{"id":25642,"date":"2025-12-12T11:15:18","date_gmt":"2025-12-12T15:15:18","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=25642"},"modified":"2025-12-12T11:15:18","modified_gmt":"2025-12-12T15:15:18","slug":"reforma-tributaria-muda-a-logica-do-agro-da-isencao-ao-imposto-com-desconto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=25642","title":{"rendered":"Reforma tribut\u00e1ria muda a l\u00f3gica do agro: da isen\u00e7\u00e3o ao imposto com desconto"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/Adiamento-da-reforma-tributaria-abre-espaco-para-ajustes-e-protecao.jpg\" alt=\"reforma tribut\u00e1ria - ag\u00eancia c\u00e2mara - medidas fiscais\" \/><figcaption>Foto: Ag\u00eancia C\u00e2mara<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>A reforma tribut\u00e1ria do consumo come\u00e7a a ser testada em 2026 e representa uma virada hist\u00f3rica no sistema de impostos do Brasil. Saem ICMS, ISS, PIS e Cofins; entram dois tributos do tipo IVA: a CBS, federal, e o IBS, estadual e municipal. O discurso oficial \u00e9 de simplifica\u00e7\u00e3o e neutralidade. No agroneg\u00f3cio, por\u00e9m, a mudan\u00e7a exige cautela.<\/p>\n<p>\u00c9 importante come\u00e7ar pelo ponto mais relevante, e menos compreendido.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-como-e-hoje\">Como \u00e9 hoje<\/h2>\n<p>Atualmente, o sistema tribut\u00e1rio brasileiro, apesar de confuso, protege a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria prim\u00e1ria. Na pr\u00e1tica:<br \/>produtos in natura ,como gr\u00e3os, carnes, leite e frutas, n\u00e3o pagam PIS\/Cofins na origem;<\/p>\n<p>O ICMS, quando existe, costuma ser isento, diferido ou compensado;<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 simples: a carga tribut\u00e1ria direta na porteira \u00e9 baixa ou inexistente.<\/p>\n<p>Ou seja, hoje o produtor rural, especialmente o pequeno e m\u00e9dio, est\u00e1 majoritariamente fora da tributa\u00e7\u00e3o direta.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-o-que-muda-com-a-reforma\">O que muda com a reforma<\/h2>\n<p>Com a reforma, muda a l\u00f3gica. O novo IVA tem base ampla e alcan\u00e7a bens e servi\u00e7os de forma uniforme. Para evitar um choque nos pre\u00e7os dos alimentos, o governo criou regimes diferenciados para o agro.<\/p>\n<p>Produtos agropecu\u00e1rios in natura passam a ter redu\u00e7\u00e3o de 60% da al\u00edquota. O mesmo vale para insumos essenciais, como fertilizantes, defensivos, sementes, ra\u00e7\u00f5es e vacinas. Alimentos considerados essenciais entram na cesta b\u00e1sica nacional, com al\u00edquota zero.<\/p>\n<p>At\u00e9 aqui, parece prote\u00e7\u00e3o. Mas h\u00e1 um detalhe decisivo.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-reducao-nao-e-isencao\">Redu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 isen\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o de 60% n\u00e3o significa que o produto deixou de ser tributado.<br \/>Significa que ele passa a ser tributado com desconto.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica:<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Antes: o produto prim\u00e1rio estava fora do sistema.<\/li>\n<li>Depois: ele entra no sistema e paga 40% da al\u00edquota cheia do IVA, com direito a cr\u00e9dito.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00c9 uma mudan\u00e7a estrutural. O agro deixa de ser isento e passa a ser contribuinte, ainda que de forma reduzida.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-onde-mora-o-risco\">Onde mora o risco<\/h2>\n<p>Para quem tem boa estrutura cont\u00e1bil, emite nota corretamente e consegue aproveitar cr\u00e9ditos, o impacto pode ser pequeno. Mas essa n\u00e3o \u00e9 a realidade da maioria dos produtores brasileiros.<\/p>\n<p>Se o cr\u00e9dito n\u00e3o for plenamente aproveitado, o imposto vira custo direto, pressionando margens j\u00e1 apertadas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o agro moderno depende cada vez mais de servi\u00e7os: transporte, armazenagem, log\u00edstica, tecnologia, assist\u00eancia t\u00e9cnica e certifica\u00e7\u00f5es. Servi\u00e7os, em regra, entram na tributa\u00e7\u00e3o cheia do novo sistema. Se o cr\u00e9dito n\u00e3o funcionar bem, esse custo tende a voltar para a origem da cadeia, o produtor.