{"id":34462,"date":"2026-06-12T17:29:32","date_gmt":"2026-06-12T21:29:32","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=34462"},"modified":"2026-06-12T17:29:32","modified_gmt":"2026-06-12T21:29:32","slug":"de-pior-cafe-a-grao-premiado-fora-da-cartilha-indicacao-geografica-redime-caparao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=34462","title":{"rendered":"De pior caf\u00e9 a gr\u00e3o premiado \u2018fora da cartilha\u2019: indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica redime Capara\u00f3"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/De-pior-cafe-a-grao-premiado-\u2018fora-da-cartilha-indicacao.jpeg\" alt=\"caf\u00e9 do capara\u00f3\" \/><figcaption>Foto: Apec<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O nome \u00e9 chique, mas o objetivo do <strong><a href=\"http:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/connection-terrroirs\/\" id=\"www.canalrural.com.br\/tag\/connection-terrroirs\/\">Connection Terroirs<\/a><\/strong> \u00e9 singelo: mostrar como produtos com indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica (IG) traduzem a ess\u00eancia de um pa\u00eds e podem alavancar o turismo, desenvolver regi\u00f5es carentes e conferir identidade a um territ\u00f3rio e a um povo.<\/p>\n<p>O evento, que ocorre em Gramado, na Serra Ga\u00facha, at\u00e9 13 de junho, traz um exemplo concreto do ideal que busca transmitir: o Caf\u00e9 Capara\u00f3, antes afamado como o pior do Brasil e produzido em uma das regi\u00f5es com o \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre os mais baixos do pa\u00eds, mas agora portador de selo de origem e vencedor de pr\u00eamios.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s produzimos entre a Zona da Mata Mineira e o Esp\u00edrito Santo, e diziam que faz\u00edamos o pior caf\u00e9 poss\u00edvel. Quando algum produtor conseguia produzir um \u2018melhorzinho\u2019, tinha de dizer que era colhido em outra regi\u00e3o, do contr\u00e1rio, n\u00e3o conseguia vender. \u00c9ramos realmente o \u2018patinho feio\u2019 do caf\u00e9\u201d, lembra Cec\u00edlia Nakao, diretora-presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Produtores de Caf\u00e9s Especiais do Capara\u00f3 (Apec).<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><em>Receba no seu celular atualiza\u00e7\u00f5es em tempo real, enquetes interativas e tudo o que impacta o dia a dia no campo:<\/em><a href=\"https:\/\/whatsapp.com\/channel\/0029Va9VnZxGk1FplZjiW43k\"><em> <\/em><strong><em>entre agora no Whatsapp do Canal Rural!<\/em><\/strong><\/a>&nbsp;<\/li>\n<\/ul>\n<p>A qualidade inferior ocorria pela florada e matura\u00e7\u00e3o irregulares, t\u00edpicas de lavouras em \u00e1reas montanhosas. A regi\u00e3o de Capara\u00f3 \u00e9 composta de dez munic\u00edpios capixabas e seis mineiros, localizados a mais de 1.200 metros de altitude. \u201cH\u00e1 10, 15 anos, nossos produtores colhiam na \u00e9poca de chuva, sem estrutura, sem cobertura ou secador, em terreno de terra, ou seja, tudo convergia para um resultado essencialmente ruim na x\u00edcara.\u201d<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou a mudar em 2013, com o que Cec\u00edlia chama de \u201cconverg\u00eancia c\u00f3smica\u201d, um acontecimento que surpreendeu a todos: a vit\u00f3ria do produtor Jos\u00e9 Alexandre de Lacerda, de Espera Feliz, Minas Gerais, na 9\u00aa Edi\u00e7\u00e3o do Concurso Nacional Abic de Qualidade do Caf\u00e9 (Safra 2012). \u201cQuem espalhou a hist\u00f3ria da vit\u00f3ria do pr\u00eamio foi o pai do produtor, mas ningu\u00e9m acreditou nele. Todos acharam que ele tinha se enganado ou interpretado errado o resultado\u201d, conta Cec\u00edlia, aos risos.<\/p>\n<p>Segundo ela, com esse reconhecimento, os produtores da regi\u00e3o se juntaram para entender mais sobre caf\u00e9s especiais, realizando cursos de torra, de barista e de classifica\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>\u201cA partir de ent\u00e3o, surgiu o movimento coletivo com o desejo de criar a associa\u00e7\u00e3o. Em seguida, chamamos o Sebrae, que j\u00e1 trabalhava com a gente na quest\u00e3o do turismo, para um diagn\u00f3stico de nosso produto. Eles acreditaram em nosso caf\u00e9 mais do que n\u00f3s mesmos. J\u00e1 t\u00ednhamos um levantamento informal dos produtores que tinham mais consist\u00eancia na produ\u00e7\u00e3o e as coisas foram fluindo\u201d, relembra.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"684\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/1781299772_11_De-pior-cafe-a-grao-premiado-\u2018fora-da-cartilha-indicacao.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4180287\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><em>Foto: Apec<\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Em meio a todo o processo, t\u00e9cnicos agr\u00edcolas passaram tamb\u00e9m a enxergar o potencial dos produtores, ministrando treinamentos e capacita\u00e7\u00f5es. \u201cInicialmente, o plano era ir de um caf\u00e9 muito ruim para um pouco ruim, tentando sair da categoria de bebida rio\/riada para a bebida dura. Mas ningu\u00e9m estava pensando em conquistar mercado.