{"id":25925,"date":"2025-12-17T09:53:35","date_gmt":"2025-12-17T13:53:35","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=25925"},"modified":"2025-12-17T09:53:35","modified_gmt":"2025-12-17T13:53:35","slug":"nova-cultivar-brs-805-reforca-a-producao-de-cajueiro-no-ceara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=25925","title":{"rendered":"Nova cultivar BRS 805 refor\u00e7a a produ\u00e7\u00e3o de cajueiro no Cear\u00e1"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p style=\"text-align:justify\">A Embrapa Agroind\u00fastria Tropical (CE) lan\u00e7a, neste m\u00eas de dezembro de 2025, o clone de cajueiro BRS 805, uma cultivar desenvolvida inicialmente para a regi\u00e3o litor\u00e2nea do Cear\u00e1 e \u00e1reas afins. Com o objetivo de fortalecer a cajucultura do estado, maior produtor nacional de castanha, a nova cultivar chega com a proposta de oferecer aos produtores uma maior produtividade em castanha, em compara\u00e7\u00e3o com a cultivar mais plantada (\u2018CCP 76). O edital para aquisi\u00e7\u00e3o dos prop\u00e1gulos ser\u00e1 lan\u00e7ado no dia 12 de janeiro de 2026.&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O BRS 805 \u00e9 a nova aposta da pesquisa agropecu\u00e1ria brasileira para conferir maior sustentabilidade ao neg\u00f3cio, aumentando a variabilidade gen\u00e9tica nos pomares e minimizando a vulnerabilidade a problemas clim\u00e1ticos e fitossanit\u00e1rios. Segundo Dheyne Melo, pesquisador da Embrapa Agroind\u00fastria Tropical e coordenador do Programa de Melhoramento Gen\u00e9tico do Cajueiro, o trabalho de desenvolvimento dessa nova variedade remonta ao in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cEsse material surgiu de um experimento em uma fazenda localizada no munic\u00edpio de Pio IX (PI). Os pesquisadores selecionaram uma planta, em que as castanhas foram colhidas para a produ\u00e7\u00e3o de prog\u00eanies (plantas oriundas das sementes). O experimento foi instalado no Campo Experimental de Pacajus, e ao t\u00e9rmino foi selecionada uma das plantas filhas, identificada como PRO 805\/4\u201d, explica. Essa planta foi clonada (mudas enxertadas) para ser avaliada e comparada com outros clones.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Desde 2003, o clone passou a ser avaliado em condi\u00e7\u00f5es de sequeiro na regi\u00e3o litor\u00e2nea do Cear\u00e1, no munic\u00edpio de Pacajus, e, a partir de 2011, no munic\u00edpio de Cruz e 2015 em Itapipoca, demonstrando um desempenho superior e consolidando-se como uma alternativa de alta rentabilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">As produtividades m\u00e9dias alcan\u00e7aram 1.800 quilos de castanhas por hectare (Kg\/ha) entre o 5\u00ba e o 7\u00ba ano de idade. Esse resultado \u00e9 o dobro da m\u00e9dia obtida pela cultivar-testemunha, o clone CCP 76. No mesmo per\u00edodo, a m\u00e9dia anual de produ\u00e7\u00e3o do ped\u00fanculo chegou a 23,8 toneladas por hectare (t\/ha), tamb\u00e9m o dobro do clone testemunha. Para Melo, al\u00e9m da alta produtividade, o clone se destaca pela maior seguran\u00e7a fitossanit\u00e1ria, uma vez que \u00e9 considerado resistente ao mofo-preto, antracnose e septoria, enfermidades que prejudicam a cultura.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Quanto ao o\u00eddio, o pesquisador da Embrapa Agroind\u00fastria Tropical Marlon Valentim observou que o BRS 805 \u00e9 mais tolerante ao o\u00eddio (pior doen\u00e7a da cajucultura brasileira) quando comparado ao CCP 76. Essas caracter\u00edsticas significam menor necessidade de aplica\u00e7\u00e3o de fungicidas, reduzindo o custo de produ\u00e7\u00e3o e fornecendo maior seguran\u00e7a alimentar para o consumidor.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Em rela\u00e7\u00e3o ao manejo, Luiz Serrano, tamb\u00e9m pesquisador da Embrapa Agroind\u00fastria Tropical, recomenda um maior espa\u00e7amento para o cultivo, pois as plantas apresentam porte intermedi\u00e1rio, atingindo entre 3 a 4 metros de altura e at\u00e9 7 metros de envergadura. Pelo formato da copa do tipo ta\u00e7a compacta, o clone se torna uma excelente op\u00e7\u00e3o para \u00e1reas mecanizadas permitindo livre movimenta\u00e7\u00e3o de tratores sem quebras de ramos produtivos das plantas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O novo clone da Embrapa oferece, ainda, um produto de excelente aceita\u00e7\u00e3o no mercado de processamento. As castanhas, com massa m\u00e9dia em torno de 10 gramas (g), s\u00e3o semelhantes \u00e0s do clone BRS 226, bem cotadas no mercado. As am\u00eandoas s\u00e3o classificadas como tipo LW ou W210 (entre 181 e 210 am\u00eandoas por libra-peso), com um rendimento industrial m\u00e9dio de 23,2%.