{"id":22889,"date":"2025-10-25T20:38:47","date_gmt":"2025-10-26T00:38:47","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=22889"},"modified":"2025-10-25T20:38:47","modified_gmt":"2025-10-26T00:38:47","slug":"biofertilizantes-e-biotecnologia-ampliam-fronteiras-da-agricultura-regenerativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=22889","title":{"rendered":"Biofertilizantes e biotecnologia ampliam fronteiras da agricultura regenerativa"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p style=\"text-align:right\"><em>Por\u00a0Fl\u00e1via Macedo\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Um dos temas mais relevantes debatidos durante o Conex\u00e3o Abisolo, que contemplou o II F\u00f3rum de Fertilizantes de Matriz Org\u00e2nica e o III Simp\u00f3sio de Biofertilizantes, realizados em Campinas (SP), foi a efic\u00e1cia dos biofertilizantes na redu\u00e7\u00e3o de estresses das plantas e no aumento da produtividade agr\u00edcola. As macroalgas \u2014 especialmente as do g\u00eanero Ascophyllum nodosum \u2014 foram apresentadas como grandes aliadas da agricultura regenerativa, contribuindo tanto para o crescimento vegetal quanto para a sustentabilidade dos sistemas produtivos.&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O professor Carlos Alexandre Crusciol, da Unesp\/FCA, destacou em sua apresenta\u00e7\u00e3o o papel desta macroalga marrom no desenvolvimento de culturas como cana-de-a\u00e7\u00facar e milho. Segundo ele, o extrato de Ascophyllum Nodosum cont\u00e9m compostos bioativos que ativam rotas metab\u00f3licas espec\u00edficas dentro da planta, tornando-a mais tolerante a doen\u00e7as e a condi\u00e7\u00f5es adversas como seca, geada e alta radia\u00e7\u00e3o solar.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cEsses extratos funcionam como um estimulante natural, ajudando a planta a se defender melhor contra pragas e enfermidades, sem substituir o uso de fungicidas e inseticidas\u201d, explicou Crusciol. \u201cAl\u00e9m disso, promovem o equil\u00edbrio hormonal, aumentam a forma\u00e7\u00e3o de ra\u00edzes e reduzem a temperatura da folha, fazendo com que a planta utilize a \u00e1gua de forma mais eficiente. Isso se traduz em maior estabilidade produtiva e, muitas vezes, em ganhos expressivos de produtividade mesmo em condi\u00e7\u00f5es de estresse\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">No setor privado, o uso dessas subst\u00e2ncias tamb\u00e9m tem avan\u00e7ado. O gerente de marketing estrat\u00e9gico da Acadian no Brasil e Paraguai, Bruno Carloto, explicou que a empresa canadense \u00e9 pioneira na utiliza\u00e7\u00e3o do extrato de Ascophyllum Nodosum em bioestimulantes agr\u00edcolas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cA Acadian est\u00e1 h\u00e1 mais de 20 anos no Brasil com resultados consistentes que comprovam a efic\u00e1cia dos extratos de algas em diferentes culturas\u201d, destacou Carloto. \u201cNosso produto cont\u00e9m um complexo de bioativos que atua no metabolismo da planta, estimulando processos enzim\u00e1ticos e hormonais. O resultado \u00e9 o desenvolvimento de mais ra\u00edzes, maior crescimento da parte a\u00e9rea e, consequentemente, aumento de produtividade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Segundo ele, o uso das macroalgas tem se mostrado vantajoso n\u00e3o apenas em termos de desempenho agron\u00f4mico, mas tamb\u00e9m de resili\u00eancia. \u201cAs plantas tratadas apresentam menor fitotoxicidade e suportam melhor situa\u00e7\u00f5es de estresse por temperatura e falta de \u00e1gua. \u00c9 uma tecnologia consolidada, utilizada em soja, cana-de-a\u00e7\u00facar, milho, algod\u00e3o, trigo, arroz e at\u00e9 em culturas de frutas, como uva e abacate. E o potencial de expans\u00e3o no Brasil \u00e9 enorme \u2014 podemos dobrar o mercado de bioestimula\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos cinco anos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Al\u00e9m das macroalgas, as microalgas tamb\u00e9m ganharam espa\u00e7o nos debates. O professor e pesquisador da Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR), \u00c1tila M\u00f3gor, apresentou a palestra \u201cMicroalgas na agricultura: obten\u00e7\u00e3o de amino\u00e1cidos e metab\u00f3litos de nitrog\u00eanio\u201d, trazendo uma vis\u00e3o atualizada sobre o uso desses microrganismos como fontes biotecnol\u00f3gicas de compostos bioativos.