{"id":25329,"date":"2025-12-07T12:20:41","date_gmt":"2025-12-07T16:20:41","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=25329"},"modified":"2025-12-07T12:20:41","modified_gmt":"2025-12-07T16:20:41","slug":"humanos-domesticaram-mandioca-cacau-tabaco-e-acai-na-amazonia-ha-13-mil-anos-mostra-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=25329","title":{"rendered":"Humanos domesticaram mandioca, cacau, tabaco e a\u00e7a\u00ed na Amaz\u00f4nia h\u00e1 13 mil anos, mostra estudo"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>A arqueologia da Amaz\u00f4nia vive um processo absolutamente revolucion\u00e1rio. A ideia de um \u201cinferno verde\u201d, que teria sido habitado por uma popula\u00e7\u00e3o escassa, mal alimentada e culturalmente atrasada, foi inteiramente desmentida pela pesquisa arqueol\u00f3gica. <\/p>\n<p>As descobertas realizadas nas \u00faltimas d\u00e9cadas mostraram que o territ\u00f3rio amaz\u00f4nico foi povoado por nada menos do que <strong>8 a 10 milh\u00f5es de pessoas<\/strong>.<\/p>\n<p>\u201cDe maneira muito resumida, sabemos hoje que a presen\u00e7a humana na Amaz\u00f4nia remonta h\u00e1 pelo menos 13 mil anos. A regi\u00e3o foi um centro independente de domestica\u00e7\u00e3o de plantas. Diversas plantas importantes foram cultivadas pela primeira vez l\u00e1. As primeiras cer\u00e2micas das Am\u00e9ricas tamb\u00e9m foram produzidas l\u00e1\u201d, comenta o antrop\u00f3logo Eduardo G\u00f3es Neves, professor titular e diretor do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (MAE-USP).<\/p>\n<p>Segundo ele, tamb\u00e9m h\u00e1 evid\u00eancias de formas de urbanismo de baixa densidade, de grande diversidade cultural, expressa nas l\u00ednguas, estilos cer\u00e2micos, sistemas de manejo e formas de ocupa\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio. \u201cE de algo que chamo, talvez de maneira ainda um pouco t\u00edmida, de produ\u00e7\u00e3o de abund\u00e2ncia, ou seja, de sistemas que n\u00e3o apenas sustentavam popula\u00e7\u00f5es numerosas, mas criavam paisagens altamente produtivas e biodiversas\u201d, completa. <\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-conhecer-o-passado-para-proteger-no-presente\">Conhecer o passado para proteger no presente<\/h2>\n<p>Neves \u00e9 um dos mais importantes pesquisadores sobre o passado da regi\u00e3o amaz\u00f4nica, autor de \u201cSob os Tempos do Equin\u00f3cio: 8.000 anos de hist\u00f3ria na Amaz\u00f4nia Central e Arqueologia da Amaz\u00f4nia\u201d e coeditor de <em>\u201cUnknown Amazon: Culture in Nature in Ancient Brazil\u201d<\/em>, dentre cerca de 130 publica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo ele, a arqueologia vem demonstrando que a Amaz\u00f4nia, tal como conhecida hoje, foi profundamente moldada por povos que habitaram a regi\u00e3o ao longo de mil\u00eanios. \u201cN\u00e3o \u00e9 apenas um territ\u00f3rio \u2018natural\u2019, mas tamb\u00e9m cultural e hist\u00f3rico\u201d, disse. E acrescentou que essa revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica vem acompanhada de uma urg\u00eancia pol\u00edtica: compreender a hist\u00f3ria profunda da Amaz\u00f4nia \u00e9 uma das chaves para proteg\u00ea-la no presente.