{"id":24556,"date":"2025-11-23T15:01:26","date_gmt":"2025-11-23T19:01:26","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=24556"},"modified":"2025-11-23T15:01:26","modified_gmt":"2025-11-23T19:01:26","slug":"20-de-dezembro-pode-ser-historico-se-a-politica-nao-atrapalhar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=24556","title":{"rendered":"20 de dezembro pode ser hist\u00f3rico, se a pol\u00edtica n\u00e3o atrapalhar"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>O an\u00fancio de Lula, em Joanesburgo, de que pretende\u00a0assinar o Acordo Mercosul\u2013Uni\u00e3o Europeia em 20 de dezembro, recolocou na agenda um tema discutido h\u00e1 mais de 25 anos. Depois de avan\u00e7os em 2019 e paralisa\u00e7\u00f5es por press\u00f5es ambientais e agr\u00edcolas na Europa, o acordo voltou a ganhar for\u00e7a em 2024 e 2025, com o Brasil na presid\u00eancia rotativa do Mercosul.<\/p>\n<p>O contexto internacional favorece essa retomada: os EUA vivem um ciclo de tarifas imprevis\u00edveis sob Donald Trump; a China amplia influ\u00eancia na regi\u00e3o; e a Europa busca parceiros confi\u00e1veis para a transi\u00e7\u00e3o verde. Para o Brasil, o acordo \u00e9 uma chance de diversificar mercados e ampliar investimentos, especialmente em produtos de maior valor agregado.<\/p>\n<p>O pacto prev\u00ea:<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>elimina\u00e7\u00e3o de tarifas em mais de 90% do com\u00e9rcio bilateral;<\/li>\n<li>quotas para carnes, a\u00e7\u00facar e etanol;<\/li>\n<li>redu\u00e7\u00e3o gradual de tarifas industriais europeias;<\/li>\n<li>compromissos ambientais vinculados ao Acordo de Paris.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Potenciais ganhos<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Expans\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es de prote\u00edna animal, etanol, caf\u00e9, frutas e celulose.<\/li>\n<li>Acesso a tecnologias europeias avan\u00e7adas.<\/li>\n<li>Mais seguran\u00e7a para investimentos estrangeiros.<\/li>\n<li>Chance de posicionar o Brasil em cadeias globais de valor.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Riscos reais<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Competi\u00e7\u00e3o assim\u00e9trica com a ind\u00fastria europeia em setores sens\u00edveis.<\/li>\n<li>Forte press\u00e3o de agricultores da Fran\u00e7a, Irlanda, Pol\u00f4nia e \u00c1ustria.<\/li>\n<li>Receio de movimentos sociais sobre impacto na agricultura familiar.<\/li>\n<li>Depend\u00eancia de monitoramento ambiental consistente, ponto sens\u00edvel para Bruxelas.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Para o agro brasileiro, o acordo abre portas importantes, mas exige\u00a0competitividade, rastreabilidade e organiza\u00e7\u00e3o. O mercado europeu paga bem, mas cobra padr\u00e3o.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica pode travar o processo<\/p>\n<p>Mesmo com o otimismo de Lula, Mauro Vieira e Ursula von der Leyen, o ambiente continua inst\u00e1vel.<\/p>\n<p>Na Uni\u00e3o Europeia:<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>temores de competi\u00e7\u00e3o agr\u00edcola persistem;<\/li>\n<li>ambientalistas consideram o acordo insuficiente;<\/li>\n<li>A disputa entre metas clim\u00e1ticas e interesses agr\u00edcolas amea\u00e7a o cronograma.<\/li>\n<\/ul>\n<p>No Mercosul:<\/p>\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li>Argentina e Paraguai apoiam, mas exigem salvaguardas;<\/li>\n<li>No Brasil, o debate virou arma pol\u00edtica, quando deveria ser pol\u00edtica de Estado.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Se o tema for capturado pela ideologia, o preju\u00edzo recair\u00e1 sobre o setor produtivo, que precisa de previsibilidade, n\u00e3o de palanque.<\/p>\n<p>A data coincide com a\u00a0C\u00fapula de L\u00edderes do Mercosul\u00a0e carrega forte peso simb\u00f3lico. Se o acordo escorregar para 2026, elei\u00e7\u00f5es na Europa e no Brasil podem congelar tudo outra vez.<\/p>\n<p>Mas assinar n\u00e3o \u00e9 implementar: o texto ainda precisar\u00e1 passar pelo Parlamento Europeu, pelo Conselho Europeu e pelos Congressos do Mercosul. A assinatura apenas destrava o caminho final, sem ela, o acordo simplesmente n\u00e3o avan\u00e7a.<\/p>\n<p>A assinatura em 20 de dezembro pode marcar uma virada hist\u00f3rica para o Brasil. Mas nada est\u00e1 garantido. \u00c9 um processo aberto, sens\u00edvel e sujeito a press\u00f5es pol\u00edticas dos dois lados do Atl\u00e2ntico.<\/p>\n<p>O pa\u00eds precisa tratar o acordo como um instrumento estrat\u00e9gico, n\u00e3o como trof\u00e9u partid\u00e1rio. E, para o agro, a l\u00f3gica \u00e9 simples:\u00a0acesso a novos mercados s\u00f3 vale se vier acompanhado de competitividade interna, cr\u00e9dito, log\u00edstica, tecnologia e sanidade.<\/p>\n<p>O Mercosul\u2013UE n\u00e3o resolve tudo. Mas, assinado com responsabilidade, pode ser uma das maiores portas de entrada do Brasil para o futuro.<\/p>\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\">\n<figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"683\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/Como-guerras-e-crises-moldaram-o-preco-das-commodities-nos.jpg\" alt=\"Miguel Daoud\" class=\"wp-image-4095706 size-full\"  \/><\/figure>\n<div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"has-text-align-center\">*<em><strong>Miguel Daoud<\/strong>\u00a0\u00e9 comentarista de Economia e Pol\u00edtica\u00a0do Canal Rural<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n<p><em>O\u00a0<strong>Canal Rural<\/strong>\u00a0n\u00e3o se responsabiliza pelas opini\u00f5es e conceitos emitidos nos textos desta sess\u00e3o, sendo os conte\u00fados de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s normas de publica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/acordo-mercosul-ue-20-de-dezembro-pode-ser-historico-se-a-politica-nao-atrapalhar\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O an\u00fancio de Lula, em Joanesburgo, de que pretende\u00a0assinar o Acordo Mercosul\u2013Uni\u00e3o Europeia em 20 de dezembro, recolocou na agenda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":24557,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-24556","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24556"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24556"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24556\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/24557"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24556"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24556"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24556"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}