&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Em sua fala, M\u00f3gor destacou que as microalgas, tradicionalmente utilizadas nas \u00e1reas de alimenta\u00e7\u00e3o, cosm\u00e9tica e sa\u00fade humana, despontam agora como insumos promissores na agricultura. Cultivadas em biorreatores, elas fornecem amino\u00e1cidos, poliaminas e outros compostos que atuam em processos de crescimento e adapta\u00e7\u00e3o ao estresse das plantas.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Os biofertilizantes \u00e0 base de extratos vegetais tamb\u00e9m foram apresentados durante o evento pela professora e doutora em Bioqu\u00edmica e Biotecnologia da UFPR, Roberta Paulert. A pesquisadora ressaltou que esses produtos cont\u00eam princ\u00edpios ativos org\u00e2nicos capazes de atuar direta ou indiretamente nas plantas, promovendo melhorias no crescimento, na resist\u00eancia e na produtividade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cOs extratos vegetais t\u00eam mostrado bioatividades importantes em diversas culturas, como milho, soja, trigo, tomate e alface\u201d, explicou Roberta. \u201cEles melhoram o perfil nutricional e ajudam as plantas a lidar com condi\u00e7\u00f5es adversas, como seca e varia\u00e7\u00f5es de temperatura. Ainda s\u00e3o poucos os produtos no mercado que utilizam exclusivamente extratos vegetais, mas os resultados de pesquisa mostram um potencial enorme para ampliar o uso e aumentar a efici\u00eancia fisiol\u00f3gica das plantas\u201d, ressalta.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">No campo do controle biol\u00f3gico de pragas e doen\u00e7as, o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Wagner Bettiol, destacou que os agentes biol\u00f3gicos v\u00e3o al\u00e9m da simples a\u00e7\u00e3o de combate \u2014 eles tamb\u00e9m promovem o crescimento vegetal e aliviam o estresse das plantas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u201cOs microrganismos aplicados no controle de pragas, como os do g\u00eanero Bacillus e Trichoderma, t\u00eam mostrado resultados muito positivos\u201d, disse Bettiol. \u201cEles estimulam a produ\u00e7\u00e3o de amino\u00e1cidos e enzimas que fortalecem a planta contra o calor, a salinidade e a falta de \u00e1gua. Em ensaios com cana-de-a\u00e7\u00facar e milho, observamos ganhos m\u00e9dios de at\u00e9 15% na produtividade, mesmo sem presen\u00e7a significativa de doen\u00e7as. Ou seja, eles atuam como uma esp\u00e9cie de bioestimulante natural\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">J\u00e1 o pesquisador da Embrapa Instrumenta\u00e7\u00e3o, Ladislau Martin Neto, trouxe \u00e0 pauta a rela\u00e7\u00e3o entre mat\u00e9ria org\u00e2nica do solo e cr\u00e9ditos de carbono. Segundo ele, cerca de 50% da composi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica \u00e9 carbono \u2014 o que faz do solo o terceiro maior reservat\u00f3rio desse elemento no planeta, superando, inclusive, a biomassa das florestas.&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Ele destaca que quando falamos em carbono, estamos tamb\u00e9m falando de mat\u00e9ria org\u00e2nica do solo. \u201cQuimicamente, cerca de 60% da mat\u00e9ria org\u00e2nica \u00e9 carbono. Ou seja, ele j\u00e1 est\u00e1 naturalmente presente em todas as propriedades rurais\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O pr\u00f3ximo passo \u00e9 consolidar o sistema de Medi\u00e7\u00e3o, Relato e Verifica\u00e7\u00e3o (MRV), para garantir rastreabilidade e credibilidade, e permitir que projetos de cr\u00e9dito de carbono sejam estruturados de forma consistente.