{"id":25174,"date":"2025-12-04T09:08:32","date_gmt":"2025-12-04T13:08:32","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=25174"},"modified":"2025-12-04T09:08:32","modified_gmt":"2025-12-04T13:08:32","slug":"o-brasil-esta-entrando-em-um-ciclo-perigoso-de-precos-baixos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=25174","title":{"rendered":"o Brasil est\u00e1 entrando em um ciclo perigoso de pre\u00e7os baixos"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o de 3,04% no IC-Br divulgada pelo Banco Central n\u00e3o \u00e9 um problema estat\u00edstico: \u00e9 um aviso. O principal indicador de pre\u00e7os das commodities exportadas pelo Brasil mostra que a remunera\u00e7\u00e3o internacional est\u00e1 caindo justamente quando o custo interno est\u00e1 subindo.<\/p>\n<p>Para um pa\u00eds que depende do agro, da minera\u00e7\u00e3o e da energia para gerar renda e super\u00e1vit comercial, isso \u00e9 perigoso. No agroneg\u00f3cio, o segmento mais sens\u00edvel ao movimento, o \u00edndice agropecu\u00e1rio despencou 5,43% em novembro. \u00c9 um recuo forte, que pega o produtor descapitalizado, endividado e enfrentando juros altos.<\/p>\n<p>O alerta est\u00e1 dado.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria nos ensina o caminho do preju\u00edzo<br \/>Os ciclos de commodities sempre seguem a mesma l\u00f3gica:<\/p>\n<p>Quando os pre\u00e7os sobem, aumentam a renda, investimento e capacidade de pagamento.<\/p>\n<p>Quando caem, os custos permanecem, as d\u00edvidas crescem e a margem some.<\/p>\n<p>O comportamento das commodities segue um padr\u00e3o recorrente observado h\u00e1 mais de 125 anos (analisados): ciclos de baixa comprimem margens, aumentam o peso do cr\u00e9dito e promovem uma transfer\u00eancia estrutural de renda do produtor para o sistema financeiro. O movimento recente do mercado sugere que esse mecanismo hist\u00f3rico pode estar sendo reativado.<\/p>\n<p>A conta j\u00e1 n\u00e3o fecha, e se nada for feito, 2026 pode ser um ano de forte aperto.<\/p>\n<p>Por que a queda do IC-Br preocupa agora<br \/>Diferente de anos anteriores, o produtor entra nessa fase com:<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>endividamento recorde,<\/li>\n<li>inadimpl\u00eancia em alta,<\/li>\n<li>Selic a 15%,<\/li>\n<li>c\u00e2mbio menos favor\u00e1vel,<\/li>\n<li>mercado internacional desaquecido,<\/li>\n<li>supersafras pressionando pre\u00e7os em d\u00f3lar,<\/li>\n<li>e custos internos ainda elevados.<\/li>\n<\/ul>\n<p>\u00c9 a combina\u00e7\u00e3o mais perigosa poss\u00edvel: pre\u00e7os caindo + cr\u00e9dito caro + renda comprimida.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o tipo de movimento que historicamente empurra produtores para renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas, venda de ativos e descapitaliza\u00e7\u00e3o generalizada.<\/p>\n<p>Pode surgir uma crise de pre\u00e7os? Sim, e o risco \u00e9 crescente<br \/>A queda do \u00edndice pode ser o in\u00edcio de um fen\u00f4meno maior, alimentado por:<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Desacelera\u00e7\u00e3o global (China, Europa e EUA).<\/li>\n<li>Alta oferta de alimentos e minerais no mundo.<\/li>\n<li>D\u00f3lar fraco, que reduz a receita em reais.<\/li>\n<li>Tens\u00f5es geopol\u00edticas e instabilidade comercial.<\/li>\n<li>Incerteza fiscal no Brasil, que mant\u00e9m juros nas alturas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Nada disso \u00e9 r\u00e1pido de resolver. Por isso o IC-Br funciona como term\u00f4metro adiantado.<br \/>E ele est\u00e1 esfriando.<\/p>\n<p>O que fazer agora para amenizar os efeitos, a\u00e7\u00f5es urgentes e pr\u00e1ticas<\/p>\n<ol class=\"wp-block-list\">\n<li>Para o produtor rural e exportador<br \/>a) Travar pre\u00e7os enquanto h\u00e1 liquidez<br \/>Usar mecanismos de hedge, barter e contratos antecipados para fixar margens antes que o ciclo se deteriore mais.<\/li>\n<\/ol>\n<p>b) Reavaliar custos fixos e operacionais<br \/>Cortar despesas que n\u00e3o geram retorno imediato e renegociar contratos de insumos, frete e armazenagem.