{"id":22028,"date":"2025-10-13T17:01:32","date_gmt":"2025-10-13T21:01:32","guid":{"rendered":"https:\/\/agromt.news\/?p=22028"},"modified":"2025-10-13T17:01:32","modified_gmt":"2025-10-13T21:01:32","slug":"o-brasil-perde-seis-vidas-por-hora-para-a-comida-que-mata-e-eu-decidi-reagir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agromt.news\/?p=22028","title":{"rendered":"O Brasil perde seis vidas por hora para a comida que mata \u2014 e eu decidi reagir"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Estamos em guerra. E o inimigo n\u00e3o usa farda \u2014 usa embalagem. O Brasil perde seis pessoas por hora para doen\u00e7as causadas pelo consumo de alimentos ultraprocessados. S\u00e3o mais de 50 mil brasileiros por ano, v\u00edtimas de um sistema que transformou o ato de comer em um neg\u00f3cio bilion\u00e1rio, no qual a sa\u00fade virou um detalhe de marketing. <\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas, a publicidade nos ensinou que cozinhar era atraso, que a pressa era virtude e que o sabor podia ser substitu\u00eddo por \u201cefici\u00eancia nutricional\u201d. O golpe foi sutil, mas devastador: trocaram o cheiro da panela pelo ru\u00eddo da embalagem. E quando percebemos, j\u00e1 est\u00e1vamos viciados em conveni\u00eancia. <\/p>\n<p>N\u00e3o sou o mais habilitado para trazer este assunto. Nao sou nutricionista, m\u00e9dico, pol\u00edtico, sou apenas um gordo autodidata. Escrevo como algu\u00e9m que vive essa guerra diariamente. Tenho 61 anos e sofro com o excesso de peso. H\u00e1 anos venho tentando entender como cheguei at\u00e9 aqui. Como algu\u00e9m que dedicou 35 anos da vida ao alimento de verdade, ao <strong><a href=\"http:\/\/www.canalrural.com.br\/tag\/feijao\/\">feij\u00e3o<\/a><\/strong>, \u00e0 agricultura, \u00e0 comida que vem da terra, p\u00f4de ser vencido por um sistema que promete praticidade, mas entrega depend\u00eancia. <\/p>\n<p>Fui atr\u00e1s das respostas e descobri algo inc\u00f4modo: a mesma ind\u00fastria que vende produtos cheios de aditivos e promessas tamb\u00e9m investe nas empresas que fabricam os medicamentos que tratam as doen\u00e7as causadas por esses produtos. \u00c9 um c\u00edrculo de lucro perfeito \u2014 adoecer, vender, tratar, lucrar de novo. Isso n\u00e3o \u00e9 teoria conspirat\u00f3ria, \u00e9 l\u00f3gica de mercado. E diante disso, me perguntei: sou v\u00edtima ou c\u00famplice? A resposta doeu. Enquanto eu ficar em sil\u00eancio, sou c\u00famplice. Por isso decidi reagir. <\/p>\n<p>O excesso de peso \u00e9 apenas a ponta vis\u00edvel de uma dor muito mais profunda. Por tr\u00e1s de cada corpo cansado h\u00e1 hist\u00f3rias de vergonha, culpa, exclus\u00e3o, bullying e ansiedade. Vivemos em uma sociedade que cobra disciplina, mas ignora manipula\u00e7\u00e3o. O problema n\u00e3o est\u00e1 na for\u00e7a de vontade das pessoas, mas na for\u00e7a do sistema que as conduz. N\u00e3o \u00e9 falta de car\u00e1ter, \u00e9 falta de verdade. <\/p>\n<p>Enquanto isso, o campo segue resistindo. O produtor que planta feij\u00e3o, arroz, mandioca e gergelim continua sendo o guardi\u00e3o silencioso da sa\u00fade do pa\u00eds. Mesmo pressionado pelo mesmo processo que todos n\u00f3s o campo ainda fala a l\u00edngua da verdade. <\/p>\n<p>Foi nesse esp\u00edrito que lan\u00e7amos, no 10\u00ba F\u00f3rum Brasileiro do Feij\u00e3o, aprovado na C\u00e2mara Setorial, o Movimento Pr\u00f3-Feij\u00e3o. Ele prev\u00ea em uma das verticais a necessidade da necessidade de reagir a essa epidemia invis\u00edvel. N\u00e3o \u00e9 uma simples campanha de marketing. H\u00e1 necessidade de uma for\u00e7a-tarefa nacional em defesa da comida de verdade, do produtor ao consumidor. <\/p>\n<p>O bra\u00e7o social do movimento \u00e9 o Viva Feij\u00e3o, que come\u00e7a nas escolas, nas fam\u00edlias e nas redes