelo governo chin\u00eas sem serem plenamente alcan\u00e7adas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na avalia\u00e7\u00e3o do especialista, a competitividade da soja brasileira continua sendo um dos principais obst\u00e1culos para a execu\u00e7\u00e3o desses planos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cO Brasil consegue entregar soja \u00e0 China com custos bastante competitivos, resultado dos ganhos de produtividade obtidos nas \u00faltimas d\u00e9cadas e da evolu\u00e7\u00e3o da infraestrutura log\u00edstica\u201d, destacou.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meneghini observou ainda que, pela primeira vez, a China passou a discutir de forma mais ampla o uso de biotecnologia como ferramenta para ampliar sua produ\u00e7\u00e3o de soja e alcan\u00e7ar os objetivos tra\u00e7ados para o setor.<\/p>\n<h2 id=\"h-biocombustiveis-podem-abrir-nova-frente\" class=\"wp-block-heading\">Biocombust\u00edveis podem abrir nova frente<\/h2>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por fim, como alternativa para reduzir a depend\u00eancia do mercado chin\u00eas, Meneghini apontou os biocombust\u00edveis como uma das principais oportunidades para a cadeia da soja brasileira nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Segundo ele, iniciativas ligadas ao biodiesel, ao combust\u00edvel sustent\u00e1vel de avia\u00e7\u00e3o (SAF) e ao diesel renov\u00e1vel podem ampliar significativamente a demanda dom\u00e9stica por \u00f3leo vegetal.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na avalia\u00e7\u00e3o do especialista, o crescimento do consumo interno tende a ganhar relev\u00e2ncia nos pr\u00f3ximos anos, complementando o papel desempenhado pelas exporta\u00e7\u00f5es na expans\u00e3o da sojicultura brasileira.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meneghini tamb\u00e9m destacou que os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos obtidos no campo permitiram elevar a produ\u00e7\u00e3o nacional sem necessidade de expans\u00e3o proporcional da \u00e1rea cultivada. Segundo ele, os ganhos de produtividade registrados nas \u00faltimas d\u00e9cadas evitaram a incorpora\u00e7\u00e3o de aproximadamente 31 milh\u00f5es de hectares adicionais para alcan\u00e7ar os atuais n\u00edveis de produ\u00e7\u00e3o de soja no pa\u00eds.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por outro lado, o executivo observou que ainda existem diferen\u00e7as significativas de desempenho entre os produtores brasileiros. Enquanto os agricultores mais tecnificados seguem ampliando a produtividade acima da m\u00e9dia nacional, parte dos produtores de menor porte ainda enfrenta dificuldades para acompanhar a velocidade da evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para ele, reduzir essa diferen\u00e7a ser\u00e1 um dos principais desafios da cadeia produtiva nos pr\u00f3ximos anos. A amplia\u00e7\u00e3o do acesso \u00e0 tecnologia, \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e \u00e0s boas pr\u00e1ticas de manejo ser\u00e1 fundamental para que um n\u00famero maior de produtores consiga elevar a produtividade e manter a competitividade da soja brasileira no cen\u00e1rio global.<\/p>\n<h2 id=\"h-\" class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/projeto-soja-brasil\/como-a-biotecnologia-ajudou-a-colocar-o-brasil-no-topo-da-producao-mundial-de-soja\/\">Como a biotecnologia ajudou a colocar o Brasil no topo da produ\u00e7\u00e3o mundial de soja?<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\">Canal Rural<\/a>.<\/p>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/projeto-soja-brasil\/como-a-biotecnologia-ajudou-a-colocar-o-brasil-no-topo-da-producao-mundial-de-soja\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Gabriel Miqueleti A soja brasileira passou por uma das maiores transforma\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio mundial nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. 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