{"id":22547,"date":"2025-10-21T09:16:27","date_gmt":"2025-10-21T13:16:27","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=22547"},"modified":"2025-10-21T09:16:27","modified_gmt":"2025-10-21T13:16:27","slug":"aquicultura-tem-mapeamento-aprimorado-com-vistoria-em-campo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=22547","title":{"rendered":"Aquicultura tem mapeamento aprimorado com vistoria em campo"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p style=\"text-align:justify\">A aquicultura brasileira est\u00e1 ganhando um retrato mais preciso e abrangente.\u00a0Quatro equipes da Embrapa Territorial percorreram, entre os dias 6 e 10 de outubro, cerca de 3.483 km nos estados do Acre, Alagoas, Sergipe, Minas Gerais e Rio Grande do Sul para confirmar, em campo, a presen\u00e7a de atividade aqu\u00edcola em pontos previamente identificados por sensoriamento remoto. O objetivo \u00e9 refinar os dados do\u00a0mapeamento da aquicultura brasileira\u00a0em viveiros escavados, cuja cobertura foi ampliada de 513 para 1.442 munic\u00edpios.\u00a0&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A a\u00e7\u00e3o \u00e9 apoiada pelo Minist\u00e9rio da Pesca e Aquicultura (MPA) e permitir\u00e1 identificar onde se concentram os empreendimentos aqu\u00edcolas no Pa\u00eds, desde produ\u00e7\u00f5es de pequena at\u00e9 larga escala, subsidiando pol\u00edticas p\u00fablicas para o setor. Al\u00e9m da valida\u00e7\u00e3o dos pontos de produ\u00e7\u00e3o, as equipes tamb\u00e9m coletaram dados sobre estrutura produtiva, manejo, regulariza\u00e7\u00e3o do uso da \u00e1gua e principais desafios enfrentados pelos produtores.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A escolha dos estados levou em conta a diversidade regional da aquicultura no Brasil. Uma equipe foi direcionada para cada regi\u00e3o do Pa\u00eds, considerando a log\u00edstica facilitada pela proximidade com unidades da Embrapa que prestaram apoio institucional com empr\u00e9stimos de ve\u00edculos para a expedi\u00e7\u00e3o, chamada de \u201cRally da Aquicultura\u201d. Os mais de 100 viveiros visitados foram selecionados com base na localiza\u00e7\u00e3o (munic\u00edpios que integram o G75 estadual, ou seja, aqueles respons\u00e1veis por 75% da produ\u00e7\u00e3o aqu\u00edcola em cada estado) e nos diferentes graus de certeza da exist\u00eancia de atividade aqu\u00edcola, abrangendo pontos considerados como confirmados, duvidosos e altamente incertos.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Cada localidade mostrou cen\u00e1rios bastante distintos e evidenciaram qu\u00e3o complexa \u00e9 a aquicultura brasileira.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Para a chefe-adjunta de Pesquisa da Embrapa Territorial, Luc\u00edola Magalh\u00e3es, coordenadora do estudo, os dados confirmados revelam uma atividade altamente heterog\u00eanea, que varia n\u00e3o apenas por tipo de tanque ou esp\u00e9cie cultivada, mas tamb\u00e9m por quest\u00f5es econ\u00f4micas, clim\u00e1ticas, estruturais e culturais. H\u00e1 desde pequenos tanques artesanais usados para recrea\u00e7\u00e3o, autoconsumo e com\u00e9rcio local, at\u00e9 propriedades com infraestrutura sofisticada.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Magalh\u00e3es ressalta que o mapeamento da aquicultura no Brasil vai al\u00e9m de uma tarefa t\u00e9cnica de reconhecimento territorial via imagens de sat\u00e9lite. \u201cAo contr\u00e1rio, trata-se de uma jornada profunda de entendimento sobre o Pa\u00eds, seus contrastes e as realidades locais que moldam, e, muitas vezes, dificultam a produ\u00e7\u00e3o aqu\u00edcola nacional. \u00c9 um Brasil de m\u00faltiplas realidades\u201d, afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Fernanda de Paula, secret\u00e1ria Nacional de Aquicultura do MPA, considera que o aprimoramento do mapeamento da aquicultura brasileira em viveiros escavados, com a verifica\u00e7\u00e3o direta em campo, representa um avan\u00e7o crucial para obter dados mais precisos e confi\u00e1veis sobre o setor, suas potencialidades e desafios, permitindo a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas mais eficazes e direcionadas \u00e0 sustentabilidade e ao desenvolvimento dos produtores.