{"id":26327,"date":"2025-12-24T07:42:37","date_gmt":"2025-12-24T11:42:37","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=26327"},"modified":"2025-12-24T07:42:37","modified_gmt":"2025-12-24T11:42:37","slug":"como-o-agro-sustentou-o-brasil-em-2025-apesar-do-tarifaco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=26327","title":{"rendered":"Como o agro sustentou o Brasil em 2025 apesar do tarifa\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Sao-Paulo-atinge-50-das-propriedades-rurais-com-regularidade-ambiental.jpg\" alt=\"Agricultura\" \/><figcaption>Foto: Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>N\u00e3o foi um ano f\u00e1cil, nem linear. Tivemos sustos, ru\u00eddos pol\u00edticos, clima desafiador e tens\u00e3o no com\u00e9rcio internacional. Mas, ao final das contas, o que aparece nos n\u00fameros, nos portos e at\u00e9 no custo de vida do brasileiro \u00e9 claro: o agro entregou resultado, e entregou com compet\u00eancia.<\/p>\n<p>Comecemos pelo que deu certo. O Brasil bateu sucessivos&nbsp;recordes de exporta\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas animais e vegetais. Carne bovina, frango, su\u00ednos, soja, milho, o pa\u00eds consolidou sua posi\u00e7\u00e3o como um dos maiores fornecedores de alimentos do mundo. Em um cen\u00e1rio global cada vez mais inseguro, o Brasil mostrou que produz em escala, com efici\u00eancia, sanidade e confiabilidade. Isso n\u00e3o \u00e9 discurso: \u00e9 dado concreto.<\/p>\n<p>Esse desempenho n\u00e3o veio por acaso. Veio de tecnologia no campo, investimento privado, gest\u00e3o profissional, abertura de mercados e, sobretudo, da resili\u00eancia do produtor rural. Enquanto muitas economias patinavam, o agro brasileiro seguiu fazendo o b\u00e1sico bem feito: plantar, colher, criar, processar e exportar.<\/p>\n<p>Mas 2025 tamb\u00e9m teve seu momento de maior tens\u00e3o: o chamado&nbsp;tarifa\u00e7o. Quando os Estados Unidos anunciaram tarifas adicionais, o susto foi grande. O risco era evidente: perder mercado, perder competitividade, sofrer retalia\u00e7\u00f5es em cadeia. E ali estava um personagem conhecido por sua imprevisibilidade,&nbsp;Donald Trump, elevando o tom e pressionando parceiros comerciais.<\/p>\n<p>O que evitou um estrago maior foi a postura brasileira. Em vez de bravata, o pa\u00eds respondeu com diplomacia, argumentos, dados e estrat\u00e9gia. N\u00e3o partiu para o confronto vazio nem para medidas que pudessem piorar o cen\u00e1rio. O resultado foi claro: as exporta\u00e7\u00f5es resistiram, e mais do que isso, cresceram. O medo virou aprendizado.<\/p>\n<p>E os n\u00fameros do fim do ano confirmaram isso.&nbsp;Portos operando em n\u00edveis recordes, corredores log\u00edsticos no limite, embarques em ritmo acelerado. Isso n\u00e3o \u00e9 apenas estat\u00edstica. \u00c9 sinal de confian\u00e7a internacional no agro brasileiro. Quem compra do Brasil confia que o produto chega, respeita regras sanit\u00e1rias e mant\u00e9m regularidade.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 um ponto que costuma ficar fora do debate e que foi decisivo em 2025:&nbsp;o papel do agro no combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto o pa\u00eds convivia com juros elevados e preocupa\u00e7\u00e3o constante com o custo de vida, foi a oferta abundante de alimentos que ajudou a segurar os pre\u00e7os. A desacelera\u00e7\u00e3o dos \u00edndices de infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o veio apenas de pol\u00edtica monet\u00e1ria ou ajuste fiscal. Veio, em parte importante, da comida colocada \u00e0 mesa dos brasileiros. Gr\u00e3os, carnes, leite, hortifr\u00fatis: quando a produ\u00e7\u00e3o funciona e o abastecimento flui, o efeito aparece diretamente no bolso da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o agro cumpriu um duplo papel ao longo do ano. No exterior, garantiu divisas, super\u00e1vit comercial e reputa\u00e7\u00e3o internacional. Dentro de casa, ajudou a conter a infla\u00e7\u00e3o, preservar o poder de compra, manter renda no interior do pa\u00eds e sustentar milh\u00f5es de empregos ao longo de toda a cadeia produtiva. Poucos setores conseguem atuar, ao mesmo tempo, como \u00e2ncora externa e amortecedor interno da economia. O agro conseguiu.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil encontrar outro setor da economia brasileira onde as coisas funcionem com tanta previsibilidade. E isso diz muito sobre quem est\u00e1 no campo.<\/p>\n<p>Gosto sempre de lembrar dos ga\u00fachos. Hoje, o Rio Grande do Sul sofre com extremos clim\u00e1ticos: ou falta chuva, ou sobra. Mas foi justamente da adversidade que surgiu uma das maiores epopeias do agro nacional. D\u00e9cadas atr\u00e1s, muitos produtores colocaram seus sonhos em caminh\u00f5es e migraram para o Centro-Oeste. Foram desbravar terras, enfrentar isolamento, aprender com o solo e com o clima. O resultado est\u00e1 a\u00ed: o Centro-Oeste se tornou uma pot\u00eancia global de gr\u00e3os, e o Brasil, um celeiro do mundo.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o aconteceu por pol\u00edtica p\u00fablica perfeita nem por ambiente f\u00e1cil. Aconteceu por&nbsp;resili\u00eancia, insist\u00eancia e vontade de vencer. A mesma l\u00f3gica que sustentou o agro em 2025.<\/p>\n<p>No fim das contas, o ano deixa uma mensagem clara: o agro brasileiro n\u00e3o \u00e9 forte porque tudo d\u00e1 certo. Ele \u00e9 forte porque aprende a funcionar mesmo quando muita coisa d\u00e1 errado. E \u00e9 exatamente isso que mant\u00e9m o Brasil de p\u00e9, alimentando o mundo, segurando a infla\u00e7\u00e3o em casa e ajudando a construir o pr\u00f3prio futuro.<\/p>\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\">\n<figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/1766405079_938_Confusao-a-vista-petroleo-venezuelano-apreendido-pelos-EUA-pode-pertencer.jpg\" alt=\"Miguel Daoud\" class=\"wp-image-4095706 size-full\" \/><\/figure>\n<div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"has-text-align-center\">*<em><strong>Miguel Daoud<\/strong>&nbsp;\u00e9 comentarista de Economia e Pol\u00edtica&nbsp;do Canal Rural<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n<p><em>O&nbsp;<strong>Canal Rural<\/strong>&nbsp;n\u00e3o se responsabiliza pelas opini\u00f5es e conceitos emitidos nos textos desta sess\u00e3o, sendo os conte\u00fados de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s normas de publica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/como-o-agro-sustentou-o-brasil-em-2025-apesar-do-tarifaco\/\">Como o agro sustentou o Brasil em 2025 apesar do tarifa\u00e7o<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\">Canal Rural<\/a>.<\/p>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/como-o-agro-sustentou-o-brasil-em-2025-apesar-do-tarifaco\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Pixabay N\u00e3o foi um ano f\u00e1cil, nem linear. 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