{"id":24122,"date":"2025-11-16T12:23:26","date_gmt":"2025-11-16T16:23:26","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=24122"},"modified":"2025-11-16T12:23:26","modified_gmt":"2025-11-16T16:23:26","slug":"crise-do-arroz-contrasta-com-boa-safra-de-graos-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=24122","title":{"rendered":"Crise do arroz contrasta com boa safra de gr\u00e3os no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Nanoparticulas-aumentam-em-ate-5-vezes-o-desempenho-das-sementes.jpg\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Mesmo com o Brasil a caminho de uma nova safra recorde de gr\u00e3os, o arroz vive o oposto \u2013 \u00e1rea e produ\u00e7\u00e3o caem no momento em que o custo de produ\u00e7\u00e3o supera o pre\u00e7o pago pela saca. O des\u00e2nimo dos produtores ga\u00fachos mostra o lado menos vis\u00edvel da bonan\u00e7a agr\u00edcola. No <strong><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/nacional\/rio-grande-do-sul\/\">Rio Grande do Sul<\/a><\/strong>, que produz mais de 70% de todo arroz brasileiro, a previs\u00e3o \u00e9 de queda de 10% na \u00e1rea plantada.<\/p>\n<p>O presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Agricultores de Dom Pedrito, Edinho Fontoura, resume o dilema vivido pelos produtores. \u201cA saca de arroz est\u00e1 na faixa de R$ 50, mas o custo de produ\u00e7\u00e3o chega a R$ 90. O produtor sabe que est\u00e1 pagando caro para trabalhar, mas n\u00e3o deixa de plantar porque \u00e9 persistente.\u201d<\/p>\n<p>Levantamento do Instituto Riograndense do Arroz (Irga) mostra que mais de 70% das \u00e1reas de cultivo no estado foram semeadas, cobrindo 640 mil hectares, indicando que a previs\u00e3o de 920 mil hectares na safra 2025\/26 n\u00e3o ser\u00e1 atingida. Na anterior, o cultivo total chegou a 970 mil hectares. Al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o na \u00e1rea plantada, muitos agricultores est\u00e3o descapitalizados e investem menos em aduba\u00e7\u00e3o devido ao alto custo dos insumos.<\/p>\n<p>Os produtores ga\u00fachos v\u00eam de cinco anos agr\u00edcolas ruins: foram quatro estiagens severas e ao menos uma grande enchente.<\/p>\n<p>Dados do Centro de Estudos e Pesquisas Aplicadas \u00e0 Agricultura (Cepea) explicam o desalento do produtor ga\u00facho. A saca de 50 quilos teve m\u00e9dia de R$ 58 em outubro, 6,2% inferior \u00e0 do m\u00eas anterior e 51,4% abaixo do mesmo per\u00edodo do ano passado. No acumulado de 2025, a queda nominal \u00e9 de 43,2%.<\/p>\n<p>O agricultor Arno Walter Lausch, de Ma\u00e7ambar\u00e1, no centro-oeste do estado, conclui o plantio de 1,2 mil hectares na Fazenda Celeiro e espera que at\u00e9 a safra ocorra uma rea\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os. \u201cSomos produtores de alta tecnologia, que tem um custo muito alto. O arroz \u00e9 importante para a rota\u00e7\u00e3o de culturas, pois melhora o solo onde vamos plantar tamb\u00e9m milho e soja. A gente espera que os pre\u00e7os melhorem e nosso trabalho seja reconhecido.\u201d<\/p>\n<p>Refer\u00eancia do agro no centro-oeste ga\u00facho, o grupo Lausch cultiva em outras quatro \u00e1reas pr\u00f3prias e arrendadas. Cristiano Marques Lausch, filho de Arno e administrador do grupo, lembra que foram feitos altos investimentos para irrigar toda a produ\u00e7\u00e3o de arroz. \u201cInvestimos quando os pre\u00e7os estavam bons e agora fica dif\u00edcil pagar o investimento com os recursos da lavoura, devido aos pre\u00e7os baixos\u201d, diz.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-mao-dupla\"><b>M\u00e3o dupla<\/b><\/h2>\n<p>Mesmo sendo o segundo maior exportador de arroz fora da \u00c1sia, o Brasil ainda precisa importar o gr\u00e3o em per\u00edodos de escassez. A dualidade revela gargalos de competitividade e log\u00edstica.<\/p>\n<p>Na safra passada, o pa\u00eds produziu 12,8 milh\u00f5es de toneladas, acima do consumo interno, na faixa de 11 milh\u00f5es. Na pr\u00f3xima, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o volume deve cair para 11,4 milh\u00f5es, cerca de 10% menos.<\/p>\n<p>Com os baixos pre\u00e7os internos, o pa\u00eds pode ampliar as exporta\u00e7\u00f5es de arroz. A Conab prev\u00ea um crescimento de 31% para 2,1 milh\u00f5es de toneladas no volume enviado para o exterior este ano devido ao excedente no mercado interno. Este ano, o arroz brasileiro foi levado principalmente para pa\u00edses africanos, como <strong>Senegal e G\u00e2mbia<\/strong>, e americanos, como <strong>Cuba e Peru.