{"id":24924,"date":"2025-11-29T12:11:05","date_gmt":"2025-11-29T16:11:05","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=24924"},"modified":"2025-11-29T12:11:05","modified_gmt":"2025-11-29T16:11:05","slug":"cultura-do-alho-ganha-zoneamento-agricola-de-risco-climatico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=24924","title":{"rendered":"Cultura do alho ganha zoneamento agr\u00edcola de risco clim\u00e1tico"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/Cultura-do-alho-ganha-zoneamento-agricola-de-risco-climatico.jpg\" \/><\/p>\n<div>\n<p>O alho \u00e9 a mais nova hortali\u00e7a contemplada no Programa Nacional de Zoneamento Agr\u00edcola de Risco Clim\u00e1tico (Zarc), que estabelece as regi\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e \u00e9pocas de plantio mais favor\u00e1veis para o cultivo no territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n<p>A iniciativa se baseia nas probabilidades ou risco de perda de produ\u00e7\u00e3o causada por eventos meteorol\u00f3gicos adversos.<\/p>\n<p>As portarias foram publicadas pelo Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (Mapa) no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o (DOU) da \u00faltima ter\u00e7a-feira (25). Clique para acess\u00e1-lo pelo aplicativo para <strong><a href=\"https:\/\/play.google.com\/store\/apps\/details?id=embrapa.br.zonamento&amp;hl=pt_BR\">Android<\/a><\/strong> ou <strong><a href=\"https:\/\/apps.apple.com\/br\/app\/plantio-certo\/id1518252333\">iOS<\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>Os estudos foram elaborados por pesquisadores da Embrapa Hortali\u00e7as, em conjunto com associa\u00e7\u00f5es de produtores e institui\u00e7\u00f5es de ensino e de pesquisa agropecu\u00e1ria.<\/p>\n<p>O zoneamento funciona como um instrumento de gest\u00e3o de risco clim\u00e1tico e, no caso do alho, abrange as regi\u00f5es tropicais e subtropicais do pa\u00eds, com o prop\u00f3sito de orientar produtores, agentes financeiros e seguradoras. <\/p>\n<p>De acordo com os criadores da ferramenta, a implanta\u00e7\u00e3o da lavoura fora dos per\u00edodos indicados est\u00e1 sujeita a elevada probabilidade de perdas.<\/p>\n<p>O pesquisador Marcos Braga, respons\u00e1vel t\u00e9cnico pelos estudos, assinala que o Zarc avalia exclusivamente riscos agroclim\u00e1ticos, portanto, parte-se do pressuposto de que todas as outras necessidades da cultura ser\u00e3o atendidas com um adequado manejo agron\u00f4mico.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-cultivares-de-alho\">Cultivares de alho<\/h2>\n<p>Os estudos consideraram as cultivares de alho nobre, que representam a maior parte da produ\u00e7\u00e3o nacional que chega aos mercados, pois alcan\u00e7am maior valor comercial e atendem melhor \u00e0s exig\u00eancias do consumidor em termos de qualidade de bulbo. <\/p>\n<p>Para o pesquisador Francisco Vilela,\u200b membro da equipe Zarc Alho,\u200b a subdivis\u00e3o do zoneamento em duas regi\u00f5es, em fun\u00e7\u00e3o do clima tropical ou subtropical, \u00e9 o aspecto mais relevante porque, apesar das variedades serem as mesmas, as \u00e9pocas de plantio e os sistemas de produ\u00e7\u00e3o apresentam diferen\u00e7as importantes.<\/p>\n<p>Como o alho \u00e9 uma esp\u00e9cie origin\u00e1ria do continente asi\u00e1tico, em regi\u00f5es de clima frio, para a cultura ter um bom desenvolvimento e alta produtividade no Brasil \u00e9 indispens\u00e1vel que as regi\u00f5es e \u00e9pocas de produ\u00e7\u00e3o atendam a certas condi\u00e7\u00f5es de temperatura e fotoper\u00edodo.<\/p>\n<p>As cultivares de alho nobre s\u00e3o origin\u00e1rias do sul do Brasil e requerem mais de 13 horas di\u00e1rias de luz e temperaturas di\u00e1rias mais baixas, entre <strong>13\u00baC e 18\u00baC<\/strong>, para forma\u00e7\u00e3o de bulbos de bom tamanho e valor comercial. <\/p>\n<p>Cultivares mais precoces respondem ao est\u00edmulo de dias mais curtos, enquanto materiais tardios como os alhos nobres dependem de dias mais longos para conseguir formar bulbos. \u201cQuando o n\u00famero de horas de luz fica abaixo do m\u00ednimo exigido pela cultivar ocorre somente o crescimento vegetativo da planta\u201d, conta Braga.