{"id":31847,"date":"2026-05-15T19:22:21","date_gmt":"2026-05-15T23:22:21","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=31847"},"modified":"2026-05-15T19:22:21","modified_gmt":"2026-05-15T23:22:21","slug":"pesquisa-inedita-na-epagri-desenvolve-manejo-sustentavel-de-pragas-no-cultivo-de-pitaia-em-sc","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=31847","title":{"rendered":"Pesquisa in\u00e9dita na Epagri desenvolve manejo sustent\u00e1vel de pragas no cultivo de pitaia em SC"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p style=\"text-align:justify\">A busca por alternativas para diversificar a produ\u00e7\u00e3o levou muitos agricultores nos \u00faltimos 15 anos a apostar no cultivo de pitaia, uma fruta r\u00fastica origin\u00e1ria da Am\u00e9rica Central, que conseguiu se adaptar ao litoral do Estado, com proje\u00e7\u00e3o de colheita de 7,6 mil toneladas em 2026. Este feito s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as ao empenho de pesquisadores, que est\u00e3o construindo um conjunto de conhecimentos para melhorar a produtividade da nova cultura e fazer o controle biol\u00f3gico das pragas, que surgiram a partir do momento que o cultivo se tornou comercial.\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O resultado desses esfor\u00e7os, na \u00e1rea de entomologia, foi a identifica\u00e7\u00e3o de 19 potenciais pragas, entre percevejos, caracol, besouros e formigas. \u201cA maior parte s\u00e3o percevejos porque est\u00e3o presentes em outras culturas da regi\u00e3o, principalmente gr\u00e3os, que s\u00e3o colhidos no in\u00edcio do ano, na mesma \u00e9poca da safra da pitaia\u201d, explica o entomologista Marcelo Mendes de Haro.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Por demanda dos produtores, a Esta\u00e7\u00e3o Experimental da Epagri em Itaja\u00ed (EEI) come\u00e7ou um trabalho pioneiro com pesquisadores e extensionistas em 2016 para que a cultura da pitaia catarinense ganhasse em qualidade, variedade e produtividade.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cHavia uma dificuldade muito grande na \u00e9poca porque tudo que se sabia sobre pitaia era baseado em literatura estrangeira. E pelo fato de n\u00e3o ter praticamente nenhum defensivo agr\u00edcola registrado no Minist\u00e9rio de Agricultura e Pecu\u00e1ria (MAPA), a \u00fanica forma de combater pragas \u00e9 atrav\u00e9s da manipula\u00e7\u00e3o do ambiente e do controle biol\u00f3gico\u201d, aponta o pesquisador, que se especializou em unir os conhecimentos agron\u00f4micos com ecologia.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Marcelo \u00e9 autor do projeto de pesquisa \u201cManejo integrado de pragas de pitaia: desenvolvimento e implementa\u00e7\u00e3o de tecnologias de produ\u00e7\u00e3o org\u00e2nica\u201d, financiado pela Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa em Santa Catarina (Fapesc) e finalizado em 2024. O estudo apontou a presen\u00e7a de 10 percevejos, tr\u00eas esp\u00e9cies de besouros, duas esp\u00e9cies de carac\u00f3is e dois grupos de formigas, al\u00e9m de uma esp\u00e9cie de abelha-irapu\u00e1, protegida pela norma do Conama 346\/2004, que regulamenta o manejo de abelhas nativas sem ferr\u00e3o. \u201cPor ser uma esp\u00e9cie polinizadora n\u00e3o se pode nem retirar o ninho, muito menos utilizar inseticidas\u201d, pontua.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O pesquisador explica que cada praga atinge o pomar em um est\u00e1gio de desenvolvimento da planta. Os carac\u00f3is se alimentam dos brotos e atrasam a maturidade do pomar em at\u00e9 tr\u00eas anos. Os besouros desfolhadores, conhecidos como vaquinhas, se alimentam do caule. A formiga carpinteira cava o fruto no in\u00edcio do outono para fazer seu ninho, e a formiga cortadeira corta o caule para cultivar o fungo do qual se alimenta. J\u00e1 os percevejos se alimentam da seiva do fruto, caule e bot\u00e3o floral. \u201cEles n\u00e3o causam dano \u00e0 polpa, mas deixam a fruta feia, afetando a viabilidade comercial\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O entomologista trabalha em parceria com o engenheiro-agr\u00f4nomo e fitotecnista Alessandro Borini Lone, que fez mestrado e doutorado na Universidade Estadual de Londrina (UEL) sobre cultivo de pitaia. Desde 2016, Alessandro e Marcelo fazem visitas t\u00e9cnicas \u00e0s propriedades, participam de Dia de Campo e capacitam t\u00e9cnicos e extensionistas de todo o Estado ensinando t\u00e9cnicas de manejo sustent\u00e1veis.