{"id":27054,"date":"2026-01-07T15:44:24","date_gmt":"2026-01-07T19:44:24","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=27054"},"modified":"2026-01-07T15:44:24","modified_gmt":"2026-01-07T19:44:24","slug":"brasil-aumentou-em-472-a-compra-de-soja-do-paraguai-o-que-explica-isso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=27054","title":{"rendered":"Brasil aumentou em 472% a compra de soja do Paraguai; o que explica isso?"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/Brasil-aumentou-em-472-a-compra-de-soja-do-Paraguai.jpg\" alt=\"soja Paraguai\" \/><figcaption>Imagem gerada por IA<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O Brasil \u00e9, de longe, o maior produtor e exportador de soja do mundo. No entanto, chama aten\u00e7\u00e3o o fato de o pa\u00eds estar comprando \u2014 e muito \u2014 o gr\u00e3o do Paraguai, pa\u00eds que figura apenas na sexta posi\u00e7\u00e3o entre os que mais colhem a oleaginosa, com cerca de 10 milh\u00f5es de toneladas a cada safra.<\/p>\n<p>Dados do sistema Agrostat, da Secretaria de Com\u00e9rcio Exterior (Secex), mostram que entre 2023 e 2025, as importa\u00e7\u00f5es cresceram impressionantes <strong>472%<\/strong>, indo de 176,1 mil toneladas para 1,007 milh\u00e3o de toneladas.<\/p>\n<p>Vale lembrar que as compras de soja paraguaia pelo Brasil aumentaram justamente nos momentos em que o pre\u00e7o interno se afastou da paridade internacional.<\/p>\n<p>Esse aumento n\u00e3o aconteceu por falta de soja no Brasil, mas porque as esmagadoras passaram a buscar o gr\u00e3o fora, onde o custo de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 mais baixo e a log\u00edstica \u00e9 mais eficiente. Mesmo pagando frete e custos de internaliza\u00e7\u00e3o, a soja importada chega mais barata do que a soja nacional em determinados momentos.<\/p>\n<p>Esse movimento cria um obst\u00e1culo claro ao repasse de pre\u00e7os. Sempre que o mercado interno tenta sustentar valores mais elevados para cobrir custos, a importa\u00e7\u00e3o entra como alternativa econ\u00f4mica para a ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Isso porque pa\u00edses vizinhos, a exemplo de Paraguai e, \u00e0s vezes, Argentina, conseguirem produzir soja com estrutura de custo mais enxuta e log\u00edstica competitiva. Assim, a ind\u00fastria brasileira utiliza a importa\u00e7\u00e3o como v\u00e1lvula de conten\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o produtor brasileiro fica espremido: de um lado, custos elevados e r\u00edgidos; do outro, um teto de pre\u00e7o imposto pela possibilidade de importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-preco-alto-nao-significa-alta-renda\">Pre\u00e7o alto n\u00e3o significa alta renda<\/h2>\n<p>Esse cen\u00e1rio de alta nas importa\u00e7\u00f5es serve para provar um erro dito aos quatro ventos por quem n\u00e3o entende o agro brasileiro: a ideia de que o produtor est\u00e1 faturando alto por conta do aumento interno do pre\u00e7o da soja. Isso n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade do campo. <\/p>\n<p>O que se observa hoje no Brasil \u00e9 um cen\u00e1rio de press\u00e3o de custos, margens comprimidas e dificuldades financeiras crescentes, apesar dos pre\u00e7os nominais em determinados momentos parecerem melhores.<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><em>Veja em primeira m\u00e3o tudo sobre agricultura, pecu\u00e1ria, economia e previs\u00e3o do tempo:<\/em><a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAqBwgKMPKZlQswq_mqAw?hl=pt-BR&amp;gl=BR&amp;ceid=BR%3Apt-419\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>\u00a0siga o Canal Rural no Google News!<\/em><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Produzir soja no Brasil ficou mais caro. Juros elevados encarecem o capital de giro e o financiamento da safra; a log\u00edstica pesa no frete e na armazenagem; o c\u00e2mbio influencia diretamente o custo dos insumos. <\/p>\n<p>Soma-se a isso um fator estrutural decisivo: o peso dos arrendamentos de terra, que imp\u00f5e custos fixos elevados e reduz drasticamente a capacidade de ajuste do produtor.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-arrendamento-trava-a-margem-do-produtor\">Arrendamento trava a margem do produtor<\/h2>\n<p>Uma parcela relevante dos produtores brasileiros cultivam em terras arrendadas. Nesse modelo, o custo do arrendamento precisa ser pago independentemente do pre\u00e7o da soja, do clima ou da produtividade. Na pr\u00e1tica, isso cria um piso de custo r\u00edgido.<\/p>\n<p>Quando juros, log\u00edstica e arrendamento sobem ao mesmo tempo, o pre\u00e7o interno reage para cobrir custos, n\u00e3o para gerar ganho real. O resultado \u00e9 um pre\u00e7o mais alto no papel, mas margem apertada na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Afinal, se o produtor estivesse ganhando mais, o campo n\u00e3o estaria assistindo ao aumento da inadimpl\u00eancia nem ao crescimento dos pedidos de recupera\u00e7\u00e3o judicial. O que ocorre hoje \u00e9 exatamente o contr\u00e1rio: muitos produtores est\u00e3o financeiramente pressionados, com dificuldade de honrar compromissos e de renovar cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Isso desmonta a tese simplista de que pre\u00e7o interno mais alto significa rentabilidade maior. Pre\u00e7o n\u00e3o \u00e9 lucro. O que existe hoje \u00e9 custo alto, margem apertada e arbitragem limitando pre\u00e7os. N\u00e3o \u00e9 contradi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 uma distor\u00e7\u00e3o. \u00c9 economia funcionando, com o produtor pagando a conta.<\/p>\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\">\n<figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1766405079_938_Confusao-a-vista-petroleo-venezuelano-apreendido-pelos-EUA-pode-pertencer.jpg\" alt=\"Miguel Daoud\" class=\"wp-image-4095706 size-full\" \/><\/figure>\n<div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"has-text-align-center\">*<em><strong>Miguel Daoud<\/strong>&nbsp;\u00e9 comentarista de Economia e Pol\u00edtica&nbsp;do Canal Rural<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n<p><em>O&nbsp;<strong>Canal Rural<\/strong>&nbsp;n\u00e3o se responsabiliza pelas opini\u00f5es e conceitos emitidos nos textos desta sess\u00e3o, sendo os conte\u00fados de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s normas de publica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/brasil-aumentou-em-472-a-compra-de-soja-do-paraguai-o-que-explica-isso\/\">Brasil aumentou em 472% a compra de soja do Paraguai; o que explica isso?<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\">Canal Rural<\/a>.<\/p>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/brasil-aumentou-em-472-a-compra-de-soja-do-paraguai-o-que-explica-isso\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagem gerada por IA O Brasil \u00e9, de longe, o maior produtor e exportador de soja do mundo. 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