{"id":23578,"date":"2025-11-06T17:07:53","date_gmt":"2025-11-06T21:07:53","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=23578"},"modified":"2025-11-06T17:07:53","modified_gmt":"2025-11-06T21:07:53","slug":"quais-estados-devem-produzir-mais-ou-menos-trigo-e-qual-o-preco-praticado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=23578","title":{"rendered":"Quais estados devem produzir mais ou menos trigo e qual o pre\u00e7o praticado?"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>O mercado brasileiro de trigo atravessa um momento de transi\u00e7\u00e3o importante, marcado pelo avan\u00e7o irregular da colheita nacional e por sinais contrastantes entre as regi\u00f5es produtoras. Neste in\u00edcio do m\u00eas de novembro, enquanto algumas \u00e1reas do pa\u00eds colhem resultados considerados excepcionais, outras enfrentam limita\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e econ\u00f4micas que restringem o desempenho produtivo e refor\u00e7am a depend\u00eancia estrutural de importa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Essa combina\u00e7\u00e3o de fatores molda o cen\u00e1rio atual da triticultura brasileira, que se desenvolve entre a efici\u00eancia crescente em polos emergentes e os desafios persistentes no Sul, onde se concentra a maior parte da oferta.<\/p>\n<p>Nos estados do Centro-Oeste e Sudeste, o ciclo 2025 chega ao fim de forma amplamente positiva. Minas Gerais, Goi\u00e1s (DF) e Mato Grosso do Sul encerraram a colheita com resultados expressivos, mesmo ap\u00f3s uma retra\u00e7\u00e3o de cerca de 20% na \u00e1rea cultivada. <\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o conjunta avan\u00e7ou 19%, passando de 660 mil para 785 mil toneladas \u2014 um desempenho que se explica por ganhos de produtividade e melhor manejo agron\u00f4mico. Em Minas Gerais, o avan\u00e7o foi particularmente not\u00e1vel: ap\u00f3s um ciclo frustrante em 2024\/25, o estado obteve um desempenho pr\u00f3ximo ao ideal. O plantio de sequeiro sofreu com a escassez h\u00eddrica no in\u00edcio do ciclo, mas, nas \u00e1reas irrigadas ou sob boa umidade, o desenvolvimento das lavouras foi exemplar, garantindo um trigo de alta qualidade e excelente rendimento. <\/p>\n<p>Essa recupera\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de consolidar a autossufici\u00eancia parcial do estado, tem atra\u00eddo compradores de outras regi\u00f5es, especialmente moinhos que operam com farinhas de perfil mais claro e exigente em termos de qualidade tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, por sua vez, caminha para concluir a colheita com resultados acima das expectativas iniciais. A produ\u00e7\u00e3o deve se aproximar de 400 mil toneladas, um volume ainda insuficiente diante de uma demanda interna que supera 1,6 milh\u00e3o de toneladas, mas suficiente para reduzir parte da depend\u00eancia de outras pra\u00e7as e at\u00e9 mesmo gerar excedentes direcionados a moageiros do Paran\u00e1 e de Goi\u00e1s. <\/p>\n<p>J\u00e1 na Bahia, a colheita est\u00e1 praticamente encerrada, com 90% das lavouras colhidas e uma produ\u00e7\u00e3o estimada em 30 mil toneladas. Mesmo com a forte redu\u00e7\u00e3o de \u00e1rea, o estado demonstrou o potencial t\u00e9cnico do cultivo irrigado, que apresenta produtividade elevada e qualidade regular, refor\u00e7ando o papel da agricultura de precis\u00e3o no avan\u00e7o do trigo em regi\u00f5es de clima adverso.<\/p>\n<p>Se o desempenho do Centro-Sul inspira otimismo, a regi\u00e3o Sul do pa\u00eds apresenta um quadro mais complexo e heterog\u00eaneo. Santa Catarina, o estado com maior atraso, colheu apenas 12% da \u00e1rea total at\u00e9 o momento, concentrando as opera\u00e7\u00f5es no oeste. A estimativa de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 de 380 mil toneladas, cerca de 5% inferior \u00e0 do ciclo anterior. Como a moagem estadual gira em torno de 550 mil toneladas, as ind\u00fastrias catarinenses continuam fortemente dependentes do trigo ga\u00facho e das importa\u00e7\u00f5es, sobretudo da Argentina, cuja farinha mant\u00e9m boa competitividade e qualidade reconhecida.