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Minas Gerais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">O analista Marcelo Fonseca e o bolsista Lucas Antunes visitaram propriedades em quatro munic\u00edpios de Minas Gerais: Esmeraldas, Caet\u00e9, Funil\u00e2ndia e Jequitib\u00e1. Nas localidades percorridas, constataram que a aquicultura ainda est\u00e1 longe de se consolidar como uma atividade econ\u00f4mica estruturada. A grande maioria dos tanques \u00e9 de pequena escala, voltada ao lazer ou autoconsumo, com uso espor\u00e1dico ou mesmo completamente abandonada. Mesmo os pontos previamente mapeados como potenciais unidades produtivas estavam, atualmente, desativados.&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Segundo o levantamento da Embrapa, os principais fatores que levaram \u00e0 desativa\u00e7\u00e3o das unidades foram quest\u00f5es clim\u00e1ticas, inseguran\u00e7a e frustra\u00e7\u00e3o com o retorno financeiro. Um dos casos mais emblem\u00e1ticos \u00e9 o de um produtor que investiu cerca de R$ 10 milh\u00f5es em uma estrutura completa, com tanques, frigor\u00edfico e c\u00e2mara fria &#8211; atualmente, tudo est\u00e1 paralisado. Ele apontou a falta de apoio institucional e de m\u00e3o de obra qualificada como principais entraves.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Outro produtor relatou ter abandonado os tanques ap\u00f3s furtos de peixes. A aus\u00eancia de assist\u00eancia t\u00e9cnica cont\u00ednua tamb\u00e9m foi mencionada por diversos produtores como um fator determinante para a desist\u00eancia da atividade.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A equipe da Embrapa tamb\u00e9m encontrou situa\u00e7\u00f5es inusitadas, como um tanque constru\u00eddo para batismo religioso e propriedades de lazer com estruturas sofisticadas, incluindo chal\u00e9s e capela, mas cujos tanques atualmente s\u00e3o utilizados apenas para recrea\u00e7\u00e3o ou para a dessedenta\u00e7\u00e3o animal.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Nordeste \u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Em Alagoas e Sergipe, o cen\u00e1rio foi positivo, com aquicultura tecnicamente organizada, com forte integra\u00e7\u00e3o ao mercado. Luc\u00edola Magalh\u00e3es e o bolsista Jos\u00e9 Galdino percorreram 656 km para visitar 27 \u00e1reas aqu\u00edcolas, onde a atividade foi confirmada em quase todos os pontos. A\u00a0 maioria dos tanques estava ativa e voltada para a produ\u00e7\u00e3o de peixes, como til\u00e1pia, tambaqui e xira (curimat\u00e3-pacu), al\u00e9m de camar\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Nas regi\u00f5es visitadas, houve contrastes. No entorno de Arapiraca predominava a produ\u00e7\u00e3o de camar\u00e3o de \u00e1gua salgada, o vanammei (Litopenaeus vannamei). J\u00e1 na regi\u00e3o de Propri\u00e1 e margens do S\u00e3o Francisco, a produ\u00e7\u00e3o em tanques escavados era mais diversificada, combinando camar\u00e3o vanammei, peixes e arroz e, em uma \u00fanica propriedade, camar\u00e3o da Mal\u00e1sia &#8211; uma esp\u00e9cie de \u00e1gua doce e com boa aceita\u00e7\u00e3o no mercado de Sergipe, segundo o produtor. Na regi\u00e3o de Pacatuba e Brejo Grande, a equipe encontrou produ\u00e7\u00e3o de peixe, camar\u00e3o e arroz, em tanques escavados, e peixes em lagoas naturais voltadas ao autoconsumo ou com\u00e9rcio local.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A presen\u00e7a integrada de arroz e camar\u00e3o chamou a aten\u00e7\u00e3o da equipe. \u201cFoi interessante entender que os tanques escavados para a produ\u00e7\u00e3o de camar\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o usados para produ\u00e7\u00e3o de arroz, especialmente na \u00e9poca das chuvas, quando a salinidade das \u00e1guas diminui. Alguns produtores decidem fazer esse uso alternativo do tanque aproveitando, tamb\u00e9m, as oportunidades de mercado. Isso nos d\u00e1 uma nova vis\u00e3o da regi\u00e3o e que tem impacto no m\u00e9todo de classifica\u00e7\u00e3o das imagens, permitindo melhorias no processo de identifica\u00e7\u00e3o desse uso m\u00faltiplo da infraestrutura\u201d, destacou Magalh\u00e3es.\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A comercializa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se mostrou bem estruturada, com escoamento para o Ceasa de Macei\u00f3, mercados em Sergipe e outros centros urbanos da regi\u00e3o. A maioria dos produtores relatou boa condu\u00e7\u00e3o da atividade, sem grandes dificuldades. Os que enfrentam entraves destacaram quest\u00f5es como acesso ao cr\u00e9dito rural, assist\u00eancia t\u00e9cnica e licenciamento ambiental. Tamb\u00e9m foram relatadas dificuldades pontuais na comercializa\u00e7\u00e3o, acesso \u00e0 \u00e1gua (depend\u00eancia da chuva ou desativa\u00e7\u00e3o de um dos ramais dos canais de irriga\u00e7\u00e3o do S\u00e3o Francisco), falta de energia el\u00e9trica e estradas.