sociais. Queremos resgatar o orgulho do prato feito brasileiro e ensinar \u00e0s crian\u00e7as que cozinhar \u00e9 um ato de amor, n\u00e3o de atraso. O feij\u00e3o \u00e9 o alimento mais democr\u00e1tico do pa\u00eds. Est\u00e1 na marmita do trabalhador e no restaurante mais sofisticado. Ele \u00e9 o elo entre o campo e a cidade, entre o passado e o futuro, entre o que fomos e o que ainda podemos ser. <\/p>\n<p>Entre outras prop\u00f5e as Rotas do Feij\u00e3o. Vamos mostrar ao Brasil a riqueza dos nossos terroirs. O feij\u00e3o-preto do Paran\u00e1, o carioca de Goi\u00e1s, o vermelho do sul de Minas, o rajado do noroeste mineiro o caupi de Mato Grosso e Nordeste \u2014 cada variedade tem um sabor, uma hist\u00f3ria, uma pesquisa, um rosto por tr\u00e1s. O consumidor precisa saber quem estudou aquela semente, quem cruzou as variedades, quem colheu, quem garantiu o sabor que chega \u00e0 mesa. Quando conhecemos a origem, valorizamos. E quando valorizamos, protegemos. <\/p>\n<p>Mas para virar o jogo, precisamos de todos. M\u00e9dicos, nutricionistas, professores, advogados, comunicadores e publicit\u00e1rios. Precisamos dos melhores craques do marketing, agora do lado certo. A mesma intelig\u00eancia que convenceu o mundo a comprar comida que mata pode convencer o pa\u00eds a voltar a comer o que o cura. <\/p>\n<p>Grandes podcasts como Flow, Intelig\u00eancia Limitada e todos os que entenderem o tamanho do problema e do desafios. Tamb\u00e9m precisamos dos influenciadores do bem \u2014 gente como Rita Lobo, Bela Gil, Rodrigo Hilbert, atletas como Neymar, Pop\u00f3 e tantos outros que possam emprestar suas vozes e suas redes para algo que vale infinitamente mais do que um contrato: salvar vidas. <\/p>\n<p>Depois de 35 anos dentro deste setor, n\u00e3o posso mais ficar calado. N\u00e3o quero que meu sil\u00eancio seja uma forma de coniv\u00eancia. O que est\u00e1 em jogo n\u00e3o \u00e9 apenas o mercado de alimentos \u2014 \u00e9 o futuro de um pa\u00eds inteiro. <\/p>\n<p>A guerra est\u00e1 em curso. Mas n\u00f3s temos as armas certas: informa\u00e7\u00e3o, afeto e muito feij\u00e3o com arroz. O feij\u00e3o \u00e9 o s\u00edmbolo dessa resist\u00eancia \u2014 o her\u00f3i do prato brasileiro. A cura come\u00e7a na mesa, e o futuro do pa\u00eds come\u00e7a quando tivermos coragem de encarar a verdade. Porque se o inimigo s\u00e3o as mentiras dos ultraprocessado, a nossa arma \u00e9 a verdade.<\/p>\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\">\n<figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"346\" height=\"278\" src=\"https:\/\/agromt.news\/wp-content\/uploads\/2025\/06\/Brasil-bate-recorde-nas-exportacoes-e-conquista-premio-por-sustentabilidade.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4103453 size-full\"  \/><\/figure>\n<div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p><em>*<strong>Marcelo L\u00fcders<\/strong> \u00e9 presidente do Instituto Brasileiro do Feij\u00e3o e Pulses (Ibrafe), e atua na promo\u00e7\u00e3o do feij\u00e3o brasileiro no mercado interno e internacional<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n<p><em>O\u00a0<strong>Canal Rural<\/strong>\u00a0n\u00e3o se responsabiliza pelas opini\u00f5es e conceitos emitidos nos textos desta sess\u00e3o, sendo os conte\u00fados de inteira responsabilidade de seus autores. A empresa se reserva o direito de fazer ajustes no texto para adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s normas de publica\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.canalrural.com.br\/opiniao-noticias\/o-brasil-perde-seis-vidas-por-hora-para-a-comida-que-mata-e-eu-decidi-reagir\/\">Source link <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos em guerra. E o inimigo n\u00e3o usa farda \u2014 usa embalagem. 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