{"id":22907,"date":"2025-10-26T10:39:19","date_gmt":"2025-10-26T14:39:19","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=22907"},"modified":"2025-10-26T10:39:19","modified_gmt":"2025-10-26T14:39:19","slug":"em-epoca-de-seca-bagaco-de-cana-pode-garantir-energia-eletrica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=22907","title":{"rendered":"Em \u00e9poca de seca, baga\u00e7o de cana pode garantir energia el\u00e9trica"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/cotacoes-seguem-em-baixa-frente-a-queda-nas-vendas.jpg\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Uma das principais alternativas que vem se consolidando como uma forma para diversificar a matriz el\u00e9trica brasileira \u00e9 a bioeletricidade gerada a partir do baga\u00e7o de cana-de-a\u00e7\u00facar. Isso ajuda a reduzir a depend\u00eancia das hidrel\u00e9tricas, altamente vulner\u00e1veis \u00e0s varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Durante a esta\u00e7\u00e3o seca, quando os reservat\u00f3rios atingem n\u00edveis cr\u00edticos e a produ\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica diminui, o baga\u00e7o entra em a\u00e7\u00e3o. A energia da cana supre o sistema el\u00e9trico nacional, assegurando fornecimento est\u00e1vel e seguro. Outro diferencial \u00e9 a possibilidade de priorizar sua gera\u00e7\u00e3o no per\u00edodo noturno. Assim ela age de forma complementar a energia solar fotovoltaica, cujo pico ocorre durante o dia.<\/p>\n<p>Um estudo publicado na revista <em>Renewable Energy<\/em> mostra que a bioeletricidade proveniente do baga\u00e7o apresenta uma pegada de carbono de cerca de 0,227 kg de CO\u2082 equivalente por kWh. Esse valor \u00e9 significativamente menor do que o de termel\u00e9tricas a diesel, que pode chegar a 1,06 kg de CO\u2082 equivalente por kWh.<\/p>\n<p>\u00c9 importante destacar que, mesmo mensur\u00e1veis, essas emiss\u00f5es da bioeletricidade do baga\u00e7o da cana n\u00e3o adicionam carbono novo \u00e0 atmosfera. O ciclo come\u00e7a com a cana, que atua como um \u201cfiltro natural\u201d ao absorver CO\u2082 durante a fotoss\u00edntese e transform\u00e1-lo em biomassa. Ap\u00f3s a colheita e o processamento, parte desse carbono se concentra no baga\u00e7o, que, ao ser queimado nas caldeiras para gera\u00e7\u00e3o de energia, libera de volta apenas uma pequena fra\u00e7\u00e3o do CO\u2082 previamente capturado. Enquanto isso, novas planta\u00e7\u00f5es de cana j\u00e1 est\u00e3o em crescimento, reiniciando o processo de absor\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dessa forma, a bioeletricidade do baga\u00e7o se mostra uma fonte renov\u00e1vel de baix\u00edssimo impacto em emiss\u00f5es, ao mesmo tempo em que fortalece a diversifica\u00e7\u00e3o e a resili\u00eancia da matriz el\u00e9trica brasileira. Al\u00e9m disso, ela tem como base um res\u00edduo j\u00e1 dispon\u00edvel da produ\u00e7\u00e3o de alimento (a\u00e7\u00facar) e de biocombust\u00edvel renov\u00e1vel (etanol). \u201cTudo isso lhe d\u00e1 um seu papel estrat\u00e9gico para a seguran\u00e7a energ\u00e9tica e para a transi\u00e7\u00e3o rumo a um sistema mais sustent\u00e1vel e equilibrado\u201d, afirma Vinicius Bufon, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (SP).<\/p>\n<p>No entanto, estudo internacional liderado pela <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/embrapa\/\">Embrapa<\/a>, em parceria com institui\u00e7\u00f5es como a Universidade das Na\u00e7\u00f5es Unidas e a Universidade de Bonn, na Alemanha, alerta que essa fonte estrat\u00e9gica tamb\u00e9m enfrenta riscos importantes. A pesquisa analisa como as secas severas afetam a gera\u00e7\u00e3o de bioeletricidade no Brasil, revelando que a produ\u00e7\u00e3o depende da intera\u00e7\u00e3o complexa entre fatores agr\u00edcolas, industriais e clim\u00e1ticos.