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O ped\u00fanculo \u00e9 de colora\u00e7\u00e3o vermelha intensa, chamando a aten\u00e7\u00e3o pela beleza, tem formato c\u00f4nico (piramidal) de bom tamanho, possuindo teor de Vitamina C cinco vezes superior ao encontrado na laranja (270 miligramas por 100 gramas de polpa). \u00c9 recomendado principalmente para o processamento industrial.&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O p\u00fablico-alvo do BRS 805 s\u00e3o os viveiristas de mudas de cajueiro com registro ativo no Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem). O processo inicial de comercializa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 feito por meio de um edital de oferta p\u00fablica, no qual a Embrapa licenciar\u00e1 prop\u00e1gulos do clone para os viveiristas selecionados.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A nova cultivar chega para refor\u00e7ar o portf\u00f3lio de cultivares da Embrapa e contribuir para o fomento da cadeia produtiva a partir da renova\u00e7\u00e3o dos pomares. \u201cN\u00f3s sempre recomendamos que o produtor diversifique o seu pomar. Caso ocorra a chegada de novas doen\u00e7as ou pragas, ele conta com clones mais resistentes ou tolerantes, evitando a perda da produ\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Melo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Para o chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroind\u00fastria Tropical,\u00a0Jos\u00e9 Roberto Vieira, a cajucultura passa por um momento de inflex\u00e3o: \u201cN\u00f3s temos dois caminhos a seguir. O primeiro \u00e9 continuar no modelo semiextrativista, com baixa produtividade (em torno de menos de 500 quilos de castanha por ano), alta variabilidade gen\u00e9tica, baixo rendimento de am\u00eandoas e baixo aproveitamento de ped\u00fanculo\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">E acrescenta: \u201cO segundo caminho consiste em adotar tecnologias, buscando o chamado modelo de alto rendimento ou cajucultura tecnificada. Nesse modelo, preconizamos a produtividade de castanha superior a 1.500 quilos por hectare\/ano, uniformidade de castanha, alto rendimento de am\u00eandoas e alto aproveitamento de ped\u00fanculo (superior a 50%)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Segundo Vieira, se, em uma primeira etapa, existe maior gasto com investimento, esse valor se dilui quando da produtividade por hectare. \u201cApesar de gastar mais por hectare, na pr\u00e1tica o que acontece \u00e9 que o custo \u00e9 menor por quilo de castanha produzida, se pensarmos s\u00f3 em castanha. Se incluirmos o ped\u00fanculo nessa conta, em alguns munic\u00edpios, por exemplo, como Severiano Melo e Apodi, no Rio Grande do Norte, observamos que o custo de produ\u00e7\u00e3o cai ainda mais\u201d, argumenta.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O Brasil produziu 161.014 toneladas de castanha de caju em 2024. Trata-se do maior resultado desde a safra de 2018, ano final do per\u00edodo de seca que assolou a regi\u00e3o produtora, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Na compara\u00e7\u00e3o com 2023, o crescimento registrado foi de 38%.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O estado do Cear\u00e1, maior produtor nacional, obteve um aumento de 61% em sua produ\u00e7\u00e3o, passando de 63.256 toneladas para 101.930 toneladas. O Piau\u00ed, segundo colocado no ranking, tamb\u00e9m contabiliza um aumento de 25% no per\u00edodo, saltando de 20.992 toneladas, em 2023, para 26.172 toneladas, em 2024. Ocupando a terceira posi\u00e7\u00e3o, o Rio Grande do Norte produziu cerca de 21 mil toneladas nos \u00faltimos dois anos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O indicador de rendimento m\u00e9dio, que calcula a rela\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de castanha-de-caju (em quilogramas por hectare), tamb\u00e9m fechou o ano com aumento de 30%. Em n\u00fameros absolutos, o rendimento nacional variou de 271 kg por hectare, em 2023, para 358 kg por hectare, no ano passado.