{"id":22767,"date":"2025-10-23T18:33:36","date_gmt":"2025-10-23T22:33:36","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=22767"},"modified":"2025-10-23T18:33:36","modified_gmt":"2025-10-23T22:33:36","slug":"o-que-o-mundo-aprendeu-sobre-seguro-rural-e-o-brasil-ainda-ignora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=22767","title":{"rendered":"O que o mundo aprendeu sobre seguro rural e o Brasil ainda ignora"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>A hist\u00f3ria do seguro rural no Brasil, <a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/brasil-ha-147-anos-debate-gestao-de-riscos-agricolas-sem-solucoes-eficazes-contra-mudancas-climaticas\/amp\/\">apresentada no primeiro artigo desta trilogia<\/a>, revela um ciclo de avan\u00e7os pontuais e muitos retrocessos. S\u00e3o 147 anos de debates e tentativas sem que o pa\u00eds realmente estruturasse uma pol\u00edtica de gest\u00e3o de riscos \u00e0 altura de sua agricultura.<\/p>\n<p>H\u00e1 exce\u00e7\u00f5es honrosas \u2014 como a atua\u00e7\u00e3o da Embrapa, que se tornou refer\u00eancia mundial no Zoneamento Agr\u00edcola de Risco Clim\u00e1tico (ZARC) desde 1996. Essa ferramenta cient\u00edfica permite identificar onde e quando plantar com base em dados clim\u00e1ticos, reduzindo perdas e aumentando a previsibilidade produtiva \u2014 algo que muitos pa\u00edses gostariam de ter\u2009\u2014\u2009mas que o Brasil ainda n\u00e3o transformou em pol\u00edtica de Estado.<\/p>\n<p>Enquanto seguimos presos a improvisos e renegocia\u00e7\u00f5es de d\u00edvidas do modelo de cr\u00e9dito amador e irrespons\u00e1vel, outros pa\u00edses constru\u00edram modelos s\u00f3lidos em que o seguro agr\u00edcola \u00e9 o eixo central da pol\u00edtica agr\u00edcola.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-espanha\">Espanha<\/h2>\n<p>Na Espanha, o sistema de seguros agropecu\u00e1rios gerido pela Agroseguro abrange produ\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas, pecu\u00e1rias, florestais e aqu\u00edcolas. O programa conta com 44 linhas de seguro \u2014 28 para agricultura, 12 para pecu\u00e1ria, 3 para aquicultura e 1 para silvicultura \u2014 e movimenta cerca de \u20ac 350 milh\u00f5es anuais em subven\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, equivalentes a quase R$ 2 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Nenhum produtor espanhol recebe ajuda extraordin\u00e1ria se n\u00e3o contratar seguro. Mais de 50 grupos regionais de discuss\u00e3o se re\u00fanem anualmente (produtores, cooperativas, seguradoras e governo) para ajustar o programa por cultura e regi\u00e3o \u2014 o que torna o sistema previs\u00edvel, confi\u00e1vel e altamente aderente.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-eua-e-china\">EUA e China<\/h2>\n<p>Nos Estados Unidos, o programa federal de seguro agr\u00edcola (Federal Crop Insurance Program) cobre aproximadamente 89% da \u00e1rea plantada de oito grandes culturas: milho, soja, trigo, algod\u00e3o, arroz, sorgo, aveia e cevada. Em 2024, o programa protegeu cerca de 540 milh\u00f5es de acres (mais de 200 milh\u00f5es de hectares), com subs\u00eddios anuais superiores a US$ 12 bilh\u00f5es e cobertura total aproximada de US$ 200 bilh\u00f5es em valor segurado. L\u00e1, o seguro \u00e9 visto como um investimento estrat\u00e9gico em estabilidade, n\u00e3o como despesa p\u00fablica eventual.<\/p>\n<p>A China, que iniciou seus programas em 2007 com subs\u00eddios de cerca de US$ 134 milh\u00f5es para seis prov\u00edncias, tornou-se em pouco mais de dez anos o maior mercado de seguro agr\u00edcola do mundo, com cobertura acima de 70% em algumas regi\u00f5es de arroz e milho, impulsionada por tecnologia, resseguro estatal e s\u00f3lida articula\u00e7\u00e3o entre governo e setor privado.