{"id":28210,"date":"2026-03-24T15:13:12","date_gmt":"2026-03-24T19:13:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=28210"},"modified":"2026-03-24T15:13:12","modified_gmt":"2026-03-24T19:13:12","slug":"virus-oropouche-ja-infectou-mais-de-5-milhoes-de-pessoas-no-brasil-aponta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=28210","title":{"rendered":"V\u00edrus Oropouche j\u00e1 infectou mais de 5 milh\u00f5es de pessoas no Brasil, aponta estudo"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/Virus-Oropouche-ja-infectou-mais-de-5-milhoes-de-pessoas.jpg\" alt=\"Culicoides paraensis\" \/><figcaption>Foto: Cole\u00e7\u00e3o de Ceratopogonidae do IOC\/Fiocruz<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O recente surto do v\u00edrus Oropouche, ocorrido em 2023, chamou aten\u00e7\u00e3o no Brasil e em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina n\u00e3o s\u00f3 pela magnitude (mais de 30 mil casos registrados no territ\u00f3rio nacional), mas tamb\u00e9m pela primeira morte confirmada no pa\u00eds causada pela doen\u00e7a e pela r\u00e1pida dissemina\u00e7\u00e3o para todos os estados, deixando de se restringir \u00e0 regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, no in\u00edcio do ano, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (<a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/oms\/\">OMS<\/a>) tamb\u00e9m demonstrou preocupa\u00e7\u00e3o e fez um apelo para acelerar o desenvolvimento de ferramentas de preven\u00e7\u00e3o e controle contra esse pat\u00f3geno, at\u00e9 ent\u00e3o quase desconhecido.<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><em>Veja em primeira m\u00e3o tudo sobre agricultura, pecu\u00e1ria, economia e previs\u00e3o do tempo:<\/em><a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAqBwgKMPKZlQswq_mqAw?hl=pt-BR&amp;gl=BR&amp;ceid=BR%3Apt-419\"><em> <\/em><strong><em>siga o Canal Rural no Google News!<\/em><\/strong><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Dois estudos publicados nesta ter\u00e7a-feira (24) nas revistas <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41591-026-04221-z\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong><em>Nature Medicine<\/em><\/strong><\/a> e <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s44360-026-00065-6\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong><em>Nature Health<\/em><\/strong><\/a> comprovaram que o impacto do v\u00edrus Oropouche \u00e9 muito maior do que o retratado nos dados oficiais. <\/p>\n<p>Por meio de c\u00e1lculos matem\u00e1ticos, dados hist\u00f3ricos e an\u00e1lise de sangue de hemocentros, os pesquisadores estimam que, desde 1960, o v\u00edrus j\u00e1 tenha infectado cerca de 9,4 milh\u00f5es de pessoas na Am\u00e9rica Latina e no Caribe. S\u00f3 no Brasil, seriam aproximadamente 5,5 milh\u00f5es de casos.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-sintomas\">Sintomas<\/h2>\n<p>A doen\u00e7a, que provoca febre e sintomas semelhantes aos da dengue, pode evoluir para complica\u00e7\u00f5es graves, incluindo problemas neurol\u00f3gicos (meningite e meningoencefalite) e at\u00e9 microcefalia em casos de transmiss\u00e3o materno-fetal.<\/p>\n<p>\u201cEstimamos que um em cada mil diagn\u00f3sticos da doen\u00e7a evolua\u00a0para complica\u00e7\u00f5es graves, como doen\u00e7as neurol\u00f3gicas, microcefalia, abortos e complica\u00e7\u00f5es hep\u00e1ticas, o que eleva o n\u00edvel de prioridade para sa\u00fade p\u00fablica\u201d, destaca o coordenador do Laborat\u00f3rio de Estudos de V\u00edrus Emergentes (Leve) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Jos\u00e9 Luiz Proen\u00e7a M\u00f3dena.