{"id":33877,"date":"2026-06-06T10:09:23","date_gmt":"2026-06-06T14:09:23","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=33877"},"modified":"2026-06-06T10:09:23","modified_gmt":"2026-06-06T14:09:23","slug":"entenda-como-um-grupo-de-peixes-dominou-o-oceano-mais-frio-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=33877","title":{"rendered":"Entenda como um grupo de peixes dominou o oceano mais frio da Terra"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Entenda-como-um-grupo-de-peixes-dominou-o-oceano-mais.jpg\" alt=\"Peixe da subordem Notothenioidei\" \/><figcaption>Foto: Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Milh\u00f5es de anos antes do surgimento dos seres humanos, os peixes da subordem <em>Notothenioidei<\/em>&nbsp;j\u00e1 haviam conquistado a Ant\u00e1rtica. Hoje, eles formam o grupo de vertebrados mais abundante e diverso da regi\u00e3o: s\u00e3o cerca de 155 esp\u00e9cies distribu\u00eddas em sete fam\u00edlias. Voc\u00ea pode estar se perguntando como essa linhagem conseguiu atravessar tantas eras. Os cientistas tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, sabe-se que, ao longo de sua hist\u00f3ria evolutiva, os chamados nototen\u00edoides desenvolveram glicoprote\u00ednas anticongelantes capazes de impedir a forma\u00e7\u00e3o de cristais de gelo no sangue e nos tecidos. Al\u00e9m disso, sem bexiga natat\u00f3ria, estrutura que ajuda peixes a controlar a flutua\u00e7\u00e3o, esses animais tamb\u00e9m adotaram estrat\u00e9gias para se manter em diferentes profundidades.<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><em>Veja em primeira m\u00e3o tudo sobre agricultura, pecu\u00e1ria, economia e previs\u00e3o do tempo:<\/em><a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAqBwgKMPKZlQswq_mqAw?hl=pt-BR&amp;gl=BR&amp;ceid=BR%3Apt-419\"><em> <\/em><strong><em>siga o Canal Rural no Google News!<\/em><\/strong><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Mas a pesquisadora Mayara P. Neves, do Departamento de Zoologia da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR); e colegas das universidades de Rice, Oklahoma, e do estado de Ohio, nos Estados Unidos, quiseram entender tamb\u00e9m o que a variedade do cr\u00e2nio desses animais poderia mostrar sobre essa capacidade evolutiva.<\/p>\n<p>\u201cO que nos motivou a olhar especificamente para o cr\u00e2nio foi a percep\u00e7\u00e3o de que a diversidade de formas cranianas nesses peixes \u00e9 enorme, e que essa diversidade est\u00e1 diretamente ligada ao que eles comem e onde vivem. O cr\u00e2nio \u00e9 a ferramenta de captura de alimento desses animais\u201d, diz a cientista.<\/p>\n<p>O resultado dessa investiga\u00e7\u00e3o foi publicado no peri\u00f3dico cient\u00edfico <em>Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America<\/em>, em outubro do ano passado.&nbsp;<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-um-quebra-cabeca-chamado-modularidade-nbsp\"><strong>Um quebra-cabe\u00e7a chamado modularidade&nbsp;<\/strong><\/h2>\n<p>Para compreender essa rela\u00e7\u00e3o, os cientistas partiram do conceito de modularidade, um padr\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o em que algumas estruturas do corpo apresentam relativa autonomia entre si e podem se transformar sem afetar significativamente as demais.<\/p>\n<p>\u201cImagine o cr\u00e2nio como um conjunto de LEGO: algumas pe\u00e7as est\u00e3o muito coladas umas \u00e0s outras e, por isso, quando uma muda, as demais tendem a mudar juntas. Isso \u00e9 a integra\u00e7\u00e3o. Outras s\u00e3o mais independentes e conseguem se modificar sem arrastar as demais. Isso \u00e9 a modularidade\u201d, explica Neves.<\/p>\n<p>Os seres humanos apresentam um exemplo cl\u00e1ssico desse fen\u00f4meno. O cr\u00e2nio \u00e9 dividido em m\u00f3dulos como o neurocr\u00e2nio, que abriga e protege o c\u00e9rebro, e o complexo facial, formado por estruturas como a mand\u00edbula, o nariz e as ma\u00e7\u00e3s do rosto. Ao longo da evolu\u00e7\u00e3o dos homin\u00eddeos, o neurocr\u00e2nio se expandiu em resposta ao aumento do c\u00e9rebro, enquanto a face se tornou progressivamente menor. \u201cEssa transforma\u00e7\u00e3o s\u00f3 foi poss\u00edvel porque esses m\u00f3dulos possuem certo grau de independ\u00eancia\u201d, afirma a pesquisadora.<\/p>\n<p>O conceito moderno de modularidade ganhou for\u00e7a a partir da d\u00e9cada de 1990, especialmente com os trabalhos do bi\u00f3logo G\u00fcnter Wagner. Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, tornou-se um dos temas centrais da biologia evolutiva do desenvolvimento.&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje, entende-se que estruturas mais modulares tendem a apresentar maior flexibilidade evolutiva, permitindo que diferentes partes do organismo respondam de forma independente \u00e0s press\u00f5es ambientais e favorecendo o surgimento de adapta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-22-milhoes-de-anos-de-evolucao-nbsp\"><strong>22 milh\u00f5es de anos de evolu\u00e7\u00e3o<\/strong>&nbsp;<\/h2>\n<p>Para reconstruir a hist\u00f3ria evolutiva desses peixes, com foco na modularidade craniana, pesquisadores analisaram o cr\u00e2nio de 172 esp\u00e9cies de peixes atuais. Utilizando microtomografia computadorizada, t\u00e9cnica que produz imagens tridimensionais de alta resolu\u00e7\u00e3o, criaram modelos digitais detalhados dos ossos sem precisar danific\u00e1-los.