{"id":28552,"date":"2026-03-31T03:18:20","date_gmt":"2026-03-31T07:18:20","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=28552"},"modified":"2026-03-31T03:18:20","modified_gmt":"2026-03-31T07:18:20","slug":"bacterias-beneficiam-o-cultivo-de-pimenta-do-reino-e-podem-reduzir-o-uso-de-defensivos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=28552","title":{"rendered":"Bact\u00e9rias beneficiam o cultivo de pimenta-do-reino e podem reduzir o uso de defensivos"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Bacterias-beneficiam-o-cultivo-de-pimenta-do-reino-e-podem-reduzir-o.jpg\" alt=\"Pimenta-do-reino\" \/><figcaption>Foto: Ronaldo Rosa\/Embrapa<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Pesquisadores brasileiros identificaram duas bact\u00e9rias endof\u00edticas, presentes naturalmente no interior das plantas, com potencial para transformar o cultivo da pimenta-do-reino. <\/p>\n<p>O estudo mostrou que as linhagens Priestia sp. T2.2 e Lysinibacillus sp. C5.11 s\u00e3o capazes de estimular o crescimento da planta e o enraizamento de estacas utilizadas na propaga\u00e7\u00e3o da pimenteira-do-reino.<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><em>Veja em primeira m\u00e3o tudo sobre agricultura, pecu\u00e1ria, economia e previs\u00e3o do tempo:<\/em><a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAqBwgKMPKZlQswq_mqAw?hl=pt-BR&amp;gl=BR&amp;ceid=BR%3Apt-419\"><em> <\/em><strong><em>siga o Canal Rural no Google News!<\/em><\/strong><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-tecnica-de-estaquia\">T\u00e9cnica de estaquia<\/h2>\n<p>A estaquia \u00e9 uma t\u00e9cnica de reprodu\u00e7\u00e3o a partir da retirada de pequenos galhos das plantas, chamados estacas. Uma vez enraizadas, as estacas se tornam novas mudas de pimenteira-do-reino. <\/p>\n<p>Um dos gargalos da agricultura familiar, de acordo com os especialistas, \u00e9 o baixo \u00edndice de \u201cpegamento\u201d dessas ra\u00edzes, ou seja, elas n\u00e3o crescem o suficiente para promover o desenvolvimento da planta.<\/p>\n<p>Nos experimentos realizados entre 2023 e 2024 na Embrapa Amaz\u00f4nia Oriental, em Bel\u00e9m (PA), estacas da variedade Singapura de pimenteira-do-reino foram submetidas a solu\u00e7\u00f5es com as bact\u00e9rias. A Priestia sp. T2.2 se destacou ao promover um aumento de at\u00e9 75% na altura das plantas e de 136% em sua massa seca (parte a\u00e9rea) em compara\u00e7\u00e3o \u00e0s plantas de controle. <\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/1774941500_139_Bacterias-beneficiam-o-cultivo-de-pimenta-do-reino-e-podem-reduzir-o.jpg\" alt=\"Pimenta-do-reino\" class=\"wp-image-4162438\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Ronaldo Rosa\/Embrapa<\/figcaption><\/figure>\n<p>J\u00e1 a Lysinibacillus sp. C5.11 foi respons\u00e1vel por um salto ainda mais impressionante: 333% de crescimento da massa seca das ra\u00edzes. Uma terceira linhagem avaliada, Bacillus sp. C1.4, tamb\u00e9m apresentou efeitos positivos na parte a\u00e9rea, mas em menor escala.<\/p>\n<p>Os efeitos positivos das bact\u00e9rias nas estacas foram atribu\u00eddos \u00e0 capacidade dos  microrganismos de produzir \u00e1cido indolac\u00e9tico (AIA) \u2014 um horm\u00f4nio natural da planta que regula processos de crescimento vegetal \u2014 e sider\u00f3foros, compostos que capturam ferro no ambiente e tornam o nutriente mais dispon\u00edvel para as plantas. <\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-testes\">Testes<\/h2>\n<p>Os testes foram realizados em laborat\u00f3rio e em casas de vegeta\u00e7\u00e3o, que simulam o ambiente natural. O pr\u00f3ximo passo \u00e9 realizar os testes em \u00e1reas de produtores e com outras variedades clonais de pimenteira-do-reino.<\/p>\n<p>\u201cEssa descoberta revela o potencial de obtermos um bioinsumo que traga mais seguran\u00e7a aos pequenos produtores para a implanta\u00e7\u00e3o ou amplia\u00e7\u00e3o de pimentais com mudas sadias e, consequentemente, plantas mais vigorosas e produtivas\u201d, afirma a pesquisadora da Embrapa Florestas, Alessandra Nakasone.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/1774941500_799_Bacterias-beneficiam-o-cultivo-de-pimenta-do-reino-e-podem-reduzir-o.jpg\" alt=\"Pimenta-do-reino\" class=\"wp-image-4162437\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Ronaldo Rosa\/Embrapa<\/figcaption><\/figure>\n<p>A descoberta \u00e9 estrat\u00e9gica para pequenos agricultores, principais respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Al\u00e9m disso, o uso de microrganismos ben\u00e9ficos pode reduzir a depend\u00eancia de fertilizantes e defensivos qu\u00edmicos, aumentando a sustentabilidade da cadeia produtiva. <\/p>\n<p>\u201cIsso ocorre porque as bact\u00e9rias promovem a solubiliza\u00e7\u00e3o dos nutrientes que est\u00e3o no solo, ou seja, tornam as subst\u00e2ncias mais dispon\u00edveis para a absor\u00e7\u00e3o pelas ra\u00edzes\u201d, explica a pesquisadora.