{"id":32644,"date":"2026-05-24T08:22:02","date_gmt":"2026-05-24T12:22:02","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=32644"},"modified":"2026-05-24T08:22:02","modified_gmt":"2026-05-24T12:22:02","slug":"antimicrobianos-entenda-os-motivos-que-levaram-a-ue-a-barrar-exportacoes-das-carnes-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=32644","title":{"rendered":"Antimicrobianos: entenda os motivos que levaram a UE a barrar exporta\u00e7\u00f5es das carnes brasileiras"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Sinalizacao-positiva-produtores-de-carne-e-cafe-reagem-ao-anuncio.jpg\" alt=\"Carne bovina, osso, carne fresca, carne crua\" \/><figcaption>Foto: Freepik<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>A decis\u00e3o da <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/pecuaria\/brasil-fica-fora-de-lista-da-uniao-europeia-para-exportacao-de-carne-bovina\/\">Uni\u00e3o Europeia de retirar o Brasil da lista de pa\u00edses autorizados a exportar carnes, aves, ovos e mel<\/a> reacendeu um debate que vai al\u00e9m do protecionismo comercial: o uso de antimicrobianos na produ\u00e7\u00e3o animal. Embora o impasse tenha rela\u00e7\u00e3o com as negocia\u00e7\u00f5es do acordo entre Mercosul e Uni\u00e3o Europeia, especialistas afirmam que a preocupa\u00e7\u00e3o com a resist\u00eancia bacteriana \u00e9 real e vem ganhando cada vez mais peso no com\u00e9rcio internacional.<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><em>Veja em primeira m\u00e3o tudo sobre agricultura, pecu\u00e1ria, economia e previs\u00e3o do tempo:<\/em><a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAqBwgKMPKZlQswq_mqAw?hl=pt-BR&amp;gl=BR&amp;ceid=BR%3Apt-419\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>\u00a0siga o Canal Rural no Google News!<\/em><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Pesquisadores da Faculdade de Medicina Veterin\u00e1ria e Zootecnia da Unesp explicam que os antimicrobianos, grupo que inclui os antibi\u00f3ticos, s\u00e3o utilizados na produ\u00e7\u00e3o animal de diferentes formas: para tratamento de doen\u00e7as, preven\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m como promotores de crescimento, pr\u00e1tica que est\u00e1 no centro das cr\u00edticas europeias.<\/p>\n<p>\u201cO grande ponto de interesse da Uni\u00e3o Europeia hoje \u00e9 justamente o uso dos antibi\u00f3ticos como promotores de crescimento\u201d, explica o professor F\u00e1bio Sossai Possebon, da Unesp. \u201cN\u00e3o se questiona tanto o tratamento de animais doentes, mas sim o uso indiscriminado para melhorar desempenho produtivo.\u201d<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, o problema est\u00e1 relacionado ao aumento da resist\u00eancia bacteriana. Quanto maior e mais frequente o uso de antibi\u00f3ticos, maior a chance de surgirem micro-organismos resistentes aos medicamentos utilizados tanto na medicina veterin\u00e1ria quanto humana.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-o-que-preocupa-a-uniao-europeia\">O que preocupa a Uni\u00e3o Europeia<\/h2>\n<p>Na pr\u00e1tica, a preocupa\u00e7\u00e3o europeia envolve dois fatores principais: a presen\u00e7a de res\u00edduos de antibi\u00f3ticos nos alimentos e o crescimento das chamadas \u201csuperbact\u00e9rias\u201d.<\/p>\n<p>Atualmente, o Minist\u00e9rio da Agricultura possui programas de monitoramento de res\u00edduos em carnes, leite e ovos. Por\u00e9m, os especialistas afirmam que o controle ainda \u00e9 feito por amostragem e que o pa\u00eds precisa avan\u00e7ar principalmente no monitoramento da resist\u00eancia bacteriana ao longo da cadeia produtiva.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil tem um dos melhores sistemas de inspe\u00e7\u00e3o do mundo e isso precisa ser valorizado. Mas historicamente somos mais permissivos no uso desses compostos do que a Europa\u201d, afirma o professor Juliano Gon\u00e7alves Pereira. \u201cO mercado internacional est\u00e1 dando um recado claro de que a resist\u00eancia antimicrobiana ser\u00e1 cada vez mais determinante nas rela\u00e7\u00f5es comerciais.\u201d<\/p>\n<p>Os pesquisadores ressaltam que o cen\u00e1rio n\u00e3o significa que os alimentos brasileiros sejam inseguros. Segundo eles, produtos com inspe\u00e7\u00e3o federal, estadual ou municipal seguem padr\u00f5es sanit\u00e1rios r\u00edgidos e apresentam baixo risco ao consumidor.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-surgem-as-bacterias-resistentes\">Como surgem as bact\u00e9rias resistentes<\/h2>\n<p>A resist\u00eancia antimicrobiana acontece quando bact\u00e9rias passam a sobreviver mesmo ap\u00f3s contato com antibi\u00f3ticos. Esse processo \u00e9 acelerado pelo uso excessivo ou incorreto desses medicamentos.<\/p>\n<p>\u201cO problema \u00e9 que as bact\u00e9rias evoluem mais r\u00e1pido do que conseguimos desenvolver novos antibi\u00f3ticos\u201d, explica Possebon. \u201cH\u00e1 algumas d\u00e9cadas surgiam novos medicamentos constantemente. Hoje, o desenvolvimento desacelerou, enquanto as bact\u00e9rias continuam criando mecanismos de defesa.