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Premia\u00e7\u00e3o de Trabalhos | Conex\u00e3o Abisolo 2025<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A terceira edi\u00e7\u00e3o do Simp\u00f3sio de Biofertilizantes, realizada durante o Conex\u00e3o Abisolo 2025, premiou quatro pesquisas em duas categorias: M\u00e9rito Acad\u00eamico e M\u00e9rito Inova\u00e7\u00e3o. Foram 57 trabalhos inscritos, abordando temas como algas, amino\u00e1cidos, subst\u00e2ncias h\u00famicas e extratos vegetais. Os vencedores foram selecionados por um Comit\u00ea Cient\u00edfico e receberam R$ 5 mil cada, como reconhecimento \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es que impulsionam o desenvolvimento tecnol\u00f3gico da agricultura brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Pr\u00eamio M\u00e9rito Acad\u00eamico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u00a0\u2022 Categoria Biofertilizantes \u2013 Isolamento de fra\u00e7\u00f5es ativas da parede celular da microalga Chlamydomonas reinhardtii<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Autores: Elisa Te\u00f3filo Ferreira e Paulo Mazzafera<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u2022 Categoria Fertilizantes de Matriz Org\u00e2nica \u2013 Fontes e \u00e9pocas de aplica\u00e7\u00e3o de fertilizantes especiais na cultura do cafeeiro<br \/>&#13;<br \/>\nAutores: Adailton Agostinho Barbosa Freitas, Raquel Pinheiro da Mota, Reginaldo de Camargo, Igor Cruvinel Pena, Isabela Oliveira Queiroz e Jo\u00e3o Joaquim Assis Rezende<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Pr\u00eamio M\u00e9rito Inova\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u00a0\u2022 Categoria Biofertilizantes \u2013 Extrato de Ascophyllum nodosum como estrat\u00e9gia para reduzir o custo metab\u00f3lico induzido pelo Protioconazol na soja<br \/>&#13;<br \/>\nAutores: Bruno Mo\u00e7o Tessarolli, Samir Geraigire Filho, Mayara Cristina Malvas Nicolau, Jo\u00e3o William Bossolani, Jos\u00e9 Roberto Portugal e Carlos Alexandre Costa Crusciol<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">\u2022 Categoria Fertilizantes de Matriz Org\u00e2nica \u2013 Pot\u00e1ssio no sistema solo-planta ap\u00f3s aduba\u00e7\u00e3o com composto org\u00e2nico \u00e0 base de macr\u00f3fitas aqu\u00e1ticas<br \/>&#13;<br \/>\nAutores: Paulo Sergio Costa Trindade, Andr\u00e9 Luiz de Freitas Espinoza, Andr\u00e9 Lu\u00eds Pirotello, Jo\u00e3o Lucas Barbosa, Thiago Assis Rodrigues Nogueira e Tiago Tezotto<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><script data-cfasync=\"false\">\n    !function (f, b, e, v, n, t, s) {\n        if (f.fbq) return; n = f.fbq = function () {\n            n.callMethod ?\n                n.callMethod.apply(n, arguments) : n.queue.push(arguments)\n        };\n        if (!f._fbq) f._fbq = n; n.push = n; n.loaded = !0; n.version = '2.0';\n        n.queue = []; t = b.createElement(e); t.async = !0;\n        t.src = v; s = b.getElementsByTagName(e)[0];\n        s.parentNode.insertBefore(t, s)\n    }(window, document, 'script',\n        'https:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/fbevents.js');\n    fbq('init', '522546078623747');\n    fbq('track', 'PageView');\n<\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agrolink.com.br\/noticias\/biofertilizantes-e-biotecnologia-ampliam-fronteiras-da-agricultura-regenerativa_507341.html\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Fl\u00e1via Macedo\u00a0 Um dos temas mais relevantes debatidos durante o Conex\u00e3o Abisolo, que contemplou o II F\u00f3rum de Fertilizantes de<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22890,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[8,1,14],"tags":[],"class_list":["post-22889","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agro","category-news","category-politica-agro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22889"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22889"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22889\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/22890"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22889"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22889"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22889"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}