<\/p>\n<p>Em seguida, compararam matematicamente o formato desses cr\u00e2nios para identificar semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as entre as esp\u00e9cies. Essas informa\u00e7\u00f5es foram posicionadas em uma \u00e1rvore evolutiva que indica quando cada linhagem surgiu, permitindo estimar como e em que velocidade a anatomia dos peixes mudou ao longo dos \u00faltimos 22 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Os resultados mostraram que diferentes partes do cr\u00e2nio dos nototen\u00edoides evolu\u00edram com relativa independ\u00eancia umas das outras, atestando o papel da modularidade, que teria ajudado esses animais a se adaptarem rapidamente \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es ambientais provocadas pelo resfriamento da Ant\u00e1rtica.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-quando-o-clima-remodelou-os-peixes-da-antartica-nbsp\"><strong>Quando o clima remodelou os peixes da Ant\u00e1rtica&nbsp;<\/strong><\/h2>\n<p>Por meio desse estudo, foi poss\u00edvel tra\u00e7ar uma narrativa desse passado: h\u00e1 22 milh\u00f5es de anos, os nototen\u00edoides teriam emergido de um ancestral comum, e mudan\u00e7as no formato do cr\u00e2nio come\u00e7aram a ocorrer em ondas ligadas a eventos clim\u00e1ticos. O maior deles foi o chamado \u00d3timo Clim\u00e1tico do Mioceno, per\u00edodo de grande instabilidade clim\u00e1tica global h\u00e1 15 milh\u00f5es de anos. \u201cFoi quando detectamos as taxas de evolu\u00e7\u00e3o do cr\u00e2nio mais aceleradas dentro do grupo\u201d.&nbsp;<\/p>\n<p>Mas, antes disso, por volta de 23 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, j\u00e1 havia sinais de uma primeira acelera\u00e7\u00e3o evolutiva, coincidindo com uma barreira oce\u00e2nica que isolou a Ant\u00e1rtida e transformou completamente o ecossistema, a forma\u00e7\u00e3o da Corrente Circumpolar Ant\u00e1rtica.&nbsp; Segundo Neves, com o resfriamento do oceano, muitas esp\u00e9cies de peixes que n\u00e3o conseguiram se adaptar foram extintas, e os nototen\u00edoides ocuparam esses vazios ecol\u00f3gicos posteriormente.<\/p>\n<p>\u201cO cr\u00e2nio alongado dos nototen\u00edoides parece estar associado a estrat\u00e9gias de alimenta\u00e7\u00e3o em ambientes profundos, onde um formato mais hidrodin\u00e2mico favorece a efici\u00eancia de captura de presas\u201d, diz.<\/p>\n<p>Resta investigar agora os mecanismos gen\u00e9ticos e do desenvolvimento que produzem essa modularidade, como exatamente o ambiente seleciona por mais ou menos modularidade, e se esses peixes ter\u00e3o plasticidade evolutiva suficiente para resistir \u00e0 emerg\u00eancia clim\u00e1tica.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-nototenioides-podem-ensinar-sobre-o-futuro-nbsp\"><strong>Nototen\u00edoides podem ensinar sobre o futuro&nbsp;<\/strong><\/h2>\n<p>Aprofundar o conhecimento sobre os nototen\u00edoides \u00e9 importante n\u00e3o apenas porque eles correspondem \u00e0 maior parte da biomassa de peixes do Oceano Ant\u00e1rtico, mas tamb\u00e9m por seu potencial adaptativo. \u201cEstudar esse grupo \u00e9 como ter um laborat\u00f3rio natural de evolu\u00e7\u00e3o\u201d, argumenta a cientista.\u00a0<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, pesquisadores lembram que os nototen\u00edoides evolu\u00edram em resposta a glacia\u00e7\u00f5es passadas, e agora enfrentam o processo inverso, o aquecimento do Oceano Ant\u00e1rtico, o que precisa ser estudado a fundo.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cNossa pesquisa mostra que a modularidade craniana confere flexibilidade evolutiva. Mas a velocidade das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas atuais \u00e9 de magnitude maior do que as mudan\u00e7as geol\u00f3gicas do passado. Entender os mecanismos que permitiram a esses peixes prosperar \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de avaliar suas chances, e as de tantos outros organismos, diante do futuro que estamos construindo\u201d, conclui Neves.&nbsp;<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/curiosidades\/entenda-como-um-grupo-de-peixes-dominou-o-oceano-mais-frio-da-terra\/\">Entenda como um grupo de peixes dominou o oceano mais frio da Terra<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\">Canal Rural<\/a>.<\/p>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/curiosidades\/entenda-como-um-grupo-de-peixes-dominou-o-oceano-mais-frio-da-terra\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Wikimedia Commons Milh\u00f5es de anos antes do surgimento dos seres humanos, os peixes da subordem Notothenioidei&nbsp;j\u00e1 haviam conquistado a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":33878,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-33877","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/33877"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=33877"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/33877\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/33878"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=33877"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=33877"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=33877"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}