<\/strong><\/p>\n<p>Do outro lado, as importa\u00e7\u00f5es devem se manter est\u00e1veis, em 1,4 milh\u00e3o de toneladas. O pa\u00eds compra arroz principalmente de vizinhos, como Argentina, Paraguai e Uruguai, nossos principais fornecedores.<\/p>\n<p>Conforme a companhia, a importa\u00e7\u00e3o de arroz \u00e9 necess\u00e1ria para regular o mercado interno, evitando que haja escassez e alta excessiva de pre\u00e7os quando nossa produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o atinge o volume esperado.<\/p>\n<p>Quando ocorre o inverso, com excesso de produ\u00e7\u00e3o e queda de pre\u00e7os, o governo pode realizar leil\u00f5es de compras para aumentar seu estoque do cereal e ajudar o agricultor a desencalhar sua produ\u00e7\u00e3o. Neste ano, foram investidos R$ 300 milh\u00f5es em opera\u00e7\u00f5es de contratos para compra de 200 mil toneladas do cereal. O pre\u00e7o pago \u00e9 maior que o do mercado.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-abastecimento\"><b>Abastecimento<\/b><\/h2>\n<p>O arroz \u00e9 um componente indispens\u00e1vel na cesta b\u00e1sica do brasileiro e h\u00e1 esfor\u00e7os para aumentar o consumo. No dia 27 de outubro, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Arroz (Abiarroz) lan\u00e7ou a campanha Arroz Combina, voltada \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o do produto no mercado dom\u00e9stico.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de colocar o alimento no centro do prato do brasileiro, a a\u00e7\u00e3o busca equilibrar oferta e demanda no pa\u00eds: o consumo interno se manteve est\u00e1vel nos \u00faltimos anos, enquanto a produ\u00e7\u00e3o aumentou, gerando desequil\u00edbrio nos pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Em outra frente, a ind\u00fastria trabalha para abrir novos mercados. Por meio do projeto de exporta\u00e7\u00e3o <em>Brazilian Rice,<\/em> desenvolvido em parceria com ApexBrasil, a Abiarroz atua em miss\u00f5es e feiras internacionais e realiza a\u00e7\u00f5es de aproxima\u00e7\u00e3o com compradores estrangeiros.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos meses, representantes do setor industrial oriz\u00edcola participaram de agendas em pa\u00edses como <strong>M\u00e9xico e Nig\u00e9ria<\/strong> integrando miss\u00f5es organizadas pelo governo. Tamb\u00e9m foram recebidos importadores mexicanos no Rio Grande do Sul.<\/p>\n<p>Em outubro, o arroz brasileiro esteve com estande pr\u00f3prio na Foodex Saudi Expo, em Riad, na Ar\u00e1bia Saudita, e participa, ainda este ano, da US Private Label Trade Show, nos Estados Unidos.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-etanol\"><b>Etanol<\/b><\/h2>\n<p>Enquanto o arroz perde espa\u00e7o nas lavouras, ganha novas aplica\u00e7\u00f5es industriais. Casca e farelo viram fonte de energia e biodiesel, e o gr\u00e3o busca novo valor em uma economia de baixo carbono. De acordo com o presidente do Irga, Eduardo Bonotto, o arroz tem potencial para entrar na cadeia produtiva do etanol de cereal, com o milho e o trigo.<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel j\u00e1 acontece em algumas plantas com o aproveitamento do arroz quebrado no processo de beneficiamento, que tem menor valor comercial.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, subprodutos do beneficiamento de arroz podem ser melhor aproveitados: o farelo na produ\u00e7\u00e3o de biodiesel e a casca, na queima direta como combust\u00edvel para as caldeiras.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 temos v\u00e1rias plantas de biocombust\u00edvel operando no Rio Grande do Sul, e outras est\u00e3o em processo de instala\u00e7\u00e3o. Algumas j\u00e1 queimam a casca do arroz, o que reduz o consumo de \u00e1rvores nesse processo. \u00c9 um novo mercado sustent\u00e1vel que se abre para o produtor de arroz\u201d, diz Bonotto.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/arroz\/crise-do-arroz-contrasta-com-boa-safra-de-graos-no-pais\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo com o Brasil a caminho de uma nova safra recorde de gr\u00e3os, o arroz vive o oposto \u2013 \u00e1rea<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":21966,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-24122","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24122"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24122"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24122\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/21966"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24122"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24122"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24122"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}