<\/p>\n<p>c) Alongar e reestruturar d\u00edvidas enquanto ainda \u00e9 poss\u00edvel<br \/>Antes do pico da crise, as institui\u00e7\u00f5es financeiras negociam melhor.<br \/>Depois, a taxa piora.<\/p>\n<p>d) Priorizar fluxo de caixa em vez de expans\u00e3o<br \/>Momento \u00e9 de prote\u00e7\u00e3o, n\u00e3o de alavancagem.<\/p>\n<p>e) Apostar em agrega\u00e7\u00e3o de valor e processamento<br \/>Que transforma gr\u00e3o em prote\u00edna, fruto em polpa, leite em derivados\u2026<br \/>\u2026sofre menos com pre\u00e7os internacionais.<\/p>\n<p>2- Para o setor p\u00fablico<br \/>a) Criar linhas emergenciais antic\u00edclicas de cr\u00e9dito<br \/>Taxas abaixo da Selic, car\u00eancia estendida e foco no custeio da nova safra.<\/p>\n<p>b) Refor\u00e7ar o seguro rural e ampliar subven\u00e7\u00e3o<br \/>Menor depend\u00eancia de renegocia\u00e7\u00e3o e maior estabilidade de renda.<\/p>\n<p>c) Estabelecer instrumentos de garantia de pre\u00e7os m\u00ednimos<br \/>Gatilhos autom\u00e1ticos para proteger pequenos e m\u00e9dios produtores.<\/p>\n<p>d) Destravar log\u00edstica e armazenagem<br \/>Quanto mais o Brasil depende de exportar na \u201cjanela\u201d, mais vulner\u00e1vel fica ao pre\u00e7o internacional.<\/p>\n<p>e) Previsibilidade tribut\u00e1ria<br \/>Evitar novos impostos sobre exporta\u00e7\u00e3o, sobre LCAs ou sobre insumos.<\/p>\n<ol start=\"3\" class=\"wp-block-list\">\n<li>Para cooperativas e setor privado<br \/>a) Criar programas coletivos de hedge<br \/>Facilitam acesso para pequenos e m\u00e9dios produtores.<\/li>\n<\/ol>\n<p>b) Ampliar servi\u00e7os financeiros pr\u00f3prios<br \/>Cooperativas fortes reduzem a depend\u00eancia dos grandes bancos.<\/p>\n<p>c) Investir em marketing e nichos de exporta\u00e7\u00e3o<br \/>Pr\u00eamios de qualidade geram prote\u00e7\u00e3o contra volatilidade.<\/p>\n<p>Ainda d\u00e1 tempo de evitar o pior<br \/>A queda do IC-Br \u00e9 um aviso claro: est\u00e1 come\u00e7ando um novo ciclo de press\u00e3o sobre os pre\u00e7os. E como sempre aconteceu na hist\u00f3ria, se nenhum movimento for feito, quem paga a conta \u00e9 o produtor rural, enquanto o sistema financeiro protege sua margem, ou seja, renda saindo do campo e indo para o sistema financeiro,<\/p>\n<p>Mas, ao contr\u00e1rio de crises anteriores, hoje sabemos o que fazer:<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>proteger caixa,<\/li>\n<li>travar pre\u00e7os,<\/li>\n<li>reduzir risco financeiro,<\/li>\n<li>e exigir pol\u00edticas antic\u00edclicas que n\u00e3o deixem o setor produtivo sozinho.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O Brasil n\u00e3o pode repetir a velha f\u00f3rmula de \u201clucro na alta, preju\u00edzo na baixa\u201d.<br \/>\u00c9 hora de agir, antes que a queda das commodities vire uma crise de renda no campo.<\/p>\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\">\n<figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Programa-de-compra-de-arroz-do-governo-nao-atende-as.jpg\" alt=\"Miguel Daoud\" class=\"wp-image-4095706 size-full\"  \/><\/figure>\n<div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"has-text-align-center\">*<em><strong>Miguel Daoud<\/strong>\u00a0\u00e9 comentarista de Economia e Pol\u00edtica\u00a0do Canal Rural<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n<p><em>O\u00a0<strong>Canal Rural<\/strong>\u00a0n\u00e3o se responsabiliza pelas opini\u00f5es e conceitos emitidos nos textos desta sess\u00e3o, sendo os conte\u00fados de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s normas de publica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/ic-br-desaba-e-liga-o-alerta-o-brasil-esta-entrando-em-um-ciclo-perigoso-de-precos-baixos\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A redu\u00e7\u00e3o de 3,04% no IC-Br divulgada pelo Banco Central n\u00e3o \u00e9 um problema estat\u00edstico: \u00e9 um aviso. 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