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Marcelo explica que o controle biol\u00f3gico tem tr\u00eas pontos principais: cobertura do solo, aduba\u00e7\u00e3o equilibrada e uso de quebra-ventos para proteger as plantas das intemp\u00e9ries e enriquecer o ecossistema. \u201cO solo nunca pode estar descoberto. \u00c9 preciso ter mais plantas no ambiente para que outros insetos se alimentem da praga\u201d, ensina.\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">No ver\u00e3o, a recomenda\u00e7\u00e3o \u00e9 o amendoim-forrageiro e no inverno, um mix de sementes (aveia preta e branca, centeio, nabo-forrageiro e ervilhaca). A aduba\u00e7\u00e3o varia de acordo com a an\u00e1lise de solo. Para garantir um solo f\u00e9rtil e produtivo, o agricultor pode acessar, atrav\u00e9s das pol\u00edticas p\u00fablicas, o Kit Solo Saud\u00e1vel. S\u00e3o duas cotas para cada produtor no valor de R$3.150,00. Em rela\u00e7\u00e3o aos quebra-ventos, Marcelo recomenda o plantio de hibiscos e manac\u00e1, cujas flores multicoloridas atraem as pragas. \u201cAt\u00e9 bananeiras s\u00e3o \u00fateis porque atraem insetos ben\u00e9ficos que s\u00e3o predadores das pragas\u201d, revela.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Em 2025 Alessandro deu in\u00edcio \u00e0 pesquisa \u201cSele\u00e7\u00e3o de gen\u00f3tipos de pitaia para Santa Catarina\u201d com o objetivo de desenvolver cultivares adaptados \u00e0s caracter\u00edsticas edafoclim\u00e1ticas (solo e clima) do Litoral catarinense. O banco de germoplasma de pitaia na EEI j\u00e1 disp\u00f5e de 80 h\u00edbridos, que ser\u00e3o avaliados at\u00e9 2027 para iniciar a pr\u00e9-sele\u00e7\u00e3o de materiais. No ano passado foram avaliados 40 h\u00edbridos e este ano mais 20, resultando na sele\u00e7\u00e3o de oito materiais promissores.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cEsta primeira etapa de melhoramento gen\u00e9tico \u00e9 dedicada \u00e0 busca por frutos de qualidade, com bom potencial de dul\u00e7or, tamanho, cor da casca e polpa e viabilidade econ\u00f4mica\u201d, explica. Paralelamente, Alessandro iniciou em 2026 um novo projeto em parceria com o melhorista Ramon Scherer, com recursos do CNPQ.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A pesquisa \u201cMelhoramento de banana e pitaia a partir da pr\u00e9-sele\u00e7\u00e3o de materiais\u201d prev\u00ea a realiza\u00e7\u00e3o de um ensaio da produtividade no campo a partir da clonagem de materiais por estaquia, e um comparativo com cultivares comerciais. At\u00e9 hoje, apenas a Embrapa tem cultivares de pitaia registradas no Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (MAPA).\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A falta de informa\u00e7\u00f5es sobre cultivo de pitaia no Estado levou a Epagri a publicar o primeiro boletim t\u00e9cnico, em 2020. \u201cCultivo de Pitaia\u201d foi baseado numa capacita\u00e7\u00e3o realizada na EEI para que t\u00e9cnicos e extensionistas pudessem atender \u00e0s demandas dos produtores. A publica\u00e7\u00e3o trouxe informa\u00e7\u00f5es sobre produ\u00e7\u00e3o de mudas, Sistema de Plantio Direto de Hortali\u00e7as (SPDH), aduba\u00e7\u00e3o, identifica\u00e7\u00e3o e manejo de pragas, doen\u00e7as, poliniza\u00e7\u00e3o e colheita. Participaram da publica\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de Alessandro e Marcelo, o especialista em solo, Gelton Guimar\u00e3es, o fitopatologista Andr\u00e9 Beltrame, e os extensionistas Diego da Silva e Ricardo Martins.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Em 2022, foram publicados dois folders t\u00e9cnicos assinados por Alessandro e Marcelo. \u201cControle de carac\u00f3is em pomares de pitaia\u201d traz informa\u00e7\u00f5es sobre as esp\u00e9cies que atacam os pomares, os danos produzidos na planta e a forma correta de fazer o controle com calda bordalesa. \u201cEnsacamento de frutos de pitaia no manejo de pragas\u201d ensina a t\u00e9cnica de proteger as frutas de percevejos, abelha-irapu\u00e1 e formigas com um saco de TNT por um per\u00edodo de 30 dias ap\u00f3s a poliniza\u00e7\u00e3o, o que reduz em at\u00e9 65% as les\u00f5es do fruto. E no ano passado, Alessandro assinou com Gelton um cap\u00edtulo da atualiza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de \u201cCalagem e aduba\u00e7\u00e3o em frut\u00edferas\u201d, intitulado \u201cCalagem, aduba\u00e7\u00e3o e nutri\u00e7\u00e3o da cultura da pitaia\u201d.