&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Bela Cruz \u00e9 o munic\u00edpio cearense que mais produziu castanha-de-caju em 2024, seguido de Beberibe, Ocara, Cascavel e Aracati. Em comum, todos os munic\u00edpios se localizam em \u00e1reas litor\u00e2neas, as mesmas onde o BRS 805 foi avaliado. Confira os n\u00fameros de produ\u00e7\u00e3o dos cajueiros an\u00e3o e comum nos 10 munic\u00edpios com maior produ\u00e7\u00e3o no Cear\u00e1:<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O BRS 805 \u00e9 o d\u00e9cimo quarto clone do Programa de Melhoramento Gen\u00e9tico da Embrapa lan\u00e7ado para o mercado. Cada um deles possui caracter\u00edsticas e destina\u00e7\u00f5es diferentes, atendendo a demandas de produtores e ind\u00fastrias, bem como especificidades de clima e de solo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Quem planta os clones de cajueiro da Embrapa sabe que vai colher, com ou sem chuvas. Enquanto outras frut\u00edferas necessitam de altas quantidades de \u00e1gua, o cajueiro consegue produzir com uma precipita\u00e7\u00e3o anual entre 600 e 800 mil\u00edmetros, pois \u00e9 uma planta genuinamente do Nordeste brasileiro. Em anos de elevados d\u00e9ficits h\u00eddricos s\u00e3o esses materiais gen\u00e9ticos que se mant\u00eam produtivos no pomar. Al\u00e9m disso, o cajueiro proporciona renda e prosperidade no per\u00edodo oposto ao da quadra invernosa, contribuindo para o desenvolvimento de uma classe m\u00e9dia rural.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O CCP 76, um dos primeiros clones de cajueiro da Embrapa, \u00e9 o clone mais plantado na Regi\u00e3o Nordeste e no Brasil. Devido ao sabor agrad\u00e1vel e qualidade do ped\u00fanculo, \u00e9 o preferido para a produ\u00e7\u00e3o de caju de mesa, com uma produtividade de 9.600 quilos de ped\u00fanculo por hectare, apresentando desempenho na produ\u00e7\u00e3o de castanhas entre 600 kg (sem tratos culturais) a at\u00e9 1.200 quilos (com tratos culturais) por hectare.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Alguns desses materiais gen\u00e9ticos foram selecionados em regi\u00f5es extremamente secas do Semi\u00e1rido e, al\u00e9m de alta produtividade, suportam bem solos arenosos e \u00e1cidos. Entre esses clones se destacam o\u00a0BRS 226\u00a0e o\u00a0\u00a0Embrapa 51\u00a0que podem alcan\u00e7ar entre 1.200 a 2.000 quilos de castanhas por hectare, em condi\u00e7\u00f5es ideais de manejo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Tanto o BRS 226 quanto o Embrapa 51 tiveram sua resist\u00eancia h\u00eddrica comprovada durante a grande seca da \u00faltima d\u00e9cada. Em tempos de urg\u00eancia clim\u00e1tica, essa vantagem \u00e9 estrat\u00e9gica para a agricultura no Semi\u00e1rido.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><script data-cfasync=\"false\">\n    !function (f, b, e, v, n, t, s) {\n        if (f.fbq) return; n = f.fbq = function () {\n            n.callMethod ?\n                n.callMethod.apply(n, arguments) : n.queue.push(arguments)\n        };\n        if (!f._fbq) f._fbq = n; n.push = n; n.loaded = !0; n.version = '2.0';\n        n.queue = []; t = b.createElement(e); t.async = !0;\n        t.src = v; s = b.getElementsByTagName(e)[0];\n        s.parentNode.insertBefore(t, s)\n    }(window, document, 'script',\n        'https:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/fbevents.js');\n    fbq('init', '522546078623747');\n    fbq('track', 'PageView');\n<\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agrolink.com.br\/noticias\/nova-cultivar-brs-805-reforca-a-producao-de-cajueiro-no-ceara_509034.html\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Embrapa Agroind\u00fastria Tropical (CE) lan\u00e7a, neste m\u00eas de dezembro de 2025, o clone de cajueiro BRS 805, uma cultivar<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":25926,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[8,1,14],"tags":[],"class_list":["post-25925","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agro","category-news","category-politica-agro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25925"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25925"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25925\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/25926"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}