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-circulacao\">Circula\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Os pesquisadores detectaram que o v\u00edrus Oropouche est\u00e1 em circula\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, embora muitas vezes em n\u00edveis t\u00e3o baixos que se tornam quase indetect\u00e1veis pelos sistemas de vigil\u00e2ncia comuns. \u201cNo trabalho, identificamos duas grandes ondas de Oropouche na capital amazonense, uma na d\u00e9cada de 1980 e a de 2023, que infectaram, cada uma, mais de 12% de sua popula\u00e7\u00e3o\u201d, diz M\u00f3dena.<\/p>\n<p>A partir desse rastreamento, os pesquisadores tamb\u00e9m identificaram que indiv\u00edduos infectados na d\u00e9cada de 1980 ainda eram capazes de neutralizar a linhagem viral recente. <\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-um-virus-do-mato\"><strong>Um v\u00edrus do mato<\/strong><\/h2>\n<p>A reemerg\u00eancia do v\u00edrus Oropouche em 2023 confirmou sua expans\u00e3o pelo pa\u00eds. O Esp\u00edrito Santo apresentou a maior taxa acumulada, com 318 casos por 100 mil habitantes. J\u00e1 a regi\u00e3o Sudeste concentrou 57,9% das notifica\u00e7\u00f5es, tornando-se o novo epicentro da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Diferentemente de outras arboviroses mais conhecidas, ele \u00e9 transmitido pelo mosquito-p\u00f3lvora, porvinha ou maruim (<em>Culicoides paraensis<\/em>), o que faz com que a incid\u00eancia da doen\u00e7a em \u00e1reas rurais seja 11 vezes maior do que nas cidades.<\/p>\n<p>\u201cAo contr\u00e1rio do <em>Aedes aegypti<\/em> [mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya], que se reproduz em \u00e1gua parada, o maruim deposita seus ovos em solo \u00famido e rico em mat\u00e9ria org\u00e2nica. \u00c9 um mosquito do mato, de \u00e1reas \u00famidas. Por isso, a predomin\u00e2ncia de casos em \u00e1reas rurais e n\u00e3o urbanas\u201d, explica o professor da Universidade do Kentucky, nos Estados Unidos, William de Souza.<\/p>\n<p>De acordo com Souza, historicamente, essa doen\u00e7a estava muito ligada a \u00e1reas com planta\u00e7\u00e3o de banana e cacau, mas ao estudar a ecologia do v\u00edrus identificamos que a quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a fruta em si, mas a condi\u00e7\u00e3o ideal de solos \u00famidos e com bastante mat\u00e9ria org\u00e2nica. <\/p>\n<p>Altas temperaturas e chuvas tamb\u00e9m s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias para a dissemina\u00e7\u00e3o do maruim<\/p>\n<p>\u201cO combate \u00e0 doen\u00e7a se torna muito diferente das outras arboviroses transmitidas por mosquitos, que s\u00e3o mais urbanos. Estrat\u00e9gias como a fumiga\u00e7\u00e3o em pra\u00e7as e ruas asfaltadas s\u00e3o provavelmente pouco \u00fateis contra o Oropouche. O maruim n\u00e3o vive nos ralos das casas, mas na umidade das \u00e1reas florestais e na vegeta\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica das cidades\u201d, explica Souza.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-manaus-epicentro-da-crise\"><strong>Manaus, epicentro da crise<\/strong><\/h2>\n<p>Em Manaus (AM), a maior metr\u00f3pole da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, estima-se que 300 mil pessoas tenham sido infectadas entre 2023 e 2024, quase 260 vezes mais que os casos confirmados. <\/p>\n<p>De acordo com os pesquisadores, a preval\u00eancia de anticorpos contra o v\u00edrus saltou de 11,4% em novembro de 2023 para 25,7% em novembro de 2024, indicando ampla dissemina\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cA capital do Amazonas \u00e9 uma cidade com mais de 2 milh\u00f5es de habitantes e considerada a porta de entrada para a regi\u00e3o amaz\u00f4nica. A subnotifica\u00e7\u00e3o ocorreu por v\u00e1rios fatores, principalmente pelo fato do v\u00edrus ter circulado silenciosamente antes de atingir as bordas do centro urbano, com muitos casos sendo assintom\u00e1ticos ou leves, e sem diagn\u00f3stico\u201d, explica Souza.