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-produtor-contribuinte-e-nao-contribuinte\">Produtor contribuinte e n\u00e3o contribuinte<\/h2>\n<p>A reforma tamb\u00e9m cria uma divis\u00e3o importante. Produtores com faturamento anual de at\u00e9 R$ 3,6 milh\u00f5es tendem a ficar fora do regime geral: n\u00e3o recolhem CBS e IBS, mas geram cr\u00e9dito presumido para quem compra sua produ\u00e7\u00e3o. Acima desse limite, cresce a chance de enquadramento no sistema.<\/p>\n<p>Isso muda a negocia\u00e7\u00e3o no campo. O cr\u00e9dito pode ajudar o pequeno produtor, ou ser usado como argumento para pressionar pre\u00e7os na porteira.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-outros-pontos-de-atencao\">Outros pontos de aten\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Arrendamento e loca\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis rurais passam a ser tributados, ainda que com desconto. M\u00e1quinas e equipamentos tendem a ser desonerados, mas apenas para quem estiver corretamente enquadrado no novo modelo. Nada disso \u00e9 autom\u00e1tico.<\/p>\n<p>O ano de 2026 ser\u00e1 um per\u00edodo de teste, adapta\u00e7\u00e3o e aprendizado. Depois disso, o sistema se consolida, e o custo passa a fazer parte da rotina.<\/p>\n<p>Do ponto de vista opinativo, temos um alerta: o agro n\u00e3o pode sair de um regime de isen\u00e7\u00e3o para um regime de tributa\u00e7\u00e3o disfar\u00e7ada, mesmo que com desconto. Tributar alimentos pressiona a infla\u00e7\u00e3o, reduz competitividade e desestimula investimento no campo.<\/p>\n<p>Se a reforma pretende ser moderna e justa, precisa garantir que a redu\u00e7\u00e3o prometida funcione na pr\u00e1tica, e n\u00e3o apenas no papel. Porque o Brasil arrecada quando cresce. E o crescimento come\u00e7a no campo.<\/p>\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\">\n<figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/A-escolha-de-Bolsonaro-por-Flavio-pode-unir-a-direita.jpg\" alt=\"Miguel Daoud\" class=\"wp-image-4095706 size-full\" \/><\/figure>\n<div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"has-text-align-center\">*<em><strong>Miguel Daoud<\/strong>&nbsp;\u00e9 comentarista de Economia e Pol\u00edtica&nbsp;do Canal Rural<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n<p><em>O&nbsp;<strong>Canal Rural<\/strong>&nbsp;n\u00e3o se responsabiliza pelas opini\u00f5es e conceitos emitidos nos textos desta sess\u00e3o, sendo os conte\u00fados de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s normas de publica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<\/p>\n<\/p>\n<p>O post <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/reforma-tributaria-muda-a-logica-do-agro-da-isencao-ao-imposto-com-desconto\/\">Reforma tribut\u00e1ria muda a l\u00f3gica do agro: da isen\u00e7\u00e3o ao imposto com desconto<\/a> apareceu primeiro em <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\">Canal Rural<\/a>.<\/p>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/reforma-tributaria-muda-a-logica-do-agro-da-isencao-ao-imposto-com-desconto\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Ag\u00eancia C\u00e2mara A reforma tribut\u00e1ria do consumo come\u00e7a a ser testada em 2026 e representa uma virada hist\u00f3rica no<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":25643,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-25642","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25642"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=25642"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/25642\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/25643"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=25642"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=25642"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=25642"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}