<\/p>\n<p>\u201cAprendemos muito sobre o passado nestes \u00faltimos 40 anos. Mas, ao mesmo tempo, perdemos cerca de 20% da Floresta Amaz\u00f4nica brasileira no per\u00edodo. Ser testemunha, de um lado, de um desenvolvimento cient\u00edfico incr\u00edvel e, de outro, da crise ecol\u00f3gica e social que vivemos hoje \u00e9 algo muito forte e desafiador. Isso me levou ao lugar em que estou agora: tentar fazer boa pesquisa cient\u00edfica, mas usar esse conhecimento como ferramenta para me envolver com o mundo real e ajudar a prevenir mais destrui\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p>Segundo Neves, a arqueologia \u00e9 uma ferramenta poderosa para entender como chegamos \u00e0 crise ecol\u00f3gica e social de agora. E para pensar caminhos de sa\u00edda. \u201cAdmitir que a Amaz\u00f4nia foi, de fato, profundamente transformada pela atividade humana ao longo de mil\u00eanios nos faz pensar que, se quisermos proteger a Amaz\u00f4nia atual, \u00e9 indispens\u00e1vel levar em conta a a\u00e7\u00e3o ind\u00edgena. N\u00e3o h\u00e1 outro caminho.\u201d<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-domesticacao-de-plantas\">Domestica\u00e7\u00e3o de plantas<\/h2>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"427\" alt=\"Mandioca\" class=\"wp-image-2888660\"  data-lazy- src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Humanos-domesticaram-mandioca-cacau-tabaco-e-acai-na-Amazonia-ha.jpg\"\/><img decoding=\"async\" width=\"640\" height=\"427\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/Humanos-domesticaram-mandioca-cacau-tabaco-e-acai-na-Amazonia-ha.jpg\" alt=\"Mandioca\" class=\"wp-image-2888660\"  \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto: Jos\u00e9 Fernando Ogura\/AEN<br \/><\/figcaption><\/figure>\n<p>O pesquisador demonstrou seu ponto explorando v\u00e1rios subtemas. Em primeiro lugar o da domestica\u00e7\u00e3o de plantas e da agroecologia amaz\u00f4nica. \u201cSe buscarmos a origem de diferentes plantas hoje importantes, localizamos v\u00e1rios centros de domestica\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia. A mandioca, provavelmente origin\u00e1ria do sudoeste amaz\u00f4nico [Rond\u00f4nia, Mato Grosso, sul da Bol\u00edvia], hoje \u00e9 cultivada em praticamente todo o cintur\u00e3o tropical do planeta, na Am\u00e9rica, na \u00c1frica e na \u00c1sia\u201d, conta. <\/p>\n<p>\u201cO cacau, cujas primeiras evid\u00eancias microbot\u00e2nicas em s\u00edtios arqueol\u00f3gicos foram encontradas no Equador, com cerca de 5 mil anos, deve ter sido domesticado ali, levado depois para a Mesoam\u00e9rica [M\u00e9xico, Guatemala] e hoje \u00e9 cultivado tamb\u00e9m na \u00c1frica e em outras regi\u00f5es. O tabaco, cultivado do norte da Argentina ao Canad\u00e1 quando os europeus chegaram \u00e0s Am\u00e9ricas, tamb\u00e9m teve sua regi\u00e3o de origem no sudoeste amaz\u00f4nico.\u201d<\/p>\n<p>Mais exemplos importantes: o a\u00e7a\u00ed, provavelmente domesticado pela primeira vez na regi\u00e3o da foz amaz\u00f4nica; o guaran\u00e1, origin\u00e1rio da regi\u00e3o de Mau\u00e9s e Parintins; o bacuri e o cupua\u00e7u, tamb\u00e9m de origem amaz\u00f4nica. <\/p>\n<p>\u201cOu seja, a Amaz\u00f4nia foi um centro de biodiversidade agr\u00edcola. Muitas plantas importantes globalmente foram domesticadas ali. Quando pensamos em agricultura, logo nos vem \u00e0 mente as monoculturas de gr\u00e3os: arroz, trigo, milho, soja. Mas, na Amaz\u00f4nia, grande parte das plantas manejadas eram \u00e1rvores frut\u00edferas; ra\u00edzes e tub\u00e9rculos [mandioca, batata-doce, inhame etc.]; e, mais tarde, gr\u00e3os como o milho, que veio da Mesoam\u00e9rica e chegou \u00e0 Amaz\u00f4nia h\u00e1 cerca de 6 mil anos\u201d, informou Neves.