{"id":27166,"date":"2026-01-09T11:01:13","date_gmt":"2026-01-09T15:01:13","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=27166"},"modified":"2026-01-09T11:01:13","modified_gmt":"2026-01-09T15:01:13","slug":"o-acordo-ue-mercosul-e-menos-sobre-tarifas-e-mais-sobre-escolha-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=27166","title":{"rendered":"O acordo UE\u2013Mercosul \u00e9 menos sobre tarifas e mais sobre escolha pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Presidente-da-Comissao-Europeia-esta-\u2018confiante-sobre-acordo-com-o.jpg\" alt=\"Ursula von der Leyen, presidente da Comiss\u00e3o Europeia, Uni\u00e3o Europeia\" \/><figcaption>Foto:<br \/>\nEuropean Parliament<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Depois de d\u00e9cadas de idas e vindas, a Uni\u00e3o Europeia autorizou a assinatura do acordo comercial com o Mercosul. N\u00e3o \u00e9 a entrada em vigor. \u00c9 o in\u00edcio formal de um processo longo, gradual e cheio de etapas. Ainda assim, trata-se de um marco hist\u00f3rico no com\u00e9rcio internacional.<\/p>\n<p>As negocia\u00e7\u00f5es come\u00e7aram no fim dos anos 1990. Desde ent\u00e3o, o texto foi travado, reaberto e renegociado in\u00fameras vezes. Poucos acordos no mundo exigiram tanto tempo porque poucos envolveram tantos pa\u00edses, tantos setores sens\u00edveis e interesses t\u00e3o conflitantes. Quanto maior o acordo, mais dif\u00edcil \u00e9 acomodar vencedores e perdedores.<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><em>Veja em primeira m\u00e3o tudo sobre agricultura, pecu\u00e1ria, economia e previs\u00e3o do tempo:<\/em><a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAqBwgKMPKZlQswq_mqAw?hl=pt-BR&amp;gl=BR&amp;ceid=BR%3Apt-419\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>\u00a0siga o Canal Rural no Google News!<\/em><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>O tratado une dois grandes blocos. De um lado, o Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai). Do outro, os 27 pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia. Juntos, somam mais de 700 milh\u00f5es de consumidores e um potencial de com\u00e9rcio que pode chegar \u00e0 casa do trilh\u00e3o de d\u00f3lares ao longo do tempo, \u00e9 um dos maiores acordos comerciais j\u00e1 tentado no planeta.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o acordo prev\u00ea redu\u00e7\u00e3o gradual de tarifas, regras comuns para com\u00e9rcio, servi\u00e7os e investimentos, al\u00e9m de prazos longos de adapta\u00e7\u00e3o. Nada acontece de uma vez. Setores mais sens\u00edveis ter\u00e3o anos, em alguns casos mais de uma d\u00e9cada, para se ajustar, N\u00e3o h\u00e1 choque imediato nem \u201cabertura total\u201d do dia para a noite.<\/p>\n<p>O grande n\u00f3 sempre foi a agricultura. O Mercosul \u00e9 altamente competitivo na produ\u00e7\u00e3o de alimentos. A Europa, por sua vez, mant\u00e9m um modelo agr\u00edcola fortemente subsidiado e protegido, com custos elevados e menor capacidade de competir em pre\u00e7o. Efici\u00eancia produtiva de um lado, prote\u00e7\u00e3o estatal do outro.<\/p>\n<p>Mesmo com a autoriza\u00e7\u00e3o para assinatura, a Europa segue dividida. Pa\u00edses como a <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/economia\/franca-e-irlanda-anunciam-voto-contra-acordo-entre-uniao-europeia-e-mercosul\/\">Fran\u00e7a e a Irlanda se posicionaram contra ou com fortes ressalvas<\/a>. O discurso oficial fala em meio ambiente, padr\u00f5es sanit\u00e1rios e defesa do pequeno agricultor.<\/p>\n<p>Mas o pano de fundo \u00e9 outro: perda de competitividade. Em vez de enfrentar o desafio de estrutura, moderniza\u00e7\u00e3o, produtividade e custos, parte da agricultura europeia prefere erguer barreiras. O veto agr\u00edcola \u00e9, antes de tudo, uma escolha eleitoral interna.<\/p>\n<p>Para o Mercosul, o acordo abre portas importantes. Acesso preferencial a um mercado rico e est\u00e1vel, mais previsibilidade para exportadores e novas oportunidades para carnes, caf\u00e9, a\u00e7\u00facar, etanol, sucos e produtos com maior valor agregado.Ganhos existem, mas s\u00e3o graduais e estrat\u00e9gicos, n\u00e3o imediatos.