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-temperaturas-conforme-o-ciclo\">Temperaturas conforme o ciclo<\/h2>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 temperatura, o alho exige que sejam amenas (18\u00baC a 20\u00baC) na fase inicial do ciclo, temperaturas mais baixas (10\u00baC a 15\u00baC) durante as fases vegetativa e de bulbifica\u00e7\u00e3o, e temperaturas mais elevadas (20\u00baC a 25\u00baC) no per\u00edodo de matura\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, o ac\u00famulo de horas de frio \u00e9 fundamental para a resposta do alho ao fotoper\u00edodo, resultando em boa forma\u00e7\u00e3o dos bulbos de alho e para a produtividade da lavoura.<\/p>\n<p>Assim, alguns limiares de temperatura foram utilizados na avalia\u00e7\u00e3o de riscos para a cultura. Em condi\u00e7\u00f5es subtropicais, a temperatura m\u00e9dia deve ser menor que 14\u00baC e a m\u00e1xima n\u00e3o pode ultrapassar 31\u00baC no per\u00edodo que se estende do plantio at\u00e9 o in\u00edcio da bulbifica\u00e7\u00e3o das plantas. <\/p>\n<p>J\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es tropicais, a temperatura m\u00e9dia n\u00e3o pode ser superior a 12\u00baC nem a m\u00e1xima acima de 32\u00baC. Esses par\u00e2metros apresentaram bom desempenho como delimitadores do desempenho da cultura em diversos locais de produ\u00e7\u00e3o conhecidos.<\/p>\n<p>Um crit\u00e9rio auxiliar adotado no zoneamento desta cultura \u00e9 a altitude, pois \u00e9 um fator relevante para as condi\u00e7\u00f5es t\u00e9rmicas que afetam a produ\u00e7\u00e3o de alho nobre em produtividade e qualidade. Em regi\u00f5es subtropicais, a altitude m\u00ednima para estabelecer os cultivos deve estar<strong> acima de 600 metros<\/strong>, enquanto em locais tropicais fica <strong>acima de 750 metros.<\/strong><\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-pratica-da-vernalizacao-do-alho\">Pr\u00e1tica da vernaliza\u00e7\u00e3o do alho<\/h2>\n<p>Os cientistas da Embrapa ressaltam que \u00e9 indispens\u00e1vel que o alho nobre passe pelo processo de vernaliza\u00e7\u00e3o, tratamento de frio do alho semente pr\u00e9-plantio, antes da implanta\u00e7\u00e3o da lavoura para garantir uma boa produ\u00e7\u00e3o independentemente das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas futuras. <\/p>\n<p>O pesquisador Francisco Vilela afirma que a vernaliza\u00e7\u00e3o dos bulbos \u00e9 capaz de tornar a planta menos exigente em fotoper\u00edodo e em temperatura\u200bs baixas\u200b, permitindo forma\u00e7\u00e3o de bulbos em locais que n\u00e3o possuem as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas ideais para determinada cultivar.<\/p>\n<p>\u201cO processo de vernaliza\u00e7\u00e3o do alho-semente em c\u00e2mara frigor\u00edfica ocorre \u200bem \u200bfaixa\u200bs\u200b de temperatura\u200bs positivas\u200b entre 3\u00baC a 5\u00baC ou negativas entre -1 a -3\u00baC e umidade relativa do ar de 65 a 70%, dependendo do sistema de produ\u00e7\u00e3o adotado e n\u00edveis de produtividade almejados pelo produtor. Essa t\u00e9cnica permitiu ampliar as regi\u00f5es e as \u00e9pocas de cultivo das cultivares de alho nobre, anteriormente restritas ao Sul do Brasil\u201d, esclarece o pesquisador.<\/p>\n<p>Segundo ele, hoje as cultivares de alho nobre t\u00eam sido plantadas, com vernaliza\u00e7\u00e3o, desde o centro-norte do Paran\u00e1, Mato Grosso do Sul, S\u00e3o Paulo, Minas Gerais, Goi\u00e1s e regi\u00f5es de altitude do norte da Bahia e da Chapada Diamantina.<\/p>\n<p>Vilela conta que a vernaliza\u00e7\u00e3o do alho-semente antes do plantio \u00e9 uma exig\u00eancia nas \u00e1reas de clima tropical. J\u00e1 nas regi\u00f5es subtropicais, como o sul do pa\u00eds, a pr\u00e1tica pode ser dispens\u00e1vel, muito embora tenha sido feita por seguran\u00e7a em fun\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u201cEssas varia\u00e7\u00f5es das formas de produ\u00e7\u00e3o do alho s\u00e3o peculiares do Brasil. Em outros pa\u00edses, o processo \u00e9 muito mais homog\u00eaneo\u201d, observa o pesquisador.