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-reducao-da-area-cultivada\">Redu\u00e7\u00e3o da \u00e1rea cultivada<\/h2>\n<p>O Paran\u00e1, que tradicionalmente figura entre os l\u00edderes nacionais, vive uma fase de ajuste e retra\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s tr\u00eas safras consecutivas marcadas por perdas severas devido a eventos clim\u00e1ticos e pela falta de est\u00edmulo econ\u00f4mico, o estado reduziu a \u00e1rea cultivada em 25,7%.<\/p>\n<p>Muitos produtores paranaenses, pressionados por custos elevados e margens apertadas, optaram por migrar para culturas mais rent\u00e1veis, como o milho safrinha e o sorgo, ou simplesmente deixaram \u00e1reas em pousio. Apesar disso, o ciclo 2025 surpreendeu positivamente: com cerca de 85% da \u00e1rea colhida, o trigo do estado apresentou boa produtividade e qualidade, mesmo diante de epis\u00f3dios de geadas e granizo. <\/p>\n<p>A melhora, contudo, n\u00e3o \u00e9 suficiente para reverter o d\u00e9ficit estrutural. A produ\u00e7\u00e3o estimada, de 2,65 milh\u00f5es de toneladas, \u00e9 1,4 milh\u00e3o inferior ao consumo estadual, que inclui moagem, ra\u00e7\u00e3o e semente, consolidando o Paran\u00e1 como o estado mais dependente de trigo de fora.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-potencial-comprometido\">Potencial comprometido<\/h2>\n<p>Entretanto, o contraste mais marcante encontra-se no Rio Grande do Sul. O estado reafirma sua posi\u00e7\u00e3o de principal polo trit\u00edcola do pa\u00eds, mas enfrenta uma safra irregular em produtividade e marcada por desafios de manejo fitossanit\u00e1rio. As primeiras lavouras colhidas na regi\u00e3o de Santa Rosa apresentaram excelente desempenho, com gr\u00e3os de alta qualidade e produtividade acima da m\u00e9dia. <\/p>\n<p>Contudo, as chuvas recorrentes em outubro e novembro afetaram \u00e1reas onde o controle de doen\u00e7as como a giberela foi realizado de forma tardia, comprometendo parte do potencial produtivo. O resultado \u00e9 uma produtividade m\u00e9dia ligeiramente inferior a 3.000 kg\/ha, abaixo da proje\u00e7\u00e3o inicial de 3.500 kg\/ha, ainda que a qualidade geral do gr\u00e3o seja considerada superior \u00e0 do ciclo anterior.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises laboratoriais realizadas at\u00e9 o momento mostram teores de micotoxina DON entre <strong>1.500 e 4.000<\/strong>, Falling Number acima de <strong>250<\/strong> e, em alguns casos, chegando a <strong>380<\/strong>, al\u00e9m de for\u00e7a de gl\u00faten (W) variando entre <strong>170 e 250<\/strong>, gl\u00faten entre <strong>22% e 26%<\/strong>, prote\u00edna m\u00e9dia de <strong>12%<\/strong>, PH m\u00ednimo de <strong>77 e cor L em torno de 92,0<\/strong> \u2014 padr\u00f5es considerados adequados para o mercado de moagem. <\/p>\n<p>Com cerca de 38% da \u00e1rea colhida e previs\u00e3o de avan\u00e7o r\u00e1pido nos pr\u00f3ximos dias, a produ\u00e7\u00e3o total do Rio Grande do Sul deve alcan\u00e7ar 3,2 milh\u00f5es de toneladas. Esse volume garante um super\u00e1vit de aproximadamente 1,4 milh\u00e3o de toneladas, refor\u00e7ando o protagonismo ga\u00facho no abastecimento nacional. Contudo, a comercializa\u00e7\u00e3o segue concentrada no mercado externo: estima-se que 570 mil toneladas j\u00e1 estejam comprometidas, sendo 480 mil destinadas \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-precos-pagos-ao-produtor\">Pre\u00e7os pagos ao produtor<\/h2>\n<p>Esse direcionamento, superior a 80% do volume negociado, pode limitar a oferta dom\u00e9stica e pressionar os compradores locais a adotarem posturas mais firmes nas pr\u00f3ximas semanas. Do ponto de vista de pre\u00e7os, o mercado ga\u00facho reflete a t\u00edpica press\u00e3o de colheita. As cooperativas reduziram os valores de refer\u00eancia para <strong>R$ 57,00 a R$ 58,00 por saca<\/strong>, equivalentes a <strong>R$ 950,00 a R$ 960,00 por tonelada<\/strong>. <\/p>\n<p>A paridade de importa\u00e7\u00e3o do trigo argentino, base Carazinho, situa-se em torno de R$ 975,00 por tonelada, o que delimita o piso t\u00e9cnico para o mercado interno. Nas negocia\u00e7\u00f5es regionais, as indica\u00e7\u00f5es variam de <strong>R$ 1.000,00\/t <\/strong>na regi\u00e3o das Miss\u00f5es a <strong>R$ 1.050,00\/t no<\/strong> Nordeste do estado, enquanto os pre\u00e7os CIF moinhos oscilam entre <strong>R$ 1.080,00 e R$ 