&#13;\n<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Apoio Institucional<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Magalh\u00e3es tamb\u00e9m destaca a parceria com o IBGE para o sucesso do\u00a0Rally da Aquicultura. As institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o parceiras na gera\u00e7\u00e3o de dados sobre a atividade para apoiar os trabalhos do pr\u00f3ximo censo agropecu\u00e1rio. A troca de dados e informa\u00e7\u00f5es permitiu uma primeira valida\u00e7\u00e3o em gabinete dos dados, o que foi \u00fatil na sele\u00e7\u00e3o das \u00e1reas a serem visitadas em campo.\u00a0\u00a0 Al\u00e9m disso, as equipes contaram com o apoio da Embrapa Alimentos e Territ\u00f3rios, Embrapa Acre, Embrapa Milho e Sorgo e Embrapa Trigo, que forneceram carros para a expedi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\"><strong>Mapeamento da Aquicultura<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">A\u00a0primeira vers\u00e3o do levantamento\u00a0identificou baterias de viveiros nos munic\u00edpios que respondiam por, aproximadamente, 75% da produ\u00e7\u00e3o de cada estado do Pa\u00eds. A \u00e1rea de estudo abrangeu 930 mil km2 em 513 munic\u00edpios. Esse grupo correspondia aos munic\u00edpios respons\u00e1veis por 75% da produ\u00e7\u00e3o em cada estado (G75) em 2016 de acordo com os dados da\u00a0Pesquisa Pecu\u00e1ria Municipal (PPM)\u00a0do\u00a0Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p style=\"text-align:justify\">Agora, com apoio do MPA, a Embrapa Territorial est\u00e1 atualizando e ampliando o mapeamento. A \u00e1rea total e o n\u00famero de munic\u00edpios mapeados mais do que dobrou: passou para 2,2 milh\u00f5es de km2 investigados em 1.096 munic\u00edpios. Estes foram selecionados a partir de tr\u00eas crit\u00e9rios: munic\u00edpios do G75 de cada estado em 2022; os que estavam no G75 em 2016; e o G75 estadual das l\u00e2minas d&#8217;\u00e1gua destinadas para aquicultura, conforme o\u00a0Censo Agropecu\u00e1rio de 2017. A equipe tamb\u00e9m mapeou todos os munic\u00edpios da Zona Costeira do Brasil, adicionando ao trabalho novos 346 munic\u00edpios em uma \u00e1rea adicional investigada de 337.051 km\u00b2.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><script data-cfasync=\"false\">\n    !function (f, b, e, v, n, t, s) {\n        if (f.fbq) return; n = f.fbq = function () {\n            n.callMethod ?\n                n.callMethod.apply(n, arguments) : n.queue.push(arguments)\n        };\n        if (!f._fbq) f._fbq = n; n.push = n; n.loaded = !0; n.version = '2.0';\n        n.queue = []; t = b.createElement(e); t.async = !0;\n        t.src = v; s = b.getElementsByTagName(e)[0];\n        s.parentNode.insertBefore(t, s)\n    }(window, document, 'script',\n        'https:\/\/connect.facebook.net\/en_US\/fbevents.js');\n    fbq('init', '522546078623747');\n    fbq('track', 'PageView');\n<\/script><br \/>\n<br \/><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agrolink.com.br\/noticias\/mapeamento-da-aquicultura-brasileira-e-aprimorado-com-verificacao-em-campo_507137.html\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A aquicultura brasileira est\u00e1 ganhando um retrato mais preciso e abrangente.\u00a0Quatro equipes da Embrapa Territorial percorreram, entre os dias 6<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10476,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[8,1,14],"tags":[],"class_list":["post-22547","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agro","category-news","category-politica-agro"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22547"}],"collection":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22547"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22547\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10476"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22547"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22547"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agromt.news\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22547"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}