<\/p>\n<p>Outro aspecto relevante apontado pelo pesquisador: muitas dessas esp\u00e9cies foram de fato domesticadas, isto \u00e9, modificadas geneticamente ao longo do tempo; por\u00e9m, outras permaneceram silvestres, embora manejadas intensamente. O a\u00e7a\u00ed \u00e9 um exemplo: hoje fruto central na economia e na alimenta\u00e7\u00e3o amaz\u00f4nica, permanece uma esp\u00e9cie silvestre, o que obriga a repensar o conceito de domestica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cNa arqueologia, o termo \u2018Neol\u00edtico\u2019 costuma designar o momento em que deixamos de ser ca\u00e7adores-coletores e nos tornamos agricultores. A domestica\u00e7\u00e3o de plantas e animais, segundo esse modelo, seria um passo fundamental, uma forma de impor uma ordem cultural \u00e0 natureza. Por\u00e9m, quando come\u00e7amos a olhar os dados amaz\u00f4nicos, vimos algo diferente: sistemas agroecol\u00f3gicos em que plantas domesticadas convivem com plantas silvestres manejadas\u201d, conta. <\/p>\n<p>\u201cHouve um momento em que alguns de n\u00f3s pensaram: \u2018Nem Neol\u00edtico a gente \u2018produziu\u2019 aqui direito. Que fracasso!\u2019. Mas, reinterpretando, percebemos que se trata de outro modelo: um gradiente entre o dom\u00e9stico e o silvestre, em sistemas altamente diversos e resilientes, que funcionam h\u00e1 pelo menos 6 mil anos e ajudaram a produzir a Amaz\u00f4nia que conhecemos hoje\u201d, diz Neves.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-prazer-em-cultivar\">Prazer em cultivar<\/h2>\n<p>O especialista lembra de um texto da antrop\u00f3loga Manuela Carneiro da Cunha sobre a diversidade de plantas em ro\u00e7as e quintais ind\u00edgenas. \u201cSe voc\u00ea entra em um jardim ind\u00edgena ou em um quintal tradicional amaz\u00f4nico, a quantidade de esp\u00e9cies cultivadas \u00e9 impressionante. Isso n\u00e3o se explica apenas por uma necessidade ecol\u00f3gica de produzir comida. H\u00e1 um valor est\u00e9tico, um prazer em cultivar um espa\u00e7o exuberante, cheio de vida. Se h\u00e1 alguma li\u00e7\u00e3o que podemos trazer da arqueologia para o presente, talvez seja essa: pensar sistemas produtivos que incorporam a natureza, em vez de tentar impor uma ordem cultural totalmente r\u00edgida, que elimina a diversidade\u201d, sublinhou.<\/p>\n<p>O pesquisador explorou tamb\u00e9m o subtema das terras pretas de \u00edndio: solos antropog\u00eanicos constru\u00eddos ao longo de mil\u00eanios. \u201cEssas terras cobrem entre 2% e 3% da Amaz\u00f4nia, uma \u00e1rea enorme, equivalente \u00e0 do estado do Rio de Janeiro. Em escava\u00e7\u00f5es, vemos perfis com camadas de solo muito escuro, repletas de fragmentos de cer\u00e2mica, carv\u00e3o, restos org\u00e2nicos. S\u00e3o solos extremamente produtivos e est\u00e1veis\u201d, destaca. <\/p>\n<p>Ele lembra que solos tropicais, em geral, sofrem lixivia\u00e7\u00e3o intensa, perdem nutrientes rapidamente e precisam ser adubados a cada dois ou tr\u00eas anos. \u201cAs terras pretas, ao contr\u00e1rio, mant\u00eam sua fertilidade por s\u00e9culos, at\u00e9 mil\u00eanios. Sabemos que as terras pretas foram produzidas por povos ind\u00edgenas, com ac\u00famulo de restos de comida, res\u00edduos org\u00e2nicos, cer\u00e2mica quebrada, estruturas de combust\u00e3o etc. E hoje elas s\u00e3o muito importantes para comunidades contempor\u00e2neas.