1.150,00\/t<\/strong>, dependendo da localidade e da qualidade do produto. <\/p>\n<p>No Paran\u00e1, as refer\u00eancias chegam a <strong>R$ 1.180,00 CIF Curitiba e R$ 1.100,00 CIF Cascavel<\/strong>, valores que s\u00f3 se sustentam para agentes com frota pr\u00f3pria e carga de retorno. No mercado externo, as opera\u00e7\u00f5es seguem lentas, com trigo padr\u00e3o moagem entre<strong> R$ 1.165,00 e R$ 1.180,00\/t<\/strong>, e produto para ra\u00e7\u00e3o em torno de <strong>R$ 1.110,00\/t<\/strong>. <\/p>\n<p>Com base nas estimativas mais recentes, a safra nacional de trigo deve alcan\u00e7ar aproximadamente 7,45 milh\u00f5es de toneladas. Apesar de o resultado representar estabilidade frente ao ciclo anterior, o volume ainda \u00e9 insuficiente para atender integralmente \u00e0 demanda de moagem, ao consumo destinado \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o animal e \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es contratadas. <\/p>\n<p>Esse desequil\u00edbrio refor\u00e7a a perspectiva de que o Brasil dever\u00e1 registrar uma necessidade recorde de importa\u00e7\u00f5es nos pr\u00f3ximos meses, sobretudo provenientes da Argentina e dos Estados Unidos, para recompor os estoques e equilibrar o abastecimento interno.<\/p>\n<p>O panorama atual da triticultura brasileira revela, assim, um duplo movimento. De um lado, h\u00e1 regi\u00f5es que consolidam avan\u00e7os significativos em produtividade, qualidade e efici\u00eancia, impulsionadas por tecnologia e gest\u00e3o. De outro, persistem fragilidades estruturais \u2014 como a concentra\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o no Sul, a vulnerabilidade ao clima e a instabilidade de pre\u00e7os \u2014que limitam o alcance da autossufici\u00eancia nacional. <\/p>\n<p>\u00c0 medida que o pa\u00eds se aproxima do fechamento da safra 2025, a capacidade de articula\u00e7\u00e3o entre produtores, moinhos e exportadores ser\u00e1 determinante para definir o rumo do mercado interno. O equil\u00edbrio entre a competitividade externa e a seguran\u00e7a de abastecimento interno, mais uma vez, ser\u00e1 o principal desafio para o trigo brasileiro nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\">\n<figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"470\" height=\"470\" alt=\"\u00c9lcio Bento, especialista em trigo da Safras &amp; Mercado\" class=\"wp-image-4103065 size-full\"  data-lazy- src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/destino-ao-alcance-ou-sonho-eterno.png\"\/><img decoding=\"async\" width=\"470\" height=\"470\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/destino-ao-alcance-ou-sonho-eterno.png\" alt=\"\u00c9lcio Bento, especialista em trigo da Safras &amp; Mercado\" class=\"wp-image-4103065 size-full\"  \/><\/figure>\n<div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p><em>*<strong>\u00c9lcio Bento<\/strong> \u00e9 especialista em trigo graduado em Economia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Faz parte da divis\u00e3o de especialistas de Safras &amp; Mercado h\u00e1 mais de 20 anos<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n<p><em>O\u00a0<strong>Canal Rural<\/strong>\u00a0n\u00e3o se responsabiliza pelas opini\u00f5es e conceitos emitidos nos textos desta sess\u00e3o, sendo os conte\u00fados de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s normas de publica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/quais-estados-devem-produzir-mais-ou-menos-trigo-e-qual-o-preco-praticado\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado brasileiro de trigo atravessa um momento de transi\u00e7\u00e3o importante, marcado pelo avan\u00e7o irregular da colheita nacional e por<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14734,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-23578","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23578"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23578"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23578\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/14734"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23578"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23578"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23578"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}