\u201d<\/p>\n<p>Hoje, a Apec possui cerca de 170 produtores, com mais de 100 marcas de caf\u00e9s especiais, um universo \u00ednfimo diante dos mais de dois milh\u00f5es de produtores do gr\u00e3o no pa\u00eds, mas o suficiente para a conquista de oito entre os dez melhores caf\u00e9s ar\u00e1bica do pa\u00eds no pr\u00eamio Coffee of the Year 2025 e cuja exclusividade ajudou a regi\u00e3o a conquistar a indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica de denomina\u00e7\u00e3o de origem, categoria que foca na qualidade superior ligada ao terroir.<\/p>\n<p>O selo reconhece as condi\u00e7\u00f5es naturais que favorecem a produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os superiores. Assim, altitude, clima, relevo e solo formam a combina\u00e7\u00e3o que proporciona as caracter\u00edsticas \u00fanicas ao caf\u00e9 na regi\u00e3o, trazendo uma bebida caracterizada pela alta do\u00e7ura, acidez equilibrada e notas sensoriais frutadas.<\/p>\n<p>Cec\u00edlia conta que 95% dos produtores de Capara\u00f3 s\u00e3o pequenos e cultivam em parcelas ex\u00edguas de terra, com m\u00e3o de obra familiar. \u201cQuase nada \u00e9 mecanizado porque as lavouras s\u00e3o em locais muito \u00edngremes. O terreiro de secagem do caf\u00e9 \u00e9, em muitos casos, no quintal das casas dos produtores, quase que encostado na parede da casa\u201d, detalha.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-cafe-fora-da-cartilha\">Caf\u00e9 \u201cfora da cartilha\u201d<\/h2>\n<p>Ap\u00f3s a conquista da IG de denomina\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica em 2021 ap\u00f3s sete anos de processo junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), o objetivo da vez \u00e9 atrair mais olhares para a regi\u00e3o, trazendo melhora no IDH \u2013 ainda entre os mais baixos de Minas Gerais e Esp\u00edrito Santo \u2013 por meio do turismo.<\/p>\n<p>\u201cTemos entre 30 e 40 produtores que est\u00e3o investindo em turismo, atraindo visitantes para suas propriedades e mostrando o modo de produzir no Capara\u00f3. J\u00e1 entendemos que n\u00e3o conseguimos transformar o territ\u00f3rio todo de uma vez, por isso, focamos em n\u00facleos onde se despontam alguns produtores empreendedores que se envolvem mais, fortalecem sua marca e a regi\u00e3o, indo a eventos, gerando quase que um \u2018fator de inveja\u2019 aos outros cafeicultores para que se envolvam e fa\u00e7am o mesmo\u201d.<\/p>\n<p>Cec\u00edlia tamb\u00e9m acredita que a fama de \u201crasgador de cartilha\u201d do Capara\u00f3 \u00e9 outro fator que tende a impulsionar ainda mais a regi\u00e3o. \u201cN\u00e3o seguimos a cartilha de como produzir caf\u00e9s especiais, temos a nossa pr\u00f3pria, o que acaba dando muito certo. Em algumas regi\u00f5es do Capara\u00f3 n\u00e3o recolhemos o caf\u00e9 colhido para o terreiro no mesmo dia, sendo que essa quest\u00e3o \u00e9 aplicada at\u00e9 mesmo na prova da certifica\u00e7\u00e3o de caf\u00e9. Eu mesma j\u00e1 levei o caf\u00e9 para o terreiro somente ap\u00f3s dez dias e ele n\u00e3o sofreu qualquer altera\u00e7\u00e3o\u201d, conta.<\/p>\n<p>De acordo com ela, tal comportamento ilustra o sentimento de inova\u00e7\u00e3o que tem tomado conta de Capara\u00f3, com produtores que acreditam n\u00e3o importar a quantidade de erros cometidos, mas sim a chegar na solu\u00e7\u00e3o adequada para cada caso. \u201cEm ess\u00eancia, n\u00e3o gostamos de seguir padr\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>Afinal, ningu\u00e9m embarca em navios, avi\u00f5es ou cruza montanhas para provar uma x\u00edcara de caf\u00e9. O que faz um territ\u00f3rio ser inesquec\u00edvel s\u00e3o as hist\u00f3rias que o caf\u00e9 conta e o ambiente em que ele est\u00e1 inserido.<\/p>\n<p><em>*O jornalista viajou para Gramado (RS) a convite da organiza\u00e7\u00e3o do Connection Terroirs<\/em><\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/cafe\/de-pior-cafe-a-grao-premiado-fora-da-cartilha-indicacao-geografica-redime-caparao\/\">De pior caf\u00e9 a gr\u00e3o premiado \u2018fora da cartilha\u2019: indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica redime Capara\u00f3<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\">Canal Rural<\/a>.<\/p>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/cafe\/de-pior-cafe-a-grao-premiado-fora-da-cartilha-indicacao-geografica-redime-caparao\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Apec O nome \u00e9 chique, mas o objetivo do Connection Terroirs \u00e9 singelo: mostrar como produtos com indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":34463,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-34462","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/34462"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=34462"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/34462\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/34463"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=34462"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=34462"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=34462"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}