\u201d<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, esse processo pode afetar diretamente a sa\u00fade humana. Uma bact\u00e9ria resistente presente em alimentos, por exemplo, pode causar infec\u00e7\u00f5es mais dif\u00edceis de tratar e aumentar o n\u00famero de mortes por doen\u00e7as bacterianas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da produ\u00e7\u00e3o animal, o uso indiscriminado de antibi\u00f3ticos em humanos e o descarte incorreto de medicamentos tamb\u00e9m contribuem para o problema.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-utilizacao-correta-dos-antimicrobianos\">Utiliza\u00e7\u00e3o correta dos antimicrobianos<\/h2>\n<p>Os especialistas defendem que a principal medida para reduzir riscos \u00e9 o uso racional dos antimicrobianos, sempre com acompanhamento t\u00e9cnico de m\u00e9dicos veterin\u00e1rios e profissionais habilitados.<\/p>\n<p>\u201cA grande recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 utilizar esses produtos de forma tecnificada, com orienta\u00e7\u00e3o profissional, respeitando doses, tempo de uso e per\u00edodo de car\u00eancia\u201d, afirma Possebon.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, um dos principais problemas ainda \u00e9 o uso baseado no \u201cachismo\u201d ou em pr\u00e1ticas antigas repetidas sem avalia\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica adequada. Eles alertam que muitos produtores utilizam medicamentos preventivamente ou como promotores de crescimento para compensar falhas de manejo, ambi\u00eancia e sanidade nas propriedades.<\/p>\n<p>\u201c\u00c0s vezes o produtor usa o antibi\u00f3tico como uma muleta para problemas de manejo ou falta de tecnifica\u00e7\u00e3o\u201d, explica Juliano. \u201cO caminho agora \u00e9 investir em bem-estar animal, sanidade e efici\u00eancia produtiva.\u201d<\/p>\n<p>Outro ponto destacado pelos professores \u00e9 o descarte correto das embalagens e res\u00edduos de medicamentos veterin\u00e1rios. Segundo eles, o contato de res\u00edduos de antibi\u00f3ticos com o meio ambiente tamb\u00e9m pode favorecer o surgimento de bact\u00e9rias resistentes.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 o descarte inadequado de frascos pode influenciar no problema. Se esse res\u00edduo entra em contato com bact\u00e9rias do ambiente, pode selecionar micro-organismos resistentes\u201d, alerta Juliano.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-portaria-do-mapa-tenta-aproximar-brasil-das-exigencias-internacionais\">Portaria do Mapa tenta aproximar Brasil das exig\u00eancias internacionais<\/h2>\n<p>No fim de abril, o<a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/pecuaria\/antibiotico-citado-pela-uniao-europeia-para-barrar-carne-brasileira-ja-e-proibido-no-brasil\/\"> Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Mapa) publicou uma nova portaria restringindo ainda mais o uso de antimicrobianos<\/a> como promotores de crescimento. A medida \u00e9 vista pelos especialistas como um movimento de aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0s exig\u00eancias internacionais.<\/p>\n<p>\u201cEssa portaria sinaliza uma harmoniza\u00e7\u00e3o com o que j\u00e1 \u00e9 feito na Europa\u201d, afirma Possebon. \u201cEla impacta a forma de produ\u00e7\u00e3o, mas o setor brasileiro j\u00e1 est\u00e1 tecnificado o suficiente para absorver essas mudan\u00e7as.\u201d<\/p>\n<p>Os professores tamb\u00e9m destacam que o debate n\u00e3o deve ser tratado apenas como barreira comercial. Para eles, existe uma preocupa\u00e7\u00e3o leg\u00edtima global envolvendo sa\u00fade p\u00fablica, seguran\u00e7a alimentar e sustentabilidade da produ\u00e7\u00e3o animal.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 claro que existe um componente econ\u00f4mico e pol\u00edtico nessa discuss\u00e3o, mas a resist\u00eancia antimicrobiana \u00e9 um problema real\u201d, afirma Juliano. \u201cQuem n\u00e3o se adequar \u00e0s novas exig\u00eancias do mercado internacional vai acabar ficando para tr\u00e1s.\u201d<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/pecuaria\/antimicrobianos-entenda-os-motivos-que-levaram-a-ue-a-barrar-exportacoes-das-carnes-brasileiras\/\">Antimicrobianos: entenda os motivos que levaram a UE a barrar exporta\u00e7\u00f5es das carnes brasileiras<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\">Canal Rural<\/a>.<\/p>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/pecuaria\/antimicrobianos-entenda-os-motivos-que-levaram-a-ue-a-barrar-exportacoes-das-carnes-brasileiras\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Freepik A decis\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia de retirar o Brasil da lista de pa\u00edses autorizados a exportar carnes, aves,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":32645,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-32644","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/32644"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=32644"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/32644\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/32645"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=32644"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=32644"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=32644"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}