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-disponibilidade-de-agua\">Disponibilidade de \u00e1gua<\/h2>\n<p>O cultivo do alho em sistemas de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o irrigados, ou seja, de sequeiro, apresenta risco elevado de perdas por d\u00e9ficit h\u00eddrico.<\/p>\n<p>Com um sistema radicular superficial, o alho \u00e9 uma planta bastante sens\u00edvel \u00e0 falta de \u00e1gua. Contudo, irriga\u00e7\u00e3o em excesso tamb\u00e9m pode prejudicar a produtividade e a qualidade do alho, notadamente em solos com problemas de drenagem. Assim, irrigar no momento correto e na quantidade adequada \u00e9 decisivo para a obten\u00e7\u00e3o de altas produtividades e a qualidade do produto.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 necessidade h\u00eddrica da cultura, estima-se que varia de <strong>400 mm a 850 mm<\/strong>, dependendo das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e do ciclo de produ\u00e7\u00e3o. Portanto, como o alho \u00e9 uma cultura muito exigente em \u00e1gua durante o seu ciclo produtivo, os cultivos comerciais s\u00e3o irrigados, p\u200brincipalmente com sistemas por\u200b aspers\u00e3o, sejam convencionais ou mecanizados.<\/p>\n<p>\u201cMesmo nas regi\u00f5es subtropicais do pa\u00eds, mais frias, alguns poucos locais suportariam o cultivo dependente de chuvas, por\u00e9m com baixa janela de plantio e alto grau de risco de perdas. Assim, para todo o Brasil foi considerado somente o cultivo do alho em sistema de produ\u00e7\u00e3o irrigado\u201d, assinala Braga.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-podridao-branca\">Podrid\u00e3o branca<\/h2>\n<p>O cultivo do alho n\u00e3o deve ser realizado em \u00e1reas onde j\u00e1 tenha sido identificada a ocorr\u00eancia de podrid\u00e3o branca (Stromatinia cepivora Berk. sin. Sclerotium cepivorum), pois \u00e9 o risco de perdas elevadas e inviabiliza\u00e7\u00e3o da colheita \u00e9 muito alto. <\/p>\n<p>\u201cEsse fungo pode causar danos em todas as fases de crescimento da planta e seu desenvolvimento \u00e9 favorecido por temperaturas de 10 a 20\u00b0C\u201d, destaca Braga. <\/p>\n<p>O pat\u00f3geno pode sobreviver por longos per\u00edodos no solo e n\u00e3o h\u00e1 medidas efetivas de controle da doen\u00e7a, ou seja, a ocorr\u00eancia da doen\u00e7a em locais de cultivo inviabiliza a produ\u00e7\u00e3o naquele local.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-consulta-ao-zarc-alho\">Consulta ao Zarc Alho<\/h2>\n<p>As datas de plantio estipuladas para o cultivo de alho nobre no Zarc devem ser seguidas pelos produtores que desejam acessar o Programa de Garantia da Atividade Agropecu\u00e1ria (Proagro) e o Programa de Subven\u00e7\u00e3o ao Seguro Rural (PSR). <\/p>\n<p>\u201cA fun\u00e7\u00e3o do zoneamento n\u00e3o \u00e9 colocar entraves aos produtores, mas sim oferecer a eles a garantia de recebimento do valor segurado\u201d, analisa Braga.<\/p>\n<p>Os resultados do Zarc do alho foram disponibilizados pelo <strong><a href=\"https:\/\/indicadores.agro.gov.br\/\">Mapa no Painel de Indica\u00e7\u00e3o de Riscos<\/a><\/strong> e no aplicativo Zarc Plantio Certo (<strong><a href=\"https:\/\/play.google.com\/store\/apps\/details?id=embrapa.br.zonamento&amp;hl=pt_BR\">Android<\/a><\/strong> e <strong><a href=\"https:\/\/apps.apple.com\/br\/app\/plantio-certo\/id1518252333\">IOS<\/a><\/strong>).<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/cultura-do-alho-ganha-zoneamento-agricola-de-risco-climatico\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O alho \u00e9 a mais nova hortali\u00e7a contemplada no Programa Nacional de Zoneamento Agr\u00edcola de Risco Clim\u00e1tico (Zarc), que estabelece<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":24925,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-24924","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24924"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24924"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24924\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/24925"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24924"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24924"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24924"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}