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-riscos-de-apagoes-hidricos-energeticos\">Riscos de \u201capag\u00f5es h\u00eddricos-energ\u00e9ticos\u201d<\/h2>\n<p>O estudo demonstra que, embora a bioeletricidade da cana seja uma alternativa renov\u00e1vel de grande potencial, ela \u00e9 vulner\u00e1vel a gargalos estruturais e pode ser comprometida em per\u00edodos cr\u00edticos. <\/p>\n<p>Entre os principais desafios identificados est\u00e3o a escassez de barragens para armazenamento de \u00e1gua da chuva, resultado da falta de linhas de cr\u00e9dito e das dificuldades de licenciamento ambiental, o que limita a capacidade de enfrentar longas estiagens. O baixo investimento em irriga\u00e7\u00e3o nos canaviais, o que aumenta a depend\u00eancia das chuvas em regi\u00f5es cada vez mais sujeitas a varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. A fragilidade dos seguros agr\u00edcolas contra a seca, que n\u00e3o refletem os riscos reais enfrentados pelos produtores, deixando-os expostos a preju\u00edzos severos. A aus\u00eancia de sistemas robustos de alerta precoce, que poderiam antecipar cen\u00e1rios de risco e permitir respostas mais r\u00e1pidas e eficazes.<\/p>\n<p>Essas vulnerabilidades refor\u00e7am a necessidade de fortalecer pol\u00edticas p\u00fablicas e ampliar investimentos que integrem de forma articulada as dimens\u00f5es social, ecol\u00f3gica e tecnol\u00f3gica do setor, segundo explica Bufon. \u201cA bioeletricidade da cana tem um papel \u00fanico porque a sua produ\u00e7\u00e3o coincide exatamente com o per\u00edodo de estiagem, quando a gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica cai. Mas, para mantermos essa contribui\u00e7\u00e3o est\u00e1vel, precisamos enfrentar as fragilidades estruturais e institucionais que ainda limitam o setor\u201d, defende o especialista.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m aponta solu\u00e7\u00f5es para reduzir os riscos e aumentar a resili\u00eancia do setor sucroenerg\u00e9tico, como expandir a irriga\u00e7\u00e3o em \u00e1reas estrat\u00e9gicas; modernizar e digitalizar os sistemas de irriga\u00e7\u00e3o existentes, minimizando perdas; aprimorar estrat\u00e9gias de manejo h\u00eddrico integradas e fomentar pol\u00edticas p\u00fablicas de incentivo, garantindo instrumentos de apoio a produtores e ind\u00fastrias na ado\u00e7\u00e3o dessas medidas, al\u00e9m de estimular a inova\u00e7\u00e3o e difus\u00e3o tecnol\u00f3gica no setor.<\/p>\n<p>Bufon ressalta que muitas dessas solu\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e3o em desenvolvimento ou aplica\u00e7\u00e3o em pesquisas conduzidas pela Embrapa. \u201cNosso foco \u00e9 contribuir para uma agricultura climaticamente inteligente, que n\u00e3o apenas aumente a produtividade, mas tamb\u00e9m fortale\u00e7a a capacidade de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e contribua para a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de gases de efeito estufa\u201d, conta.<\/p>\n<p>Um dos pontos centrais da an\u00e1lise \u00e9 mostrar como a bioeletricidade da cana se integra de forma sin\u00e9rgica e complementar a outras fontes renov\u00e1veis, fortalecendo a matriz energ\u00e9tica. Enquanto a gera\u00e7\u00e3o solar fotovoltaica \u00e9 mais limitada durante o inverno e nos meses secos do Centro-Sul, al\u00e9m de s\u00f3 poder ser produzida durante o dia, e a gera\u00e7\u00e3o hidrel\u00e9trica sofre com a redu\u00e7\u00e3o dos reservat\u00f3rios na estiagem, a bioeletricidade da cana pode ser gerada tamb\u00e9m \u00e0 noite e atinge o seu auge justamente no per\u00edodo da seca, quando ocorre a colheita da safra.