\u201d<\/p>\n<p>Um exemplo: a terra preta existente na Terra Ind\u00edgena Tenharim. \u201cA Terra Ind\u00edgena Tenharim \u00e9 uma das poucas \u00e1reas de floresta preservada no que chamamos de arco do desmatamento. Trabalhamos diretamente com eles. Os Tenharim passaram por um processo muito dif\u00edcil: com a abertura da rodovia Transamaz\u00f4nica, nos anos 1970, houve muita viol\u00eancia, doen\u00e7as, mortes. Alguns grupos se refugiaram na floresta e permaneceram em isolamento; outros foram pressionados para viver pr\u00f3ximos \u00e0 estrada\u201d, conta. <\/p>\n<p>Neves destaca que uma pr\u00e1tica central para os Tenharim \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o de um certo tipo de pamonha de milho. \u201cEles plantam grandes ro\u00e7as de milho e fazem esse alimento, que \u00e9 parte essencial de sua identidade. Dizem que, enquanto puderem plantar milho e produzir sua pamonha, resistir\u00e3o como grupo aut\u00f4nomo na Amaz\u00f4nia. Onde eles plantam esse milho? Em s\u00edtios arqueol\u00f3gicos com terras pretas. Eles sabem que n\u00e3o foram eles que produziram aquele solo t\u00e3o f\u00e9rtil, que outras pessoas viveram ali no passado, e aproveitam essa heran\u00e7a para sustentar sua vida hoje. Ent\u00e3o, vemos uma liga\u00e7\u00e3o direta entre transforma\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas da natureza no passado e o uso contempor\u00e2neo desses mesmos lugares\u201d, relatou.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-relevos-construidos-por-acao-humana\">Relevos constru\u00eddos por a\u00e7\u00e3o humana<\/h2>\n<p>Durante muito tempo, estruturas amaz\u00f4nicas de origem antr\u00f3pica foram confundidas com forma\u00e7\u00f5es naturais: mont\u00edculos, ilhas artificiais, plataformas e canais eram interpretados como relevos geol\u00f3gicos. A arqueologia recente mostrou o contr\u00e1rio. Um exemplo s\u00e3o as estruturas chamadas de tesos ou mont\u00edculos artificiais, muitas vezes comparadas a sambaquis de terra. Neves relatou v\u00e1rias ocorr\u00eancias desse tipo de forma\u00e7\u00e3o, como o s\u00edtio Teso dos Bichos, na Ilha do Maraj\u00f3, com cerca de 250 metros de extens\u00e3o, todo ele constru\u00eddo por a\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>No Acre, outros tipos de s\u00edtio, com geoglifos, v\u00eam sendo descobertos. \u201cEm fotos de sat\u00e9lite, eles aparecem como grandes figuras geom\u00e9tricas, quadrados, c\u00edrculos e ret\u00e2ngulos marcados no solo. Esses lugares estavam cobertos por floresta at\u00e9 a d\u00e9cada de 1970. Com o desmatamento, as formas ficaram vis\u00edveis. <\/p>\n<p>O professor Alceu Ranzi, da Universidade Federal do Acre, foi um dos primeiros a registrar essas estruturas. Hoje conhecemos mais de mil geoglifos, gra\u00e7as a imagens de sat\u00e9lite, Google Earth e LIDAR [light detection and ranging, uma tecnologia \u00f3ptica de detec\u00e7\u00e3o remota]. Na Bol\u00edvia deve haver tantos ou mais\u201d, exp\u00f4s Neves.