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-turquia-e-america-latina\">Turquia e Am\u00e9rica Latina<\/h2>\n<p>Na Turquia, o modelo chamado TARS\u0130M (Agricultural Insurance Pool) combina regula\u00e7\u00e3o estatal e opera\u00e7\u00e3o privada, oferecendo cobertura para culturas, estufas e aquicultura, com agilidade nas indeniza\u00e7\u00f5es e apoio formal do Estado como regulador e garantidor.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, pa\u00edses como Chile, Peru e Col\u00f4mbia estruturaram fundos garantidores nacionais que permitem que pequenos e m\u00e9dios produtores tenham acesso ao seguro com apoio t\u00e9cnico, subs\u00eddio direto e governan\u00e7a clara \u2014 o que reduziu o endividamento do setor e trouxe maior estabilidade ao cr\u00e9dito agr\u00edcola.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\" id=\"h-australia\">Austr\u00e1lia<\/h2>\n<p>E finalmente, a Austr\u00e1lia merece um destaque, um artigo especial neste espa\u00e7o. Embora n\u00e3o opere predominantemente por meio de um fundo estatal-privado exclusivo de seguro agr\u00edcola, o pa\u00eds conta com diversas iniciativas integradas de mitiga\u00e7\u00e3o de riscos, seguro volunt\u00e1rio e subs\u00eddios pontuais. O relat\u00f3rio da National Rural Advisory Council (NRAC) concluiu que o seguro multi-risco tradicional n\u00e3o \u00e9 comercialmente vi\u00e1vel sem suporte estatal cont\u00ednuo.<\/p>\n<p>Essas experi\u00eancias internacionais t\u00eam em comum: o seguro rural em geral \u00e9 tratado como pol\u00edtica de Estado, coordenado, blindado a contingenciamentos e profundamente integrado ao sistema de cr\u00e9dito, tecnologia e mitiga\u00e7\u00e3o de riscos.<\/p>\n<p>Enquanto isso, no Brasil, a situa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 alarmante, resultado de uma trajet\u00f3ria marcada por falhas estruturais e pol\u00edticas insuficientes. No \u00faltimo artigo desta trilogia, vamos analisar as consequ\u00eancias dessa trajet\u00f3ria, com dados atualizados que mostram a realidade a que chegamos. N\u00e3o percam.<\/p>\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\">\n<figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"443\" height=\"660\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Credito-Rural-completa-60-anos-e-a-industria-das-renegociacoes.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4121585 size-full\"  \/><\/figure>\n<div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p>*<em><strong>Pedro Loyola<\/strong> \u00e9 consultor em gest\u00e3o de riscos agropecu\u00e1rios e financiamento sustent\u00e1vel e coordenador executivo do Observat\u00f3rio do Seguro Rural da FGV Agro.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n<p><em>O\u00a0<strong>Canal Rural<\/strong>\u00a0e a FGV Agro n\u00e3o se responsabilizam pelas opini\u00f5es e conceitos emitidos nos textos desta sess\u00e3o, sendo os conte\u00fados de inteira responsabilidade de seu autor. O <strong>Canal Rural <\/strong>se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s normas de publica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/o-que-o-mundo-aprendeu-sobre-seguro-rural-e-o-brasil-ainda-ignora\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria do seguro rural no Brasil, apresentada no primeiro artigo desta trilogia, revela um ciclo de avan\u00e7os pontuais e<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":21810,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-22767","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22767"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22767"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22767\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/21810"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22767"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22767"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22767"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}