<\/p>\n<p>Com isso, os pesquisadores consideram o setor sucroenerg\u00e9tico um aliado fundamental na busca por maior seguran\u00e7a energ\u00e9tica. \u201cQuando as hidrel\u00e9tricas reduzem a sua gera\u00e7\u00e3o, as termel\u00e9tricas a biomassa de cana (baga\u00e7o e palha) assumem papel decisivo para garantir a estabilidade do sistema el\u00e9trico. \u00c9 um recurso firme, capaz de oferecer suporte confi\u00e1vel justamente nos per\u00edodos mais cr\u00edticos do ano\u201d, refor\u00e7a Bufon.<\/p>\n<p>Os resultados da pesquisa foram publicados na revista cient\u00edfica Environmental Advances. O artigo destaca que, em pa\u00edses altamente dependentes da hidreletricidade, como o Brasil, \u00e9 fundamental investir em fontes complementares capazes de reduzir a vulnerabilidade clim\u00e1tica e operacional do sistema.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, a bioeletricidade da cana \u00e9 um dos caminhos mais promissores, desde que sejam superados os gargalos que hoje limitam a sua expans\u00e3o e estabilidade.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-agricultura-climaticamente-inteligente\">Agricultura climaticamente inteligente<\/h2>\n<p>As medidas propostas se alinham ao conceito de Agricultura Climaticamente Inteligente, que busca conciliar tr\u00eas objetivos principais: elevar de forma sustent\u00e1vel a produtividade agr\u00edcola, fortalecer a resili\u00eancia dos sistemas produtivos e reduzir as emiss\u00f5es de gases de efeito estufa.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a bioeletricidade da cana se apresenta como uma solu\u00e7\u00e3o que vai al\u00e9m do setor energ\u00e9tico, conectando-se a uma agenda mais ampla de sustentabilidade e seguran\u00e7a alimentar. Ao utilizar res\u00edduos agr\u00edcolas para gerar energia, o setor contribui para a economia circular e fortalece a bioeconomia, reduzindo a depend\u00eancia de fontes f\u00f3sseis e otimizando o aproveitamento dos subprodutos da lavoura.<\/p>\n<p>A pesquisa mostra que, embora os desafios sejam significativos, as oportunidades s\u00e3o ainda maiores. O Brasil, por ser um dos maiores produtores de cana-de-a\u00e7\u00facar do mundo, possui vantagens comparativas \u00fanicas para consolidar a bioeletricidade como parte central da matriz el\u00e9trica. O avan\u00e7o depender\u00e1, no entanto, de investimentos cont\u00ednuos em infraestrutura, inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e pol\u00edticas p\u00fablicas integradas de longo prazo.<\/p>\n<p>Para Bufon, o setor sucroenerg\u00e9tico pode desempenhar papel decisivo n\u00e3o apenas no fornecimento de energia, mas tamb\u00e9m na transi\u00e7\u00e3o para uma economia de baixo carbono. \u201cSe conseguirmos fortalecer a resili\u00eancia da bioeletricidade, estaremos dando um passo importante para garantir a seguran\u00e7a energ\u00e9tica do pa\u00eds e para cumprir os compromissos internacionais de mitiga\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica\u201d, conclui o pesquisador.<\/p>\n<p><em>*Sob supervis\u00e3o de Luis Roberto Toledo<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/agricultura\/em-epoca-de-seca-bagaco-de-cana-pode-garantir-energia-eletrica\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das principais alternativas que vem se consolidando como uma forma para diversificar a matriz el\u00e9trica brasileira \u00e9 a bioeletricidade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":14875,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-22907","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22907"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22907"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22907\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/14875"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22907"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22907"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22907"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}