<\/p>\n<p>E disse que essas estruturas n\u00e3o s\u00e3o figuras isoladas. H\u00e1 mont\u00edculos residenciais, organizados em torno de pra\u00e7as centrais. As imagens mostram tamb\u00e9m estradas lineares retas, conectando diferentes s\u00edtios, em escala de quil\u00f4metros.<\/p>\n<p>A tecnologia Lidar, baseada em pulsos de laser emitidos de drones ou avi\u00f5es, revolucionou o estudo de \u00e1reas florestadas. O m\u00e9todo permite ultrapassar a copa das \u00e1rvores e revelar o que estava escondido no solo. Estruturas impressionantes j\u00e1 foram descobertas por esse meio no Equador e na Bol\u00edvia. Algumas tamb\u00e9m no Brasil. Foi nesse contexto que surgiu o projeto \u201cAmaz\u00f4nia Revelada\u201d <em>(Amazon Revealed)<\/em>, coordenado por Neves e financiado pela <em>National Geographic Society<\/em>.<\/p>\n<p>Antes de come\u00e7arem a sobrevoar a \u00e1rea, ele e sua equipe fizeram algo que consideram fundamental: \u201cFomos a campo conversar com as comunidades que vivem nesses territ\u00f3rios \u2013 povos ind\u00edgenas, ribeirinhos, pequenos agricultores. Explicamos o que era o projeto, discutimos pr\u00f3s e contras e pedimos autoriza\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 importante para n\u00e3o reproduzir um modelo colonial de pesquisadores, que \u201cchegam com dinheiro, voam, produzem artigos e v\u00e3o embora\u201d.<\/p>\n<p>Um dos resultados j\u00e1 obtidos foi descobrir uma grande estrutura geom\u00e9trica totalmente coberta por floresta, do tamanho do est\u00e1dio do Maracan\u00e3, mas de formato quadrado. \u201cNa regi\u00e3o da Terra do Meio, no Par\u00e1, entre o rio Tapaj\u00f3s e a Transamaz\u00f4nica, sobrevoamos um tribut\u00e1rio de um tribut\u00e1rio do Amazonas, sem esperar grandes achados. Mas o Lidar mostrou pequenas eleva\u00e7\u00f5es circulares e marcas no relevo. Fomos a campo, escavamos e encontramos evid\u00eancias de antigas aldeias: casas j\u00e1 desaparecidas, mas com mont\u00edculos ao redor de pra\u00e7as centrais, solos escurecidos, cer\u00e2mica e carv\u00e3o\u201d, contou.<\/p>\n<p>O pesquisador conseguiu, agora, apoio filantr\u00f3pico para continuar e trabalhar, entre outras \u00e1reas, ao longo da BR-319, a estrada que liga Manaus a Porto Velho. H\u00e1 fortes press\u00f5es para reabri-la completamente, o que pode ter impactos enormes. <\/p>\n<p>\u201cNosso objetivo \u00e9 usar a arqueologia como uma esp\u00e9cie de ativismo cient\u00edfico, orientando a pesquisa a partir de problemas pol\u00edticos e ambientais concretos. \u00c9 isso que pretendo fazer com o tempo que ainda tenho de carreira: usar minha experi\u00eancia como arque\u00f3logo e professor para tentar fazer da arqueologia uma alternativa para o futuro, n\u00e3o apenas um estudo do passado\u201d, concluiu.<\/p>\n<p><em>*Sob supervis\u00e3o de Victor Faverin<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/curiosidades\/humanos-domesticaram-mandioca-cacau-tabaco-e-acai-na-amazonia-ha-13-mil-anos-mostra-estudo\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A arqueologia da Amaz\u00f4nia vive um processo absolutamente revolucion\u00e1rio. 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