<\/p>\n<p>Essa din\u00e2mica ajuda a explicar a dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus por todos os estados brasileiros e pa\u00edses vizinhos, al\u00e9m de refor\u00e7ar o cen\u00e1rio que motivou a OMS a emitir alerta internacional.<\/p>\n<p>J\u00e1 no caso de pacientes em regi\u00f5es remotas da Amaz\u00f4nia, os pesquisadores destacam a din\u00e2mica e a log\u00edstica da regi\u00e3o. <\/p>\n<p>\u201cPacientes em regi\u00f5es remotas da Amaz\u00f4nia muitas vezes enfrentam tempos de viagem de mais de 24 horas para chegar a uma unidade de sa\u00fade. Isso significa que muitos casos provavelmente n\u00e3o foram diagnosticados, permitindo que o v\u00edrus circulasse silenciosamente at\u00e9 atingir a borda de um grande centro urbano\u201d, afirma Souza.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-morfologia\">Morfologia<\/h2>\n<p>Outra caracter\u00edstica importante do maruim \u00e9 que ele \u00e9 tr\u00eas vezes menor que um pernilongo comum, tamanho ideal para atravessar mosquiteiros. Por\u00e9m a raz\u00e3o por tr\u00e1s dessa reemerg\u00eancia agressiva n\u00e3o est\u00e1 apenas no clima, mas em uma nova recombina\u00e7\u00e3o viral (<em>reassortment<\/em>).<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-controle\">Controle<\/h2>\n<p>No trabalho, os pesquisadores tamb\u00e9m identificaram a emerg\u00eancia de uma nova linhagem viral, resultado de um processo de rearranjo ou reassortimento gen\u00e9tico que ocorre quando dois v\u00edrus diferentes infectam uma mesma c\u00e9lula.<\/p>\n<p>&#8220;A reemerg\u00eancia do Oropouche nos mostra que n\u00e3o podemos combater todas as arboviroses com a mesma receita, pois o maruim n\u00e3o segue as mesmas regras do <em>Aedes<\/em>&#8220;, diz M\u00f3dena.<\/p>\n<p>Para ele, embora a imunidade de longo prazo pare\u00e7a existir para quem j\u00e1 foi infectado, a velocidade com que o v\u00edrus se expandiu por todos os estados brasileiros mostra que o sistema de sa\u00fade precisa de novos sistemas de detec\u00e7\u00e3o, focados, inclusive, na vigil\u00e2ncia distante dos grandes centros.<\/p>\n<p>Os pesquisadores ressaltam a necessidade de mudan\u00e7as estruturais, como a ado\u00e7\u00e3o de estudos sorol\u00f3gicos cont\u00ednuos, o uso de bancos de sangue como alerta precoce e a integra\u00e7\u00e3o de ferramentas digitais e gen\u00f4micas para acompanhar surtos e muta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/seguranca\/virus-oropouche-ja-infectou-mais-de-5-milhoes-de-pessoas-no-brasil-aponta-estudo\/\">V\u00edrus Oropouche j\u00e1 infectou mais de 5 milh\u00f5es de pessoas no Brasil, aponta estudo<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\">Canal Rural<\/a>.<\/p>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/seguranca\/virus-oropouche-ja-infectou-mais-de-5-milhoes-de-pessoas-no-brasil-aponta-estudo\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Cole\u00e7\u00e3o de Ceratopogonidae do IOC\/Fiocruz O recente surto do v\u00edrus Oropouche, ocorrido em 2023, chamou aten\u00e7\u00e3o no Brasil e<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":28211,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-28210","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28210"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=28210"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/28210\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/28211"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=28210"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=28210"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=28210"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}