<\/p>\n<p>Do lado europeu, os benef\u00edcios tamb\u00e9m s\u00e3o claros. Acesso a alimentos e mat\u00e9rias-primas em escala, diversifica\u00e7\u00e3o de fornecedores e maior seguran\u00e7a em cadeias produtivas num mundo cada vez mais inst\u00e1vel.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o acordo tem peso geopol\u00edtico: sinaliza que a Europa ainda aposta no multilateralismo, mesmo com o avan\u00e7o do protecionismo global. Fechar mercados custa caro num mundo fragmentado.<\/p>\n<p>O momento do avan\u00e7o n\u00e3o \u00e9 casual. Tens\u00f5es comerciais globais, aumento de tarifas e disputas geopol\u00edticas pressionaram os blocos a buscar alternativas. Quando o com\u00e9rcio global endurece, acordos entre regi\u00f5es ganham valor estrat\u00e9gico. Proteger demais pode isolar; negociar pode abrir sa\u00eddas.<\/p>\n<p>Apesar do avan\u00e7o, o caminho ainda \u00e9 longo. V\u00eam pela frente a assinatura formal, a an\u00e1lise do Parlamento Europeu, processos de ratifica\u00e7\u00e3o interna e, s\u00f3 ent\u00e3o, a implementa\u00e7\u00e3o gradual. Anos, n\u00e3o meses.<\/p>\n<p>Para o cidad\u00e3o comum, a mensagem \u00e9 simples. O acordo n\u00e3o muda pre\u00e7os amanh\u00e3, n\u00e3o provoca invas\u00f5es de produtos nem destr\u00f3i setores de imediato. Ele cria regras previs\u00edveis para uma integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica que ser\u00e1 constru\u00edda passo a passo. \u00c9 uma aposta no futuro, n\u00e3o um remendo de curto prazo.<\/p>\n<p>Depois de 25 anos, o acordo UE\u2013Mercosul finalmente saiu da in\u00e9rcia pol\u00edtica. Ainda h\u00e1 resist\u00eancias, ajustes e disputas. Mas o essencial aconteceu: a porta foi aberta.<\/p>\n<p>Num mundo mais protecionista, mais endividado e mais inst\u00e1vel, esse acordo representa uma escolha clara, negociar, integrar e ganhar escala, em vez de levantar muros.<\/p>\n<p>O rel\u00f3gio come\u00e7ou a andar. E, desta vez, parece que n\u00e3o volta para tr\u00e1s.<\/p>\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\">\n<figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1766405079_938_Confusao-a-vista-petroleo-venezuelano-apreendido-pelos-EUA-pode-pertencer.jpg\" alt=\"Miguel Daoud\" class=\"wp-image-4095706 size-full\" \/><\/figure>\n<div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"has-text-align-center\">*<em><strong>Miguel Daoud<\/strong>&nbsp;\u00e9 comentarista de Economia e Pol\u00edtica&nbsp;do Canal Rural<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n<p><em>O&nbsp;<strong>Canal Rural<\/strong>&nbsp;n\u00e3o se responsabiliza pelas opini\u00f5es e conceitos emitidos nos textos desta sess\u00e3o, sendo os conte\u00fados de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s normas de publica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/o-acordo-ue-mercosul-e-menos-sobre-tarifas-e-mais-sobre-escolha-politica\/\">O acordo UE\u2013Mercosul \u00e9 menos sobre tarifas e mais sobre escolha pol\u00edtica<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\">Canal Rural<\/a>.<\/p>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/o-acordo-ue-mercosul-e-menos-sobre-tarifas-e-mais-sobre-escolha-politica\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: European Parliament Depois de d\u00e9cadas de idas e vindas, a Uni\u00e3o Europeia autorizou a assinatura do acordo comercial com<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":26061,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-27166","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27166"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=27166"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/27166\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/26061"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=27166"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=27166"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=27166"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}