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-producao-brasileira\">Produ\u00e7\u00e3o brasileira<\/h2>\n<p>O Brasil \u00e9 o segundo maior produtor mundial de pimenta-do-reino, com uma produ\u00e7\u00e3o de quase 125 mil toneladas em 2024, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (<a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/ibge\/\">IBGE<\/a>). Nesse per\u00edodo, o valor da produ\u00e7\u00e3o nacional saltou de R$ 1,65 bilh\u00e3o (2023) para mais de R$ 3,67 bilh\u00f5es (2024) \u2014 um aumento de aproximadamente 122% em apenas um ano, refletindo a forte valoriza\u00e7\u00e3o do produto no mercado.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 caracterizada pela sustentabilidade e qualidade da pimenta-do-reino. Os estados do Esp\u00edrito Santo e do Par\u00e1 det\u00eam, juntos, mais de 90% da safra nacional. Com produ\u00e7\u00e3o anual de 41 mil toneladas em 2024, a produ\u00e7\u00e3o paraense se destaca pela agricultura familiar e por processos sustent\u00e1veis de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-microrganismos-aliados-da-agricultura\">Microrganismos aliados da agricultura<\/h2>\n<p>As bact\u00e9rias endof\u00edticas vivem nos tecidos internos das plantas sem causar doen\u00e7as e podem ser ben\u00e9ficas ou neutras. As ben\u00e9ficas desempenham pap\u00e9is fundamentais para a sa\u00fade vegetal, como a produ\u00e7\u00e3o de fitorm\u00f4nios (horm\u00f4nios vegetais), a fixa\u00e7\u00e3o de nitrog\u00eanio, a solubiliza\u00e7\u00e3o de nutrientes e o aumento da resist\u00eancia a estresses ambientais.<\/p>\n<p>Esse tipo de intera\u00e7\u00e3o j\u00e1 fora observado em outras culturas agr\u00edcolas, inclusive c\u00edtricas, milho e cana-de-a\u00e7\u00facar. <\/p>\n<p>No caso da pimenta-do-reino, pesquisas anteriores com esp\u00e9cies dos g\u00eaneros Bacillus e Pseudomonas haviam demonstrado promo\u00e7\u00e3o do enraizamento e aumento da produtividade. O novo estudo, no entanto, detalhou os mecanismos fisiol\u00f3gicos de linhagens espec\u00edficas e refor\u00e7ou a import\u00e2ncia de associar biotecnologia ao manejo sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>A propaga\u00e7\u00e3o da pimenta-do-reino pode ser feita por meio de sementes ou estacas enraizadas. O primeiro modo, como explica o pesquisador Oriel Lemos, da Embrapa Amaz\u00f4nia Oriental, exige mais tempo para o desenvolvimento da planta e n\u00e3o garante a manuten\u00e7\u00e3o dos atributos da planta-m\u00e3e, como, por exemplo, a alta produtividade.<\/p>\n<p>J\u00e1 as estacas garantem a manuten\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas das matrizes e reduzem o tempo at\u00e9 a frutifica\u00e7\u00e3o. Entretanto, a dificuldade de enraizamento compromete o pegamento e a qualidade das mudas e, por consequ\u00eancia, a produtividade das lavouras.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, a inocula\u00e7\u00e3o de microrganismos ben\u00e9ficos surge como alternativa vi\u00e1vel para garantir estacas mais vigorosas e uniformes, reduzindo custos de produ\u00e7\u00e3o e aumentando o retorno financeiro aos agricultores.<\/p>\n<p>\u201cEsses resultados apontam para plantas com ra\u00edzes mais vigorosas, ramificadas e pesadas. Isso \u00e9 fundamental para a absor\u00e7\u00e3o de nutrientes do solo e consequentemente maior crescimento da planta, maior quantidade de galhos e folhas, mais fotoss\u00edntese, mais sanidade, maior longevidade dos pimentais e maior produtividade. \u00c9 um ciclo ben\u00e9fico de desenvolvimento\u201d, ressalta Lemos.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-regulamentacao-de-bioinsumos\">Regulamenta\u00e7\u00e3o de bioinsumos<\/h2>\n<p>Outro ponto relevante \u00e9 que a recente Lei Federal n\u00ba 15.070\/2024 trouxe mais seguran\u00e7a jur\u00eddica ao setor de bioinsumos no Brasil. Pela nova norma, produtos biol\u00f3gicos desenvolvidos a partir de microrganismos como as cepas de Priestia e Lysinibacillus n\u00e3o s\u00e3o classificados como pesticidas e est\u00e3o liberados para uso agr\u00edcola, desde que comprovada a seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/bacterias-beneficiam-o-cultivo-de-pimenta-do-reino-e-podem-reduzir-o-uso-de-defensivos\/\">Bact\u00e9rias beneficiam o cultivo de pimenta-do-reino e podem reduzir o uso de defensivos<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\">Canal Rural<\/a>.<\/p>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/bacterias-beneficiam-o-cultivo-de-pimenta-do-reino-e-podem-reduzir-o-uso-de-defensivos\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Ronaldo Rosa\/Embrapa Pesquisadores brasileiros identificaram duas bact\u00e9rias endof\u00edticas, presentes naturalmente no interior das plantas, com potencial para transformar o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":28553,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-28552","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28552"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=28552"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28552\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/28553"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=28552"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=28552"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=28552"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}