&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">No mesmo ano foi publicado o livro \u201cPitaia no Brasil: nova op\u00e7\u00e3o de cultivo\u201c, de autoria dos extensionistas Maria do C\u00e9u Monteiro da Cruz e Ricardo Sant\u2019Anna Martins, que atuam no sul do Estado, regi\u00e3o que concentra a mais parte dos produtores de pitaia catarinenses. A obra traz dados de socioeconomia, esp\u00e9cies, melhoramento gen\u00e9tico, cultivares, biologia floral, poliniza\u00e7\u00e3o, propaga\u00e7\u00e3o, instala\u00e7\u00e3o do pomar, aduba\u00e7\u00e3o, controle de pragas e doen\u00e7as, colheita, p\u00f3s-colheita e cultivo org\u00e2nico.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Para popularizar o consumo e agregar valor ao produto, foi lan\u00e7ado em mar\u00e7o, durante a 2\u00aa FrutiEEI, em parceria com a extens\u00e3o, o boletim did\u00e1tico \u201cReceitas com pitaia\u201d. A publica\u00e7\u00e3o traz dicas de congelamento e preparos inusitados, como a farinha de pitaia e o Tempur\u00e1 de Bot\u00e3o Floral, entre outras del\u00edcias doces e salgadas. Participaram da elabora\u00e7\u00e3o das receitas os extensionistas sociais Natalia Kowinkiewicz (ex gestora do Cetrei), Geisebel Patr\u00edcio e M\u00e1rcio Palhano.\u00a0Todas as obras est\u00e3o dispon\u00edveis para download.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Tempur\u00e1 de bot\u00e3o floral<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Ingredientes\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">4 bot\u00f5es florais m\u00e9dios (12 a 13cm)100g de farinha de trigo\u00a020g de amido de milho\u00a02 colheres de sopa de maionese\u00a0150ml de \u00e1gua gelada\u00a0Sal\u00a0Temperos a gosto\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Modo de preparo\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Misture os ingredientes secos, acrescente a maionese e a \u00e1gua aos poucos. Corte os bot\u00f5es em quatro partes. Passe na farinha de trigo. Empane com a massa, frite em \u00f3leo a 180\u00b0C at\u00e9 dourar. Se preferir um empanamento mais leve, acrescente mais \u00e1gua \u00e0 massa, deixando a mistura mais l\u00edquida. Sirva com molho de sua prefer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Por Renata Rosa, jornalista bolsista da Epagri\/Fapesc<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Informa\u00e7\u00f5es para a imprensaIsabela Schwengber, assessora de comunica\u00e7\u00e3o da Epagri(48) 3665-5407 \/ 99161-6596<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><script data-cfasync=\"false\">\n    !function (f, b, e, v, n, t, s) {\n        if (f.fbq) return; n = f.fbq = function () {\n            n.callMethod ?\n                n.callMethod.apply(n, arguments) : n.queue.push(arguments)\n        };\n        if (!f._fbq) f._fbq = n; n.push = n; n.loaded = !0; n.version = '2.0';\n        n.queue = []; t = b.createElement(e); t.async = !0;\n        t.src = v; s = b.getElementsByTagName(e)[0];\n        s.parentNode.insertBefore(t, s)\n    }(window, document, 'script',\n        'https:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/fbevents.js');\n    fbq('init', '522546078623747');\n    fbq('track', 'PageView');\n<\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agrolink.com.br\/noticias\/pesquisa-inedita-na-epagri-desenvolve-manejo-sustentavel-de-pragas-no-cultivo-de-pitaia-em-sc_514559.html\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A busca por alternativas para diversificar a produ\u00e7\u00e3o levou muitos agricultores nos \u00faltimos 15 anos a apostar no cultivo de<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":31848,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[8,1,14],"tags":[],"class_list":["post-31847","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agro","category-news","category-politica-agro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/31847"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=31847"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/31847\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/31848"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=31847"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=31847"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=31847"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}