{"id":26378,"date":"2025-12-25T10:29:11","date_gmt":"2025-12-25T14:29:11","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=26378"},"modified":"2025-12-25T10:29:11","modified_gmt":"2025-12-25T14:29:11","slug":"salario-minimo-o-problema-nao-e-o-aumento-e-a-ausencia-de-um-projeto-de-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=26378","title":{"rendered":"Sal\u00e1rio m\u00ednimo: o problema n\u00e3o \u00e9 o aumento, \u00e9 a aus\u00eancia de um projeto de pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Segunda-parcela-do-13o-salario-deve-ser-paga-ate-a.jpg\" alt=\"m\u00e3os segurando notas de cinquenta reais aux\u00edlio emergencial renda m\u00ednima cr\u00e9dito\" \/><figcaption>Foto: Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O aumento real do sal\u00e1rio m\u00ednimo voltou ao centro do debate econ\u00f4mico. Economistas, analistas e parte da imprensa alertam para os riscos fiscais da medida, lembrando que o piso nacional est\u00e1 indexado a uma s\u00e9rie de benef\u00edcios previdenci\u00e1rios e assistenciais, o que amplia automaticamente as despesas do Estado. A cr\u00edtica, do ponto de vista t\u00e9cnico, faz sentido. Mas ela para a\u00ed.<\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel analisar o sal\u00e1rio m\u00ednimo apenas como uma vari\u00e1vel cont\u00e1bil. Ele \u00e9, antes de tudo, um instrumento social. E \u00e9 aqui que o debate costuma empobrecer. Quem critica o aumento raramente apresenta uma alternativa vi\u00e1vel para os milh\u00f5es de brasileiros que dependem diretamente desse valor para sobreviver.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ser honesto: o sal\u00e1rio m\u00ednimo brasileiro n\u00e3o permite uma vida digna. N\u00e3o cobre moradia adequada, alimenta\u00e7\u00e3o completa, transporte, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o por acaso, uma parcela crescente da popula\u00e7\u00e3o prefere a informalidade a um emprego formal que paga pouco e exige muito. Hoje, quase 40% da economia brasileira opera fora da formalidade, um sintoma claro de falha estrutural, n\u00e3o de escolha individual.<\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, imaginar que um presidente em campanha faria diferente \u00e9 desconhecer a l\u00f3gica da pol\u00edtica. Para <strong><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/lula\/\">Luiz In\u00e1cio Lula da Silva<\/a><\/strong>, que se aproxima do fim de sua trajet\u00f3ria pol\u00edtica e busca encerrar a carreira sem derrotas, abrir m\u00e3o de uma pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo simplesmente n\u00e3o existe como op\u00e7\u00e3o. E, sejamos francos, qualquer outro candidato no mesmo contexto faria o mesmo.<\/p>\n<p>O problema, portanto, n\u00e3o est\u00e1 apenas no reajuste. Est\u00e1 na aus\u00eancia de um projeto estrutural de pa\u00eds. O Brasil \u00e9 um dos piores pa\u00edses do mundo em distribui\u00e7\u00e3o de renda. Cresce pouco, arrecada mal, gasta mal e transfere responsabilidades sociais para medidas emergenciais que viram permanentes por falta de alternativas melhores.<\/p>\n<p>E h\u00e1 ainda um componente perverso que aprofunda esse impasse: a ideologia no Brasil deixou de ser sobre projetos e passou a ser sobre pessoas. Em vez de disputas entre modelos de desenvolvimento, caminhos econ\u00f4micos ou pol\u00edticas p\u00fablicas estruturantes, o pa\u00eds mergulhou em uma polariza\u00e7\u00e3o personalista e improdutiva. <\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><em>Veja em primeira m\u00e3o tudo sobre agricultura, pecu\u00e1ria, economia e previs\u00e3o do tempo:<\/em><a href=\"https:\/\/news.google.com\/publications\/CAAqBwgKMPKZlQswq_mqAw?hl=pt-BR&amp;gl=BR&amp;ceid=BR%3Apt-419\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00a0<em>siga o Canal Rural no Google News!<\/em><\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>Critica-se o presidente, o partido, o advers\u00e1rio, mas quase nunca se discute seriamente qual projeto poderia ocupar o lugar do que se critica. Essa ideologia vazia n\u00e3o constr\u00f3i alternativas; apenas paralisa o debate e transforma qualquer pol\u00edtica p\u00fablica em arma pol\u00edtica, mesmo quando ela trata de quest\u00f5es b\u00e1sicas de sobreviv\u00eancia social.<\/p>\n<p>O Congresso critica, mas n\u00e3o prop\u00f5e. O Executivo reage, mas pensa no curto prazo. E a sociedade cobra pouco, aceita muito e se conforma com solu\u00e7\u00f5es improvisadas.<\/p>\n<p>Criticar a indexa\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e9 f\u00e1cil. Dif\u00edcil \u00e9 apresentar um modelo que combine crescimento econ\u00f4mico sustent\u00e1vel, gera\u00e7\u00e3o de empregos formais, qualifica\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra, reforma do gasto p\u00fablico e pol\u00edticas sociais que emancipem, em vez de apenas compensar.<\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds qualquer. \u00c9 continental, produtor de alimentos, energia e riqueza. Tem tudo para ser protagonista global. Mas segue ref\u00e9m de uma mediocridade institucional que se repete no Executivo, no Legislativo e, muitas vezes, na pr\u00f3pria sociedade, que n\u00e3o compreende o papel estrat\u00e9gico que poderia ocupar.<\/p>\n<p>Enquanto o debate continuar restrito ao \u201cpode ou n\u00e3o pode aumentar o sal\u00e1rio m\u00ednimo\u201d, estaremos discutindo o sintoma \u2014 e n\u00e3o a doen\u00e7a. O verdadeiro problema n\u00e3o \u00e9 o aumento. \u00c9 a falta de coragem pol\u00edtica, vis\u00e3o de longo prazo e maturidade institucional para estruturar o Brasil que insiste em sobreviver no improviso.<\/p>\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\">\n<figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1766405079_938_Confusao-a-vista-petroleo-venezuelano-apreendido-pelos-EUA-pode-pertencer.jpg\" alt=\"Miguel Daoud\" class=\"wp-image-4095706 size-full\" \/><\/figure>\n<div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"has-text-align-center\">*<em><strong>Miguel Daoud<\/strong>&nbsp;\u00e9 comentarista de Economia e Pol\u00edtica&nbsp;do Canal Rural<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n<p><em>O&nbsp;<strong>Canal Rural<\/strong>&nbsp;n\u00e3o se responsabiliza pelas opini\u00f5es e conceitos emitidos nos textos desta sess\u00e3o, sendo os conte\u00fados de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s normas de publica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/salario-minimo-o-problema-nao-e-o-aumento-e-a-ausencia-de-um-projeto-de-pais\/\">Sal\u00e1rio m\u00ednimo: o problema n\u00e3o \u00e9 o aumento, \u00e9 a aus\u00eancia de um projeto de pa\u00eds<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\">Canal Rural<\/a>.<\/p>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/salario-minimo-o-problema-nao-e-o-aumento-e-a-ausencia-de-um-projeto-de-pais\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Ag\u00eancia Brasil O aumento real do sal\u00e1rio m\u00ednimo voltou ao centro do debate econ\u00f4mico. 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